Armas, Bolsa Família, facada e mais: 1ª entrevista de Bolsonaro presidente

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Armas, Bolsa Família, facada e mais: 1ª entrevista de Bolsonaro presidente

Armas, Bolsa Família, facada: a primeira entrevista de Bolsonaro presidente ←veja 

Do UOL, em São Paulo
04/01/2019 04h00

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) concedeu nesta quinta-feira (3) ao telejornal SBT Brasil sua primeira entrevista exclusiva depois de tomar posse no cargo. Mudanças na idade mínima para a aposentadoria e nos parâmetros para o direito a ter armas em casa foram dois dos principais assuntos da conversa.
Outro tema abordado foi o empréstimo a Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), senador eleito e filho do presidente. Bolsonaro declarou que Queiroz teve o sigilo bancário quebrado ilegalmente para atingi-lo.
O presidente ainda falou sobre medidas para que beneficiários não precisem mais do Bolsa Família e levantou hipóteses sobre o atentado que sofreu em setembro.
A seguir, veja os destaques da entrevista de Bolsonaro ao SBT.

Reforma da Previdência

Bolsonaro afirmou que a idade mínima para a aposentadoria deverá ficar em 62 anos para homens e 57 anos para mulheres, com aumento de forma gradativa: um ano após a aprovação da reforma e o outro, a partir de 2022.

Posse de armas

Bolsonaro disse que ele e o ministro da Justiça, Sergio Moro, estão trabalhando em um decreto para mudar as regras para a posse de armas -- ou seja, o direito de ter uma arma em casa. Segundo o presidente, o acesso a armas pode ser mais fácil em estados mais violentos.

Fabrício Queiroz

"Eu não tenho nada a ver com essa história", disse Bolsonaro sobre as "movimentações atípicas" do ex-assessor de seu filho. "O Coaf fala em movimentação atípica, isso não quer dizer que seja ilegal, irregular". O presidente também contou que emprestou dinheiro a Queiroz, que disse conhecer desde 1984, "mais de uma vez", mas declarou que não pretende conversar com ele até o esclarecimento da situação.

Atentado na campanha eleitoral

Bolsonaro disse acreditar que Adélio Bispo de Oliveira, o homem que o atacou em Juiz de Fora (MG), foi orientado a "cometer aquele ato". Essas pessoas, segundo o presidente, tinham certeza que Oliveira seria linchado por seus eleitores após o crime. Bolsonaro também levantou suspeitas sobre os advogados de Oliveira.

Bolsa Família

Segundo Bolsonaro, é possível "buscar uma saída" para "pelo menos metade" dos beneficiários do Bolsa Família, que chega a 14,1 milhões de famílias. O presidente disse que esta saída seria por meio da inserção no mercado de trabalho. Bolsonaro também afirmou que acabar com o programa seria "um ato de desumanidade". 

Justiça do Trabalho

"Qual o país do mundo que tem?", disse o presidente quando perguntado se a Justiça do Trabalho deveria acabar. Bolsonaro afirmou que a discussão de uma proposta neste sentido está em estudo. 

Base dos EUA no Brasil

Assunto que gerou polêmica em governos anteriores, o debate sobre a instalação de uma base militar americana no Brasil não foi descartado pelo novo presidente. "De acordo com o que vier a acontecer no mundo, quem sabe você tenha que discutir essa questão no futuro", disse.

Sem negociação com o PT



Bolsonaro disse que a oposição não aceita diálogo com o governo, nem ele quer conversa com partidos como PT, PCdoB e PSOL. O presidente classificou os parlamentares destes partidos como "radicais".
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Evento com Bolsonaro tem agradecimento a Dilma, desmaio e orgulho militar














Evento com Bolsonaro tem agradecimento a Dilma, desmaio e orgulho militar
Gustavo Maia, Hanrrikson de Andrade e Luís Adorno
Do UOL, em Brasília e em São Paulo
04/01/2019 12h33Atualizada em 04/01/2019 15h25
O presidente Jair Bolsonaro (PSL), e seu vice, general Hamilton Mourão (PRTB), estiveram na cerimônia de passagem de comando da Aeronáutica, em Brasília, na manhã desta sexta-feira (4). Bolsonaro nomeou o tenente-brigadeiro do ar Antonio Carlos Moretti Bermúdez, 62, para exercer o cargo.
Bolsonaro não discursou durante a solenidade e ouviu agradecimentos do ex-comandante aos ex-presidentes Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB).
"Agradeço ao tenente-brigadeiro Saito, meu antecessor no comando da Aeronáutica, e que teve grande influência na formação da minha visão da Força Aérea. À presidente Dilma e ao presidente Temer por terem me confiado e mantido no comando desta instituição. Tenham a certeza que tudo fiz para honrar este cargo", disse o tenente-brigadeiro do ar Nivaldo Luiz Rossato antes de desejar sucesso a Bermúdez. 
Rossato fez referência a ameaças e pediu a união das Forças Armadas. "Não podemos nos enganar. As ameaças existem e estão mimetizadas e prontas para mostrar a sua força, aproveitando a vulnerabilidade. Por isso, precisamos estar alinhados com Exército e Marinha, porque, senão, todo o trabalho feito anteriormente, será em vão", afirmou Rossato.
Marcos Corrêa/PR
Jair Bolsonaro durante solenidade de passagem do comando da AeronáuticaImagem: Marcos Corrêa/PR
Bermúdez está há 43 anos na FAB (Força Aérea Brasileira) e assumiu o lugar de Rossato. As respectivas nomeação e exoneração foram publicadas no DOU (Diário Oficial da União) desta sexta-feira (4).
"Sinto-me desafiado. Todavia, muito à vontade, por ver na minha ala homens e mulheres, voando e fazendo voar, constituem um terreno fértil", afirmou o novo comandante em seu primeiro discurso. "Não são os mais fortes que sobrevivem, e, sim, os que mais rápido se adaptam", disse.
Bermúdez afirmou, também, que o leque de responsabilidade da Aeronáutica vai além e corresponde à defesa da pátria como um todo. "Como parte desta visão, continuaremos a modernizar o sistema integrado de controle aéreo", disse.
Temos orgulho do que fomos, temos orgulho do que somos, mas inquieta-me o que seremos
Antonio Carlos Bermúdez, novo comandante da Aeronáutica
O ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, afirmou durante a cerimônia que Rossato teve a missão cumprida e que Bermúdez tem a confiança do governo, citando parte do slogan do presidente Bolsonaro: "Brasil acima de tudo".
Durante a cerimônia, um militar perfilado de frente para a tribuna onde está Bolsonaro se sentiu mal e foi retirado pelos colegas. Em uma área atrás do telão que transmite a solenidade, ele foi colocado em uma cadeira de rodas e atendido por médicos. Segundo a assessoria da Aeronáutica, o militar teve uma queda de pressão devido ao forte calor em Brasília e foi medicado.
04.jan.2018 - Hanriksson de Andrade/UOL
Militar desmaia durante evento com presidente Jair Bolsonaro, em BrasíliaImagem: 04.jan.2018 - Hanriksson de Andrade/UOL
O comando da Aeronáutica tem efetivo de mais de 71 mil integrantes, sendo 66 mil militares, com o objetivo de "manter a soberania do espaço aéreo e integrar o território nacional, com vistas à defesa da pátria".
Após a cerimônia, a Esquadrilha da Fumaça se apresentou. Bolsonaro deixou o local após o Hino Nacional. 
O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente, também foi ao evento e passou a cerimônia de pé, embaixo de uma das tribunas ocupadas pelos convidados, conversando com dois auxiliares do pai.
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PARLAMENTARES EVANGÉLICOS Deputados elogiam Bolsonaro e dizem que luta LGBT é de esquerda. Deputados evangélicos elogiam Bolsonaro e dizem que luta LGBT é de esquerda

Deputados evangélicos elogiam Bolsonaro e dizem que luta LGBT é de esquerda
PARLAMENTARES EVANGÉLICOS

Deputados elogiam Bolsonaro e dizem que luta LGBT é de esquerda


Felipe Pereira
Do UOL, em Brasília
04/01/2019 06h00


 No primeiro dia de governo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) não incluiu o termo LGBT na medida provisória que fixou as diretrizes do Ministério dos Direitos Humanos. Nesta quinta (3), ao escrever no Twitter que nenhum indivíduo perderá seus direitos, disse que pretende livrar da "escravidão política" muitos brasileiros que "foram usados como massa de manobra", sem citar nenhum grupo específico.

As atitudes têm apoio de parlamentares da ala evangélica da Câmara dos Deputados, apoiadora do presidente. Membro da Assembleia de Deus, o deputado federal Sóstenes Cavalcante (DEM/RJ) afirmou que a luta pelo respeito aos homossexuais deve ser de todos. Diferente da militância LGBT que considera possuir um "viés político ideológico de esquerda". 
"LGBT é um movimento político ideológico de esquerda. Entendo que o presidente acertou na medida provisória ao excluir o termo. Ele falou que não faria política com viés ideológico. Estranho se tivesse posição diferente", disse ao UOL.
O Pastor Eurico (Patriota/PE) foi ainda mais contundente ao classificar as lideranças dos movimentos LGBT. "Pessoas por trás são pessoas esquerdomaníacos, esquerdopatas. Defendo a posição (do presidente)".
Lincoln Portela (PR/MG) fez coro e vinculou os defensores da causa a partidos de oposição ao presidente. "O ativismo LGBT apoiava governos de esquerda. Isto é notório".
Bolsonaro abordou a situação em dois posts na tarde de quinta-feira. Primeiro, escreveu que não haverá mudanças nas diretrizes do Ministério dos Direitos Humanos.
Na sequência, escreveu que pessoas foram usadas como "massa de manobra" e que pretende uma libertação política desta população.


Embates continuarão no governo Bolsonaro

O deputado Sóstenes Cavalcante acredita que embates por causa deste tema vão se repetir durante o governo de Jair Bolsonaro. Justifica que o "viés ideológico" faz os líderes de movimentos LGBT se manifestarem, o que considera legítimo. A defesa das medidas por parte dos deputados que apoiam o presidente também é vista como natural por ele.
Da mesma maneira, Pastor Eurico argumenta que muitos políticos da esquerda usaram e continuarão usando homossexuais com fins eleitorais e prevê que a atitude se manterá para preservar o espaço. Para o deputado, opositores farão de tudo para atrapalhar a administração Bolsonaro.
"Essas pessoas vão continuar fazendo barulho. A meta é enfraquecer o governo. Vão lutar para que dê tudo errado. Enquanto pior, melhor para eles".
Em consonância com as mensagens de Bolsonaro, o deputado federal Lincoln Portela afirma que não haverá diminuição de direitos. Ele diz esperar tratamento igual para heterossexuais, homossexuais, bissexuais e transexuais. Para o deputado, nem mesmo uma acomodação ao centro acabará com o que ele classifica como "bolsões eleitorais".
"Não adianta, bolsões sempre existirão em todos os países democráticos e que tem diferenças a serem tratadas".
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