Golpe não deu votos ao PMDB de Temer "Derrotado no chamado “triângulo eleitoral das Bermudas” (Rio, São Paulo e Belo Horizonte), o partido de Temer venceu apenas em Boa Vista (RR)

Golpe não deu votos ao PMDB de Temer

Beto Barata "Derrotado no chamado “triângulo eleitoral das Bermudas” (Rio, São Paulo e Belo Horizonte), o  partido de Temer venceu apenas em Boa Vista (RR), com Teresa Jucá, no primeiro turno. Certamente um resultado frustrante para quem patrocinou o golpe apostando na viabilização de um projeto próprio de poder", diz a colunista Tereza Cruvinel; "O rompimento da aliança com o PT não favoreceu o PMDB nas primeiras eleições após o impeachment e resultou, pelo menos neste primeiro turno, no favorecimento da ala tucana mais conservadora e na emergência de candidatos de direita filiados a partidos pequenos e sem proeminência, num aumento também nefasto da dispersão político-partidária"

Golpe não deu votos ao PMDB de Temer

Beto Barata
O PT, como era previsível,  perdeu nas urnas deste domingo mais da metade das prefeituras que tinha e só ganhou em uma capital, Rio Branco (AC).  Mas foi o PSDB, e não o  PMDB, que o removeu do Planalto com o golpe do impeachment para herdar o governo, o maior beneficiário da onda conservadora. Derrotado no chamado “triângulo eleitoral das Bermudas” (Rio, São Paulo e Belo Horizonte), o  partido de Temer venceu apenas em Boa Vista (RR), com Teresa Jucá, no primeiro turno.   Certamente um resultado frustrante para quem patrocinou o golpe apostando na viabilização de um projeto próprio de poder.  “Derrotamos o PMDB em homenagem à democracia brasileira”, proclamou Marcelo Freixo, do PSOL, sob gritos de “Fora Temer. Ele passou ao segundo turno derrotando o peemedebista Pedro Paulo.
         A rejeição ao governo Temer certamente contribuiu para o resultado frustrante do PMDB nas capitais, ainda que o partido venha a manter o maior numero de prefeituras do pais, concentradas no interior. As maiores derrotas sofridas pelo  partido de Temer foram impostas pelo aliado PSDB, como a de São Paulo, onde Marta Suplicy amargou um quarto lugar neste primeiro turno, em sinal de rejeição  à sigla e também ao oportunismo dela, que deixou o PT quando o barco em que sempre viajou fez água,  para garantir a candidatura. Em São Paulo, o governador tucano Geraldo Alckmin fez barba, cabelo e bigode, ganhando na capital e nas maiores cidades. Derrotou o PT em seus feudos mas esmagou também o PMDB de Temer.
         As refregas entre os dois partidos no primeiro turno, e as disputas que terão no segundo, devem ter  reflexos sobre uma aliança que vem claudicando a olhos vistos, com os tucanos cobrando resultados na agenda neoliberal prometida por Temer e até admitindo retirar o apoio ao governo. Ao mesmo tempo, a Lava Jato emite todos os sinais de que, depois dos danos impostos ao PT, agora pode voltar seu fogo contra os peemdebistas envolvidos no petrolão.
         Afora São Paulo, o PSDB derrotou o PMDB na capital do estado do poderoso ministro Eliseu Padilha. Em Porto Alegre, o tucano Marchezan Júnior  chegou na frente do peemedebista Sebastião Melo e eles vão se enfrentar no segundo turno.   Em Minas, o tucano João Leite não ganhou no primeiro turno, enfraquecendo o senador Aécio Neves,  mas o peemedebista Rodrigo Pacheco ficou em terceiro lugar.  No Ceará do líder Eunício Oliveira o PMDB chegou ao quarto lugar.  No Pará de Jáder Barbalho o mais votado em Belém foi o tucano Zenaldo Coutinho, que disputará o segundo turno com Edmilson, do PSOL. O PMDB ficou na turma da lanterna.  No Maranhão de Sarney a disputa na capital, no segundo turno, será entre o pedetista Edvaldo Holanda e Eduardo Braide, do PMN. Nas Alagoas de Renan Calheiros, o tucano Rui Palmeira foi o mais votado e disputará o segundo turno com o peemedebista Cícero Almeida, que larga em desvantagem. Na Bahia de Geddel Vieira Lima a força avassaladora de ACM Neto deixou o PMDB comendo poeira.  Em Goiás deu-se o contrário. O ex-governador Iris Resende, peemedebista histórico, é que chegou com larga vantagem ao segundo turno, podendo derrotar o candidato Vanderlan (PSB), apoiado pelo governador tucano Marcone Perilo. Em Porto Velho, base do senador Valdir Raupp, vice-presidente do PMDB, o mais votado foi o tucano Dr. Hildon, deixando o peemedebista Pimentel em quarto lugar.  PMDB e PSDB vão se enfrentar também em Cuiabá. Mas, no frigir dos votos, afora Jucá, todos os líderes peemedebistas do golpe foram derrotados nas capitais.
         A aliança entre o PMDB e  PT nunca se reproduziu linearmente nos estados, tanto em eleições municipais como nas estaduais. Ela garantiu, entretanto, uma supremacia das forças de centro e de centro-esquerda que garantiu a estabilidade política ao longo dos governos petistas, ciclo interrompido a partir da eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara, no início de 2015, quando começa a desestabilização do governo Dilma.  O rompimento da aliança não favoreceu o PMDB nas primeiras eleições após o impeachment e resultou, pelo menos neste primeiro turno, no favorecimento da ala tucana mais conservadora e na emergência de candidatos de direita filiados a partidos pequenos e sem proeminência, num aumento também nefasto da dispersão político-partidária.
             “Direita, volver”, disseram os eleitores na maioria das capitais e dos municípios. Passado o segundo turno, que deve confirmar esta inflexão, começará um novo jogo com vistas a 2018. Nas condições políticas e econômicas atuais – com a sustentabilidade do governo Temer sempre ameaçada e a economia fazendo água – é temerário afirmar que a supremacia conservadora prevalecerá também na eleição presidencial, embora seja o mais provável. Até lá, muitas águas vão rolar. Tudo dependerá muito do desempenho do governo e da economia, da Lava Jato, da relação do PSDB com o governo e da própria sobrevivência de Temer, que ainda tem sobre a cabeça a ação tucana no TSE que pede a cassação da chama Dilma-Temer.
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Os vereadores não querem que você se lembre deles As Câmaras recebem, anualmente, até 7% do orçamento do município. Estamos falando de verdadeiras caixas pretas, muitas vezes com verbas milionárias, que precisam de mais atenção.
















Foto: Câmara dos Vereadores/RJ

Os vereadores não querem que você se lembre deles

No próximo domingo, 2 de outubro, os brasileiros vão escolher quem ocupará as Câmaras Municipais pelos próximos quatro anos. Estamos falando de verdadeiras caixas pretas, muitas vezes com verbas milionárias, que precisam de mais atenção. Teoricamente, é nelas que os políticos começam a carreira, mas, na prática, é de onde muitos não querem sair.
Só no Rio de Janeiro, 32 foram reeleitos em 2012 – dez deles, apesar de serem réus em processos. Os dois vereadores mais antigos tentam ser eleitos pela sétima vez este ano. Aliás, todos os 51 vereadores cariocas são candidatos à reeleição. Não por acaso.
Os vereadores não estão tão sob holofotes da mídia e da sociedade como os deputados, mas têm tanto poder quanto um político da Assembléia Legislativa – só que, em vez de fiscalizar o governador, eles têm que ficar de olho no que o prefeito faz.
O Rio tem uma Câmara nada transparente, habitada por aliados do prefeito e pouco produtiva, como muitas das mais de 5.500 casas municipais de leis do país.
Se é difícil alguém se lembrar em que vereador votou nas últimas eleições, mais raro ainda é alguém dizer que acompanhou de perto o trabalho do Legislativo na sua cidade.
Coordenando o projeto “E aí, vereador?”, que busca dar mais visibilidade às ações dos vereadores do Rio, tive que recorrer à Justiça como última tentativa de fazer valer a Lei de Acesso à Informação. Está na 7ª vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do estado um mandado de segurança em que peço mais uma intervenção do Judiciário no Legislativo carioca. O objetivo é conseguir uma liminar que obrigue a Câmara de vereadores a cumprir a Lei de Acesso à Informação, divulgando dados sobre gastos da Câmara que não estão no portal de transparência.
A última intervenção do tipo foi no mês passado, quando o juiz Eduardo Antônio Klauser, o mesmo que está com o mandado de segurança citado acima, determinou a reabertura da CPI das Olimpíadas. O objetivo dessa CPI é investigar, por exemplo, todos os contratos fechados com empreiteiras denunciadas pela Operação Lava-Jato. Dos cinco integrantes da CPI, quatro são do PMDB, o partido do prefeito Eduardo Paes, que tem a maior bancada da Câmara, com 18 vereadores.
Se não há muito de que se orgulhar quando se olha para o desempenho dos vereadores fiscalizando o executivo, quem quiser reeleger algum pode analisar a lista de projetos de lei apresentados por ele.
Usando novamente o exemplo do Rio, entre janeiro de 2013 e julho de 2016, mais de 1.500 propostas foram levadas ao plenário do Palácio Pedro Ernesto. Os 114 para dar nomes a ruas e prédios públicos e os 143 para incluir datas comemorativas ao calendário oficial do município não chegam a 20% do total. Mas as datas, em especial, chamam atenção por serem, no mínimo, inusitadas. Se o carioca não sabe direito como foram gastos os quase R$ 2 bilhões repassados pela prefeitura à Câmara desde janeiro de 2013 até as eleições, pode festejar por viver em uma cidade onde se comemoram o Dia do Pão (1904/2016), o Dia da Carioquice Feminina (1439/2015) e também o Dia da Carioquice Masculina (1440/2015). Todos os projetos de lei podem ser consultados no site da Câmara.
No caso do Rio, além de um salário bruto de R$ 18.991,68 (26% maior que o da legislatura anterior), cada vereador tem à sua disposição 23 assessores, pode gastar mil litros de combustível e 4 mil selos.
Vereadores por todo o país dão demonstrações claras de que não querem ser incomodados, seja recolhendo exemplares de jornais das bancas quando estão na primeira página com uma grave denúncia ou movendo ações judiciais contra meios de comunicação. E essas práticas têm aumentado, de acordo com levantamento da Abraji ( Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), que desenvolveu o projeto Ctrl+X, que monitora ações judiciais para retirada de conteúdo do ar ou até mesmo pedindo censura prévia.
Há, ainda, os que fazem ligações ameaçadoras a repórteres que se atrevem a tentar abrir essas caixas pretas. Parecem querer mesmo continuar às margens do noticiário e do controle social, já que, no geral, ninguém fiscaliza mesmo o trabalho deles.
Se é difícil alguém se lembrar em que vereador votou nas últimas eleições, mais raro ainda é alguém dizer que acompanhou de perto o trabalho do Legislativo na sua cidade. As Câmaras recebem, anualmente, até 7% do orçamento do município. É importante saber como, exatamente, tudo isso é gasto.
O salário de um vereador pode ser de 20% a 75% do subsídio de um deputado estadual. Depende do número de habitantes da cidade, de acordo com a Emenda Constitucional nº 25/2000. No caso do Rio, além de um salário bruto de R$ 18.991,68 (26% maior que o da legislatura anterior), cada vereador tem à sua disposição 23 assessores, pode gastar mil litros de combustível e 4 mil selos.
No meio de tanta falta de transparência, improdutividade e ineficiência, há quem tente fazer algo de bom, mas é difícil – no atual cenário – saber quem é digno de subir no pódio desta competição em que o povo fica cada vez mais em último lugar. Só que o eleitor precisa se lembrar que é ele o verdadeiro juiz dessa “prova”.
copiado   https://theintercept.com/

Jornalistas do Voz da Comunidade são presos e agredidos pela Polícia Militar por fazer jornalismo O caso de Rene Silva e Renato Moura demonstram como jornalismo de verdade é sob ataque diário no Brasil.

Jornalistas do Voz da Comunidade são presos e agredidos pela Polícia Militar por fazer jornalismo

Daiene Mendes, Cecilia Olliveira Oct. 1
O caso de Rene Silva e Renato Moura demonstram como jornalismo de verdade é sob ataque diário no Brasil.

Jornalistas do Voz da Comunidade são presos e agredidos pela Polícia Militar por fazer jornalismo

Dois jornalistas do veículo independente Voz da Comunidade foram detidos na manhã deste sábado (01) quando cobriam a violenta remoção da Favelinha da Skol, no Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro. Rene Silva e Renato Moura, claramente identificados como repórteres, não cumpriram a ordem dos policiais militares de desligar os equipamentos e foram enquadrados por desacato e desobediência e levados para 45ª Delegacia.
Os policiais estavam retirando moradores que tinham reocupado o terreno onde suas casas foram demolidas pelo estado, depois de pararem de receber o aluguel social que foi acordado para que saíssem da área. No vídeo do Voz da Comunidade é possível ver os soldados botando fogo nos pertences dos moradores. Uma testemunha não nomeada relata que os policiais bateram nos moradores e usaram gás de pimenta durante a remoção. Questionados pelo The Intercept Brasil sobre a truculência da ação a PM respondeu que “após rápida negociação, as pessoas se retiraram sem a necessidade de uso progressivo da força e ou armamento não letal”, mas se recusou a informar se tinham mandado de reintegração de posse.
Logo depois, policiais irritados com a presença dos jornalistas e com a insistência destes em cumprir o que lhes é garantido pela lei de liberdade de expressão — e imprensa —, deram um tapa no celular de Rene Silva, no momento em que ele realizava uma transmissão ao vivo pela página do jornal. A denúncia da prisão foi feita ao vivo na página de Facebook do Coletivo Papo Reto.
“Eu sabia que não estava fazendo nada de errado. O policial jogou o meu celular no chão, com um tapa, e depois ficou com o aparelho. No momento que eu tentei pegar meu telefone para continuar a transmissão ao vivo, ele me deu voz de prisão por desobediência e me algemou. Quando eu já estava imobilizado, um outro policial disparou spray de pimenta na direção dos meus olhos”, conta Silva ao The Intercept Brasil.
A prisão dos jornalistas foi totalmente arbitrária e mostra que a polícia vem usando desta tática para coibir que seus atos ilegais sejam veiculados, nota o advogado Luan Cordeiro, que vem atuando junto à manifestações populares desde 2013. “Os policiais militares deram voz de prisão aos jornalistas sobre a justificativa de desobediência e desacato”, relata Cordeiro. “O que na verdade ocorreu, foi uma clara violação à dois direitos essenciais em uma democracia: o da liberdade de expressão, das pessoas que estavam protestando contra a desocupação e é o da liberdade de imprensa que cobria a operação da Polícia Militar.”
Ilustração: The Intercept Brasil
Outros jornalistas que estavam no local e continuaram gravando na hora em que Silva e Moura foram detidos não foram presos. Após quatro horas, os dois foram liberados.Rene Silva e Renato Moura vão responder por crime de desobediência e serão investigados por esbulho possessório (invasão de propriedade), conforme o relato do delegado Fábio Asty, titular da 45ª DP, ao jornal O Globo.
“É urgente frear essa situação bizarra de perseguição à quem atua nos campos da comunicação independente e direitos humanos.”
Logo após a liberação dos jornalistas, a tensão no lugar voltou, com a polícia jogando gás de pimenta e usando balas de borracha para dispersar as pessoas. Carlos Coutinho, videojornalista e membro do Coletivo Papo Reto, foi atingido por duas balas de borracha, uma na perna e outra na costela, de acordo com ele, por um policial que tinha o ameaçado em frente à delegacia, quando ele filmava a soltura dos detidos.
“Quando chegamos na delegacia, alguns policiais, tanto da militar quanto da civil, perguntaram se a gente era do Coletivo [Papo Reto], se trabalhávamos com o Raull [Santiago]”, disse Silva, que fundou o Voz da Comunidade há 11 anos e atua como editor-chefe.

Há pouco mais de duas semanas o jornalista que gravou a detenção de Silva e Moura, Raull Santiago, descia uma rua no Complexo do Alemão quando viu uma blitz da PM. Um ônibus foi abordado e os policiais pediram algumas pessoas para descer do veículo. “De repente um dos PMs começou a agredir um dos jovens e os outros PMs vieram na minha direção, por eu estar ali com o celular acompanhando a abordagem. Pediram minha identidade e queriam me levar de testemunha”, explicou Santiago em um post no Facebook. Disse ainda ter sido questionado se era advogado para querer observar ações da polícia e o porquê da filmagem.
Santiago, que ficou conhecido por cobrir violência e violações de direitos diárias no Complexo do Alemão, afirmou ainda ter sido ameaçado. “Vai filmar bandido, porra! Tu mora ali na [rua] sem saída, bem no beco”, ouviu o jornalista, que neste momento diz ter sido filmado um policial enquanto outro o acusava de atrapalhar seu trabalho. “Pode me filmar e denunciar, não vai dar em nada! No máximo eu volto pro 9º Batalhão”, ouviu ele no momento em que outro agente disse: “Passa uma moto a paisana, te pega e ninguém vê”. Santiago estava junto com Luciano Garcia, que testemunhou a descrição.
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Três policiais falam com Raull Santiago e Luciano Garcia. Foi neste momento em que Santiago afirma ter se sentido ameaçado.
Foto: Raull Santiago/Facebook
Uma hora depois, o jornalista foi avisado de que policiais faziam uma busca para “prender os meninos do tráfico”, deixando claro que a informação foi passada por Raull Santiago. Informações sobre denúncias são delicadas e podem colocar a vida do denunciante em risco. Exatamente por isso são feitas anonimamente, através do Disque Denúncia ou 190. Santiago nega ter passado qualquer informação do tipo.
“Me senti muito mal em ter que sair da minha casa, com minha família, sofrendo ameaças do estado, através da PM, por estar denunciando a violência institucional da corporação e lutando por garantia de direitos para nós, da favela. É urgente frear essa situação bizarra de perseguição à quem atua nos campos da comunicação independente e direitos humanos. É inaceitável a polícia abordar pessoas de forma aleatória e perguntar se conhecem ou trabalham comigo. O que querem? Porque isso? Simplesmente opressão e perseguição à nós, ativistas da favela”, diz Santiago que é também defensor de direitos humanos da Front Line Defenders e trabalhou na campanha Jovem Negro Vivo, da Anistia Internacional.
Devido à gravidade das ameaças, ele ficou temporariamente fora da comunidade. “É de conhecimento público o relato do midiativista Raull Santiago, do coletivo Papo Reto, sobre as ameaças que recebeu por parte de policiais, devido ao seu trabalho de documentação e denúncia de violações de direitos humanos pela polícia no Complexo do Alemão”, explicou Àtila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil. Questionados sobre as ameaças, a Polícia Militar não respondeu ao The Intercept Brasil.
Fazer jornalismo de peso no Brasil pode ser extremamente perigoso e repórteres de pequenos veículos correm ainda mais risco. O país caiu para a 104ª posição no ranking anual de liberdade de imprensa da organização Repórteres Sem Fronteiras, em parte, devido ao “nível muito preocupante de violência contra jornalistas”. Nesta semana, Edvaldo Oliveira, idealizador do jornal Voz das Cidades foi baleado no ombro enquanto distribuía o jornal em Franco da Rocha, cidade satélite de São Paulo. Conhecidos relatam que ele foi alvejado por causa de seu trabalho que “passou a incomodar muita gente” e já tinha recebido ameaças e intimidação há quatro meses, segundo TV SBT. De acordo com a Comitê para Proteger Jornalistas, em 2015, o Brasil foi o país mais mortífero para a imprensa na América do Sul. Desde 1992, 39 jornalistas foram assassinados em serviço.

 copiado   https://theintercept.com/

A história quando se repete é farsa… 2016 não é 1989!

Ao contrário de 1989, na eleição de domingo, 02/10, há o risco de candidatos à esquerda ficarem fora do segundo turno. Entregaremos a prefeitura das duas principais cidades a aliados do golpe já no primeiro turno?

A história quando se repete é farsa… 2016 não é 1989!

Marcelo Auler

E, 1989, toda a acirrada disputa do primeiro turno entre Lula e Brizola, não impediu que a esquerda, unidca - na foto também Mario Covas - unida enfrentasse o segundo turno.Na eleição deste domingo (02/10/2016, ) a situação é diferente.
Em 1989, toda a acirrada disputa do primeiro turno entre Lula e Brizola não impediu que a esquerda, unida (na foto, vê-se  também Mario Covas à esquerda), enfrentasse o segundo turno. Na eleição de amanhã, a situação é diferente.
A 24 horas das eleições municipais, olhando o quadro nas duas principais cidades do país, recordei o que vivenciamos no Rio de Janeiro em 1989, na primeira eleição direta para a Presidência da República depois da ditadura militar.
Naquela disputa, principalmente no Rio de Janeiro, onde Leonel Brizola tinha força, a esquerda se deu o direito de se dividir no primeiro turno. Era algo até normal, depois do longo período de ressaca, sem eleições diretas, imposto pelo golpe civil-militar de 1964.
Às vésperas do primeiro turno, quem entrasse no Restaurante Lamas, no bairro do Flamengo, encontraria os clientes divididos fisicamente em fileiras de mesas: de um lado, os brizolistas; do outro, os lulistas. Praticamente todos se conheciam. Afinal, haviam lutado juntos contra a ditadura, cada um em sua trincheira. Eram torcidas barulhentas, cada qual gritando suas palavras de ordem e tentando superar a dos adversários. Foi uma bonita festa. Assim como foi acirrada a disputa entre os dois, voto a voto, até se delinear que Lula representaria a esquerda no segundo turno, contra o novato Fernando Collor de Mello, do então PRN.
O segundo turno foi uma luta desigual, tal como ocorreu agora com o golpe contra Dilma Rousseff, que feriu o Estado Democrático de Direito. A grande mídia apoiou e sustentou o chamado “caçador de marajás”. Era, segundo essa mídia tradicional e conservadora, o “salvador da pátria”, após o final desastroso do governo de José Sarney (PMDB). Recorde-se às gerações mais novas que estávamos distantes dos tempos de internet, Facebook e redes sociais. O forte na campanha era a televisão, tanto assim que a TV Globo, na véspera do pleito, apresentou uma reportagem toda manipulada sobre o debate dos dois candidatos, o que prejudicou ainda mais a Lula.

Ao contrário de 1989, na eleição de domingo, 02/10, há o risco de candidatos à esquerda ficarem fora do segundo turno. Entregaremos a prefeitura das duas principais cidades a aliados do golpe já no primeiro turno?
Ao contrário de 1989, na eleição deste  domingo, 2 de outubro de 2016, há o risco de candidatos à esquerda ficarem fora do segundo turno. Ou apostamos na possibilidade de Fernando Haddad (SP) e Marcelo Freixo (RJ) chegarem ao segundo turno ou estaremos entregando, já no primeiro turno, as prefeituras das duas principais cidades do país a aliados do golpe que destituiu Dilma Rousseff.
Mas, ao contrário do que ocorre hoje, no primeiro turno daquele pleito, não só por conta do exagerado número de candidatos (22) como pelo sentimento de oposição após anos de ditadura militar, as chances de a esquerda ficar fora do segundo turno eram pequenas. Afinal, até os conservadores de hoje, como Roberto Freire (PPS) e o próprio Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que só não apoiou Collor de Mello por conta das posições firmes de Mario Covas, apresentavam-se como tal, isto é, de esquerda. Eram mínimos os riscos das chamadas “forças progressistas” não serem representadas no segundo turno.
Esta é a principal diferença com as eleições deste domingo, 2 de outubro, quando estarão em jogo prefeituras de cidades importantes. Vivemos um período totalmente distinto, em que setores da esquerda – o PT, principalmente – foram demonizados pela mídia, com ou sem razão. Além disso, partidos que eram ideologicamente “progressistas”, como o PDT de Brizola, hoje se juntaram a políticos que não se preocupam com qualquer posição ideológica.
Quem poderia imaginar Cidinha Campos (PDT), a deputada que nunca fugiu de uma briga, apresentar-se como candidata a vice de Pedro Paulo, o candidato de Eduardo Paes, Jorge Picciani, Pezão e todos os golpistas do PMDB no Rio, que desrespeitaram os 54 milhões de votos dados a Dilma Rousseff? Alguém é capaz de definir a posição ideológica do candidato? Não duvido que, apesar de cassado com a ajuda de seu antigo aliado, Eduardo Cunha ainda o apoie. Duvido menos ainda que, em vida, Brizola e Darcy Ribeiro permitissem aliança com políticos que apoiaram o golpe do impeachment e, com isso, feriram a democracia que eles ajudaram a reconquistar, inclusive com sacrifícios pessoais.
Há de se ter em mente que a esquerda tem hoje um inimigo comum: os golpistas que derrubaram uma presidente eleita democraticamente, acusando-a de um crime que não cometeu. E o que vemos é a esquerda, mais uma vez, se digladiar, sem se incomodar com o fato de que isso só beneficiará aqueles interessados no poder. Ajudam a políticos que antes de se preocuparem com o bem público visam a seus interesses pessoais, quando não interesses escusos.
Deixar um João Dória (PSDB) e um Celso Russomanno (PRB) disputarem sozinhos a prefeitura de São Paulo no segundo turno é algo inimaginável. O mesmo se pode dizer com relação ao Rio, onde, se a esquerda não se unir (ainda que por meio do famigerado voto útil, que jamais imaginei defender), teremos Pedro Paulo (PMDB) enfrentando Marcelo Crivella (também do PRB) no segundo turno.
Perderemos a chance de levar – aqui no Rio, até mais do que em São Paulo – um representante das forças progressistas a uma disputa com possibilidades reais de conquistar a prefeitura, dada a rejeição que Crivella sempre teve por estar umbilicalmente ligado à Igreja Universal do Reino de Deus.
Não podemos esquecer que estes quatro – Dória, mesmo sem ser parlamentar, Russomanno, Crivella e Pedro Paulo –  estão do lado de Michel Temer e dos golpistas que derrubaram Dilma Rousseff. No Rio, então, a situação é mais gritante, pois os dois candidatos locais se beneficiaram das gestões dela e dos governos do PT.
Paes, Cabral, Pedro Paulo e Pezão se beneficiaram dos governos Lula e Dilma; Crivella, apoiou Lula e e foi ministro de Dilma. Mas todos estão hoje com o governo golpista de Michel Temer.
Paes, Cabral, Pedro Paulo e Pezão se beneficiaram dos governos Lula e Dilma; Crivella apoiou Lula e e foi ministro de Dilma. Mas todos estão hoje com o governo golpista de Michel Temer.
Crivella esteve ligado ao governo Lula, cujo vice-presidente, José de Alencar, o ajudou a fundar o PRB. Depois, foi ministro de Dilma. Pedro Paulo participou do governo de Eduardo Paes, a quem serve de “escudeiro” (e vice-versa). Um governo cujos resultados positivos estão intrinsecamente ligados ao apoio não apenas financeiro dispensado pelos petistas que estavam no Palácio do Planalto. Curioso é que eleitores do Rio que foram às ruas gritar contra a corrupção hoje apoiam o PMDB, esquecendo-se do envolvimento de Sérgio Cabral e sua trupe nas bandalheiras que estão sendo denunciadas. Onde a coerência?
Não resta dúvida que políticos como Alessandro Molon (Rede), Jandira Feghalli (PCdoB) e Luiza Erundina (PSOL) têm o direito de tentar conquistar os eleitores com suas propostas políticas. Aliás, em recente encontro casual, no lançamento de um livro de Frei Betto em São Paulo, declarei meu apoio à candidatura de Erundina, mulher de fibra, que impõe respeito pela vida coerente que sempre teve e pelas ideias que defende. É uma excelente candidata, mas não conseguiu transpor o conservadorismo dos eleitores paulistanos. Hoje, fosse eu eleitor em São Paulo, votaria em Fernando Haddad, com todas as críticas que tenho ao PT, porém reconhecendo a gestão dele à frente da prefeitura.
O mesmo posso dizer de Molon, outro que merece respeito por sua coerência política e retidão de caráter. Mesmo quando esteve no PT não aceitou as coligações e alianças com o lado espúrio da política fluminense, nitidamente calcados em interesses mais pessoais do que coletivos – o que marcou os petistas cariocas com a famosa alcunha de “partido da boquinha”. Mas, pelo que o próprio Molon constata na pele, sua opção partidária ao deixar o PT não encontrou respaldo nos eleitores do Rio.
Com relação a Jandira, que apoiei para senadora, me posicionei contra a perseguição que sofreu, principalmente das igrejas, por sua defesa do direito ao aborto. Mesmo admirando sua carreira política, discordo das posições de seu partido (PCdoB) assim como discordei do PT do Rio de Janeiro, em especial nas alianças que fizeram ao longo dos anos, muitas vezes ditadas por interesses outros, como ocorreu com o apoio a Garotinho e a Sérgio Cabral/Jorge Picciani. O ideal seria que Jandira, Freixo e Molon se unissem ainda no primeiro turno, o que não foram capazes de concretizar.
Não há como sonhar em desistência de candidaturas. São os eleitores que devem decidir o que fazer na urna eleitoral para tentar garantir representantes de esquerda no 2º turno.
Não há como sonhar em desistência de candidaturas. São os eleitores que devem decidir o que fazer diante da urna para tentar garantir representantes de esquerda no segundo turno.
Decisão do eleitor – Não vou sonhar com a retirada de candidaturas. Isso não costuma ocorrer e o resultado prático é desconhecido. Mas acho que o eleitor que se preocupa com questões sociais nesse país – independentemente da legenda partidária de sua preferência – precisa decidir seu voto de domingo de olho na situação nacional, ainda que ele seja para governo municipal. É do eleitor que se espera ajuda para derrotar determinados clãs políticos, como o PMDB no Rio, de passado nebuloso, e aventureiros como Dória e Russomanno na capital paulista.
Pensando assim é que defendo publicamente o voto em Marcelo Freixo (PSOL – 50) para a prefeitura carioca e a continuidade de Fernando Haddad (PT – 13), em São Paulo. São candidatos dos quais não se pode falar mal – Haddad fez uma administração digna, voltada para os mais necessitados – e que podem representar uma caminhada à esquerda rumo a novas alianças e novos compromissos por aqueles que se preocupam com o país após o golpe do impeachment. Freixo representa, com sua legenda política, a esperança de um governo voltado para atender às necessidades das camadas mais desfavorecidas da sociedade, o que não ocorreu nos governos peemedebistas. Ou seja, ambos merecem o apoio daqueles que querem mudanças profundas no modo de se governar uma cidade, um estado, um país.

Escolha dos vereadores, início das mudanças que podemos provocar

A mesma preocupação é necessária na eleição dos vereadores. Neste pleito já não há mais aquela prática de que um candidato bem votado ajuda a eleger outro de sua legenda com menor número de votos. As mudanças da legislação promovidas por Eduardo Cunha e seu grupo obrigam os candidatos a ter, no mínimo, 10 % dos votos para conquistar o mandato, mesmo que o partido atinja o chamado coeficiente eleitoral. Caso contrário, a vaga no parlamento municipal será preenchida por outro partido que tenha candidato com os 10% dos votos. Portanto, para não se votar em uma legenda e se beneficiar outra, é preciso escolher candidatos e apostar neles. Votar no número completo e não apenas na dezena do partido.
Cristina Biscaia: votarei nela para ajudar a mudar o perfil da Câmara dos Vereadores.
Cristina Biscaia: votarei nela para ajudar a mudar o perfil da Câmara dos Vereadores.
Eleitor do Rio, tentarei levar para a Câmara Municipal a novata Cristina Biscaia (PSOL – 50130), pelas propostas dela, pelo trabalho que se dispõe fazer e por ser uma novata. Defendo sim a renovação. Mas, confesso, gostaria de poder ajudar outros nomes que já demonstraram nos mandatos que exerceram dignidade, compromissos com uma cidade mais justa e dedicação à luta contra as injustiças sociais, que são gritantes.
Relaciono entre estes o médico Paulo Pinheiro (PSOL-50111), que já mostrou muito serviço tanto na Assembleia como na Câmara.  Outro com experiência que merece retornar ao Palácio Pedro Ernesto é o petista Reimont Luiz Otoni Santa Barbara (PT 13333). Embora seja um político integro, com passado ilibado, poderá ter dificuldades por conta da demonização dos petistas feita pela mídia conservadora, atingindo indiscriminadamente políticos sérios e honestos. Como aconteceu com Reimont. Há, ainda, mais um novato que vale a pena ver na Câmara, até por tudo que mostrou na belíssima campanha à prefeitura , há quatro anos: Tarcísio Motta (PSOL – 50123).
Tracísio Motta, Reimont e Paulo Pinheiro, bons candidatos a vereador para quem ainda não escolheu o seu.
Tracísio Motta, Reimont e Paulo Pinheiro, bons candidatos a vereador para quem ainda não escolheu o seu.
Enfim, é uma questão de escolha pessoal. Mas merece atenção e cuidado para não se levar gato por lebre e depois reclamar que a política é suja e só tem corruptos. Se defendemos mudanças nos legislativos do nosso país, neste domingo, devemos começar a provocar estas mudanças com os nossos votos, selecionando gente séria e comprometida. Com isso, estaremos derrubando velhas patotas de caciques que dominam a política há muitos anos apenas para benefício pessoal ou de seu grupo.
O apoio a Pedro Paulo significa a manutenção de um esquema conhecido dos cariocas, no qual estarão sempre Eduardo Paes, Jorge Picciani, Moreira Franco, Sérgio Cabral e Eduardo Cunha. Reflita. São os mesmos responsáveis pelo caos que se instalou não apenas no município, mas no estado como um todo. Portanto, ao confirmar o voto na maquininha, pense antes se lhe interessa manter o que aí está ou se vale a pena apostar na mudança. Ela pode começar com o seu “confirma”.
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Apoio presidencial não deu certo Na cidade natal de Temer, prefeito que homenageou presidente é derrotado O prefeito de Tietê (SP), Manoel David (PSD), passou os quatro anos de mandato valorizando a proximidade com o presidente Michel Temer (PMDB), filho mais famoso da cidade, mas isso não foi o suficiente para leva-lo à reeleição neste domingo (2). Ele obteve 41% dos votos e ficou atrás do candidato Vlamir Sandei (PSDB), que recebeu 47%......

David, no destaque, ao lado de Temer
  • Mouco Fya/Estadão Conteúdo Apoio presidencial não deu certo Na cidade natal de Temer, prefeito que homenageou presidente é derrotado

    a cidade natal de Temer, prefeito que homenageou presidente é derrotado

    Do UOL, em São Paulo

    • David, no destaque, ao lado de Temer
      David, no destaque, ao lado de Temer
    O prefeito de Tietê (SP), Manoel David (PSD), passou os quatro anos de mandato valorizando a proximidade com o presidente Michel Temer (PMDB), filho mais famoso da cidade, mas isso não foi o suficiente para leva-lo à reeleição neste domingo (2). Ele obteve 41% dos votos e ficou atrás do candidato Vlamir Sandei (PSDB), que recebeu 47%.
    Quando Temer ainda era vice-presidente, David mandou instalar na praça Dr. Elias Garcia, a principal da cidade, uma placa em que homenageava o peemedebista. O monumento tem inscrito o poema "O Relógio", do livro "Anônima Intimidade", do agora presidente.
    O poema faz referência a um antigo relógio que a família Temer possuía em Tietê, onde o peemedebista viveu até a adolescência. O presidente, que visita a cidade com frequência, compareceu à cerimônia de inauguração da placa em 2013.
    Na eleição de 2016, David, apoiador do impeachment de Dilma Rousseff (PT), contou com a participação do PMDB de Temer em sua coligação, composta por 11 partidos. E divulgou mensagens de apoio gravadas pelo presidente.
    O peemedebista nasceu em Tietê em 23 de setembro de 1940. A cidade tem 40 mil habitantes e fica 143 km a noroeste de São Paulo.
    Sandei, com uma aliança menor, de seis partidos, reforçou em sua propaganda eleitoral o fato de ser do mesmo partido do governador Geraldo Alckmin (PSDB).
    Para Sandei, a amizade com o presidente não é exclusividade do prefeito. "Fui delegado de polícia quando o Temer era secretário estadual da Segurança Pública e, na época, criamos uma Delegacia Seccional aqui. Acima de tieteense, ele é presidente da República. Qualquer um que assuma o cargo de prefeito aqui terá seu apoio", afirmou o tucano ao jornal "O Estado de S.Paulo" durante a campanha.
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O que se vê quando a poeira começa a baixar Terminada a apuração, esfriada a decepção, é hora de pensar mais friamente no resultado das urnas, o que não é necessariamente o retrato da situação política. Primeiro, porque as forças políticas se movem,...

aroeirahelp

O que se vê quando a poeira começa a baixar

  Terminada a apuração,  esfriada a decepção, é hora de pensar mais friamente no resultado das urnas, o que não é necessariamente o retrato da situação política. Primeiro, porque as forças políticas se movem,...

O que se vê quando a poeira começa a baixar


aroeirahelp
Terminada a apuração,  esfriada a decepção, é hora de pensar mais friamente no resultado das urnas, o que não é necessariamente o retrato da situação política.
Primeiro, porque as forças políticas se movem, hoje, pela judicialização e, pior, pela criminalização da política e não acho nada improvável que, sentindo-se “eleita”, a Lava Jato dê novos passos nos próximos dias. Afinal, o próprio Sérgio Moro não se cansa de destacar que o apoio da opinião pública (a opinião que se publica) é peça essencial de sua tosca construção jurídica, o impe´rio da “cognição sumária”.
Segundo, porque com o fim das eleições se inicia o processo de cassação dos direitos sociais do povo brasileiro, que será evidente, perverso e esclarecedor, para muita gente.
Finalmente, porque foi uma eleição municipal – ainda que debaixo deste clima de terror – e é temerário (com o perdão da palavra) tentar fazer leituras essencialmente nacionais, exceto – e olhe lá – nos maiores centros.
A derrota do PT – e da dita esquerda, em geral – foi extensa e intensa.
O prejuízo de sua divisão foi mais político que eleitoral:basta somar o resultado dos candidatos conservadores  e o dos progressistas (ou nem tanto, mas de eleitorado popular) e veremos que a proporção, nestes centros andou por aí.
Dória mais Russomano, mais os cacarecos somam 70; Haddad, Erundina e o que restou a Marta em regiões populares, 30.
No Rio, nem aí chega a soma Freixo, o que sobrou a Jandira e os votos de Alessandro Molon, porque Crivella não tem a marca elitista que o boneco de Alckmin ostenta.
A unidade entre eles poderia ter feito diferença no processo? Sim, alguma. Mas seria quase impossível que se tornasse “plebiscito” uma eleição de natureza local.
A derrota eleitoral – repito, imensa – não apenas era quase inexorável como se concretizou.
A derrota política, porém, poderia nos ensinar algo que, parece, não estamos dispostos a aprender: que qualquer projeto popular e progressista no país se perderá se não se tiver a capacidade de fazer alianças.
E alianças se fazem a partir de uma base popular forte, com forças que não são iguais, e  em geral, com vícios e posições com as quais não temos de concordar, desde que não nos entreguemos a eles ou elas.
Fazer alianças não significa,  óbvio, fazer o que os aliados fazem. Muito menos achar que desenvolverão amizade ou fidelidade.  Mas não pretendermos, em nome da pureza, nos fecharmos a eles e os mandarmos para o campo inimigo.
As bandeiras culturais e  de liberdades individuais são importantes, mas não são suficientes.
A classe média oscila como aquela bolha de ar da ferramenta de nível usada pelos pedreiros: foge do lado que está baixo, corre para o que está mais alto.
A base popular, sim, esta é sólida e não pode ser lida no resultado das eleições municipais porque tem um nome, um símbolo e, em processos eleitorais nacionais, um candidato: Lula.
O conservadorismo, o liquidacionismo deste país como Nação tem isso claro e não vão parar com a simples aniquilação do PT (o que não se conseguiu, aliás), porque o que precisa destruir é Lula, a referência popular que  vai muito além do petismo.
Reações de desânimo e “pare o mundo que eu quero descer” não funcionam, óbvio, porque o mundo da política não para.

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Não consultou sucessora C. Lúcia vai reavaliar medidas de Lewandowski no último dia no CNJ

 Não consultou sucessora C. Lúcia vai reavaliar medidas de Lewandowski no último dia no CNJ




Medidas de Lewandowski no CNJ serão reavaliadas


Alan Marques/Folhapress
Ricardo Lewandowski durante julgamento do impeachment no Senado
Ricardo Lewandowski durante julgamento do impeachment no Senado
No último dia em que comandou o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), o ministro Ricardo Lewandowski assinou duas resoluções introduzindo mudanças na gestão dos tribunais. Ele não consultou e nem avisou a sua sucessora, ministra Cármen Lúcia, nova presidente do conselho.
A ministra pediu informações aos presidentes de tribunais estaduais, recebidos no gabinete no dia seguinte ao de sua posse. Cármen Lúcia quer saber quais serão os efeitos dessas medidas, e eles deverão responder no próximo encontro mensal.
A presidente do CNJ pretende passar um pente-fino nas 258 resoluções do CNJ, entre elas as duas decididas no final da gestão anterior: uma dispõe sobre a "Política Nacional de Gestão de Pessoas no âmbito do Poder Judiciário"; a outra trata da regulamentação do expediente forense no período natalino.
As duas resoluções foram submetidas ao colegiado do CNJ em 30 de agosto e 6 de setembro, em sessões virtuais. A proposta inicial para a política de gestão estava pronta desde 2015.
Todos os tribunais deverão criar, em 90 dias, comitês de gestão formados por quatro magistrados e quatro servidores, indicados pelo tribunal ou escolhidos em eleição direta. Serão eleitos dois juízes de primeiro grau para cada comitê.
A resolução determina que os tribunais assegurem a participação de magistrados e servidores, sem direito a voto, indicados pelas suas respectivas associações de classe.
"É uma ideia extravagante. Nunca tinha visto nada semelhante quanto à violação da própria autonomia dos tribunais", diz o ministro Gilmar Mendes. "É uma proposta autoritária. É o novo politburo [comitê central dos antigos partidos comunistas]", diz o ex-presidente do CNJ.
A resolução pretende aprimorar o modelo de gestão de pessoas em todos os tribunais. Introduz a cultura de resultados, estabelece critérios para provimento de cargos em comissão e equalização entre primeiro e segundo graus. Um grupo de trabalho realizou consultas públicas e ouviu representantes de tribunais.
"Não vi nada de grave nas duas resoluções, a não ser um desenho arcaico e nebuloso da estrutura do Judiciário", diz Eliana Calmon, ex-corregedora nacional de Justiça.
"Parece-me uma resolução burocrática, sem maiores consequências. Não sei se é necessária, ou se terá alguma efetividade", diz Thomaz Pereira, diretor de direito da FGV-Rio.
A criação dos comitês de gestão criaria sobreposição de atribuições. Teme-se o enfraquecimento do CNJ, visão reforçada pelas várias iniciativas de Lewandowski consideradas corporativistas.
Sem consultar o colegiado, ele acolheu no gabinete da presidência do CNJ dois "conselhinhos", um formado por presidentes de associações de magistrados e outro pelo Conselho dos Tribunais de Justiça, entidade que não integra a estrutura do Judiciário.
"Cada presidência do CNJ adotou a linha da convicção de seu presidente", diz o advogado Ives Gandra Martins.
"Gilmar Mendes, Nelson Jobim, Carlos Ayres Britto sempre entenderam, como eu, que o CNJ objetivara levar questões comportamentais do Judiciário para além das corregedorias, podendo trabalhar paralelamente ou exclusivamente nas infrações disciplinares, com o que o constrangimento de punir colegas de convívio diário seria superado", afirma Martins.
"Lewandowski, ao contrário, hospedou o entendimento –predominante na Apamagis [Associação Paulista de Magistrados] no TJ-SP– de que o CNJ seria uma instância recursal e não paralela. Ele dirigiu o CNJ conforme suas convicções. Por isto, foi chamado de corporativista", diz.
Em relação à resolução que trata do expediente no final do ano, Cármen Lúcia quer saber se haverá prejuízo para o cidadão, "que espera ver os tribunais trabalhando".
A medida adapta o recesso de fim de ano ao novo Código de Processo Civil, que acolheu o lobby da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), suspendendo prazos processuais entre 20 de dezembro e 20 de janeiro. No período, não serão realizadas audiências e sessões de julgamento.
Para Pereira, da FGV-Rio, essa resolução tem o mérito de organizar e padronizar a questão. "O recesso em si não é um problema. O problema é como isso afeta, na prática, a remuneração e as férias de juízes e funcionários", diz.
OUTRO LADO
A assessoria do ministro Ricardo Lewandowski informou à reportagem que "as duas resoluções foram aprovadas pelo plenário do Conselho Nacional de Justiça e levam a assinatura do ministro pelo fato de ele ser, à época, presidente do CNJ".
"O ministro Ricardo Lewandowski não se opôs, em nenhum momento, a receber uma equipe de transição da ministra Cármen Lúcia, tanto no STF, quanto no CNJ", informam os assessores.
Segundo a assessoria, "a Resolução 240 trata de norma programática que contém uma série de princípios salutares à gestão de pessoas, tais como: a valorização da dignidade e do ambiente de trabalho, a garantia de acessibilidade e o caráter participativo da gestão de pessoas, por meio de comitês que contarão com a participação dos próprios servidores".
"Já a Resolução 241 não traz nenhuma inovação no mundo jurídico, pois atende determinação do Novo Código de Processo Civil."
O presidente do Conselho dos Tribunais de Justiça, desembargador Pedro Bitencourt Marcondes, diz que não vê "nenhuma tentativa de enfraquecimento do Conselho Nacional de Justiça com a criação dos comitês de gestão nos tribunais".
"O CNJ está exercendo o papel dele, de estabelecer políticas públicas de gestão, dando um caráter nacional", afirma Marcondes, ex-presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
Segundo ele, a resolução sobre gestão de pessoal foi definida a partir de consultas realizadas por um grupo de trabalho formado no próprio conselho.
Em janeiro, Marcondes disse que a Justiça Estadual sofre discriminação. "Estou convicto de que a Justiça Estadual é discriminada devido ao preconceito existente de certos segmentos da sociedade, pois não há nenhum questionamento ou crítica sobre os outros conselhos", afirmou.
"Ao que parece, qualquer movimento por parte de integrantes da Justiça Estadual é visto como tentativa de apequenar ou extinguir o CNJ", completou.
"As insurgências que ocorreram no início de vida do CNJ não mais subsistem, pois, este órgão é uma realidade. A sociedade e os magistrados exigem a observância dos princípios constitucionais da administração pública na gestão dos tribunais", disse Marcondes.
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Razão é falta de informação Brasil usa pouco isenção de tarifas para vendas aos Estados Unidos

Razão é falta de informação Brasil usa pouco isenção de tarifas para vendas aos Estados Unidos

Mesmo em um cenário de queda nas exportações para os Estados Unidos desde 2014, o Brasil não tem aproveitado a oportunidade de vender produtos com tarifa zero para os americanos.
Só nos dois últimos anos, cerca de 70% dos produtos que têm direito à isenção não foram vendidos pelo sistema de preferências do qual o país faz parte. A principal razão é falta de informação.
Em 2015, 2.309 dos 3.278 itens que constam no Sistema Geral de Preferências (SGP) não foram exportados para os Estados Unidos ou tiveram a tarifa cobrada integralmente, sem necessidade, aponta um levantamento recente do Itamaraty.
O desconhecimento sobre o programa, que foi criado nos anos 1970 e beneficia 122 países, fica evidente quando se vê que mais de um quarto dos 1.771 produtos que deixaram de ser vendidos aos EUA com tarifa zero entre 2011 e 2015 têm valores de exportações, para todos os outros países, que ultrapassam os US$ 100 milhões por ano, como conservas de frango e minério de chumbo.
O empresário Luis Carlos Alves só descobriu nos últimos meses que poderia exportar suportes para instrumentos musicais com isenção de impostos para os EUA.
"Eu não tenho noção do que eu perdi, mas eu perdi muitos negócios sem dizer ao comprador que ele não precisaria pagar a tarifa", afirma.
Alves, contudo, diz que os importadores americanos —parte interessada no programa— também desconhecem o SGP. "Nos EUA, poucas empresas sabem disso. A informação existe, mas não é trabalhada ou compartilhada."
Andressa Silva, diretora executiva da Abiarroz (Associação Brasileira da Indústria do Arroz), concorda que é preciso também um trabalho de comunicação com os compradores nos EUA.
"É importante que os exportadores também conscientizem os importadores americanos, porque são eles que preenchem o formulário fazendo constar o SGP", diz.
A Abiarroz estima que parte das 51 mil toneladas de arroz exportadas de janeiro a agosto deste ano pelo Brasil aos EUA não tenha se beneficiado do programa de isenção. "Dentro dessa quantidade, é possível que tenham sido exportados produtos que estão na lista do SGP sem o benefício por desconhecimento", afirma Silva.
Atualmente, apenas 7% de tudo que o Brasil exporta para os EUA é via SGP. Nos anos 1990, esse índice era de 25%.
Para Antonio Meirelles, diretor-executivo da Coalizão da Indústria Brasileira nos EUA (BIC, em inglês), um dos pontos que pode ter atrapalhado o acesso ao programa foi o fato de a sua renovação ter sido suspensa pelo Congresso americano por quase dois anos, entre 2013 e 2015.
Neste período, os exportadores brasileiros eram orientados a seguir especificando os produtos que fazem parte da lista, para obter o benefício retroativo. No entanto, muitos empresários do país deixaram de operar pelo sistema neste intervalo.
DIVULGAÇÃO
A partir do levantamento, o Itamaraty, junto com Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio), começou, no último mês, a divulgar o programa para empresários e associações de diversos setores.
"Estamos divulgando essas oportunidades aos nossos exportadores e vamos apresentar petições, em coordenação com o setor privado, tanto para incluir novos produtos do nosso interesse no programa, como para evitar retiradas que nos prejudiquem", disse o chanceler José Serra, em nota à Folha.

Alfredo Estrella/AFP Phtoto
Brazilian Foreign Minister Jose Serra leaves after a joint press conference with his Mexican counterpart Claudia Ruiz Massieu (out of frame) in Mexico City, on July 25, 2016. Serra is on official visit in Mexico. / AFP PHOTO / ALFREDO ESTRELLA ORG XMIT: AES025263
O chanceler José Serra após entrevista concedida no México, em julho
Na terça (4), termina o prazo para que o país apresente acréscimos de produtos à lista do programa. Para Meirelles, o fato de o Brasil não usar 70% dos itens já disponíveis não deve pesar na decisão americana sobre a inclusão de novas categorias, pois são produtos de interesse do mercado americano.
Renovado em junho de 2015, o SGP segue em vigor até dezembro de 2017, quando precisará passar novamente pelo Congresso dos EUA. Meirelles, que acompanha de perto a disputa presidencial, diz não acreditar que o programa esteja na mira direta dos dois candidatos, mas que o discurso mais protecionista de Hillary Clinton e Donald Trump é "preocupante".
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Dicró Cabide de emprego

Livro Golpe16: venda encerrada, mas ainda há alguns “sumidos” que têm seus livros reservados Deus sabe o esforço que eu e minha filha, que foi uma leoa nesta empreitada, fizemos e estamos fazendo para atender a todos os que encomendaram os 800 livros Golpe16 que o blog vendeu...


esgotado 21

Livro Golpe16: venda encerrada, mas ainda há alguns “sumidos” que têm seus livros reservados

Deus sabe o esforço que eu e minha filha, que foi uma leoa nesta empreitada, fizemos e estamos fazendo para atender a todos os que encomendaram os 800 livros Golpe16 que o blog vendeu....

Livro Golpe16: venda encerrada, mas ainda há alguns “sumidos” que têm seus livros reservados

esgotado
Deus sabe o esforço que eu e minha filha, que foi uma leoa nesta empreitada, fizemos e estamos fazendo para atender a todos os que encomendaram os 800 livros Golpe16 que o blog vendeu.
A foto aí em cima, aliás, é uma homenagem a ela, bióloga de profissão e bichófila de paixão, para definir o nosso estado de esgotamento. Acho que vou levar uma bronca, mas ela merece a lembrança e eu mereço a bronca.
Foram mais de 600 pacotes feitos, com os livros cuidadosamente envolvidos com plástico bolha, para não se  danificarem, etiquetas às centenas e o controle da expedição e pagamento.
E o despacho foi também cuidadoso: dos  mais de 400 pacotes enviados, só dois, por faltar o número da casa ou apartamento, voltaram. Foram redespachados, depois de um contato com o comprador.
Por prudência, a venda foi suspensa no site às 15:30 de hoje.
Todos os que encomendaram vão receber o livro.
Ainda há exemplares conosco, mas menos que o suficiente parra as 100 pessoas que pediram e ainda não venceu a data dos boletos de pagamentos e os 80 vencidos que, por alguma razão, não receberam o boleto, ou não viram sua caixa de spam ou apenas esqueceram de pagá-lo (e eu sou mestre em esquecer as coisas prática, não é uma crítica).
Tenho feito um esforço, no e-mail que abri para o pós-venda (livrogolpe16@gmail.com) para localizar a todos e confirmar o interesse, refazendo seus boletos para data posterior. Todos foram, são e serão respondidos. No total, 1150 e-mails, dos quais 430 enviados por mim.
Mas nem tudo foi “certinho”… Houve, também, uma trapalhada minha em enviar alguns livros dos quais não tinha o pagamento registrado.  Quase todos entraram em contato para acertar o recebido e não pago.
Este foi um espetáculo à parte, porque até uma carta (isso mesmo, carta, de papel) recebi de um leitor de Belo Horizonte, dizendo que havia recebido sem pagar e pedindo instruções para fazê-lo. Também de BH, outro “mistério”, que não consegui, até agora, resolver. Um moça, cujas iniciais são K.R., pagou o livro por transferência bancária mas…não fez o pedido. De modo que não sei quem é e não posso enviar, mas está separadinho à espera de que ela escreva (repetindo:  livrogolpe16@gmail.com).
Se, no final, ficarem um ou dois “desaparecidos” será barato perto da injeção de confiança na honestidade humana que isso dá na gente.
Peço a todos que encomendaram o livro e não receberam o boleto que verifiquem suas caixas de spam. E que escrevam para o e-mail indicado.  Todos os pedidos serão atendidos e já deixei “engatilhada” a encomenda para o que eventualmente faltar.
Se, ao contrário, até o dia 6 de outubro (a última data de vencimento é 5/10), sobrarem alguns, reabro a venda de forma limitada.
De coração, quero agradecer a todos que se interessaram pelo livro, mesmo que não tenham podido comprar, porque é um gesto em favor da luta pela restauração da democracia e da normalidade em nosso país. E, pessoalmente em relação a mim, um gesto de apoio e solidariedade pelo qual ainda tenho de fazer muito para merecer.
Aprendi com Leonel Brizola e procuro usar, uma regra de conduta: declaração de amor sempre é pouca, nunca é demais.
PS. Repetir, quando se fica mais velho, também não é demais: o e-mail é livrogolpe16@gmail.com.


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Nassif mostra como se chega à ditadura de uma só voz Eu registrei, assim que saiu, a exploração monstruosa que fez a Folha da (pouquíssima) verba publicitária recebida por alguns blogs, o que chamou de “repasse”. É “pedra cantada”, como se diz na gíria. Requentar...

nassif 

Nassif mostra como se chega à ditadura de uma só voz

Eu registrei, assim que saiu, a exploração monstruosa que fez a Folha da (pouquíssima) verba publicitária recebida por alguns blogs, o que chamou de “repasse”. É “pedra cantada”, como se diz na gíria. Requentar...

Nassif mostra como se chega à ditadura de uma só voz

nassif
Eu registrei, assim que saiu, a exploração monstruosa que fez a Folha da (pouquíssima) verba publicitária recebida por alguns blogs, o que chamou de “repasse”.
É “pedra cantada”, como se diz na gíria. Requentar notícia para fazer campanha para apresentar a blogosfera progressista como parte de uma teia de corrupção que é, na cabeça corrupta que o imagina, a razão de tudo em que conseguem pensar: dinheiro.
Tiram os outros pelo que eles próprios são.
Jamais vão compreender que um blog como este se sustente e tenha audiência, embora nunca tenha recebido um tostão de propaganda do governo federal ou de governos petistas. 99,9% do que veiculou de propaganda veio do Google (onde basta se inscrever para ter e se recebe pelos acessos, segundo a contagem deles) e não há maneira de entenderem, em tempo algum, que os leitores possam desejar pagar para ajuda-lo a se manter, mesmo com todo o acesso aberto e sem nenhum conteúdo restrito.
paypal1Publico apenas um pedaço do extrato de ontem do PayPal, por onde parte dos leitores contribui. Parte, porque há outras contribuições, de  R$ 10, R$ 30 e R$ 50. Oculto o nome dos contribuintes, todos eles na minha memória e no meu coração porque, desgraçadamente, vivemos uma era em que todo mundo pode ser discriminado por isso.
Mas publico, para que se envergonhem ao ver que nem todos são como eles. E que não há dinheiro algum do qual eu tenha de me envergonhar ou esconder, mas posso, ao contrário, orgulhar-me e agradecer.
Informação e opinião, na cabeça deles, são mercadorias a serem vendidas.
Mas é ainda pior.
É algo do que querem ter o monopólio, para evitar que este país mude.
Precisam da censura porque precisam da ditadura para impor suas causas más, desumana, excludentes, elitistas, como o rei precisava do silêncio para que não vissem a  sua nudez.
É esta a razão pela qual republico o ótimo artigo escrito ontem por Luís Nassif, no GGN, que mostra como é para isso e por isso que querem o impossível: calar os blogs ditos petistas, embora este blogueiro aqui jamais tenha dado, exceto a Lula e a Dilma, qualquer outro voto no PT.
Jamais entenderão que temos, sim, fidelidade a um lado: o lado do Brasil e do povo brasileiro.
E que a “cognição sumária”, aqui, não tem chance.

Xadrez da delação da Folha contra jornalistas

Luis Nassif, no GGN
Na quinta-feira, a Folha de S Paulo publicou uma não-matéria.
A não-notícia é que o governo Temer resolveu proibir toda publicidade de empresas públicas nos blogs críticos a ele. Ora, esse fato ocorreu no primeiro dia em que Temer assumiu o cargo. Qual a novidade para justificar a matéria? Nenhuma.
O gancho da matéria é o não-fato de que, desde que Temer anunciou a proibição de publicidade de empresas públicas nos blogs, nenhum órgão público anunciou mais nos blogs. Cadê a notícia?
A reportagem usou a não-notícia como álibi para falar dos valores aplicados nos blogs no ano passado, recusando-se a comparar com os valores investidos na velha mídia, tanto antes como depois dos vetos políticos aos blogs.
Tem lógica? Do ponto de vista jornalístico, não. Do ponto de vista político, sim.
Entende-se a reportagem juntando outras peças do jogo:
1. A PGR (Procuradoria Geral da República) insiste na tese da organização criminosa nacional, infiltrada em todos os poros da República, submetida a um comando central. A Lava Jato reitera essa versão.
2. O TRF4 (Tribunal Regional Eleitoral da 4a Região) autoriza o Estado de Exceção e consequentemente a aplicação do direito penal do inimigo.
Com base nesses dois pontos, qualquer crítica à Lava Jato pode ser enquadrada como articulação da organização criminosa.
Todos os sinais são  de que se arma  uma ofensiva contra todos os pontos críticos à Lava Jato e ao golpe. O próximo passo será investir contra os blogs, que a Folha trata como se fosse uma organização vinculada ao comando central.
Até agora, esse estímulo à barbárie se dava de forma diluída, com colunistas endossando as arbitrariedades, colocando lenha na fogueira, mas sem nominar os “inimigos” a serem alvejados.
Com Otávio Frias Filho, a Folha abre mão dos pruridos e torna-se o primeiro veículo a partir para a delação explícita, sendo secundada por blogueiros especializados em deduragem.
O que está por trás disso?

A incompatibilidade do golpe com a liberdade de expressão

Como alertei em vários capítulos da série Xadrez, os passos iniciais do golpe permitiam o exercício da hipocrisia. Para Fulano A apoiar o golpe, sem afetar sua imagem, as pessoas têm que acreditar que ele acredita que o golpe foi feito para combater a corrupção. Para Fulano B apoiar, as pessoas precisam crer que ele acredita que a Lava Jato é politicamente isenta. Para apoiar o governo Temer, o Fulano C tem que esquecer as denúncias que já saíram contra Eliseu Padilha, Geddel Vieira Lima e o próprio Michel Temer e fingir que acredita que eles sào verdadeiros varões de Plutarco.
Por mais que seja difícil acreditar, a sociedade brasileira ainda está submetida a algumas formas de restrição de consciência, mesmo com a velha mídia tratando-a como fraqueza moral em sua linha editorial. Grandes atos de canalhice, falta de isonomia, delação, posições arbitrárias, injustiças ainda têm o condão de despertar sentimentos de indignação.
Ainda há algumas linhas morais que não podem ser ultrapassadas, sob risco de manchar indelevelmente a reputação de quem o fizer.
Com a liberdade de expressão da Internet e das redes sociais, esse jogo da hipocrisia, de fingir que não se sabe, torna-se inviável.
Dia desses, um post sobre a delação de Eike Baptista -mostrando como os procuradores da Lava Jato fugiam de qualquer menção ao PSDB – rendeu mais de 420 mil visualizações apenas no GGN, sem contar a reprodução em vários outros sites independentes e blogs. A série do Xadrez tem conseguido de 60 a 100 mil visualizações únicas no GGN, também sem contar a republicação por outros sítios. O mesmo acontece com artigos de outros blogs.
Com o avanço do Estado de Exceção, esse jogo de delações praticado pela Folha cria a possibilidade concreta de mandar blogueiros para a cadeia, submetê-los a processos, ou intimidá-los ante o risco de serem alvo de arbitrariedades. Vivem-se tempos de exceção.
Mesmo sabendo disso, a Folha não vacilou. Aparentemente, Otávio decidiu atravessar a tal linha moral.
Hoje em dia, os blogs independentes são a última cidadela contra a escalada do arbítrio. É nesses blogs que as consciências individuais, nas diversas áreas profissionais, vêm buscar ânimo para romper com a cultura do medo que se instalou no seu meio e no país
Se conseguirem nos calar – como pretende Otavinho – os próximos alvos serão os próprios jornais, assim que ousarem se colocar minimamente no caminho do arbítrio. Não existe arbitrariedade que se esgote em si. Cada ato desses cria jurisprudência, abrindo espaço para sua reiteração.

A bolsa mídia e o pacto com Temer

A segunda razão dessa armação contra os blogs tem a ver com a bolsa-mídia, em preparação no governo Temer. Seu preparo já foi suficiente para segurar as denúncias contra o Ministro-Chefe da Casa Civil Eliseu Padilha. De uma das grandes capivaras do meio político, Padilha tornou-se um douto senhor, pontificando sobre temas complexos e sendo tratado com respeito reverencial.
Como expliquei em outros lances do Xadrez, provavelmente a bolsa-mídia consistirá nas seguintes etapas:
1. Financiamento do BNDES.
2. Publicidade oficial maciça, com campanhas e cadernos especiais bancados pelos Ministérios.
3. Operação fisco. Na crise, a primeira conta a não ser paga é com o fisco. Em outros tempos, grupos de mídia conseguiram se safar de multas bilionárias através de diversos expedientes, como advogados da União perdendo prazo, redução retroativa de alíquotas de impostos, desaparecimento de processos na Receita.
Com liberdade de expressão, esses caminhos tornam-se complexos. Por isso mesmo, a agressão contra os blogs não irá parar na reportagem de hoje.
Lembro que foi uma firme posição moral que, nos idos dos 80 e 90 transformou a Folha no maior jornal do país.
Nos tempos em que havia um comercial lembrando:
“É possível contar um monte de mentiras, dizendo só a verdade. Cuidado com a informação do jornal que você recebe. Folha de São Paulo: o jornal que mais se compra. E que nunca se vende”.
Agora, uma frouxidão moral inesculpável poderá ser o seu epitáfio.
PS – Meus respeitos ao repórter desconhecido, que se recusou a assinar a matéria na Folha, sabendo que seria utilizada como instrumento de delação de colegas.
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“Eu não tenho culpa”… O “tadinho” do Temer e a “culpa” do desemprego Mimimichel Temer, covarde que é, saiu-se com um “a culpa não é minha” hoje, diante do desemprego de 12 milhões de pessoas medido pelo IBGE neste trimestre – aliás, “todinho dele” pois está a...

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“Eu não tenho culpa”… O “tadinho” do Temer e a “culpa” do desemprego

Mimimichel Temer, covarde que é, saiu-se com um “a culpa não é minha” hoje, diante do desemprego de 12 milhões de  pessoas medido pelo IBGE neste trimestre – aliás, “todinho dele” pois está a...

“Eu não tenho culpa”… O “tadinho” do Temer e a “culpa” do desemprego

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Mimimichel Temer, covarde que é, saiu-se com um “a culpa não é minha” hoje, diante do desemprego de 12 milhões de  pessoas medido pelo IBGE neste trimestre – aliás, “todinho dele” pois está a 12 dias de completar cinco meses ocupando o Palácio do Planalto.
Philip Agee, o ex-agente da Cia  que revelou suas entranhas em seu clássico Por Dentro da Companhia tinha um nome-código para este tipo de método: TCR, onde o T era “tirando” e o R era “da reta”. O C deixo por conta do leitor…
A culpa do desemprego nunca é de uma pessoa. Duvido que ele ou o Meirelles , escondidinhos em sua casas fiquem murmurando entre os dentes: “oba, vou jogar dois milhões na miséria, que legal….” Aliás, nem eles nem o desaparecido Joaquim Levy, que deu o pontapé inicial nesta desgraça.
A culpa do desemprego é de políticas econômicas,  que vem de idéias muito “certinhas”, “muito arrumadinhas”, apresentadas por  homens em ternos impecáveis e linguagem de sábios.
Que vinham, embora ainda com alguma pouca rédea que Dilma lhe dava – e o mercado reclamava disso – e que é a mesma, aprofundada, a que se dá desde o golpe.
É cortar, cortar, cortar (claro que não os privilégios), como os “médicos” da Idade Média, acham que a cura vinha por meio de sangrias e amputações. Mas para a patuleia, porque à corte não decepavam mãos e pés.
É óbvio que é importante ter as contas públicas arrumadas.
Mas que contas públicas podem ser “arrumadas” pagando juros que produzem um déficit que nem dez vezes mais aposentados causariam?
A “culpa” do desemprego é desta política, senhor Presidente ilegítimo.
Dessa gente que acha que o que é preciso é mais “pau no povo”, que um dia ainda lhe agradecerá a surra, como os meninos peraltas de antigamente deveriam agradecer pelas varadas de marmelo com que os vergastavam.
O senhor queria a Presidência, não tinha votos nem projetos para te-la, conspirou, agiu como um rato e agora a tem.
O preço de tê-la assim a governar contra o povo.
Vire-se.
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