Maia tenta obter a bênção de Lula para a negociação de um acordo suprapartidário Boechat: fim do foro privilegiado é fruto da pressão popular

PT defende 'diretas', mas tenta reunião de Lula e Maia

Presidente da Câmara estaria buscando apoio para uma eleição indireta
Maia tenta obter a bênção de Lula para a negociação de um acordo suprapartidário / Adriano Machado/Reuters Maia tenta obter a bênção de Lula para a negociação de um acordo suprapartidário Adriano Machado/Reuters

O PT vai defender em seu 6º congresso, que começa nesta quinta-feira, 1º de junho, boicote do partido a eventual eleição indireta, caso deputados e senadores tenham de escolher um substituto para o presidente Michel Temer. Mas, nos bastidores, há articulações em curso sobre esse cenário. Interlocutores do PT e do PCdoB tentam promover um encontro entre o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que quer uma conversa com ele para pedir apoio.

"Eu não fui procurado", disse Lula na quarta-feira, ao chegar para reunião com representantes das correntes do PT, na sede do partido, em Brasília. Com aval do chamado "baixo clero", Maia é atualmente o candidato favorito para a sucessão de Temer, caso o presidente seja deposto.

Bênção

O jornal O Estado de S. Paulo apurou que Maia tenta obter a bênção de Lula para a negociação de um acordo suprapartidário em que o ex-ministro Aldo Rebelo, hoje no PCdoB, seria seu vice. Uma ala do PSB pretende levar Rebelo para o partido. Se Temer cair, Maia assume a Presidência por 30 dias. A Constituição determina que, nesse caso, seja convocada uma eleição indireta no Congresso.

Lula pediu a um interlocutor, nos últimos dias, que sondasse o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim sobre o que ele achava de ser candidato em uma eleição indireta. As conversas sobre esse cenário, porém, não prosperaram. Para o ex-presidente, Maia tem grande chance de chegar ao Planalto, se for candidato.

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Sem lançamento

Na véspera da abertura do 6º Congresso do PT, Lula cobrou unidade das tendências para evitar uma "lavagem de roupa suja" em público e desautorizou o lançamento de sua candidatura ao Planalto agora. O partido prega eleições diretas para presidente da República e vai insistir nessa bandeira, na tentativa de se reaproximar da sociedade após ser envolvido em escândalos de corrupção.

O encontro petista irá até sábado e também contará com a presença da ex-presidente Dilma Rousseff.

Crise

Com 600 delegados, o 6º Congresso do PT será realizado em meio à maior crise do partido, que completou 37 anos em fevereiro. À procura de um discurso, o PT promete atualizar o seu programa e vai eleger nova direção, mas Lula acha que lançar o seu nome agora ao Planalto constrangeria outros aliados adeptos da campanha por diretas já. Além disso, seus advogados avaliam que não é conveniente "provocar" antecipadamente o Judiciário.

Réu em cinco processos, sendo três no âmbito da Operação Lava Jato, o ex-presidente pode ser impedido de concorrer ao Planalto em 2018, se for condenado em segunda instância pela Justiça. É justamente por isso, no entanto, que muitos petistas acreditam que o encontro do PT é a melhor época para tentar empurrar sua candidatura, denunciar o "golpe" continuado e ir para o enfrentamento.

Edson Fachin negou pedido de Temer para não depor à Justiça

Unidade

"A militância pode até lançar o Lula, mas o que ele acha importante, neste momento, é manter a unidade. E a única palavra que unifica essa frente suprapartidária é eleição direta", disse o ex-ministro Gilberto Carvalho. "Eleição indireta para substituir Temer significa a continuidade das reformas e nós somos frontalmente contra isso", completou ele, numa referência às mudanças na Previdência e na legislação trabalhista, propostas por Temer.

Autor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê eleição direta em casos de vacância na Presidência, o deputado Miro Teixeira (Rede-RJ) lembrou que a campanha de 1984 também não apresentava candidatos. "Naquela época, todos se apresentavam no mesmo palanque. Lula deve estar raciocinando nessa mesma direção, no sentido de não limitar o apoiamento ao nome dele", afirmou Miro. Em 1985, o PT se absteve na disputa entre Paulo Maluf (então do PSD, hoje PP) e Tancredo Neves (Aliança Democrática), que venceu a eleição indireta por 480 votos a 180.

Apesar desses argumentos, a líder do PT no Senado, Gleisi Hoffmann (PR), não vê motivos para adiar por muito tempo o lançamento da candidatura do ex-presidente. "O medo que muitos expressam é porque não têm candidato. Mas nós não temos culpa disso", argumentou a senadora.

Gleisi é favorita para presidir o PT e deve ser eleita no próximo sábado, substituindo Rui Falcão. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) também disputa o comando do partido, mas projeções feitas com base nas eleições para os diretórios estaduais e municipais mostram que sua indicação não terá maioria no encontro.

Núcleo político

Lula tentará fazer um acordo com todas as tendências para compor a direção petista e, nesse quebra-cabeças, Lindbergh pode ficar com a primeira vice-presidência do partido. O ex-presidente quer construir um núcleo político de direção no PT, independentemente das cotas das tendências. Não é só: ele próprio pretende influir na indicação dos nomes, mas as correntes resistem a esse modelo. A ideia de Lula é criar, ainda, cinco vice-presidências regionais.

"Nós precisamos de um partido preparado para esse momento de guerra, de profunda luta de classes", disse Lindbergh. "Fomos ingênuos e frouxos e, no nosso governo, vivemos uma política de conciliação exagerada. Quando a gente olha para o passado, pergunta: 'Por que não fizemos a lei dos meios?'", questionou ele, ao lembrar a proposta do PT de regulamentação dos meios de comunicação, que ficou na gaveta durante o governo Dilma.

Tesouraria coletiva

Alvejado por denúncias de malfeitos, o PT também vai aprovar no encontro diretrizes de um novo programa. Não fará, porém, qualquer acerto interno de contas. "Mas nós vamos exigir isso", protestou o ex-deputado federal Gilney Viana. "Nós não achamos que Lula, sendo candidato, tira o PT da crise, não. Ele até pode ser candidato, mas o PT precisa mudar, porque virou um partido de luta institucionalizada de classes, com uma direção cartorial."

Na opinião de Gilney, o PT precisa aproveitar o congresso para fazer o inventário de seus erros. "A autocrítica que estão propondo é insatisfatória", insistiu ele.

Na lista das mudanças defendidas pelos grupos mais à esquerda no espectro ideológico do PT está o controle sobre a administração financeira do partido. Essas correntes pregam uma espécie de "gestão coletiva" da tesouraria.

Desde o escândalo do mensalão, três ex-tesoureiros do PT foram presos - Delúbio Soares, João Vaccari e Paulo Ferreira. Vaccari virou réu da Lava Jato e continua encarcerado. A reforma na tesouraria do PT será um dos temas de debate no encontro petista.

Boechat: fim do foro privilegiado é fruto da pressão popular

VÍDEO  AQUI  PT defende 'diretas já', mas articula encontro entre Lula e Maia Band


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O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin negou o pedido da defesa do presidente Michel Temer (PMDB) para que fosse adiado o depoimento por escrito do presidente à Polícia Federal até que fosse concluída a perícia no áudio da gravação entre Temer e o empresário Joesley Batista.

Fachin nega adiar depoimento, mas diz que Temer pode não responder à PF

Felipe Amorim
Do UOL, em Brasília

  • Pedro Ladeira/Folhapress
    31.mai.2017 - O ministro Edson Fachin em sessão plenária do STF desta quarta
    31.mai.2017 - O ministro Edson Fachin em sessão plenária do STF desta quarta
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin negou o pedido da defesa do presidente Michel Temer (PMDB) para que fosse adiado o depoimento por escrito do presidente à Polícia Federal até que fosse concluída a perícia no áudio da gravação entre Temer e o empresário Joesley Batista.
Na decisão, Fachin no entanto afirma que o presidente possui o direito constitucional de, como investigado num processo criminal, não responder às perguntas que lhe forem feitas.
A defesa de Temer também pedia que a Polícia Federal fosse proibida de fazer perguntas sobre o teor da gravação, solicitação também rejeitada por Fachin.
"Reconheço ao requerente o direito, se assim desejar, de não responder a quaisquer das perguntas que lhe forem formuladas, sendo que essa opção não poderá ser interpretada contrariamente aos seus interesses, tampouco implicar em proibição à autoridade policial de formulá-las", escreveu Fachin na decisão.
O direito de o investigado permanecer em silêncio é amplamente reconhecido nos tribunais e, segundo escreve Fachin na decisão, "seria desnecessário qualquer pronunciamento judicial nesse sentido".
Na terça-feira (30), Fachin autorizou que a Polícia Federal tomasse o depoimento de Temer, por escrito, e deu prazo de 24 horas para que o presidente respondesse às perguntas, após receber as questões.
Temer passou a ser investigado após os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, fecharem acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria-Geral da República). Joesley gravou uma conversa com o presidente durante encontro no Palácio do Jaburu, em março, na qual Temer aparenta indicar o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) como interlocutor de Batista com o governo.

Ouça a íntegra da conversa entre Temer e Joesley

Posteriormente, Loures foi flagrado numa operação da Polícia Federal recebendo R$ 500 mil de um executivo da JBS. A PGR suspeita que o dinheiro se trata de propina para que o governo atendesse interesses da JBS.
O ministro Edson Fachin determinou que o INC (Instituto Nacional de Criminalística), ligado à Polícia Federal, realize uma perícia na gravação e no aparelho usado para registrar a conversa.
Temer tem afirmado não ter cometido crimes e classificou a gravação feita por Joesley como "fraudulenta".
Na petição apresentada ao STF, o advogado de Temer, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, afirma que o conteúdo da conversa foi "adulterado" por Joesley.
"Além de insanáveis ilicitudes formais, que serão apontadas oportunamente, já se mostrou que o próprio conteúdo da prova arquitetada pelo citado empresário foi evidentemente adulterado", diz trecho do documento.
A defesa do presidente também contratou uma perícia independente no áudio, realizada pelo perito Ricardo Molina, que diz ter identificado possíveis pontos de edição no áudio.
A Polícia Federal terminou de receber os gravadores usados por Joesley no dia 23, e deu prazo de 30 dias para concluir a perícia sobre a conversa de Temer com o empresário.
Joesley também gravou seus encontros com Rocha Loures e com o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG). O empresário utilizou dois gravadores na operação. A Polícia Federal informou a Fachin que o prazo para periciar os áudios envolvendo Loures e Neves deve ser maior, de 60 dias.
Ontem, o ministro do STF também determinou que a investigação contra Temer corra num inquérito separado da apuração contra Aécio. Loures permanece investigado no mesmo inquérito de Temer.
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ERRATA BRASIL HISTÓRIA DO BRASIL Há 57 anos, Brasília era inaugurada entre as visões antagônicas de “pandemônio” e começo de “nova era”

Há 57 anos, Brasília era inaugurada entre as visões antagônicas de “pandemônio” e começo de “nova era”




Arquivo Público/DF
Caravanas de Integração Nacional traziam pessoas de todo o país, esperançosas pelo recomeço de vida na nova capital federal
  Briga entre parlamentares para conseguir cadeiras, colchão e até roupa de cama para seus apartamentos. Música clássica para os operários da nova capital. O começo do sonho para milhares de candangos, vindos de todas as partes do país. “Sonho acalentado”, na visão de seus entusiastas. “Pandemônio”, nas palavras do então líder oposicionista João Agripino (PB), tio do hoje senador José Agripino (DEM-RN). Com euforia, por um lado, e certo desprezo, por outro, o nascimento de Brasília ganhou a capa dos principais jornais do país em 21 de abril de 1960.
A transferência da capital federal do Rio para o Planalto Central ganhou as manchetes dos principais veículos de comunicação do país como o início de uma nova era da República. “Brasília amanhece”, “Brasil, capital Brasília”, “Brasília, do papel ao concreto” eram apenas alguns dos títulos de primeira página, quase sempre ilustrados por duas imagens que se confundiam: a de Juscelino Kubitschek e a da “capital mais moderna do mundo”.
Os jornais também destacavam curiosidades. No ano que antecedeu a sua inauguração, por exemplo, Brasília registrou apenas oito casos de homicídio e somente três de corrupção. Uma família gaúcha viajou 240 dias em uma carroça só para participar da inauguração da nova capital. Em acesso de fúria por causa da mudança que não chegava, um deputado tentou incendiar o elevador do prédio funcional em que passaria a morar.
Confira os destaques (clique nas imagens para ampliá-las) dos principais jornais em 21 de abril de 1960:
Diários Associados
(O Jornal, Estado de Minas, Folha de Goyaz, Correio Braziliense)

Brasília amanhece

O Brasil amanhece em nova capital federal. No vasto planalto central, Brasília, o sonho acalentado desde os Inconfidentes, surge no centro de gravidade do país para comandar a conquista do interior e trazer até êle a civilização que se espraia pelo Atlântico. Há pouco mais de três anos ela existia apenas na imaginação de alguns homens e era um esbôço sôbre uma prancheta. Hoje é um marco decisivo na história do desenvolvimento econômico do Brasil e a certeza de um amanhã melhor para os brasileiros de tôdas as latitudes. Louvo o esforço de quantos divulgam a saga de Brasília, suas obras, seus detalhes, suas perspectivas. – Trabalhos como êste valem como documento e testemunho de um momento de extraordinária beleza, em que uma nação se apossa de seu destino para se projetar no futuro. Juscelino Kubitscheck.
Kubitscheck: o mais difícil foi começar
Entrevista exclusiva concedida a José Leão Filho
O presidente Juscelino Kubitscheck, em entrevista exclusiva para esta edição dos Diários Associados, no dia da inauguração de Brasília, disse, olhando através dos vidros do Palácio Alvorada, que “desde menino olhava curiosamente aquêle quadrilátero que Cruls desenhou no centro do mapa do Brasil”. Disse ainda o presidente: 1 – “Até o primeiro comício de minha campanha política não tinha pensado em construir a nova capital. 2 – Brasília é a melhor e mais importante do meu governo, na medida em que sintetiza tôdas as demais. 3 – O mais difícil, na obra de Brasília, foi começá-la. 4 – Só poderia pensar na honra de representar Brasília no Congresso depois de aprovada sua organização política e judiciária. – Meu esporte predileto é dançar.
Plano Monumental nasceu com um sentido: criar condições que levam à especulação intelectual
“Monumental não no sentido da ostentação, mas no sentido da expressão palpável, por assim dizer, consciente, daquilo que vale e significa”. Brasília, segundo o projeto Lúcio Costa, vitorioso no Concurso promovido pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital, é uma cidade “planejada para o trabalho ordenado e eficiente, mas ao mesmo tempo cidade viva e aprazível, própria ao devaneio e à especulação intelectual capaz de tornar, com o tempo, além do centro de govêrno e administração, num foco de cultura dos mais lúcidos e sensíveis do país”. Em seu “Relatório”, Lúcio Costa justifica o chamado “Plano Piloto”, originariamente em forma de cruz e que depois foi adaptado à topografia local, arqueando-se um dos eixos da cruz para se assemelhar ao arcabouço de um gigantesco avião.
Lema de trabalho para Israel é “tudo devia estar pronto ontem”
Um ceramista, formado na Escola de Minas de Ouro Preto, foi quem o chefe do govêrno escolheu para dirigir a construção de Brasília. Transformando o barro, êsse homem começou a vida. E, transformando o barro, êle ascendeu a uma das posições mais proeminentes da atualidade brasileira, após ter sido secretário de Estado em Minas Gerais, sua terra natal, e deputado por diversas vezes. Seu pai, João Pinheiro, chefe de uma família de oleiros, e antigo Presidente de Minas, deu-lhe o nome de Israel.
Goiás fornece a maioria de candangos
É mesmo de Goiás a maioria dos “candangos” que estão construindo Brasília, vindos os mineiros em segundo lugar, com 20,3% do total; os baianos em terceiro, com 13,5%, e os cearenses em quarto, com 7,4%, seguindo-se pela ordem os pernambucanos, paraibanos, paulistas e piauienses. Os goianos concentram-se mais no povoado de Brasilândia, enquanto os mineiros que lá residem preferem a central da Novacap, e os baianos são encontrados em maior número no Núcleo Provisório de Bananal. Apenas 1.216 estrangeiros residiam em Brasília durante sua construção, representando 2,1% do total, aparecendo os espanhóis em maior número, seguido dos italianos, portugueses, japoneses e gregos.
Ministério da Saúde dá a Brasília uma rêde hospital que é modelo
Os trabalhos preliminares do Ministério da Saúde em Brasília incluíam desde o início o estudo para implantação de uma rêde hospital modelar e atendendo aos requisitos modernos no que diz respeito à organização e distribuição das unidades. O problema se apresentava tanto mais complexo, porque dispunha de várias facetas. Compreendia o atendimento de doentes na fase de construção da nova capital desde os seus primeiros dias, de modo a possibilitar rapidez e assistência eficaz, não só no perímetro da zona da nova capital, mas estendendo-se as rodovias e vias de comunicação que caminhavam em direção ao Plano Pilôto.
Brasília espelha o Brasil: católicos são maioria com oitenta e oito por cento
Em Brasília, como no resto do Brasil, a religião católica mantém maioria quase absoluta, com oitenta e oito por cento do total de pessoas que revelaram ter fé numa doutrina para a alma. Fato curioso é que os homens confirmaram que sua fé católica quase que na mesma proporção das mulheres (88,3% contra 88,6%), o que não é comum no resto do país, onde é ressaltante a maioria das mulheres crentes sôbre os homens, mais rebeldes à disciplina das religiões. Os protestantes vêm em segundo lugar, com 5,5%, seguidos dos espíritas (3,4%) e outras religiões.
Candangos ouvem clássicos e assimilam “civilização” enquanto fazem “pé de meia”
No “King’s Bar”, o bar dos candangos em Brasília, só se toca música clássica. Nada de sambas, boleros ou foxes. De brasileira, só folclórica, como “Casinha Pequenina”, de Haeckel Tavares, ou o “Luar do Sertão”, de Catulo da Paixão Cearense. Dá gôsto ver dezenas de “candangos”, aproveitando momento de folga para, em meio a uma cerveja ou uma água mineral, ouvir com devoção religiosa Liszt, Chopin, Beethoven, Schubert, Debussy e Tchaikowski.
Prisões em Brasília apresentam média de seis décimos por mil: metade da média universal
A média anual de prisões efetuadas pela polícia de Brasília é de seis décimos por mil, ou seja, quase metade da média que as convenções internacionais estabelecem para as cidades ordeiras: um por mil. Essa revelação nos foi feita pelo major Gastão Barbosa Fernandez, oficial do Exército e comandante da Guarda Especial de Brasília (GEB), força pública diretamente subordinada ao Departamento Regional de Polícia de Brasília, do qual é diretor o general Osmar Soares Dutra.
Correio Braziliense


Brasil, capital Brasília
Gov. federal funciona aqui desde 0 hora
Com a elevação da Santa Hóstia à zero hora de hoje, Brasília tornou-se capital do Brasil. Possantes refletores do Exército, que iluminaram completamente a cidade, lançavam seus jatos de luz cruzando o céu na Praça dos Três Poderes, num espetáculo deslumbrante, enquanto a banda do Corpo de Fuzileiros Navais executava o Hino Nacional. Profundamente comovido, o presidente Juscelino Kubitscheck tinha seus olhos marejados de lágrimas, enquanto a emoção silenciava a enorme multidão, que compreendia que uma nova era se abria para os destinos do país.
Tentou incendiar um elevador o Deputado Clemens Sampaio
O presidente Ranieri Mazzili confessa que houve certa confusão no ato da mudança. Dezenas de deputados não encontraram seus apartamentos mobiliados. Para o presidente Mazzili, os responsáveis por êste setor da mudança foram mal inspirados com as concessões feitas. Fracassou a mudança no setor de entrega de mobília. Dizia um deputado que o objeto mais importante do mundo para ele, na noite de ontem para hoje, era um colchão.
- Até mesmo debaixo de uma árvore eu me deitaria, depois de mais de mil quilômetros de viagem de automóvel.
O deputado Gurgel do Amaral exasperou-se quando chegou ao seu apartamento e o encontrou sem mobília. Eram dezenas de parlamentares nas mesmas condições. O deputado Gurgel do Amaral, dominado por viva emoção, chegou a tomar uma atitude agressiva, segundo informações. Enquanto isso, o deputado Vasconcelos Tôrres conseguiu alguns caixões de madeira e inaugurava sua nova moradia, com muito bom humor. O deputado Clemens Sampaio quis incendiar o elevador do edifício onde deveria alojar-se. E o deputado Carvalho Sobrinho, confundido com Mister Davidson, da Embaixada da Dinamarca, alojava-se no luxuoso Brasília Palace Hotel, a poucos passos do Palácio da Alvorada.
A Câmara Federal reiniciará seus trabalhos a 2 de maio
O presidente da Câmara Federal, Ranieri Mazzili, palestrou longamente com um grupo de jornalistas em visita ao monumental edifício do Congresso Nacional. Nessa ocasião, o representante paulista teve o ensejo de mostrar ao pessoal da imprensa as instalações com que poderão contar os jornalistas no desempenho da sua missão. Para facilitar o trabalho dos jornais, do rádio e da televisão, haverá na Câmara uma sala de imprensa, ampla e confortável, com mesas e máquinas em profusão, junto ao próprio recinto das sessões, de modo que os jornalistas e radialistas terão contato direto com os deputados, podendo circular em volta do plenário sem qualquer constrangimento.
Apenas oito homicídios qualificados registrados em Brasília, em 1959
Apenas oito homicídios qualificados registraram as autoridades policiais de Brasília em todo o decorrer do ano de 1959 no território da nova capital – foi o que revelou, em entrevista concedida ao Correio Braziliense, o general Osmar Soares Dutra, chefe do Departamento Policial da cidade que agora se inaugura. Acrescentou o chefe da Polícia:
- No ano passado, a nova capital contou com a média de 100 mil habitantes, e o baixo índice de homicídios revela que não é de marginais, de indivíduos perversos ou aventureiros, como acreditam alguns, que se compõe a população de Brasília. Pelo contrário: o que temos aqui é gente trabalhadora, que cuida do seu trabalho e sabe comportar-se numa sociedade organizada.
Brasília não tem cadeia
“Esta cidade não tem cadeia, aduziu o general Osmar Soares Dutra. Os prêsos são enviados a um depósito de prêsos e, quando deverão aguardar julgamento remetidos para Goiânia, pois não temos prisão judiciária. Atualmente, estão com cêrca de 75 detidos aguardando processo, entre homens e mulheres. Estas foram prêsas por vadiagem e atentado ao pudor.
- “A situação em Brasília é, no tocante ao comportamento de sua população, bastante boa, afirmou o chefe de polícia. O número de crimes no ano passado é uma prova: 8 apenas. Considera-se uma cidade comportada aquela que registra até 1 crime por mil habitantes. Nossa cidade está abaixo dêste índice. Conheço cidades, como Aracaju, com cêrca de 30.000 pessôas, onde cometem-se 8 crimes por semana, e não por ano.
A estatística do crime
Segundo um quadro estatístico organizado pela Corregedoria de Polícia de Brasília durante o ano de 1959 registraram-se, na área de 5.820 quilômetros da nova capital, os seguintes casos que determinaram a abertura de inquéritos:
Homicídio qualificado – 8
homicídio culposo – 29
tentativa de homicídio – 10
lesões corporais graves – 37
lesões corporais leves – 95
lesão corporal seguida de morte – 1
suicídio – 1
rixa – 5
sedução – 6
estupro – 1
conjunção carnal para fraude – 1
rapto consensual – 1
atentado violento ao pudor – 3
desacato – 31
corrupção ativa – 2
corrupção ativa e passiva – 1
furto – 20
roubo – 3
furto qualificado – 26
estelionato – 22
acidente de trabalho – 17
acidentes diversos – 3
tráfico de entorpecentes – 4
porte ilegal de arma – 16
jôgo de azar – 4
falsificação de moeda – 1
lenocínio – 8
apropriação indébita – 8
adultério – 1
receptação – 5
ameaça – 2
aliciamento de trabalhadores para imigração – 2
economia popular – 3
incêndio – 3
falsificação de documento público – 2
imprudência – 3
dano 1
falsa identidade – 1
violação de correspondência – 1
constrangimento ilegal – 2
violação de domicílio – 1
calúnia – 1
Abastecimento
Brasília, ontem, estava preparada para alimentar mais de quatrocentas mil pessoas. Ouvido pela nossa reportagem, o sr. Guilherme Romano afirmava que os alimentos não faltariam, qualquer que fôsse o número de visitantes: aviões, carros, frigoríficos, caminhões, estavam a postos. Enquanto isso, a vasão da Brasília-Rio, em Belo Horizonte, era de oito carros por minuto: mais de cem mil carros, em 24 horas, trazendo mobílias, alimentos e passageiros para a Nova Capital. Alimentos não faltaram, até agora. Talvez não tenha havido um cardápio “exquise”, de finas iguarias para todos: mas sobrou a brasileiríssima comida do candango, principalmente feijão, farinha, arroz, carne, doce e queijo. Não se pode prever, com segurança, se teremos no futuro, novos hábitos da frugalidade, porventura, anteriormente adotado pelos candangos. Mas está provado, pela experiência, que foi possível alimentar, em cinco dias, uma cidade de quatrocentos mil habitantes, que será a população de Brasília dentro de cinco anos.
Candangos
Êles demonstraram, antes que a frase se transformasse em “slogan”, que “todos os caminhos conduzem a Brasília”: vieram de tôdas as setas da rosa dos ventos, do Brasil e de fora. Não são jovens, todos, porque raramente a juventude constrói cidades adultas.
Tancredo Neves ao Correio: “Brasília é o Cérebro e o Coração da Pátria”
Dia 19, pela manhã, chegavaa Brasília o sr. Tancredo Neves. Transmitindo suas impressões sôbre a nova Capital, declarou ao Correio Braziliense o candidato ao govêrno de Minas Gerais:
- Sou um velho adepto de Brasília, desde os tempos do govêrno do presidente Getúlio Vargas. Participei de várias reuniões que visavam a escolha dos meios para a definição da área da nova capital. Eleito presidente da República nosso eminente coestaduano Juscelino Kubitscheck de Oliveira, fui dos que mais o animaram à realização dêste ciclópico empreendimento. Acompanhei mês a mês a evolução da idéia e a superação de tôdos os obstáculos que ela enfrentou para se transformar na esplêndida realidade de hoje.
Servir o Brasil
Em seu último artigo do Correio Braziliense, cujo derradeiro número tinha a data de janeiro de 1823, Hipólito José da Costa falou do seu periódico “cujo escôpo é ùnicamente servir o Brazil”. Provando que nada se perde na vida dos povos, como na natureza, reata-se hoje a existência do jornal, fundado e impresso em Londres, mas para advogar a causa da independência, as idéias liberais e o constitucionalismo, que eram as grandes aspirações do tempo.
O “Correio Braziliense” volta a circular depois de 137 anos
Instalada a sua publicação em Londres, em 1808, e interrompida em 1823, volta o Correio Braziliense a circular. E ontem, com a presença da Sra. Sarah Lemos Kubitscheck, de S. Eminência o Cardeal D. Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, do Sr. João de Medeiros Calmon, diretor geral dos Diários Associados, do Sr. Herbert Moses, presidente da Associação Brasileira de Imprensa, do deputado Abelardo Jurema, líder da maioria na Câmara dos Deputados, além de destacadas autoridades civis, militares e eclesiásticas especialmente convidadas, foram inauguradas as suas novas instalações.
Correio da Manhã
Brasília desde hoje capital da União
Com saudação a novo Estado, presidente voa para Brasília
O presidente da República, acompanhado de sua esposa e filhas, antes de embarcar para Brasília, na manhã de ontem, esteve no Palácio do Catete, onde se despediu de todos os funcionários que não foram transferidos para a nova Capital do país. A cerimônia foi simples, sem qualquer protocolo. O chefe de Govêrno fez questão de reunir no seu antigo gabinete de trabalho todos os servidores do Catete independente de sua categoria funcional e abraçou um a um.
Brasília é pandemônio, diz líder da Oposição
O líder oposicionista, João Agripino (UDN-Paraíba), criticou duramente o atual estado das coisas em Brasília com as seguintes expressões:
1- Brasília é um pandemônio;
2 – Fatos degradantes têm acontecido com deputados em plena briga para conseguir colchões, roupas de cama, toalha de banho, cadeiras, água e gás para seus apartamentos;
3 – Brasília não tem condições de receber a Capital, nem simbolicamente;
4 – A quase totalidade dos apartamentos não está pintada;
5- Não há energia para os elevadores, nem telefone nos apartamentos. Ninguém sabe de ninguém.
Estado da Guanabara começa hoje sua existência
Nos primeiros minutos de hoje o Sr. Sette Câmara assumiu o cargo de governador do Estado da Guanabara. A cerimônia realizou-se no Palácio da Guanabara na presença de altas autoridades federais e outras até então municipais, tendo o ex-prefeito Sá Freire Alvim usado de palavra em primeiro lugar, pronunciando um discurso, no qual fêz uma exaltação de sua administração e das dificuldades que têve de enfrentar.
Nova capital inaugurada com a missa do Legado Pontífice
A nova capital do Brasil foi inaugurada. Chovia torrencialmente nas últimas horas de ontem. Ao primeiro minuto da madrugada de hoje, no altar improvisado, à porta de vidro do belo e inacabado do edifício do Supremo Tribunal Federal na Praça dos Três Poderes, o Cardeal Dom Manoel Gonçalves Cerejeira, elevou o Santíssimo à frente da cruz de Frei Henrique de Coimbra, diante da qual foi celebrada a primeira missa no Brasil e a Banda do Corpo de Fuzileiros Navais fez ecoar ao infinito os acordes do Hino Nacional.
Folha de S. Paulo
Brasília converte-se em capital
Brasília, a mais moderna cidade do mundo, converte-se na manhã deste 21 de abril de 1960 na capital do Brasil. A solenidade culminante das festas organizadas para celebrar, com adequada grandiosidade, o episódio histórico que a nação vive, emocionada e renovada em suas esperanças, está prevista para as 9h30: a instalação simultânea dos Três Poderes.
Brasília, do papel ao concreto
No principio era apenas um sonho. Apenas isso. Brasília há séculos sugerida como imprescindível para o desenvolvimento nacional. Um dia decidiu-se que seria construída à custa de qualquer sacrifício. É feito um plano-piloto, arrojado e prático. Poucos crêem. Poucos lutam. Vem depois a maqueta. Todo mundo vê. Todo mundo gosta. Assenta-se o cruzeiro para ser dita a primeira missa. Dia 2 de maio de 1957. Mais de 15 mil pessoas estão presentes, a maioria para tirar a dúvida. É preciso ver para crer. O plano está indo mesmo. Começa-se a sedimentar no íntimo popular um sentimento de crença ou, pelo menos, de esperança. “Quem sabe se desta vez sai.”
Dia 2 de maio: a primeira sessão da Câmara dos Deputados em Brasília
A primeira sessão ordinária da Câmara dos Deputados em Brasília será realizada no dia 2 de maio próximo. Na sessão do dia 3, entrará em pauta o Plano de Classificação do Funcionalismo da União.
Confusão
Quando o deputado Ranieri Mazzili chegou, com a família e a mobília, ao edifício onde está localizado o seu apartamento, o elevador não funcionava. O parlamentar subiu pelas escadas, acompanhado pela sua família, até o quinto andar, para ver o apartamento. Quando voltou, a mobília tinha desaparecido. Mais tarde, tudo foi esclarecido: o deputado Etelvino Lins, ex-governador de Pernambuco, havia levado, por engano.
Brasil, capital Brasília
No momento em que se consuma a instalação da Capital Federal em Brasília, cerca de 200 mil pessoas se congregam nesta cidade – vindas de todos os quadrantes do país e de fora – para assistir aos atos solenes da inauguração. O papa falará de Roma, diretamente aos brasileiros, lançando sobre a nova capital a primeira bênção litúrgica a uma cidade. O poeta Guilherme de Almeida lerá sua “Prece Natalícia a Brasília” e, simultaneamente, o presidente da República reunirá o Ministério, a Câmara, o Senado e o Supremo Tribunal de Justiça farão sessões de instalação. E, neste dia em que a emoção varre nossa terra de Norte a Sul e os povos do mundo voltam para nós a sua admiração, a cidade de Brasília estará consumando um verdadeiro milagre, convertendo-se na capital do século.
A festa de Brasília começou ontem à tarde na Praça dos Três Poderes
Fora do programa, um candango, Geraldo Petulo de Queirós, usou da palavra, hoje, em frente à Praça dos Três Poderes, precedendo à oração de agradecimento do presidente Juscelino Kubitscheck ao Sr. Israel Pinheiro, ex-presidente da Novacap e primeiro prefeito de Brasília. A solenidade – primeira do programa de festas – teve por escopo a entrega ao presidente da República das chaves de Brasília pelo Sr. Israel Pinheiro. Êste usou da palavra em primeiro lugar; seguiu-se-lhe, extra-programa, o representante dos trabalhadores de Brasília. O discurso do presidente (que publicamos em outro local, juntamente com a oração do Sr. Israel Pinheiro) encerrou a cerimônia. Espetáculo de acrobacia aérea, pontificando as evoluções em flor e em leque da esquadrilha da fumaça, era visto nos intervalos entre um discurso e outro. A manifestação popular que antecipou a solenidade – iniciada pouco antes das 17h30 – foi das maiores que já se presenciou em Brasília.
Seis gaúchos vieram (de carroça) a Brasília; 240 dias de viagem
240 dias e milhares de quilômetros em uma carroça: seis gaúchos vieram a Brasília para assistir aos festejos da transferência da capital. São eles: Francisco Alves, um sul-riograndense de olhos azuis, desempregado e barrigudo, sua esposa e quatro filhos, a maior com sete anos.
“Brasília anula uma mentalidade inadaptável à realidade brasileira, esmaga velhos erros”
Foi o seguinte o discurso proferido pelo Sr. Israel Pinheiro, prefeito de Brasília, na solenidade de entrega da chave da cidade ao presidente Juscelino Kubitscheck, realizada hoje na Praça dos Três Poderes: “Hoje, à meia-noite, Brasília será a Capital da República. Há cento e setenta e um anos, a transferência era sonho patriótico dos Inconfidentes. Há quatro anos, passou a ser preceito constitucional. Há quatro anos, v. exa. dava início à concretização do sonho secular com a “Mensagem de Anápolis”.
JK a candangos: “Fostes os operários do milagre”
No discurso que hoje, dia 20, pronunciou na Praça dos Três Poderes, dirigindo-se aos operários de Brasília, o presidente Juscelino Kubitscheck enalteceu o papel desempenhado pelos denominados candangos na construção da nova capital.
- Meus amigos e companheiros de lutas, soldados da epopéia da construção de Brasília, recebo, profundamente emocionado, a chave simbólica da cidade filha do nosso esforço, da nossa crença, do nosso amor a êste país. Sou apenas o guardião desta chave. Ela é tão minha quanto vossa, quanto de todos os brasileiros. Falei em epopéia e retomo a palavra para vos dizer que ela marcará, sem dúvida, uma época, isto é, “o lugar do céu em que um astro atinge o seu apogeu”. Chegamos hoje, realmente, ao ponto alto da nossa obra. Criando-a, oferecemos ao mundo uma prova do muito que somos capazes de realizar e a nós próprios nos damos uma extraordinária demonstração de energia, e mais conscientes nos tornamos das nossas possibilidades de ação.
Prontos os Ministérios para a inauguração, mas há insuficiência de funcionários
Apesar de, na sua maioria, já terem realizado a mudança de móveis e parte dos seus arquivos, os Ministérios – como é natural – ainda não contam com funcionários em número suficiente para atender suas atividades normais. Com exceção do Ministério da Viação e Obras Públicas, cujos trabalhos de transferência apresentam grande atraso em relação aos demais, cada pasta conta com 20 funcionários, em média, para dar início aos serviços considerados essenciais. Junto ao Ministério da Justiça, que, como os outros, está instalado na Praça dos Três Poderes, já se encontra pronta para funcionar, se necessário, hoje mesmo, a Consultoria Jurídica da Presidência da República, que conta com oito servidores transferidos do Rio para Brasília.
Caravana de governadores
Pouco antes das 17h30 de hoje, chegou ao Aeroporto Internacional de Brasília o avião conduzindo a caravana de governadores. A aeronave, que era aguardada desde as 14 horas, trouxe a bordo os srs. Juraci Magalhães (Bahia), Parsifal Barroso (Ceará), Ponce de Arruda (Mato Grosso), Cid Sampaio (Pernambuco), Chagas Rodrigues (Piauí), Dinarte Mariz (Rio Grande do Norte), Luís Garcia (Sergipe), Moura Carvalho (Pará), e Roberto Silveira (Estado do Rio). Os visitantes seguiram do aeroporto para o Brasília Palace Hotel, onde ficarão hospedados.
Nascimento do Estado da Guanabara motiva novo carnaval dos cariocas
O carioca festejou o nascimento do Estado da Guanabara da maneira mais autêntica possível, com verdadeiro carnaval de rua, revestido de todas as características da grande festa anual que tanto celebrizam esta cidade em todo o mundo e que se constitui na mais típica manifestação de regozijo do povo do Rio de Janeiro. Pouco antes das 22 horas, a Avenida Rio Branco estava repleta de foliões no mesmo tempo em que desfilavam blocos, ranchos e escolas de samba.
Atropelado o deputado
O deputado Clovis Pestana, ex-ministro da Viação, foi atropelado ontem à noite na avenida Central, defronte à Fundação da Casa Popular. Conduzido ao ambulatório do Tapi, o parlamentar foi posteriormente removido para o hospital local, onde ainda se encontra internado.
Entoando o “Peixe Vivo”, JK deixou o Catete
Após abraçar um por um os funcionários da Presidência da República que não seguirão para Brasília, o Sr. Juscelino Kubitscheck desceu hoje, às 9h49, a mesma escada que subiu em 1956, quando assumiu o governo e fechou a porta principal do velho Palácio do Catete. Em seguida, acompanhado pela esposa, filhas e alguns auxiliares, rumou para o aeroporto a fim de embarcar para Brasília.
JK chegou “escondido”
O presidente Juscelino Kubitscheck chegou hoje duas vezes a Brasília: oficialmente às 15h, viajando de automóvel; extra-oficialmente, às 12h30, no “Viscount” presidencial onde viajaram também sua esposa, suas filhas. o vice-presidente, João Goulart, e o ministro Sebastião Pais de Almeida. Entre uma e outra “chegada”, o presidente permaneceu repousando, segundo informações de elementos da comissão de recepção, no sítio do prefeito Israel Pinheiro.
Jornal do Commercio
Participação mundial na festa de Brasília
Lisboa – Os sinos das igrejas repicarão aqui amanhã, ao meio-dia, em homenagem à inauguração de Brasília, a nova capital brasileira. A decisão das autoridades eclesiásticas de ordenar que sejam tocados os sinos em Lisboa e Santarém, onde está enterrado o descobridor do Brasil, Pedro Álvares Cabral, é um indício do orgulho que sentem os portugueses pelo progresso brasileiro. Uma nota da sede do patriarca de Lisboa diz: “Amanhã será inaugurada Brasília, a nova capital do Brasil. Ao Brasil deu Portugal a fé, a língua e o sangue. Assim se estabeleceu uma união que vem desde há cinco séculos e perdura forte e sadia, para recíproco benefício e exemplo universal. Afirmou estas verdades Sua Santidade João XXIII, ao escolher como seu legado um cardeal português, o patriarca português.
“Brasília é a vitória sôbre o impossível”
Declarando que o nome de Brasília já existia na imaginação dos homens da primeira metade do século XIX, o Sr. Ranieri Mazzili, presidente da Câmara, fará hoje, quando da inauguração da nova capital, o seguinte discurso: “Algum fundamento profundo há sempre nas idéias que resistem ao tempo e à transitoriedade dos homens. Trazido até nós, de geração em geração, desde os tempos dos Inconfidentes, o sonho da interiorização da capital brasileira encontrou sempre vozes que lhe deram novo vigor e nova forma, a cada etapa da vida imperial e republicana”.
Presidente saudou “candangos”ontem
Ao receber, ontem, a chave de Brasília das mãos do sr. Israel Pinheiro, o Presidente da República fêz um discurso de elogio aos “candangos”, salientando que aquêles trabalhadores, com o seu esfôrço, foram os “operários do milagre” da construção da nova capital. Disse o Presidente:
- Meus amigos e companheiros de lutas, soldados da epopéia da construção de Brasília, recebo, profundamente emocionado, a chave simbólica da cidade filha do nosso esforço, da nossa crença, do nosso amor a êste país. Sou apenas o guardião desta chave. Ela é tão minha quanto vossa, quanto de todos os brasileiros.
Jornal do Brasil
Brasília é feita capital, Guanabara nasce com festa
Deputados sem terem onde morar em Brasília começam hoje mesmo a voltar ao Rio
Presidente e sua espôsa choram ao deixar o Catete homenageados por crianças
Brasília terá grande influência nos rumos da campanha eleitoral
O Estado da Guanabara despertou com o samba
Trava-se em Brasília a batalha entre virtudes e defeitos
Brasília se inaugura sem depósito de lixo: o que havia virou favela
60 mil favelados em Brasília esperam a sorte que não vem
Brasília e Roma, nascidas na mesma data, se encontram hoje
Lúcio Costa e Niemeyer esquecidos: placa só de Juscelino
Oitocentos policiais fazem o policiamento de Brasília na inauguração
Rio foi 71 anos a capital da República com 25 presidentes
300 mil crianças das favelas não sabem nem escovar os dentes
Há um ano prefeito proibiu nomeação: depois nomeou 3.465
*As bibliotecas da Câmara e do Senado não guardam arquivos da época dos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo. Também não foi encontrada a edição do dia 21 da Tribuna da Imprensa, do ex-governador Carlos Lacerda, um dos principais opositores à mudança da capital. O mau estado de conservação da edição do Jornal do Brasil impediu uma leitura mais precisa dos destaques do periódico. Agradecimento especial ao servidor Francisco S. Campelo, do departamento de Microfilmagem da Biblioteca da Câmara.
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Operação “tem que tirar esse cara” – o que levará Temer a sucumbir fatalmente ...Essa aventura de intervenção e de controle da Polícia Federal será mais uma desventura do governo. Tirar esse cara, o diretor-geral Leandro Daiello, no atual contexto, consiste em um grave atentado à autonomia das investigações sobre fatos criminosos que indiciam Temer e os seus mais próximos asseclas....

“The Mona Lisa”


Operação “tem que tirar esse cara” – o que levará Temer a sucumbir fatalmente

Lula Marques/AGPT
Henri: “Só um surto de sensatez de Temer evitará um horroroso e ainda mais traumático final do seu governo”
  Henri Clay Andrade *
Desde a divulgação da conversa criminosa entre Joesley Batista e o presidente Michel Temer no Palácio Jaburu, o governo anda trôpego, atabalhoado e emitindo claros sinais de insensatez política.
As aparições do presidente Temer para explicar o colóquio com o dono da JBS foram desastrosas: confessou a existência do encontro oficioso no Palácio Jaburu e da conversa marginal que estarreceu o país e ainda levantou uma celeuma estéril sobre duvidosas edições das gravações.
Movido pela pequenez e o incentivo dos áulicos que nutrem a psicótica atração fatal pelo poder, compulsivamente o presidente Temer tem dado passos cambaleantes e erráticos em direção ao precipício político.
Não bastassem a estupidez do decreto que convocou as Forças Armadas para as ruas da capital do Brasil, por 15 longos dias, e a obcecada insistência em manter a tramitação das pretensas reformas trabalhista e previdenciária no Congresso Nacional aos trancos, agora Temer, abruptamente, enxota o então ministro da Justiça, Osmar Serraglio, para empossar Torquato Jardim, com a indisfarçável intenção de operar uma antirrepublicana intervenção na Polícia Federal.
Em conversa também gravada entre Joesley Batista e Aécio Neves, ambos reclamavam da inoperância do Ministro da Justiça, Osmar Serraglio, face aos inquéritos em andamento da Polícia Federal que apuram práticas de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Também lamentavam a perda da oportunidade de exonerar o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, em decorrência da criticada Operação Carne Fraca. Daiello exerce o cargo desde 2011 e tem conduzido as principais operações que desnudaram os bastidores e abalaram as estruturas do poder. Ambos, Aécio e Joesley, reclamavam em tom apelativo: “Tem que tirar esse cara”!
O presidente Temer – diretamente afetado pela investigação da Polícia Federal, que inclusive o interrogará em breve – agora pretende, ao que tudo parece, implementar a trama engendrada nos bastidores do Palácio Jaburu . De Jardim brota a audácia de intervir na Polícia Federal e insultar, mais uma vez, a paciência do povo brasileiro. É a operação “Tem que tirar esse cara” nas ruas da capital do Brasil com os tanques de guerra simbolizados pela caneta que empossa, nomeia, exonera, decreta e escreve a história do seu lastimável governo.
Essa aventura de intervenção e de controle da Polícia Federal será mais uma desventura do governo. Tirar esse cara, o diretor-geral Leandro Daiello, no atual contexto, consiste em um grave atentado à autonomia das investigações sobre fatos criminosos que indiciam Temer e os seus mais próximos asseclas. É um evidente desvio de finalidade administrativa, porque afronta o interesse público e ofende os valores éticos e os princípios fundamentais da República e da democracia. E isso pode até vir a configurar crime de obstrução da Justiça.
Só um surto de sensatez do presidente Michel Temer evitará um horroroso e ainda mais traumático final do seu governo. Neste momento, a sua renúncia seria um ato de bom senso e de grandeza pelo Brasil. Apegado ao cargo e com esses sucessivos descalabros, Temer fatalmente sucumbirá à legítima operação perpetrada pelo povo que, em tom imperativo, brada nas ruas: “Tem que tirar esse cara”!
* Presidente da seccional de Sergipe da Ordem dos Advogados do Brasil.
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Opinião Janio de Freitas: Novo ministro da Justiça é deplorável e patético Azevedo: Chefe da PF é cargo vitalício? Franco: Esperança para investigados

Deplorável é a palavra mais branda a aplicar-se a Torquato Jardim


Diego Padgurschi/Folhapress
O presidente Michel Temer (PMDB) dá posse ao novo ministro da Justiça, Torquato Jardim, no Palácio de Planalto, em Brasília
O presidente Michel Temer (PMDB) dá posse ao novo ministro da Justiça, Torquato Jardim, no Palácio de Planalto, em Brasília
Os Irmãos Marx eram três. Três são os Patetas. Os irmãos Metralha são três. Sucessos sugestivos, entre tantos possíveis, de que o número tem boas relações com o patético e o cômico. Talvez esteja aí a explicação para o sucedido aos selecionados de Michel Temer para ministros. No caso, os sucessivos no Ministério da Justiça, que se não chegam a ser um trio são, ao menos, uma trinca.
Secretário de Segurança do governo Alckmin, Alexandre de Moraes vivia seus dias opacos em tranquilidade. Oferecida pela atenção intermitente e ligeira dada no Estado ao êxito, interno e além divisas e fronteiras, do paulista PCC. Apesar da boa vida, topou passar por ministro da Justiça em uma composição ministerial já mal conceituada.
Era exposição demais para os fundos de Moraes. Logo a pretendida reputação de constitucionalista estava rebaixada à condição de plagiário, com a revelação pública de que se apropriou de texto alheio. Em retribuição a suas providências, quando secretário, para defender a imagem de recato de Marcela Temer, ganhou um lugar no Supremo Tribunal Federal. Sem que a toga encubra, jamais, o efeito da revelação de sua indevida coautoria.
Osmar Serraglio surgiu como relator na chamada CPI do mensalão. Não aproveitou o bom conceito feito então, voltando a ser um deputado federal sem aplausos e sem críticas. Pescado por Temer para substituir Alexandre de Moraes, Serraglio foi em geral identificado com aquele relator. Por pouco tempo.
Quem apareceu com a nomeação foi o Serraglio de ligação sorrateira com interesses ruralistas de más finalidades, como a ação contra índios para apropriações de terras.
Em complemento à nova imagem, uma gravação conectou-o à corrompida fiscalização de frigoríficos no Paraná. Se a própria voz lhe foi infiel, não foi mais cordial o seu "amigo de 30 anos" Michel Temer, que lhe pespegou alguma coisa nas costas. Parece que muito dolorosa, porque Serraglio nem foi à posse do sucessor. Como também não se mostrará no Ministério da Transparência, que poderia ser um raio-X.
Sabia-se pouco sobre Torquato Jardim, o que justifica ignorar-se ser pessoa apressada. Genro do professor Leitão de Abreu, que governou o país para encobrir a inabilitação absoluta de Médici e, em substituição a Golbery, de Figueiredo, não consta que tenha se aproveitado da relação familiar –uma raridade em Brasília daqueles e de todos os tempos.
Seus anos no Tribunal Superior Eleitoral ampliaram-lhe a imagem de sério e competente. Ministro da Transparência de um governo emparedado, Torquato Jardim irrompeu para a Justiça, em substituição a Serraglio, de modo repentino e abrutalhado. Michel Temer não perde oportunidades de errar. Mas o seguimento foi do novo escolhido.
Torquato Jardim não esperou ser ministro da Justiça de fato e de direito para devastar a sua imagem. Na primeira entrevista depois de escolhido, para Daniela Lima na Folha, exalou disposições subservientes. Não bastando a fuga às indagações, mesmo as mais simples, fez afirmações que entraram pelo grotesco e saíram na indicação de que trouxe um risco à continuidade de investigações importantes. A começar das que se apliquem a comprometimentos de Michel Temer.
Deplorável é a palavra mais branda a aplicar-se ao Torquato Jardim que emerge do cargo de ministro da Justiça de Temer. Mas a palavra merece companhia: deplorável e patético.
Integrantes da Lava Jato enfim estarão certos, e sem paranoias, se deduzirem que as investigações agora estão sob ameaça real de cerceamento.
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Para detalhar propinas Gerentes da Andrade Gutierrez fecham acordo Empreiteira firmou acordo de leniência com o MPFno ano passado

Gerentes da Andrade Gutierrez aderem a acordo para revelar detalhes sobre propina

Leandro Prazeres
Do UOL, em Brasília

  • Comitê Rio-2016
    Orçadas em R$ 690 milhões, obras do estádio Mané Garrincha custaram R$ 1,575 bilhão
    Orçadas em R$ 690 milhões, obras do estádio Mané Garrincha custaram R$ 1,575 bilhão
Gerentes da construtora Andrade Gutierrez estão aderindo ao acordo de leniência que a companhia firmou com o MPF (Ministério Público Federal) para revelar novos detalhes sobre o esquema de pagamento de propina a agentes políticos. Nas últimas duas semanas, a Justiça Federal do Distrito Federal homologou a adesão de dois gerentes da empresa. Os nomes deles são mantidos em sigilo.
Em maio de 2016, a Andrade Gutierrez, que é investigada pela força-tarefa da Operação Lava Jato, firmou um acordo de leniência com o MPF (Ministério Público Federal) e se comprometeu a pagar uma multa de R$ 1 bilhão.
Pelo acordo, a construtora é obrigada a revelar detalhes sobre crimes cometidos e implementar normas mais rígidas de governança e combate à corrupção e, em troca, continuaria apta a firmar contratos com órgãos públicos. Os executivos que aderirem ao acordo de leniência também ficam livres de responderem na esfera civil a processos relacionados aos crimes revelados pela Andrade Gutierrez.
A adesão de gerentes e outros funcionários do segundo e terceiro escalão ao acordo de leniência é vista por procuradores federais como importante na medida em que eles podem oferecer mais detalhes sobre como funcionava o pagamento de propina a agentes políticos relativos a obras tocadas pela empreiteira.
Em geral, os diretores e superintendentes das empreiteiras que aderiram a esse tipo de acordo revelam informações sobre o pagamento de propina em nível "macro". Cabe aos gerentes oferecer informações mais específicas sobre esses repasses.
Um dos gerentes cuja adesão ao acordo de leniência foi homologada há duas semanas trabalhou diretamente na obra do estádio Mané Garrincha. Ele ingressou na Andrade Gutierrez em 2005. Após uma passagem pela Odebrecht, ele voltou à Andrade e, entre 2009 e 2015, trabalhou em Brasília gerenciando contratos da empreiteira. Orçadas em R$ 690 milhões, as obras de reforma do estádio custaram R$ 1,575 bilhão.
Com base nas informações dos acordos de delação premiada e de leniência da companhia, o MPF sustenta que parte do sobrepreço de R$ 900 milhões da obra foi direcionada a políticos como os ex-governadores do Distrito Federal Agnelo Queiroz (PT) e José Roberto Arruda (PR). Outro que também teria recebido propina segundo o MPF foi o ex vice-governador do DF e ex-assessor especial do presidente Michel Temer (PMDB) Tadeu Fillipelli.
O advogado de Arruda, Paulo Emílio Catta Preta, disse que seu cliente é inocente e alegou que a contratação para a reforma do estádio não ocorreu durante a gestão do ex-governador. Nesta quarta-feira, após uma decisão judicial que libertou Agnelo, Daniel Gerber, seu advogado, afirmou que a soltura do ex-governador foi uma decisão "técnica, isenta e extremamente bem fundamentada". O advogado de Fillipelli, Alexandre Queiroz, por sua vez, disse que tentaria a soltura de seu cliente.

Divulgação/Andrade Gutierrez
Obras da usina nuclear Angra 3
Na última terça-feira (23), o trio e outras sete pessoas foram presos pela PF após a deflagração da Operação Panatenaico, que apura a formação de cartel e pagamento de propina relativa à obra. Após ter sido preso, Fillipelli foi exonerado pelo presidente Temer. Agnelo Queiroz foi solto nesta quarta-feira (31) após uma decisão do TRF1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região).
O outro gerente que aderiu ao acordo de leniência é engenheiro civil formado em Minas Gerais e que atuou em projetos da Andrade Gutierrez como a construção da usina nuclear de Angra 3, cuja obra também é investigada.
Procurada pela reportagem, a Andrade Gutierrez enviou uma nota na qual ela afirma que "segue colaborando com as investigações em curso dentro do acordo de leniência firmado pela empresa com o Ministério Público Federal e reforça seu compromisso público de esclarecer e corrigir todos os fatos irregulares ocorridos no passado".
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Após prisão de irmã, operador de Cunha acena com delação premiada O economista Lúcio Funaro fez chegar a procuradores da República a informação de que ele estaria disposto a firmar um acordo de delação premiada

Preso desde 2016, Lúcio Funaro diz a interlocutores estar disposto a fazer uma delação




  • Lula Marques/Folha imagem
    Preso desde 2016, Lúcio Funaro diz a interlocutores estar disposto a fazer uma delação

Após prisão de irmã, operador de Cunha acena com delação premiada

Leandro Prazeres
Do UOL, em Brasília
O economista Lúcio Funaro fez chegar a procuradores da República a informação de que ele estaria disposto a firmar um acordo de delação premiada. A intenção foi confirmada pela reportagem do UOL com uma pessoa próxima a Funaro, que está preso desde julho de 2016 após a deflagração da Operação Sépsis. "Ele não aguenta mais isso. Quer acabar com isso logo", disse um interlocutor do economista.
A delação de Funaro é avaliada como importante por investigadores da força-tarefa da Operação Lava Jato. Ele é apontado como um dos principais operadores do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Uma pessoa próxima a Funaro disse que os quase dez meses na cadeia somados à prisão da sua irmã, Roberta Funaro, fizeram com que ele mudasse de ideia sobre colaborar com a Justiça.
"Esse sentimento dele já chegou aos procuradores. Está tudo muito difícil para ele. Ele não aguenta mais isso. Ele quer acabar com isso logo. O mais rápido possível", disse um interlocutor do economista. 

Investigado em três operações da PF

Segundo as investigações, Funaro e Cunha atuavam juntos cobrando e recebendo dinheiro de propina de empresas em troca de facilitação na liberação de recursos do FI-FGTS.
Esse mesmo esquema, segundo os procuradores, teria funcionado em relação a outros fundos de investimento ligados a bancos públicos. Além de ser investigado na Sépsis, Funaro é investigado nas operações Greenfield e Cui Bonno?.
A ligação de Funaro com integrantes da cúpula do PMDB também é vista como importante em um eventual acordo de delação premiada. 
Internamente, procuradores avaliam que uma delação do economista só seria interessante se ele tiver condições de detalhar os esquemas nos quais estaria envolvido e se for capaz de revelar informações ainda não descobertas pelos investigadores.
Ainda não haveria consenso sobre se a delação de Funaro seria tocada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) ou pela PR-DF (Procuradoria da República do Distrito Federal). A tendência é que, se houver acordo, ele seja conduzido pela PGR, pois há a expectativa de que Funaro possa revelar informações sobre pessoas com foro privilegiado.  
Segundo o delator da Odebrecht Cláudio Melo Filho, esse pacote conteria R$ 1 milhão referente a recursos acertados entre o ex-presidente da empresa Marcelo Odebrecht e o então vice-presidente da República Michel Temer durante um jantar no Palácio do Jaburu.
Yunes disse não saber que o pacote recebido por Funaro se tratava de dinheiro. Padilha, por sua vez, nega ter solicitado qualquer envio de recursos por meio de Yunes.
Até o momento, Funaro vem negando sua participação nesses esquemas.

Detenção da irmã é fator decisivo

Desde a sua prisão, Lúcio Funaro vinha rejeitando a hipótese de aderir a um acordo de delação premiada, mas a prisão de sua irmã durante a Operação Patmosparece ter mudado sua disposição, dizem pessoas ligadas ao economista.
Roberta Funaro foi flagrada recebendo R$ 400 mil de emissários da empresa JBS. Segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República), os pagamentos feitos à família de Funaro eram uma forma de mantê-lo em silêncio.
A defesa de Roberta já ingressou com um pedido de liberdade provisória em seu favor, mas o pedido ainda não foi avaliado pelo relator da Operação Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin.
Procurado pela reportagem, o advogado de Lúcio Funaro, Bruno Espiñera, diz não ter informações sobre uma eventual delação de seu cliente. "Não tenho essa informação. Nesse momento, nossa defesa está voltada para tentar tirar a irmã dele da cadeia", afirmou.
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