Libertar acusado de estupro em ônibus foi "erro injustificável" e "escárnio", dizem especialistas

Libertar acusado de estupro em ônibus foi "erro injustificável" e "escárnio", dizem especialistas

Janaina Garcia 
Do UOL, em São Paulo



  • Marina Ogawa/Jovem Pan
    Mulher é consolada após passageiro em ônibus na avenida Paulista ejacular sobre o pescoço dela; homem foi solto por juiz que não viu crime de estupro
    Mulher é consolada após passageiro em ônibus na avenida Paulista ejacular sobre o pescoço dela; homem foi solto por juiz que não viu crime de estupro
soltura de um homem preso em flagrante por estupro depois de ejacular no pescoço de uma passageira do transporte coletivo de São Paulo, na última terça-feira (29), foi contestada e criticada por especialistas de direito penal e ligados ao combate à violência de gênero ouvidos pelo UOL nessa quinta (31).
Para eles, a decisão do juiz José Eugênio do Amaral Souza Neto, do Fórum da Barra Funda, de enquadrar a acusação contra o ajudante de serviços gerais Diego Ferreira de Novais, 27, como contravenção penal, e não como crime de estupro, foi um "erro injustificável", um "escárnio à Justiça" e uma "interpretação equivocada" que coloca em risco o próprio Novais e outras vítimas em potencial.
Segundo o relato da vítima e das testemunhas –entre as quais, o cobrador que prestou atendimento e evitou que o rapaz fosse agredido por populares --, Novais expôs o pênis e ejaculou sobre o pescoço da mulher. Ele foi preso em flagrante por estupro, que é considerado crime hediondo pelo Código Penal e com pena variável entre seis e dez anos de reclusão.
O Ministério Público se manifestou pelo relaxamento da prisão, e a Polícia Civil não pediu que a prisão em flagrante fosse convertida em provisória ou preventiva contra o suspeito, que tem outros 16 registros oficiais de abuso sexual ou estupro praticados no transporte público desde 2011. Para o magistrado, a ejaculação sobre a passageira na Paulista teria que ser avaliada sob a luz da Lei de Contravenções Penais, de 1941, que estipula penas mais brandas, como multas, a situações de menor potencial ofensivo. "Entendo que não houve constrangimento, tampouco violência ou grave ameaça, pois a vítima estava sentada em um banco de ônibus quando foi surpreendida pela ejaculação do indiciado", diz a decisão.
Em entrevista à rádio "Jovem Pan", a vítima de Novais, Cíntia Souza, declarou não ter tido respaldo da Justiça para o ocorrido e lamentou: "É um absurdo. Estou me sentindo um lixo. Porque eu não fui constrangida… para a Justiça eu não fui constrangida".

PAI DE AGRESSOR DIZ QUE RAPAZ DEVERIA SER PRESO

"Escárnio à Justiça", diz procuradora aposentada 

Autora de sete livros sobre crimes sexuais e advogada criminalista, a procuradora de Justiça aposentada Luiza Nagib Eluf se disse "revoltada" com a decisão do magistrado. De acordo com ela, que atuou 33 anos no MP paulista e hoje advoga, a situação não poderia ter sido entendida como contravenção penal, em vez de crime, "porque a lei é muito clara sobre o que é estupro".
Arquivo pessoal
A procuradora aposentada e advogada Luiza Nagib Eluf é autora de sete livros sobre crimes sexuais
"O que aconteceu com aquela mulher foi muito mais grave; acredito que essa decisão foi um erro muito grande, um escárnio à Justiça. Além de esse sujeito ter praticado estupro, não foi a primeira vez que fez isso, basta ver a quantidade de antecedentes criminais dele", analisou.
"Estupro é crime hediondo, e é inaceitável minimizar uma conduta completamente reprovada pelo Código de Processo Penal não por um erro de decisão, mas de interpretação –não se pode desculpar uma agressão sexual, sob pena de se jogarem por terra todos os avanços conquistados em termos de legislação sobre esse tema", definiu Eluf.
Na avaliação da advogada, o suspeito, preso em flagrante, precisaria ser submetido a tratamento, o que também foi descartado pelo magistrado, já que a imputação a ele foi dada na condição de contraventor penal, e não criminoso. "Estamos falando possivelmente de um compulsivo, psicopata, com problemas muito graves e que, por isso, teria que estar preso ou internado, pois ele, solto, significa um risco para as mulheres. Considerar esse quadro digno de um contraventor é injustificável".
Ela, no entanto, pede que as mulheres continuem acreditando na Justiça. "Esse [a interpretação do juiz] foi um erro e eu espero que seja uma exceção. Elas não podem se calar de maneira alguma. A agressão que sofrem não é culpa delas, mas do agressor e de um sistema patriarcal que precisa acabar", defendeu.

Para advogada, "se há contato físico não consentido, é estupro"

Professora de direito penal e doutora em direitos humanos das mulheres, a advogada Maíra Zapater também repudiou a decisão do juiz paulista, não só pela soltura do suspeito, mas pela avaliação de que "não houve violência" no ato.
Arquivo pessoal
A advogada e doutora em direitos humanos Maíra Zapater
"Houve um estupro naquele ônibus. Esse crime abrange não só a conjunção carnal, mas qualquer ato libidinoso. A questão é que o Código Penal coloca uma variabilidade de condutas quanto à sua gravidade. É menos grave ejacular sobre uma pessoa que um estupro coletivo, por exemplo", explicou.
A advogada observou ainda que há casos considerados uma transição entre a contravenção e a pena mínima de estupro, de seis anos. "Aí acabam classificando como 'importunação ofensiva ao pudor' e aplicando uma multa. Se o sujeito assobia à mulher, exibe o pênis, a chama de 'gostosa', é válida essa classificação. Se há contato físico não consentido, é estupro, por mais que a pena mínima possa parecer exagerada", disse.
"Não acredito em prisão como a solução mais adequada para este caso; o problema, a meu ver, é dizer que esse ato não foi violência e que não houve constrangimento", destacou a advogada. No direito penal, explicou, "constranger é obrigar alguém a fazer algo". "A vítima estava completamente indefesa. Difícil dizer que ela não foi obrigada a receber aquela agressão nas condições em que estava –era, portanto, um caso clássico para se decretar a prisão preventiva".
Desde a decisão, o juiz afirma, via assessoria de imprensa, que não tinha como decretar a prisão do suspeito já que nem o delegado, nem o promotor o peticionaram nesse sentido. "Quando há antecedente criminal, o juiz pode, sim, pedir. Vemos juízes pedirem essas prisões ou internações provisórias por muito menos. Incomoda essa falta de critério e espanta o MP pedir o relaxamento de um flagrante desses. É algo raríssimo, ainda mais em audiências de custódia", completou a advogada. "Difícil achar que não tem machismo nesse tipo de sentença".

AGRESSOR TEM 17 ACUSAÇÕES DE ABUSO SEXUAL

"Só a repressão não vai resolver", avalia professor

O professor de direito penal Claudio Langroiva afirmou que sentenças como a dessa quarta expõem o que ele classifica como dificuldade de se achar uma "legislação adequada" que sirva como alternativa na análise sobre a ocorrência ou não de determinadas situações de estupro.
"Temos que encontrar uma alternativa jurídica em que uma pessoa com essa natureza – indicando um problema de distúrbio mental ou comportamental – seja encaminhada para tratamento. O enquadramento jurídico que foi dado pelo juiz não permitiu isso, mas há que se questionar se o caso concreto desse rapaz tinha elementos para se considerar uma tentativa de estupro. É difícil avaliar quando se fala de três autoridades que seguiram a mesma linha de interpretação", analisou.
"A forma jurídica como é tratada a questão não é adequada. Temos uma incidência de violência de gênero gritante e se precisa de uma solução para isso. Não com repressão, mas com educação e com tratamento. Só a repressão não vai resolver", concluiu Langroiv.
A reportagem tentou ouvir o juiz sobre a repercussão da sentença desde o dia em que ele soltou o suspeito, mas ele informou, via assessoria, que está impedido por lei de se manifestar sobre o caso julgado. Também procurada, a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo não se manifestou sobre as críticas à decisão do magistrado.

Divergências até dentro do MP

Colega de Ministério Público do promotor Marcio Takeshi Nakada, que se manifestou pelo relaxamento da prisão de Novais, a promotora Valéria Scarance divergiu na classificação que ele fez do caso. Ela é uma das coordenadoras do Núcleo de Gênero do MP, que trata, entre outros temas, da violência doméstica.
Arquivo pessoal
A coordenadora do Núcleo de Gênero do MP-SP, Valéria Scarance
"A análise do caso concreto compete ao juiz, mas, em princípio, isso foi um estupro –portanto, deveria ser mantida a prisão do suspeito. Esse é um crime que causa consequências psicológicas para a vítima e pode causar consequências para a saúde, dependendo do caso e do risco de contaminação. Fora isso, a reiteração da conduta já justificaria a prisão para garantir a ordem pública e para evitar que outras mulheres sejam atacadas", defendeu.
Indagada sobre a manifestação do promotor pelo relaxamento da prisão, Scarance foi enfática ao afirmar que a posição de Nakada "não correspondeu ao que vem sendo adotado por um núcleo especializado do próprio MP". "Os requisitos para a prisão estavam presentes. Esse posicionamento, definitivamente, não é o mesmo do Núcleo de Gênero e Violência contra a Mulher".
Na avaliação da promotora, a soltura do rapaz tende a fazê-lo agir "com total sensação de impunidade". "Tanto que ele tem essas práticas há um tempo. É uma sensação total de impunidade que só uma atuação das autoridades mais proporcional com a gravidade poderia evitar", classificou.
Indagada sobre o teor da divergência entre Nakada e Scarance, a assessoria de imprensa do MP definiu como "primeiro ponto a se considerar" o que classificou como "dificuldade para enquadrar o fato, uma vez que a aplicação da lei pressupõe tipificação penal que nem sempre corresponde à conduta verificada".
"Uma reforma que levasse a um tipo penal entre importunação e estupro seria extremamente positiva. Tecnicamente, o que foi noticiado não se caracteriza como estupro. Ainda assim, recomenda-se, respeitando o princípio que assevera 'em dúvida, pró-sociedade', que, no início da apuração, inscreva-se a conduta na tipificação mais grave e, ao longo do inquérito, se esclareça o que efetivamente ocorreu", finalizou a nota.
copiado https://noticias.uol.com.br/

Taesa é confirmada na 3ª prévia do Ibovespa e Vale ON terá segundo maior peso

Taesa é confirmada na 3ª prévia do Ibovespa e Vale ON terá segundo maior peso

SÃO PAULO (Reuters) - A terceira e última prévia da carteira teórica do Ibovespa que vai vigorar no período de setembro a dezembro confirmou a entrada das units da Taesa e as ações ordinárias da Vale como os papéis com o segundo maior peso no índice.
A prévia da carteira confirmou a exclusão dos papéis preferenciais da Vale, após a conversão de ações preferenciais em ordinárias que teve ampla adesão e levou a bolsa a reajustar os índices em meados deste mês e excluir os papéis nas carteiras vigentes.
Com os ajustes feitos nos papéis da Vale após a conversão de ações, a participação de Vale ON na terceira prévia para a carteira do Ibovespa que passa a vigorar segunda-feira subiu para 9,044 por cento, ante 3,734 por cento na carteira para o período de maio a agosto. Vale PNA, que deixou o índice, tinha fatia de 4,727 por cento.
Com isso, o peso das ações ON da Vale fica atrás somente do Itaú Unibanco PN, que terá participação de 10,807 por cento no índice, ante os atuais 11,453 por cento.
O terceiro papel com maior peso na última prévia é Bradesco PN com 8,46 por cento, ante 8,244 por cento, seguido por Ambev ON com 7,039 por cento, ante 7,299 por cento.
Petrobras PN é o quinto papel de maior peso no Ibovespa na terceira prévia para a próxima carteira teórica, com 4,837 por cento, ante 5,331 por cento.
A Taesa, que teve a entrada confirmada para o próximo período terá peso de 0,357 por cento, de acordo com a última prévia para o índice, que entra em vigor segunda-feira.

copiado https://noticias.uol.com.br/

Escassez de dinheiro na Venezuela deixa bancos com poucas cédulas

Escassez de dinheiro na Venezuela deixa bancos com poucas cédulas


Caracas, 1 set (EFE).- A escassez de dinheiro efetivo que assola a Venezuela há meses deixou os bancos do país com poucas cédulas para os clientes e, inclusive, interrompeu totalmente o fluxo em algumas agências que já não contam com notas de nenhuma denominação.

A Agência Efe constatou que em duas agências do estatal Banco da Venezuela situadas no leste de Caracas se paralisou o saque de dinheiro por cidadãos devido à falta de cédulas, segundo disseram funcionários destas entidades sem oferecer mais detalhes.



Além disso, trabalhadores de outros seis bancos dos setores público e privado afirmaram que suas empresas estão limitando a retirada de dinheiro devido à escassez de papel-moeda.

Um escritório do grupo privado Banesco, por exemplo, libera ao dia um máximo de 20 mil bolívares por cliente (cerca de US$ 6, segundo a taxa referencial oficial), enquanto o estatal Banco do Tesouro disponibiliza um máximo de 50 mil bolívares (US$ 16) a cada cidadão que tenha uma conta sob a figura de "pessoa natural".

A Superintendência das Instituições do Setor Bancário (Sudeban) ordenou recentemente aos bancos "dispor e manter cédulas de alta denominação" para o pagamento a idosos, pessoas com incapacidade e aposentados, aos quais pediu que seja entregue "o montante exato solicitado por estes".

No entanto, dois aposentados consultados pela Efe asseguraram que os bancos também limitam a entrega do dinheiro a eles em função da disponibilidade do dia.

A Sudeban promove ainda uma campanha nas redes sociais contra o "bachaqueo" (contrabando) de notas, depois que o chefe desse organismo, Antonio Morales, denunciou que cerca de 30% da distribuição de cédulas efetuada pelo Banco Central da Venezuela (BCV) é desviado para a fronteira.

Entretanto, o presidente da comissão de Finanças da Assembleia Nacional (parlamento), o opositor José Guerra, afirmou que em julho o BCV imprimiu "623% mais dinheiro" que durante esse mês do ano passado, um "dinheiro criado do nada para financiar uma PDVSA (empresa estatal de petróleo) literalmente quebrada", segundo disse.

O deputado, que alertou em várias ocasiões para aescassez de dinheiro no país, advertiu que a Venezuela está "à beira da hiperinflação" e denunciou que o governo de Nicolás Maduro "culpa outros pela inflação e pela desvalorização do bolívar".

Em média, um venezuelano pode retirar nos caixas eletrônicos um máximo ao dia de 10 mil a 20 mil bolívares, equivalentes a quantias entre US$ 3 e US$ 6, e a variação dependerá da instituição financeira na qual se tenha a conta, ainda que na atualidade algumas passem horas sem dinheiro disponível.

Além disso, as plataformas digitais de pagamento apresentam falhas de comunicação em Caracas e, em maior medida, no interior do país, devido à "saturação" do sistema, entre outras razões esgrimidas pelos comerciantes.

A Venezuela já registrou pelo menos duas crises pela falta de dinheiro nos últimos meses, sendo a mais grave a que ocorreu em meados de dezembro do ano passado, depois que Maduro mandou tirar de circulação a cédula de 100 bolívares, até então a maior denominação monetária do país.

Essa decisão gerou distúrbios principalmente no sul do país, que terminaram com três mortos, dezenas de estabelecimentos saqueados e a decisão do Executivo de postergar em várias ocasiões a vigência dessa nota, que segue circulando junto a cédulas de maior denominação, incorporadas com atrasos no sistema financeiro.

A inflação acumulada na Venezuela até julho deste ano alcançou 249%, segundo dados do Parlamento, controlado pela oposição, que durante todo 2017 tem se encarregado de informar sobre este dado na ausência da informação do BCV.

O órgão emissor manteve silêncio sobre este indicador desde que informou que fechou 2015 em 180,9%. Por sua parte, o Fundo Monetário Internacional (FMI) previu que a inflação seguirá descontrolada e indica que se situará em 720% neste ano e que alcançará 2.000% em 2018. 

copiado https://noticias.uol.com.br/

Homem tenta fugir da polícia pelo mar. Só não contava com um tubarão...

Homem tenta fugir da polícia pelo mar. Só não contava com um tubarão...

Colaboração para o UOL
  • Procurado pela polícia, Zachary Kingsbury, tentou fugir pelo mar e quase deu de cara com um tubarão
    Procurado pela polícia, Zachary Kingsbury, tentou fugir pelo mar e quase deu de cara com um tubarão
Sabe a expressão: "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come"? Pois um norte-americano viveu quase isso na última quarta-feira. Para escapar da polícia, ele resolveu entrar no mar e nadar. Só não sabia que, muito perto dele, estava um tubarão. Por pouco o bicho não o pegou.
A cena foi registrada por um drone da polícia de Surf City, um condado de nome bastante peculiar na Califórnia. Os policiais abordaram o carro de Zachary Kingsbury, de 20 anos, por volta de 16h45 de quarta-feira e notaram que ele fazia contrabando ilegal.
Reprodução/WBTV
De acordo com a WBTV, emissora norte-americana, eles pediram que o jovem saísse do carro, o que ele fez, mas correndo em direção ao mar. Zachary então começou a nadar para longe da praia.
A polícia, ao invés de ir atrás, colocou um drone para acompanhá-lo - uma hora ele teria que voltar, afinal. Só que o nadador se afastou 4 quilômetros da costa (quase metade da distância olímpica da maratona aquática) e o drone o perdeu de vista.
Mal sabia ele que, pelo que mostravam as imagens, um tubarão nadava pertinho dele. Por sorte, nada aconteceu com Zachary, exceto que uma hora ele teve que voltar para a praia. Por volta das 7h45 do dia seguinte, ele acabou preso. O bicho pegou mesmo assim.

copiado https://noticias.uol.com.br/

Chuva e clima dependem dela Por que a Amazônia, maior floresta tropical, é vital para o mundo?

Foto: AG. PARÁ/FotosPúblicas 
Chuva e clima dependem dela Por que a Amazônia, maior floresta tropical, é vital para o mundo? 

Por que a Amazônia é vital para o mundo?

Priscila Jordão
Da Deutsche Welle
Floresta leva umidade para toda a América do Sul, influencia regime de chuvas na região, contribui para estabilizar o clima global e ainda tem a maior biodiversidade do planeta.
A decisão do governo brasileiro neste mês de extinguir a Renca (Reserva Nacional de Cobre e Associados), abrindo uma área na Amazônia do tamanho do território da Dinamarca para exploração mineral, recebeu críticas acirradas não só de ambientalistas, mas também repercutiu fortemente na mídia internacional antes de ser suspensa pela Justiça Federal.
A CNN, por exemplo, criticou a medida e lembrou que o desmatamento e a mineração estão destruindo a floresta num ritmo impressionante. Mas, afinal, por que a preservação da Floresta Amazônica interessa tanto ao mundo?
O fato é que a Amazônia influencia o equilíbrio ambiental de todo o planeta e tem papel fundamental na economia do Brasil. Entenda por quê.
Carrie Vonderhaar/Divulgação

Regime de chuvas

A área da Floresta Amazônica, ao contrário de ser improdutiva, produz imensas quantidades de água para o restante do país. Os chamados "rios voadores", formados por massas de ar carregadas de vapor de água gerados pela evapotranspiração na Amazônia, levam umidade da Bacia Amazônica para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.
Esses rios voadores também influenciam chuvas na Bolívia, no Paraguai, na Argentina, no Uruguai e até no extremo sul do Chile. A umidade vinda da Amazônia e os rios da região alimentam regiões que geram 70% do PIB da América do Sul.
Segundo estudos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, uma árvore com copa de 10 metros de diâmetro pode bombear para a atmosfera mais de 300 litros de água em forma de vapor por dia – mais que o dobro da água usada diariamente por um brasileiro. Uma árvore maior, com copa de 20 metros de diâmetro, pode evapotranspirar mais de 1.000 litros por dia, bombeando água e levando chuva para irrigar lavouras, encher rios e as represas que alimentam hidrelétricas no resto do país.
Ahmad Jarrah/Repórter Brasil
Caminhão carrega toras de madeira em estrada de terra no Mato Grosso
Assim, preservar a Amazônia é essencial para o agronegócio – o mesmo que devasta a floresta –, para a produção de alimentos e para gerar energia no Brasil.
O desmatamento prejudica a evapotranspiração e, por consequência, a rota desses rios, podendo afetar assim o regime de chuvas no restante do país e diversas atividades econômicas. Como resultado do desmatamento, até 65% da Amazônia corre o risco de se transformar em savana ao longo dos próximos 50 anos.
Além disso, o rio Amazonas é responsável por quase um quinto das águas doces levadas aos oceanos no mundo.
Antonio Vizcaíno

Mudanças climáticas

A Amazônia e as florestas tropicais, que armazenam de 90 bilhões a 140 bilhões de toneladas de carbono, ajudam a estabilizar o clima em todo o mundo. Só a Floresta Amazônica representa 10% de toda a biomassa do planeta.
Já as florestas que foram degradadas ou desmatadas são as maiores fontes de emissões de gases do efeito estufa depois da queima de combustíveis fósseis. Isso porque as florestas saudáveis têm uma imensa capacidade de reter e armazenar carbono, mas o desmatamento para o uso agrícola ou extração de madeira libera gases do efeito estufa para a atmosfera e desestabiliza o clima.
Vale lembrar que 2016 foi o terceiro ano consecutivo a ser considerado o mais quente da história. O Acordo de Paris, cujo objetivo é manter o aquecimento da temperatura média do planeta abaixo de 2°C, passa necessariamente pela preservação de florestas.
Dados da ONU de 2015 mostram o Brasil como um dos dez países que mais emitem gases do efeito estufa no mundo, com 2,48% das emissões. Para cumprir suas metas de redução de emissões dentro do acordo internacional, o Brasil se comprometeu a alcançar, na Amazônia brasileira, o desmatamento ilegal zero até 2030 e a compensação das emissões de gases de efeito de estufa provenientes da supressão legal da vegetação até 2030.
Marcos Vicentti/Divulgação

Equilíbrio ambiental

Como a maior floresta tropical do mundo, a Amazônia possui a maior biodiversidade, com uma em cada dez espécies conhecidas. Também há uma grande quantidade de espécies desconhecidas por cientistas, principalmente nas áreas mais remotas. Assegurar a biodiversidade é importante porque ela garante maior sustentabilidade natural para todas as formas de vida, e ecossistemas saudáveis e diversos podem se recuperar melhor de desastres, como queimadas.
Preservar a biodiversidade amazônica, portanto, quer dizer contribuir para estabilizar outros ecossistemas na região. O recife dos corais da Amazônia, por exemplo, um corredor de biodiversidade entre a foz do Amazonas e o Caribe, é um refúgio para corais ameaçados pelo aquecimento global por estar em uma região mais profunda.
Segundo o biólogo Carlos Eduardo Leite Ferreira, da Universidade Federal Fluminense, esse recife poderá ajudar a repovoar áreas degradadas dos oceanos no futuro, mas petroleiras Total e BP têm planos de explorar petróleo perto da região dos corais da Amazônia, ameaçando assim esse ecossistema.
A biodiversidade também tem sua função na agricultura: áreas agrícolas com florestas preservadas em seu entorno têm maior riqueza de polinizadores, dos quais depende a produção de alimentos, como café, milho e soja.
Diego Gurgel/Secom/Governo do Acre
Raizeiro do Acre mostra pacotes de unha de gato medicinal

Produtos da floresta

As espécies da Amazônia também são importantes pelo seu uso para produzir medicamentos, alimentos e outros produtos. Mais de 10 mil espécies de plantas da área possuem princípios ativos para uso medicinal, cosmético e controle biológico de pragas.
Neste ano, uma pesquisa da Faculdade de Medicina do ABC, em São Paulo, mostrou que a planta unha-de-gato, da região Amazônica, além de ser utilizada para tratar artrite e osteoartrose, reduz a fadiga e melhora a qualidade de vida de pacientes em estágio avançado de câncer.
Produtos da floresta são comercializados em todo o Brasil, como açaí, guaraná, frutas tropicais, palmito, fitoterápicos, fitocosméticos, couro vegetal, artesanato de capim dourado e artesanato indígena. Produtos não-madeireiros também têm grande valor de exportação: castanha do Brasil, jarina (o marfim vegetal), rutila e jaborandi (princípios ativos), pau-rosa (essência de perfume), resinas e óleos.
copiado https://noticias.uol.com.br/

Postagem em destaque

Ao Planalto, deputados criticam proposta de Guedes e veem drible no teto com mudança no Fundeb Governo quer que parte do aumento na participação da União no Fundeb seja destinada à transferência direta de renda para famílias pobres

Para ajudar a educação, Políticos e quem recebe salários altos irão doar 30% do soldo que recebem mensalmente, até o Governo Federal ter f...