Caso Nutella: um ministro de Temer faria o mesmo discurso do ministro francês? Caso Nutella na França estimula algumas reflexões: A globalização, é a globalização da miséria? Se isto está ocorrendo na França, o que vai ocorrer no Brasil? Será que um ministro do governo Temer faria o mesmo discurso do ministro francês?


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Caso Nutella na França estimula algumas reflexões: A globalização, é a globalização da miséria? Se isto está ocorrendo na França, o que vai ocorrer no Brasil? Será que um ministro do governo Temer faria o mesmo discurso do ministro francês?


Rogerio Maestri, Jornal GGN
Nos últimos dias a Internet principalmente o Youtube tem mostrado cenas incríveis que jamais se pensaria ver na quinta economia do mundo, a França.
Se alguém quiser ver mais vídeos dos tumultos ocorridos na França simplesmente utilize as palavras chave no YouTube “Emeutes Nutella” e verão que não estou exagerando, como exemplo coloquei ao todo quatro vídeos não repetidos de diversas regiões francesas.
Pois bem o que se passou, a Nutella fez uma promoção nos supermercados Intermarché que em 2007 possuía 1 474 pontos de venda na França (hoje deve estar próximo aos 2.000 pontos de venda) baixando o preço de 4,70 euros para 1,41 Euros. O que ocorreu é que em toda a França hordas de pessoas atacaram os supermercados Intermarché para comprar o máximo possível de Nutella que conseguiam carregar.
As imagens impressionantes, que seriam normais num ataque de consumidores a um dado magazine quando este apresenta uma oferta excepcional é bem mais grave do que se possa pensar. Primeiro não foi um ataque a uma só empresa que oferecia produtos que as pessoas não conseguiam comprar normalmente, como eletrodomésticos ou roupas femininas que são vendidas normalmente a preços artificialmente caros, foi um ataque generalizado em todos os supermercados franceses ao longo de todas as regiões.
Departamento de L’Oise
Departamento de Lot-et-Garonne (região Aquitânia-Limusino-Poitou-Charentes)
Departamento de Toulon (região Provence-Alpes Côte d’Azur)
Reportagem de jornal Francês, não identificada a região
O desespero das pessoas, o empurra-empurra que ocorreu é um sintoma claro de algo extremamente simples, o francês comum está tendo dificuldades de manter o consumo de itens básicos de alimentação e a procura de um alimento totalmente industrializado que pelo seu alto teor de açúcar revela hábitos alimentares totalmente impróprios a saúde das pessoas.
O mesmo problema, já mais atenuado aconteceu na mesma rede quatro dias depois na venda de fraudas descartáveis, quando duas mães saíram no braço.
Vários vídeos aparecem uns verdadeiros vlogueiros idiotas que simplesmente colocam o problema como uma mera distorção de comportamento, porém o que é dito num pequeno resumo de uma entrevista na TV o próprio ministro da agricultura Francês (atual), Stéphane Travert, que apesar de pertencer ao governo Macron faz um diagnóstico que o que falta para todos é dinheiro para sobreviver.
Deixo os fatos e os vídeos, deixo também para que as pessoas complementem o que escrevi com seus comentários, só coloco algumas perguntas para a reflexão:
A globalização, é a globalização da miséria?
Se isto está ocorrendo na França, o que vai ocorrer no Brasil?
Será que um ministro do governo Temer faria o mesmo discurso do ministro francês?
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Força de Lula no último Datafolha revela fenômeno político extraordinário Novo Datafolha revela episódio sem precedentes. Desde quarta, Lula sofreu o bombardeio mais intenso lançado contra um político desde o fim da ditadura. Condenado pelo TRF-4, foi dado por toda a mídia como figura aniquilada. Resistiu sem um arranhão, mostrou a pesquisa. Só um fenômeno explica este resultado



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Novo Datafolha revela episódio sem precedentes. Desde quarta, Lula sofreu o bombardeio mais intenso lançado contra um político desde o fim da ditadura. Condenado pelo TRF-4, foi dado por toda a mídia como figura aniquilada. Resistiu sem um arranhão, mostrou a pesquisa. Só um fenômeno explica este resultado

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I.

Saiu nesta madrugada (31/1) uma nova pesquisa Datafolha, de intenção de voto para a Presidência. Os resultados revelam, antes de tudo um fenômeno político extraordinário. Lula sofreu, a partir de quarta-feira passada (24/1), o bombardeio mais intenso lançado contra um político ao menos desde o fim da ditadura. Condenado pelo TRF-4 em jogo de cartas marcadas, foi dado por toda a mídia como candidato liquidado, à porta da prisão (“à beira do precipício”, segundo Veja). Resistiu sem um arranhão, revela a enquete, realizada no início desta semana (29 e 30/1). Mantém o mesmo patamar (entre 34% e 37% dos votos, dependendo dos adversários) do levantamento anterior.
Só um fenômeno explica este resultado. O ex presidente tornou-se imune aos ataques que lhe são lançados pelo Judiciário, os políticos conservadores e a mídia – ou seja, pelo bloco de forças políticas que consumou o golpe de 2016. É como se uma vasta fatia do eleitorado, que sente na pele o efeito dos retrocessos, desqualificasse o bombardeio, por compreender (ou intuir) os interesses que há por trás dele.
Este fato tende a provocar, nas próximas semanas, forte tensão política. Uma impugnação da candidatura de Lula só poderá ocorrer em setembro – e mesmo sua possível prisão de Lula, em dois meses. O ex-presidente parece ter percebido que, desafiado pelos adversários e deixado sem outra saída, só tem futuro se dobrar a aposta. Anuncia que criará fatos políticos de grande relevância: entre eles, novas caravanas pelo país e o lançamento, em algumas semanas, de uma nova Carta aos Brasileiros, dirigida às maiorias que reclamam direitos, e em particular às classes médias. Num ambiente de crise social, este aceno de mudanças tende a repercutir com intensidade. Obrigará os adversários a uma tentativa de defesa, difícil e desgastante. E a prisão de Lula será vista como vingança da elite, como tentativa de calar quem se opõe às injustiças. Se o candidato executar, de fato, o que tem prometido, criará condições para manter a candidatura inclusive encarcerado – em desafio aberto à coalizão jurídico-midiática.

II.

Um segundo fenõmeno captado pela pesquisa dificulta a situação do bloco do conservadorismo tradicional. Não há aí, segundo o Datafolha, nenhum sinal de que esteja se formando uma liderança clara, capaz de articular iniciativas comuns. A festejada candidatura de Geraldo Alckmin não decolou: atinge no máximo 6% das preferências, nos cenários com Lula. Nota importante: Michel Temer (1%) e Henrique Meirelles (1%), os principais executores da agenda de retrocessos (em especial da contrarreforma da Previdência), são vastamente rejeitados. É um sinal que deverá perturbar deputados e senadores e tornar mais difícil a aprovação de uma emenda constitucional que mídia e aristocracia financeira tentam vender como “indispensável”. Há cheiro de nova derrota à vista, para o bloco conservador.
Este cenário tende a incentivar a candidatura de Luciano Huck. Em dois artigos recentes, Fernando Henrique Cardoso incentivou-a, de modo mais ou menos explícito. O apresentador, que retirou-se provisoriamente da disputa há dois meses, aparece, ainda assim, com os mesmos 6% de Alckmin. Ainda assim, nada indica que o governador de São Paulo, ou mesmo Henrique Meirelles, estejam prontos a se retirar da disputa – o que ampliará o desconforto entre o campo conservador.

III.

Mesmo nos cenários sem Lula, as intenções de voto de Manuela Dávila-PCdoB (3%), Jacques Vagner-PT (2%) e Guilherme Boulos (1%) são reduzidas. Mas salta aos olhos a persistência de Ciro Gomes-PDT. Nos cenários com Lula, ele tem 7%; sem o ex-presidente, até 13%.
Para o momento, a estratégia de Lula – manter a candidatura, mesmo perseguido ou preso – está se mostrando extremamente sagaz. Mas, como alerta Eduardo Fagnani, coordenadora da Plataforma Política Social, esta será, provavelmente, uma disputa a ser decidida nos pênalties. Ainda que o ex-presidente leve a disputa até as portas do segundo turno, não se deve menosprezar a força do bloco conservador. Os riscos de uma impugnação final são altos.
Por isso, a última sondagem sugere a conveniência de uma articulação Lula-Ciro. Ela não deve tomar a forma (ao menos agora) de uma chapa conjunta – mas pode surgir como um discurso articulado para as eleições. A base comum está clara na própria fala dos dois postulantes: questionar o golpe e a agenda de retrocesos – propondo, em especial sua anulação por meio de Referendos Revogatórios.
IV.
É quase pleonástico afirmar, mas a cobertura do velho jornalismo sobre a pesquisa é, mais uma vez, vergonhosa. A Folha, que realizou a pesquisa, esmera-se em esconder ser resultado principal. Prefere dar destaque ao cenário sem Lula. Mais grotesco: na Globo, o Bom dia, Brasil simplesmente não noticiou o fato mais importante do dia. Preferiu dedicar longos minutos a acidentes de trânsito corriqueiros.
O malabarismo chega a ser comovente, mas desperta a questão: é possível tapar o sol com a penenira?
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Gilmar Mendes pretende caçar passageiros que o xingaram em avião Ministro Gilmar Mendes aciona a Polícia Federal para descobrir e investigar quem o xingou durante um voo que partiu de Brasília rumo a Cuiabá

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Gilmar Mendes pretende caçar passageiros que o xingaram em avião

Gilmar Mendes pretende caçar passageiros que o xingaram em avião

Ministro Gilmar Mendes aciona a Polícia Federal para descobrir e investigar quem o xingou durante um voo que partiu de Brasília rumo a Cuiabá


Joelma Pereira, Congresso em Foco
Com objetivo de descobrir quem o xingou durante um voo que partiu de Brasília rumo a Cuiabá, no último sábado (27), o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviará uma representação à Polícia Federalpedindo que o autor das ofensas seja investigado. A informação foi revelada na manhã desta quarta-feira (31) pela jornalista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, e confirmada por este site.
Alvo de protestos por passageiros que estavam na mesma aeronave que o ministro, em vídeo que circula na internet e em grupos de WhatsApp, um passageiro diz: “Polícia Federal para ele [Gilmar Mendes]. O amigo do Daniel Dantas, do Aécio Neves”. Mais ao fundo, uma passageira provoca: “Vergonha para família”. Em outro momento do voo, os passageiros entram no coro de “fora Gilmar”. Calado, o ministro apenas sorri, sem rebater às provocações.

“Tomataços”

Em outubro do ano passado, o ministro foi alvo de dois “tomataços”, em ocasiões diferentes, na entrada do Instituto de Direito Público (IDP), instituição de ensino e pesquisas da qual é sócio-fundador. Conforme a Folha de S. Paulo antecipou, Gilmar Mendes também pediu que a PF abra inquérito para investigar o suposto líder do grupo que teria oferecido R$ 300 para quem acertasse um tomate no magistrado.
Claramente, a intenção do Representado não era a de realizar um protesto pacífico – dentro dos limites do direito à liberdade de expressão –, mas de verdadeiramente ameaçar o Representante e de lhe ocasionar lesão corporal e patrimonial, na medida em que, consoante o texto, (i) o tomataço deveria ser direcionado à sua cabeça e que (ii) foram apostas aspas no vocábulo pacífico – ressaltando, justamente, a violência do ato”, diz parte do texto da representação enviada à PF, que pede que o suspeito “seja penalmente responsabilizado por suas condutas”. O pedido foi enviado à PF no dia 28 de dezembro de 2017.
No início deste mês, o ministro foi seguido e hostilizado por duas brasileiras pelas ruas de Lisboa, capital de Portugal. Gilmar viaja com frequência para aquele país, onde tem casa.“A gente pede pra Deus levar o senhor pro inferno”, foi o que o magistrado ouviu naquela oportunidade.
Gilmar foi responsável, entre outros casos, pela soltura de figuras conhecidas como o ex-ministro José Dirceu, o empresário Eike Batista, o médico Roger Abdelmassih e o banqueiro Daniel Dantas. No ano passado, o ministro também mandou soltar, duas vezes em menos de 24h, o empresário Jacob Barata Filho, magnata do transporte público do Rio, preso por corrupção. Em 2013, o ministro foi padrinho de casamento da filha de Barata.
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Marcelo Bretas não aguenta a pressão e abandona o Twitter Após bloquear centenas de seguidores, Marcelo Bretas, o juiz da Lava Jato do duplo auxílio-moradia, não aguenta a pressão e decide abandonar o Twitter. Mensagem de despedida do magistrado foi ironizada por internautas

Marcelo Bretas não aguenta pressão abandona twitter






Marcelo Bretas

Marcelo Bretas não aguenta a pressão e abandona o Twitter

Após bloquear centenas de seguidores, Marcelo Bretas, o juiz da Lava Jato do duplo auxílio-moradia, não aguenta a pressão e decide abandonar o Twitter. Mensagem de despedida do magistrado foi ironizada por internautas

Juliana Cipriani, EM

O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, decidiu tirar férias do Twitter, um dia depois de virar um dos assuntos mais comentados na rede social por causa da ação que moveu para garantir dois auxílios-moradia para a família. O juiz responsável pela Lava-Jatono Rio informou na noite dessa terça-feira (31) aos 31,2 mil seguidores que ficará ausente.
Informo que não usarei esta conta de Twitter pelos próximos meses.Teremos um ano de muito trabalho …Até”, disse. Antes, porém, agradeceu aos que o acompanharam pela rede.
No dia anterior, Marcelo Bretas havia usado a conta para se defender pelas críticas de ter conseguido judicialmente receber um auxílio-moradia de R$ 4.377,73, mesmo morando com a mulher, Simone Bretas, do 5º Juizado Especial Federal Cível do Rio,que recebe os mesmos R$ 4.377,73.
casal conseguiu duplicar o benefício graças a uma decisão judicial, já que resolução de 2014 do Conselho Nacional de Justiça veda o pagamento do auxílio a magistrados que residam com quem perceba “vantagem da mesma natureza”.
Pois é, tenho esse ‘estranho’ hábito. Sempre que penso ter direito a algo eu vou à Justiça e peço. Talvez devesse ficar chorando num canto ou pegar escondido ou à força. Mas, como tenho medo de merecer algum castigo, peço na Justiça o meu direito“, afirmou Marcelo Bretas na ocasião pelo Twitter.
O anúncio de que deixaria a rede social por um tempo não poupou o juiz de novos comentários. “Um ano de muito trabalho e auxílio-moradia”, disse uma seguidora. “Que legal , ele merece um auxílio moradia por essa meta… Só que não hahaha”, respondeu outro.
Também houve quem defendesse o magistrado no Twitter. “Seu trabalho como juiz é excelente e estava sendo prejudicado pela militância no twitter. Não dê armas aos adversários”, disse um apoiador.
Apenas como salário, Marcelo e Simone Bretas recebem R$ 28.947,55 cada, segundo listagem publicada pelo Conselho Nacional de Justiça referente aos salários de dezembro do ano passado. O total de rendimentos brutos para Simone foi naquele mês R$ 45.442,55. Já o de Marcelo Bretas, segundo a Transparência do CNJ foi de R$ 43.054,35.
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Quando o juiz moralista é, na verdade, um imoral Não pode agora Marcelo Bretas querer sentar-se em cima do muro imaginário que separa o direito da moral. Ele mesmo pulou esse muro várias vezes, de um lado para o outro, quando fez de sua atividade judicial uma atividade de cunho claramente moral: a “cruzada” contra a corrupção






*Frederico de Almeida é cientista político e professor na Unicamp.
Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no FacebookQuando o juiz moralista é, na verdade, um imoral

JURISTAS31/JAN/2018 ÀS 15:58

Não pode agora Marcelo Bretas querer sentar-se em cima do muro imaginário que separa o direito da moral. Ele mesmo pulou esse muro várias vezes, de um lado para o outro, quando fez de sua atividade judicial uma atividade de cunho claramente moral: a “cruzada” contra a corrupção


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Juízes Marcelo Bretas e Sérgio Moro (reprodução)
Frederico de Almeida*, Justificando
Quando se descobriu que o juiz Marcelo Bretas, responsável pelo braço fluminense da Operação Lava Jato, obteve auxílio-moradia para si e para sua esposa, também juíza, a resposta do magistrado foi no sentido de dizer que ele apenas pleiteou judicialmente um direito que considerava ter. Vamos deixar de lado, por enquanto, o fato de que a resposta de Bretas veio por meio de seu perfil no Twitter, cheio de ironias, gracinhas e emojis.
auxílio-moradia é um daqueles penduricalhos que juízes recebem e que, somados a outros tantos, fazem que seus salários não raro ultrapassem o teto constitucional, fixado como sendo o salário de um ministro do Supremo. Sim, há juízes que ganham mais do que ministros do Supremo, e há ministros do Supremo que recebem mensalmente mais do que o valor formal do teto. Isso porque esses auxílios são considerados “indenizatórios” e não “remuneratórios”. Ou seja: pela interpretação que os juízes fazem (em seu próprio benefício), o teto se refere à remuneração, e portanto os valores indenizatórios que extrapolam o teto não são ilegais.
Desde 2014, uma liminar do ministro Luiz Fux – decisão monocrática até hoje não apreciada pelos demais juízes do STF – garante pagamento do auxílio-moradia a todos os juízes federais do país. Após essa primeira liminar, solicitada pela associação corporativa dos juízes federais, em outras duas decisões monocráticas tomadas na sequência o mesmo Fux estendeu o pagamento dos benefícios a todos os juízes brasileiros, mediante solicitação de outras entidades corporativas.
Também na sequência, e em decorrência das decisões (precárias, provisórias, individuais) de Fux, o CNJ regulamentou o auxílio-moradia para todos os tribunais do país. Dizem que o STF deve julgar muito em breve e em definitivo a questão – como se fosse possível falar em brevidade após tanto tempo e tanto dinheiro gasto.
Uma das restrições impostas pelo CNJ diz respeito a casais de juízes. A regulamentação do Conselho diz que o auxílio não pode ser pago se um dos cônjuges já o recebe e ambos vivem na mesma cidade. Foi contra essa restrição que Bretas ajuizou ação, ao lado de outros colegas, tendo seu pedido julgado por outros colegas.
A teoria do direito se debate há séculos sobre a relação entre direito e moral. Se normativamente é difícil traçar a fronteira entre uma coisa e outra, sociologicamente é possível entender a questão de um ponto de vista mais realista: há diferentes sentidos do direito, assim como há diferentes moralidades que circulam no meio social; os sentidos do direito, assim como as moralidades, submetem-se a disputas para se definir qual norma, qual interpretação do direito, qual moralidade será prevalente.
Mais do que isso: o estabelecimento de novas regras de direito, e de novas interpretações das regras existentes reflete a disputa sobre moralidades, sobre visões do mundo que se traduzem em direito.
O casal Bretas, os colegas coautores e os colegas julgadores da ação judicial que derrubou a restrição imposta pelo CNJ não agiram de maneira ilegal. Assim como todos os juízes que recebem acima do teto não estão em situação formalmente ilegal. Assim como Fux não agiu ilegalmente ao conceder a liminar até hoje não apreciada pelos seus colegas. Assim como a filha de Fux, feita desembargadora aos 35 anos de idade por pressões de seu pai (estas sim, que desafiam os limites da legalidade) também age de forma legal ao receber auxílio-moradia do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, mesmo sendo proprietária de dois imóveis na cidade onde reside e trabalha.
A resposta de Bretas no Twitter, com toda sua ironia, pressupõe, justamente, que direito e moral são coisas diferentes. Mas sabemos que não é bem assim. Não só as regras vigentes respondem a certas moralidades (no caso, a dos juízes que se têm em tão alta conta que defendem e garantem, pela força das próprias decisões, privilégios aos quais a grande maioria dos trabalhadores brasileiro não tem direito); também a oposição a elas demonstra moralidades desafiantes, ou no mínimo desafios às moralidades dominantes (no caso, a crítica amplamente difundida a esses privilégios, independentemente de sua legalidade, em um país obscenamente desigual e em um momento de recessão econômica e de reforma regressivas, que afetam justamente os mais pobres enquanto preservam os ganhos dos mais ricos).
E não pode agora Bretas querer sentar-se em cima do muro imaginário que separa o direito da moral. Ele mesmo pulou esse muro várias vezes, de um lado para o outro, quando fez de sua atividade judicial e do julgamento de casos concretos e de responsabilidades individualizadas uma atividade cunho claramente moral: a “cruzada” contra a corrupção; a condenação pública, indiferenciada e extrajudicial da atividade política como um todo; a aceitação vaidosa e sem ressalvas da transformação de sua figura em herói; o proselitismo político e religioso em decisões judiciais, entrevistas, campanhas midiáticas e posts em redes sociais.
Assim como o juiz Sérgio Moro. Assim como os procuradores da República Deltan Dallagnol, Carlos Fernandes dos Santos Lima e Thaméa Danelon. Assim como as associações corporativas da magistratura e do Ministério Público que, ao invés de criticar abusos e debater limites, endossaram o voluntarismo daqueles moralistas e acusaram todos os seus críticos de atentarem contra as instituições judiciais.
Todos eles se aproveitaram dos compreensíveis e justificáveis anseios populares contra a impunidade e a corrupção dos poderosos para misturarem, como lhes convinha, o direito e a moral; que enfrentem agora a indignação moral, igualmente compreensível e justificada, contra os privilégios de suas carreiras, independentemente de sua (questionável) legalidade.
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Jornal dos EUA faz comparação entre Jair Bolsonaro e Donald Trump Após o deputado Jair Bolsonaro (PSC) aparecer em segundo lugar em pesquisas de intenções de votos à Presidência, atrás apenas do ex-presidente Lula, jornal norte-americano publicou uma comparação entre o brasileiro e o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump


donald trump jair bolsonaroJornal dos EUA faz comparação entre Jair Bolsonaro e Donald Trump

Após o deputado Jair Bolsonaro (PSC) aparecer em segundo lugar em pesquisas de intenções de votos à Presidência, atrás apenas do ex-presidente Lula, jornal norte-americano publicou uma comparação entre o brasileiro e o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump


Após o deputado Jair Bolsonaro aparecer em segundo lugar em pesquisas de intenções de votos à Presidência, o jornal norte-americano “Quartz” publicou uma comparação entre o brasileiro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que também era tido como candidato improvável nas eleições à Casa Branca em 2016.
“A eleição de Trump ensinou aos norte-americanos que qualquer candidato, não importa o quanto ele pareça, deve ser levado a sério por todos antes que seja tarde demais”, diz o texto.
De acordo com a publicação, embora a população dos EUA não conheça a história de Bolsonaro, ela é parecida com a do republicano e, portanto, “os brasileiros precisam entender isso agora”.
O deputado, que representa o Rio de Janeiro na Câmara dos Deputados do Brasil, tem feito reivindicações racistas, homofóbicas e xenófobas desde que entrou na política em 1988.”Eu não tento agradar a todos. Eu não sou bom, mas os outros são muito ruins. Eles tentam me derrubar, mas continuo a subir nas pesquisas”, declarou o brasileiro ao portal “Vice News”.
O “Quartz” define Bolsonaro como um “fenômeno popular” na política brasileira e suas declarações polêmicas podem ser comparadas por diversas vezes as de Trump. O magnata também é conhecido por seu estilo excêntrico e politicamente incorreto.
Segundo o jornal, o discurso do deputado é centrado em suas visões conservadoras sobre uma série de questões sociais. Ele já deixou claro que “preferiria ter um filho morto do que um homossexual” e que a comunidade LGBT está tentando assumir a sociedade.
Para Bolsonaro, “esses grupos querem alcançar nossos filhos para transformá-los em adultos gays para satisfazer a sexualidade dos homossexuais no futuro”, diz a publicação.
O deputado do Partido Social Cristão (PSC) irá se candidatar à presidência nas eleições de 2018, principalmente após a onda de escândalos e corrupção que envolvem a maior parte dos políticos.
De acordo com o jornal, “os brasileiros, assim como os norte-americanos, estão com sede de mudança. A inflação é alta, o crime é alto, o desemprego é alto, mas o quadro de políticos é corrupto. Bolsonaro tem uma mensagem diferente que se encaixa” no atual cenário.

“Eu sou uma pessoa autêntica. Minhas propostas são diferente de tudo o que está lá fora”, disse ao “Vice News” o político que acredita que um retorno à lei e à ordem significa mudar a política de direitos humanos no Brasil, porque “não podemos tratar os criminosos como vítimas. Você luta contra a violência com violência”.
No texto norte-americano é destacado outro ponto que teria impulsionado Bolsonaro: o movimento evangélico do Brasil. No Congresso, a Igreja está cada vez mais dominante, inclusive a maioria de seus membros votaram a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Além disso, a publicação ressalta que a população conservadora sente que o país está perdido com políticas liberais e a solução é ter políticas mais duras como as do futuro candidato ao Palácio do Planalto.
O Brasil enfrenta a sua pior recessão econômica desde a década de 1930. Quatro brasileiros em cada 10 estão desempregados. A ascensão de Bolsonaro, segundo o “Quartz”, tem gerado repercussão mundial. “Eu faço novidades, então é claro que as pessoas etão atrás de mim”, disse o deputado ao jornal.

Mas Bolsonaro ainda acredita que a mídia o retrata injustamente. A narrativa de como a mídia e a oposição estão tentando sufocar seu movimento também está presente no discurso do político. Esta é mais uma das histórias que os norte-americanos estão familiarizados. Trump já denunciou diversas vezes que as declarações da imprensa sobre sua vida pessoal e política são “mentirosas”.
A publicação ainda diz que o brasileiro se compara com outros candidatos de extrema-direita. “Da mesma forma que a oposição está tentando sufocar o movimento de Le Pen na França, eles estão tentando prejudicar minhas chances em 2018”, ressaltou Bolsonaro na entrevista.
A chance de Bolsonaro de ser eleito começou a aumentar. Em 30 de abril, ele apareceu com 15 % das intenções de votos atrás apenas no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, o petista é alvo de investigação por corrupção e lavagem de dinheiro.
Na publicação, Bolsonaro ainda argumenta que os resultados da pesquisa também podem ser enganadores. Ele cita as pesquisas de opinião pública norte-americanas que não previram a vitória de Trump. “Apesar do retrato da mídia dele, ele ainda ganhou”, disse.
Para o jornal, mesmo que Bolsonaro não vença no próximo ano, essa perda não descarta futuras campanhas. “Os brasileiros estão com sede de mudança e estão procurando por alguém diferente – um estranho. É hora de começar a pensar seriamente em Bolsonaro”, finaliza a publicação
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Casa de Bretas já foi até matéria de revista

Casa do juiz Marcelo BretasCasa de Bretas já foi até matéria de revista
Casa do juiz Marcelo Bretas


A casa em que o juiz Marcelo Bretas vive com sua mulher, a também juíza Simone Diniz Bretas, e com os filhos já apareceu em uma revista de arquitetura e design de interiores. O imóvel, no bairro do Flamengo, e tem vista para o Pão de Açúcar.
O juiz foi alvo de questionamento na corregedoria por entrar com ação para o recebimento de dois auxílios moradia. Ele conseguiu o direito de receber o benefício apesar de uma resolução que proíbe o pagamento a casais que morem sob o mesmo teto.
Simone compartilhou uma foto da publicação em seu perfil do Facebook em abril de 2016. A imagem foi curtida por 53 pessoas, e algumas fizeram comentários.
"Amiga, é a sua residência? Sendo ou não, achei MARAVILHOSA!", escreveu uma amiga. Simone responde: "É sim, Ana! Qdo estiverem no Rio venham nos visitar! Mérito da Geisa Fraga Hartmann". Geisa é a arquiteta responsável pela reforma, feita em 2016.
Outra amiga da juíza comenta em inglês. "Looks so beautiful and peaceful. I can see we have something in common, we both have good taste in decor". (Parece tão bonito e relaxante. Vejo que temos algo em comum, nós duas temos bom gosto para decoração).
Simone também responde em inglês: "Thanks a lot. What do you think about visiting us? I would love know your familiy". (Muito obrigada. O que acha de nos visitar? Eu adoraria conhecer a sua família).
Um apartamento com as mesmas características está anunciado por cerca de R$ 4 mil por dia em um site de locação de imóveis por temporada.
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