Senador de poucos discursos e muitas articulações, o Davi que derrotou Renan terá de pacificar o Senado

Senador de poucos discursos e muitas articulações, o Davi que derrotou Renan terá de pacificar o Senado


O vencedor da disputa mais acirrada da história do Senado é um homem pouco propenso a fazer declarações públicas, mas muito ativo nas articulações políticas. Depois de quatro anos de mandato longe dos holofotes, Davi Alcolumbre (DEM-AP) é agora o chefe do Congresso, o terceiro na linha da sucessão presidencial, o senador que derrotou o MDB, partido que presidiu a Casa em 30 dos 34 anos da nova República. Será lembrado daqui em diante como o parlamentar que impôs a Renan Calheiros (MDB-AL), que postulava a presidência pela quinta vez, sua maior derrota eleitoral.
“Davi não é Davi. Davi é Golias. É o novo presidente do Senado e eu retiro minha candidatura", disse o senador alagoano em tom de protesto, ao sair da disputa na tarde deste sábado (2), quando percebeu que seria derrotado mesmo com a votação secreta pela qual tanto lutou.
Renan se retirou do plenário após anunciar desistência. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
Na presidência em exercício do Senado, por ter sido o único remanescente da Mesa Diretora anterior em meio de mandato,Alcolumbre usou o microfone nessa sexta (1º) por mais tempo do que em todos os seus quatro anos anteriores na Casa. Desde fevereiro de 2015, discursou apenas sete vezes, conforme os registros oficiais. Em três oportunidades para defender o impeachment da então presidente Dilma.
Seu último pronunciamento até sexta havia sido feito em 19 de fevereiro de 2018, há quase um ano. Na ocasião, homenageou Macapá, capital de seu estado. Em 2017, ele sequer fez uso da tribuna. Foi também o único dos nove candidatos a presidente do Senado que evitou a imprensa. Investiu seu tempo nas conversas com seus eleitores – os novos e os remanescentes senadores. Vários estreantes se comportaram como veteranos ao defender sua candidatura em plenário.
Rejeição a Renan
Simone Tebet, à esquerda, foi fundamental para a eleição de Alcolumbre. Bancada de Mato Grosso do Sul votou no senador do DEM. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
Daí porque os parlamentares anti-Renan, inicialmente distribuídos em diversas candidaturas, há semanas não pararam de se reunir. O plano era todo mundo se juntar no segundo turno contra o adversário comum. Com a desistência de Renan e os 42 votos que recebeu – um a mais que o exigido para vencer no primeiro turno – a fatura foi liquidada antes.
Nessa sexta, Alcolumbre ficou impassível aos protestos dos colegas que o acusavam de usar indevidamente da cadeira para favorecer sua candidatura. Depois de suspender a tumultuada sessão, não pôde ocupar a cadeira novamente neste sábado por determinação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que o afastou da função por também ser candidato, anulou a decisão do plenário de abrir a votação e ordenou que o voto tinha de ser secreto.
“Não acreditava que ele tivesse pulso firme. Ele se desgastou muito, mas foi um desgaste consciente”, avaliou o senador Lasier Martins (PSD-RS) pouco depois da suspensão da sessão dessa sexta.
A intervenção de Toffoli parecia inviabilizar os planos de Alcolumbre. Mas ele conseguiu aglutinar em torno de si o apoio dos outros candidatos que enfrentavam Renan. As últimas negociações foram articuladas no gabinete do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) horas antes do início dos trabalhos neste sábado.  Diante do desgaste de ontem, o grupo cogitou até adotar um terceiro nome. Mas desistiu da ideia e preferiu sentir o clima em plenário.
A construção da candidatura 
Caiado foi um dos primeiros a viabilizar a candidatura de Alcolumbre. Foto: Ag. Senado
Em 2018, com mais quatro anos de Senado garantidos, Alcolumbre concorreu ao governo do Amapá, mas não chegou ao segundo turno. Terminou em terceiro lugar, com 94 mil votos (23,75% do total). Pouco depois, começou a acalentar o projeto de disputar a presidência do Senado. Dois políticos influentes do DEM logo compraram a ideia: os então senadores Ronaldo Caiado (GO) e José Agripino Maia (RN).
Não demorou e toda a cúpula nacional do partido já havia adotado a candidatura. O presidente nacional da legenda, ACM Neto, prefeito de Salvador, chegou a autorizar a contratação de jatinho particular, com as despesas pagas pela agremiação, para que Davi Alcolumbre visitasse alguns estados com o objetivo de apresentar o seu nome a outros senadores. “Ele passou seis horas tentando me convencer em Goiânia”, confidenciou o senador Jorge Kajuru (PSB-GO), que declarou voto nele após abrir uma consulta em suas redes sociais.
Alcolumbre ganhou visibilidade com as movimentações de bastidores do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM). As intervenções de Onyx incomodaram não apenas Renan, mas até o senador Major Olimpio (PSL-SP), colega de partido do presidente Jair Bolsonaro e também candidato à presidência do Senado até o meio da tarde desse sábado.
Clã Bolsonaro
Flávio Bolsonaro revelou voto em Alcolumbre e irritou Renan. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
Major Olimpio atuava nos bastidores em favor da senadora Simone Tebet (MDB-MS), derrotada por Renan em votação da bancada. O que ele a princípio ignorava é que Alcolumbre tinha o entusiasmo apoio de dois ilustres membros do PSL, os irmãos Eduardo e Flávio Bolsonaro, filhos do presidente. Com o primeiro, deputado por São Paulo, tem forte amizade e jogou futebol várias vezes em Brasília. O segundo rapidamente encampou a candidatura.
Depois de se negar a revelar seu voto na primeira votação deste sábado, Flávio resolveu mostrar a cédula e declarar apoio a Alcolumbre quando a Mesa mandou repetir o processo de votação devido à descoberta de que havia 82 cédulas na urna – uma a mais que o total de senadores.
Em protesto, Kátia Abreu, aliada de Renan, tirou das mãos de Alcolumbre pasta com roteiro da sessão, e não devolveu mais. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
A manifestação de Flávio e a disposição do PSDB de mandar seus senadores abrirem o voto foram o estopim para Renan anunciar sua desistência. Ele contava com o voto de Flávio, de quem tentava se aproximar desde o filho do presidente virou alvo do Ministério Público do Rio de Janeiro por conta das movimentações financeiras em seu gabinete.
Opositor ferrenho do Ministério Público por causa da Operação Lava Jato, pela qual responde a uma dezena de inquéritos, o emedebista prestou solidariedade ao novo colega, que também se diz vítima de perseguição. Renan esperava receber, ainda, quatro votos de tucanos. Sua estratégia, porém, foi por água abaixo.
Rejeição a Renan, estampada em cartaz nas proximidades do Congresso, foi decisivo em eleição. Foto: Sylvio Costa
Em seu primeiro discurso como presidente, Davi Alcolumbre estendeu a mão aos seus adversários, inclusive o senador alagoano, defendeu a pacificação do Senado e reverenciou vários de seus aliados, especialmente Simone Tebet, Major Olimpio e Alvaro Dias, que retiraram a candidatura em seu favor, e Tasso Jereissati (PSDB-CE), que desistiu da disputa ainda ontem. Diversos senadores da nova legislatura também contribuíram para a articulação pró-Alcolumbre – os reeleitos Sérgio Petecão (PSD-AC) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e o ex-deputado Izalci Lucas (PSDB-DF).
Para o cientista político Paulo Kramer, o principal desafio de Alcolumbre será pacificar a Casa rumo a um consenso operacional mínimo para aprovação das reformas. "O tempo para tanto será curto e precisa ser rapidamente aproveitado: é o tempo da popularidade de Bolsonaro, o tempo da lua de mel entre o governo e a opinião pública", avalia o professor da Universidade de Brasília (UnB), um dos primeiros analistas políticos a apostar na vitória do senador do Amapá.
Kramer acredita que Renan será cauteloso na reação: "Não acredito [em revanche imediata], pelo menos não agora: os cinco votos que recebeu na tarde desse sábado atestam a desidratação do seu grupo. Além disso, ele não pode se dar ao luxo de arriscar a perda do apoio da União ao governo do filho [o governador Rena Filho], em Alagoas."
Sarney, Dilma e Aécio
Na disputa ao governo do Amapá em outubro, senador foi apenas o terceiro colocado. Foto: Divulgação
Nascido em Macapá em 19 de junho de 1977, Alcolumbre afirma em sua página no Facebook ser filho de um mecânico e de uma empresária. Segundo o portal do Senado, o parlamentar começou mas não concluiu o curso de Economia no Centro de Ensino Superior do Amapá (Ceap). Comerciante, gosta de brincar com o fato de ser judeu. Em conversas de campanha, para defender o pagamento de certas despesas, costuma argumentar: “Não precisa ser tão pão-duro, o judeu aqui sou eu”.
Alcolumbre entrou para a política em 2000, quando se candidatou a vereador da capital amapaense ainda pelo PDT. Passou dois anos na Câmara Municipal e foi eleito deputado federal em 2006. Após cumprir três mandatos, elegendo-se pelo DEM para os dois últimos deles, conseguiu vaga para o Senado em 2014, com mais de 130 mil votos. Na ocasião derrotou o grupo político do ex-presidente José Sarney, tirando a vaga do ex-senador Gilvam Borges (MDB-AP).
Embora seja de um partido considerado de direita, tornou-se aliado do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), egresso do PT e do Psol, na oposição a Sarney. Randolfe foi peça-chave para ele na eleição do Senado, ao construir buscar votos na centro esquerda e ao pedir que o plenário deliberasse sobre o voto aberto na sexta-feira.
Como senador, Alcolumbre votou a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016 e, no ano seguinte, se opôs à cassação do ex-senador Aécio Neves (PSDB-MG), acusado no esquema de corrupção do grupo JBS.
Presidiu a CPI do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), apesar de ter recebido em 2014, ele próprio, R$ 138 mil em doações eleitorais da JBS, principal alvo daquela comissão. À época, alegou que não houve nenhuma contrapartida em troca dos recursos. Também foi presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado.
Principais trechos do discurso da vitória:
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Davi Alcolumbre é o novo presidente do Senado


Davi Alcolumbre é o novo presidente do Senado

O senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) é o novo presidente do Senado. Ele se elegeu em primeiro turno, neste sábado (2), após receber 42 votos. Um a mais do que os 41 exigidos para que não houvesse segundo turno. Essa foi a eleição mais acirrada da história da Casa desde a redemocratização. A disputa, iniciada ainda nessa sexta-feira (1º), foi marcada por um cerco de senadores de vários partidos contra Renan Calheiros (MDB-AL), que renunciou à sua candidatura no fim da tarde, alegando discordâncias com o processo eleitoral.
Depois de quatro anos de atuação tímida no Senado, Davi Alcolumbre se agigantou diante de Renan, que chegou a chamá-lo, de maneira irônica, de "Golias", em referência aos dois personagens bíblicos, e deve comandar a Casa pelos próximos dois anos Foi necessária a realização de duas votações secretas, em cédulas de papel, para que o novo presidente fosse conhecido.
O senador Esperidião Amin (PP-SC) foi o segundo colocado com 13 votos. Ângelo Coronel (PSD-BA) recebeu oito; Reguffe (sem partido-DF), seis; Renan, cinco, e Fernando Collor (Pros-AL), três. Dos 81 senadores, quatro não votaram na segunda rodada: além de Renan, Jader Barbalho (MDB-PA), Eduardo Braga (MDB-AM) e Maria do Carmo Alves (DEM-SE) - todos apoiadores do político alagoano.
Com a vitória de Alcolumbre no Senado e a deRodrigo Maia (DEM-RJ) na Câmara ontem, o DEM volta a comandar as duas casas legislativas do Congresso simultaneamente depois de duas décadas, quando ainda se chamava PFL.
Promessa de pacificação
Em seu primeiro discurso como presidente, Alcolumbre defendeu a pacificação no Senado. "Não conduzirei o Senado com revanchismo", prometeu. O senador fez agradecimentos aos três senadores que declinaram da candidatura em seu favor e a Renan, seu principal adversário. "Meus adversários terão minha deferência para a construção de um novo Senado com ânimos serenados e voltados para o bem comum. Precisamos unificar o Senado em torno do que lhe deve ser mais caro: a República e o interesse público. Não tem inimigos na política", afirmou.
A candidatura de Alcolumbre foi arquitetada pelos ex-senadores Ronaldo Caiado (DEM-GO), atual governador de Goiás, e José Agripino (DEM-RN), e incentivada posteriormente pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. O nome dele ganhou mais força nesta tarde, com a renúncia de outros três candidatos em seu favor - Simone Tebet (MDB-MS), Alvaro Dias (Podemos-PR) e Major Olimpio (PSL-SP).
Golias
Alcolumbre impôs a Renan sua maior derrota eleitoral. Vindo de uma reeleição tranquila em seu estado, o senador tentava comandar o Senado pela quinta vez e retirou a candidatura ao perceber que seria derrotado diante da decisão de senadores com os quais contava - incluindo o filho do presidente, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) - de abrir o voto dado na cédula.
"Não sou Jean Wyllys. Não vou renunciar ao meu mandato. Vou ficar aqui no Senado. Para demonstrar que esse processo não é democrático, eu queria lhes dizer que o Davi não é Davi. Davi é Golias. É o novo presidente do Senado e eu retiro minha candidatura", afirmou, referindo-se primeiro ao deputado do Psol que renunciou ao mandato por sofrer repetidas ameaças de morte e depois a Alcolumbre.
Renan Calheiros renunciou à disputa quando os senadores participavam da segunda votação secreta. Em entrevista à imprensa na saída do plenário, o emedebista criticou o PSDB e Flávio Bolsonaro, deixando transparecer que o comportamento dos tucanos e do filho do presidente Jair Bolsonaro foram decisivos em sua renúncia.
"Tudo o que havia na primeira votação poderia ter acontecido na segunda. O que não podia era o PSDB, na segunda, abrir o voto" afirmou o alagoano, afirmando que tinha quatro votos na bancada tucana. "O filho do presidente fez questão de abrir o voto", reclamou. Ele deixou o Congresso e não acompanhou o final da votação.
Mais voto que senador
A primeira votação foi anulada porque, durante a apuração, foram encontrados na urna dois votos em papel fora do envelope. Ao todo, foram depositados 82 votos, um mais do que o número de senadores. A decisão foi tomada por sugestão dos parlamentares que atuaram como fiscais da votação, em meio a grande polêmica.
"Não vamos deixar contaminar essa eleição. Quem votou uma vez vota uma segunda", sugeriu a senadora Selma Arruda (PSL-MT), uma das fiscais. "Acho melhor fazer uma nova votação", concordou José Maranhão (MDB-PB), que preside a sessão por ser o senador mais idoso.
Alguns senadores usaram o microfone para criticar a decisão, defendendo que fossem anulados apenas os dois votos excedentes e a apuração fosse mantida. Os senadores Otto Alencar (PSD-BA) e Jayme Campos (DEM-MT) pediram que o secretário da mesa, Fernando Coelho Bezerra (MDB-PE), fosse substituído por um integrante de outro partido, alegando que havia muito emedebista na Mesa. Minutos depois Fernando Bezerra cedeu a vaga ao senador Nelsinho Trad (PSD-MS).
Vários parlamentares também questionaram o fato de terem sido rubricados, por Maranhão e por Bezerra, 82 votos. "Deve ter havido um equívoco", desculpou-se o senador paraibano.
Voto secreto
Em clima mais ameno do que o que de ontem, o Senado retomou às 11h45 a sessão para a escolha do novo  presidente da Casa sob o impacto da determinação do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, de anular a decisão tomada pelo plenário de adotar o voto aberto. Em despacho assinado às 3h45, atendendo a pedido do MDB e do Solidariedade, Toffoli ainda ordenou que Alcolumbre, que presidiu os trabalhos nessa sexta, cedesse a vaga ao senador mais idoso, José Maranhão, de 85 anos.
Na condição de presidente em exercício, por ter sido o único remanescente da Mesa Diretora anterior, Alcolumbre acolheu pedido de aliados para submeter a decisão sobre o voto, se aberto ou secreto, ao plenário. Sob protesto dos apoiadores de Renan, por 50 votos a 2, decidiu-se pela abertura da votação.
"Manobra casuística"
Toffoli classificou a decisão do plenário, conduzida por Alcolumbre, como “verdadeira manobra casuística”. No despacho, ele diz que houve violação das regras regimentais, de pressupostos constitucionais e dos “princípios republicanos, da igualdade, da impessoalidade e moralidade”.
De acordo com o ministro, o regimento interno do Senado é taxativo ao determinar que a votação para a eleição da Mesa Diretora seja secreta. O presidente do STF argumenta que o voto secreto, nesses casos, é comum também em outros países e que o objetivo da medida é preservar a independência entre os poderes e impedir que o Executivo exerça pressão sobre os parlamentares na escolha do presidente da Casa.
Vários senadores criticaram a intervenção de Toffoli, alegando que o Judiciário estava invadindo a competência do Legislativo de tratar de questões internas. A senadora Kátia Abreu (PDT-TO), que ontem invadiu a mesa e tomou das mãos de Alcolumbre uma pasta com documentos da sessão, entregou flores ao colega. Alguns parlamentares usaram do microfone neste sábado pedindo desculpas à população pelo "espetáculo" de sexta, primeiro dia de trabalho da nova legislatura.
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De onde vem a força de Davi Alcolumbre, o senador que ameaça Renan


De onde vem a força de Davi Alcolumbre, o senador que ameaça Renan


Protagonista de uma disputa regimental que ultrapassou cinco horas contra aliados do veterano Renan Calheiros (MDB-AL) sobre o rito da votação para a presidência do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) é um homem pouco propenso a fazer declarações públicas, mas  que costuma ser muito ativo nas articulações políticas.
Na presidência interina do Senado, por ter sido o único remanescente da Mesa Diretora anterior em meio de mandato, Alcolumbre usou o microfone ontem (sexta, 1º) por mais tempo do que em todos os seus quatro anos anteriores de mandato como senador. Nesse período, discursou por apenas sete vezes, conforme os registros oficiais. No próximo dia 19 fará um ano em que fez o seu último discurso. Na ocasião, homenageou Macapá, capital de seu estado. Em 2017, ele sequer fez uso da tribuna.
Nascido em Macapá em 19 de junho de 1977, Alcolumbre afirma em sua página no Facebook ser filho de um mecânico e de uma empresária. Segundo o portal do Senado, o parlamentar começou, mas não concluiu o curso de Economia no Centro de Ensino Superior do Amapá (Ceap). Comerciante, gosta de brincar com o fato de ser judeu. Em conversas de campanha, para defender o pagamento de certas despesas, costuma argumentar: “Não precisa ser tão pão-duro, o judeu aqui sou eu”.
Alcolumbre entrou para a política em 2000, quando se candidatou a vereador da capital amapaense ainda pelo PDT. Passou dois anos na Câmara Municipal e foi eleito deputado federal em 2006. Após cumprir três mandatos, elegendo-se pelo DEM para os dois últimos deles, conseguiu vaga para o Senado em 2014, com mais de 130 mil votos.
Presidiu a CPI do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), apesar de ter recebido em 2014, ele próprio, R$ 138 mil em doações eleitorais da JBS, principal alvo daquela comissão. À época, alegou que não houve nenhuma contrapartida em troca dos recursos. Também foi presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado.
A construção da candidatura 
Em 2018, com mais quatro anos de Senado garantidos, Alcolumbre concorreu ao governo do Amapá, mas não chegou ao segundo turno. Terminou em terceiro lugar, com 94 mil votos (23,75% do total). Pouco depois, começou a acalentar o projeto de disputar a presidência do Senado. Dois políticos influentes do DEM logo compraram a ideia: os então senadores Ronaldo Caiado (GO) e José Agripino Maia (RN).
Não demorou e toda a cúpula nacional do partido já havia adotado a candidatura. O presidente nacional da legenda, ACM Neto, chegou a autorizar a contratação de jatinho particular, com as despesas pagas pela agremiação, para que Davi Alcolumbre visitasse alguns estados com o objetivo de apresentar o seu nome a outros senadores.
Seu nome ganhou visibilidade com as movimentações de bastidores do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM). As intervenções de Onyx incomodaram até o senador Major Olímpio (PSL-SP), colega de partido do presidente Jair Bolsonaro e também candidato à presidência do Senado.
Major Olímpio atuava nos bastidores em favor da Simone Tebet (MDB-MS), derrotada por Renan em votação da bancada. O que ele a princípio ignorava é que Alcolumbre tinha o entusiasmo apoio de dois ilustres membros do PSL, os irmãos Eduardo e Flávio Bolsonaro, filhos do presidente. Com o primeiro, deputado por São Paulo, tem forte amizade e jogou futebol várias vezes em Brasília. O segundo rapidamente encampou a candidatura.
Alcolumbre tinha e tem um sério problema. Sua aspiração se choca com o fato de o DEM, uma bancada relativamente pequena, possuir três ministros e a presidência da Câmara. “Querem o Senado também?”, estranham vários senadores. Mas ele se alimenta de um sentimento que é mais forte em uma instituição fortemente renovada: o de absoluta rejeição a Renan, visto como expressão mais odiosa da “velha política”. O receio é que uma quinta passagem do alagoano pela presidência do Senado comprometa a imagem de todos os senadores. Daí porque os parlamentares anti-Renan, inicialmente distribuídos em diversas candidaturas, há semanas não param de se reunir. O plano é todo mundo se juntar no segundo turno contra o adversário comum.
Diversos senadores da nova legislatura contribuíram para a articulação pró-Alcolumbre. Pelo menos três merecem menção: Sérgio Petecão (PSD-AC), Izalci (PSDB-DF) e Randolfe (Rede-AP), aliado regional de Davi.
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Kajuru usa as redes sociais para definir voto a presidente do Senado


Kajuru usa as redes sociais para definir voto a presidente do Senado

O senador Jorge Kajuru (PSB-GO) está usando sua página no Facebook para consultar os eleitores sobre o voto que deve dar na eleição para presidente do Senado. Numa das enquetes, ele apresentou apenas duas opções de escolha: “anula o voto” ou “votar no senador Reguffe”. Mas ele também apresentou como alternativas, em outros cards, Simone Tebet (MDB-MS) e Davi Alcolumbre (DEM-AP), o vitorioso na pesquisa feita pelo Facebook, com mais de 18 mil votos.
Senador deu duas opções de voto aos seus seguidores na internet
Reprodução
Jornalista esportivo, Kajuru, 58 anos, tornou-se famoso por seus rompantes verbais, que várias vezes o colocaram em situações constrangedoras no rádio e na televisão. Em 2016, elegeu-se o vereador mais votado da história de Goiânia, com 37,8 mil votos.
Em outubro, elegeu-se senador, com 1.557.415 votos (28% dos votos válidos), derrotando tradicionais líderes políticos do estado, como o ex-governador Marconi Perillo e a ex-senadora Lúcia Vânia. A crítica à corrupção e aos antigos métodos de fazer política foram a tônica da campanha.
No plenário, antes de depositar o seu voto na urna, Kajuru pediu desculpas a Reguffe e anunciou que votaria em Alcolumbre. Candidato avulso, Reguffe ressaltou em seu discurso, neste sábado (2), a necessidade de reduzir os custos do Senado para a população, com o corte de vários privilégios (como carro oficial, 52 assessores e verbas para despesas pessoais), e maior transparência no funcionamento da instituição.

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Toffoli atende a pedido do MDB, anula votação e determina voto secreto na eleição do Senado

Toffoli atende a pedido do MDB, anula votação e determina voto secreto na eleição do Senado


O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, anulou na madrugada deste sábado (2) a decisão tomada pelo plenário do Senado na noite dessa sexta-feira (1º) de abrir a votação para a escolha do novo presidente da Casa e determinou que a escolha se dê com voto secreto. Ele também afastou o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), que presidiu os trabalhos ontem, do comando da sessão marcada para começar logo mais, às 11h.
Toffoli atendeu a pedido apresentado por volta da meia-noite pelo MDB e pelo Solidariedade. O ministro assinou sua decisão às 3h45. Para o presidente do STF, os argumentos apontados pelos dois partidos o convenceram de que se “operou uma verdadeira metamorfose casuística” ao regimento interno do Senado ao longo da sessão dessa sexta, realizada horas após a posse dos novos senadores.
"Declaro a nulidade do processo de votação da questão de ordem submetida ao plenário pelo senador da República Davi Alcolumbre, a respeito da forma de votação para os cargos da Mesa Diretora. Comunique-se, com urgência, por meio expedito, o senador da República José Maranhão, que, conforme anunciado publicamente, presidirá os trabalhos na sessão marcada para amanhã (sábado)", determinou o ministro.
Terceiro suplente, Alcolumbre é o único remanescente da Mesa Diretora em meio de mandato e, por isso, assumiu a condução dos trabalhos mesmo sendo candidato à presidência da Casa. Sua atuação foi decisiva para a abertura da votação. O regimento interno prevê voto secreto para esse tipo de eleição. A pedido de senadores autodeclarados independentes, ele submeteu ao plenário a decisão de abrir ou não a votação. Por 50 votos a 2, foi decidido que o voto deveria ser aberto. Quase 30 senadores deixaram de votar, inclusive Renan, que chegou a se dirigir à Mesa proferindo termos como "canalha".
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