Bolsonaro diz que novo PGR deve ser um homem e será indicado até quinta-feira Segundo o presidente, o escolhido, seja qual for, vai 'apanhar' apenas por ter sido escolhido por ele

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PGR deve ser um homem e será indicado até quinta 



Bolsonaro diz que novo PGR deve ser um homem e será indicado até quinta-feira

Segundo o presidente, o escolhido, seja qual for, vai 'apanhar' apenas por ter sido escolhido por ele

Sérgio DávilaLeandro Colon
BRASÍLIA

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que deve anunciar até quinta-feira (5) o nome indicado para assumir o comando da Procuradoria-Geral da República. Esse depois terá de ser sabatinado e aprovado em votação no Senado.

Em café da manhã com a Folha, no Palácio do Alvorada, Bolsonaro disse nesta terça-feira (3) que o escolhido sairá do "bolo" de candidatos que o visitaram nas últimas semanas. "A criança deve nascer até quinta", disse. 

O presidente não quis adiantar o nome, mas sinalizou que será do sexo masculino. "Tem que tirar nota 7 em tudo e ser alinhado comigo", afirmou. Segundo ele, o escolhido, seja qual for, vai "apanhar", apenas por ter sido escolhido por ele.
Bolsonaro descartou ainda indicar o subprocurador da República Alcides Martins, vice-presidente do CSMPF (Conselho Superior do Ministério Público Federal), que pode assumir interinamente após 17 de setembro, quando termina o mandato da atual chefe da PGR, Raquel Dodge. Não há um prazo certo entre a indicação do presidente e a votação desse nome no Senado.

O presidente usou uma metáfora do jogo de xadrez para definir a importância do cargo. "Eu sou o rei, os ministros são os bispos, como a Tereza Cristina [Agricultura], por exemplo. E o PGR é a dama", disse, querendo se referir à rainha do tabuleiro. Questionado sobre que função teria neste jogo o ministro Sergio Moro (Justiça), o presidente respondeu: "Ele seria a torre". 

Até agora, Bolsonaro recebeu pelo menos oito candidatos. Visitaram o presidente a atual PGR, Raquel Dodge, que deseja ser reconduzida, os subprocuradores-gerais Augusto ArasAntonio Carlos Simões Soares, Paulo Gonet, Marcelo Rebello, Bonifácio Andrada e Mário Bonsaglia, este último integrante da lista tríplice da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República), além do procurador-regional Lauro Cardoso. 
O presidente já declarou que não se comprometeu a escolher um dos nomes da lista tríplice. Os outros dois nomes são Luiza Frischeisen e Blal Dalloul.
Participaram do café da manhã com a Folha, além de Bolsonaro, o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, o chefe da Secom (Secretaria de Comunicação) da Presidência, Fábio Wajngarten, e o deputado Marco Feliciano (Podemos-SP). O encontro ocorreu das 7h40 às 9h10.
​Em entrevista coletiva, depois de falar à Folha, Bolsonaro afirmou que o posto de procurador-geral da República é hoje o segundo mais importante do governo federal.
O Ministério Público Federal, no entanto, é independente e não faz parte do Poder Executivo, apesar de ser prerrogativa do presidente indicar o chefe da estrutura.
Em declarações recentes, Bolsonaro tem ressaltado que busca um nome para a sucessão da procuradora-geral Raquel Dodge que seja afinado com o Palácio do Planalto.
Em conversas reservadas, Bolsonaro tem dito que quer um nome que não seja próximo do ex-procurador-geral Rodrigo Janot e que não mantenha em sua equipe a procuradora federal dos Direitos do Cidadão Deborah Duprat, que tem questionado medidas da atual gestão.
Para evitar um desgaste tanto com a categoria como com os ministros do Supremo, Bolsonaro foi convencido a escolher o nome de um subprocurador-geral, cargo do topo da carreira, e que faça parte do  do Ministério Público Federal, reivindicação apresentada em sondagens informais feitas pelo Planalto.
Pela Constituição Federal, Bolsonaro não é obrigado a indicar um dos nomes da lista tríplice, mas essa tem sido a tradição desde 2003.
Para boa parte dos membros do Ministério Público Federal, a eleição interna é um instrumento importante para garantir a independência da PGR em relação ao Poder Executivo.
Já para críticos da eleição interna, a prática levou para dentro do MPF o corporativismo e todos os vícios de uma campanha eleitoral, como promessa de cargos e favorecimentos.
O que faz o PGR 
É o chefe do Ministério Público da União (que inclui Ministério Púb lico Federal, Ministério Público Militar, Ministério Público do Trabalho e Ministério Público do Distrito Federal e Territórios). Representa o MPF junto ao STF e ao STJ e tem atribuições administrativas ligadas às outras esferas do MPU 
Colaborou Gustavo Uribe, de Brasíli

rritação com Raquel Dodge leva Bolsonaro a antecipar novo PGR e vetos

Pedro Ladeira/Folhapress
Irritação com Raquel Dodge leva Bolsonaro a antecipar novo PGR e vetos
Tales Faria
03/09/2019 16h55

O presidente Jair Bolsonaro ficou irritadíssimo ao saber que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, nomeou nos últimos dias seis procuradores com mandatos para cargos estratégicos no Ministério Público,
Em reação, Bolsonaro antecipou nesta manhã, ao jornal Folha de S.Paulo, que deve indicar até quinta-feira o novo chefe da PGR. Há expectativa de que pode fazê-lo até mesmo antes.
Bolsonaro teme reações negativas ao fato de não respeitar a lista tríplice do Ministério Público.
Ele disse a assessores que pode divulgar, junto com o novo PGR, os vetos à Lei do Abuso de Autoridades.
A ideia, com os vetos, é atender aos principais pedidos do ministro da Justiça, Sérgio Moro, e de entidades de policiais. Mas isso deverá desagradar ao Congresso, especialmente ao Centrão e aos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), principais defensores da aprovação da nova Lei.
O presidente acredita que, com a divulgação no mesmo dia, talvez os grupos insatisfeitos com uma notícia se sintam recompensados com a outra.
No último sábado Bolsonaro recebeu no Palácio da Alvorada o subprocurador-geral da República Augusto Aras, um dos favoritos ao posto de Raquel Dodge. É a quinta vez que os dois se encontram.
O presidente justifica sua pressa por ter sido informado de que Raquel Dodge já recebeu a maioria das listas de indicados por eleições no Ministério Público para chefiar as Procuradorias da República nos estados e no Distrito Federal.
Com base nas informações, a chefe da PGR pode nomear a qualquer momento os futuros titulares desses cargos.
Ontem o Diário Oficial publicou a portaria 773, de 28 de agosto, assinada por Raquel Dodge, com a nomeação de quatro procuradores para "exercerem a titularidade dos ofícios de atuação concentrada em polo junto à Procuradoria Regional Eleitoral no Distrito Federal".
Na semana passada, com a portaria 770, ela nomeou  outros dois procuradores para os "ofícios de atuação concentrada em polo" na Procuradoria Regional Eleitoral do Paraná.
As nomeações valem a partir de 1° de outubro, quando a chefe da PGR não estará mais no cargo. Os indicados terão até dois anos de mandato, o que deixou o presidente mais irritado ainda.

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