Two months after popping the champagne when Sunderland
miraculously avoided relegation from the Premier League, striker Connor
Wickham has been spotted partying hard with a £17,500 bottle of the
stuff.
Connor Wickham splashes £17,500 on gold bottle of
champagne, as Sunderland striker racks up huge bar bill with pals while
partying at Ocean Club in Marbella
Wickham played a key role in helping Sunderland avoid relegation
He is in line for a new deal after his goals fired them to safety
His current contract, signed in 2011, is reportedly worth £25,000-a-week
Published:
09:52 GMT, 1 July 2014
| Updated:
10:27 GMT, 1 July 2014
Two months
after popping the champagne when Sunderland miraculously avoided
relegation from the Premier League, striker Connor Wickham has been
spotted partying hard with a £17,500 bottle of the stuff.
The
21-year-old is understood to have racked up a mind-boggling £25,000 bar
bill while partying with pals at the Ocean Club in Marbella, with a
15-litre gold bottle of Armand De Brignac champagne the standout buy.
The
English forward seemed more than happy to foot the bill for the
extravagant drinks, which he generously shared with friends and even the
waiters at the club on the island of Puerto Banus.
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Big spender: Wickham and his pals were seen drinking from a mammoth 15-litre bottle of champagne
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Gulp: Wickham pours champagne from the gold bottle into the mouth of one of his friends
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Returning the favour: Then Wickham has a turn drinking from the huge bottle, though with less success
Wickham signed a four-year deal with Sunderland in 2011 to complete an £8million move from his home-town club Ipswich Town.
The
striker’s wages trebled to £25,000-a-week as a result, though is in
line for a new improved deal at the Stadium of Light after helping fire
them to safety at the end of last season.
Recalled
from his loan at Leeds in March to boost Sunderland’s striking options
as they battled relegation, his goals were crucial in saving them from
the drop.
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Costly: Wickham and his friends pose with the 15-litre bottle of champagne that is worth £17,500
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Venue: Wickham and his entourage were partying at the Ocean Club in Puerto Banus, Marbella
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Keeping hydrated: Wickham takes a long swig from a smaller pink bottle of Armand De Brignac champagne
He scored twice in a 2-2 draw with Manchester City at the Etihad and during the 2-1 win over Chelsea at Stamford Bridge.
His
brace of goals in a 4-0 win against Cardiff towards the end of April
led to him being named Barclays Premier League Player of the Month.
Neymar will be fit to play for Brazil in Friday's World Cup
quarter-final against Colombia, despite suffering from thigh and knee
injuries sustained against Chile.
2 videos
Brazil downplay Neymar injury ahead of World Cup quarter-final against Colombia
Neymar looks set to be fit for Friday's quarter-final clash with Columbia
The Barcelona star was subjected to some heavy challenges against Chile
The 22-year-old scored one of the penalties in the 3-2 shoot-out win
Published:
23:54 GMT, 30 June 2014
| Updated:
09:15 GMT, 1 July 2014
Neymar
will be fit to play for Brazil in Friday's World Cup quarter-final
against Colombia, despite suffering from thigh and knee injuries
sustained against Chile.
Brazil's
confederation said on Monday that team doctor Jose Luiz Runco checked
on Neymar when the squad returned to its training camp and revealed the
player is not a concern for the host's clash in Fortaleza.
Coach
Luiz Felipe Scolari was worried following Saturday’s win over Chile,
saying Neymar could take days to be fit and that doctors would have to
do their 'best to put him on the pitch.'
VIDEO Scroll down to watch Neymar thrill the fans as he does keep-ups round the pitch
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David Luiz is all smiles after scoring the opening goal against Chile
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Manchester City star Fernandinho goes underwater to pose for the camera
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Focused: Hulk had his game face on despite the light-hearted session
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Teamwork: Marcelo helps Luiz Gustavo to balance on the floats
Neymar
complained of a left thigh injury after Brazil’s penalty shoot-out win
over Chile, while Runco also said the player was also being treated for a
knock on his right knee.
Confederation
spokesman Rodrigo Paiva did say the player could miss a few training
sessions depending on how the injuries progress.
'The
worst is the knee, it’s what’s hurting the most,' Paiva said. 'He may
be rested from practice if needed. He will be evaluated again, but Runco
said fans don’t have to worry because he’s not a concern for the
match.'
The
Barcelona frontman was subjected to heavy challenges during the match
against Chile, and twice had to leave the pitch for treatment.
Neymar admitted he played with pain the rest of the match while managerScolari said the attacker’s thigh was extremely swollen in the dressing room after the match.
The 22-year-old scored one of the penalties that gave Brazil a 3-2 win in the shootout following Saturday's 1-1 draw.
VIDEO We can deal with pressure - Fernandinho
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Preparation: Brazil trained at the Granja Company training complex in Teresopolis on Monday
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Challenge: Defender Henrique attempts to challenge Willian as Dante (left) and Bernard (right) look on
'We just hope Neymar can recover as fast as possible so he can be ready for our next match,' said midfielder Fernandinho.
Brazil
doctors said three other players were undergoing treatment following
the Chile game, although none of the injuries were serious.
Midfielder
Luiz Gustavo, who is suspended from the match against Colombia, was
nursing a right knee injury, while playmaker Oscar had a deep scratch on
his left thigh. Defender David Luiz was recovering from a back problem
sustained before Brazil's last 16 victory over the Chileans.
Sem Radamel Falcao, a Colômbia tem James Rodriguez como o
jogador em maior destaque neste Campeonato do Mundo. Na antevisão ao
jogo dos quartos de final, Fernandinho, médio do Brasil, promete não dar
espaço ao jovem extremo que já defrontou na Liga dos Campeões quando
alinhava no Shakhtar Donetsk.
«James está a mostrar porque o Mónaco pagou tanto por ele» - Fernandinho
Redação
Sem Radamel
Falcao, a Colômbia tem James Rodriguez como o jogador em maior destaque
neste Campeonato do Mundo. Na antevisão ao jogo dos quartos de final,
Fernandinho, médio do Brasil, promete não dar espaço ao jovem extremo
que já defrontou na Liga dos Campeões quando alinhava no Shakhtar
Donetsk.
«Cheguei a jogar contra ele na Champions. Acho que era a
primeira época dele na Europa, ainda não era titular (no FC Porto) mas
entrou no decorrer do jogo. Já nessa altura mostrou que tinha qualidade
técnica. Está a mostrar neste Mundial porque o Mónaco pagou tanto
dinheiro por ele. Quando menos espaço tiver, melhor para o Brasil»,
disse em conferência de imprensa, destacando ainda Juan Cuadrado como
jogador a vigiar no duelo sul-americano dos quartos de final.
A FIFA
anunciou, esta segunda-feira, que o diretor de comunicação da CBF,
Rodrigo Paiva, foi suspenso devido aos incidentes protagonizados na
partida entre Brasil e Chile, realizada no passado sábado.
Rodrigo
Paiva foi acusado de agredir um jogador chileno no túnel de acesso aos
balneários, durante o intervalo da partida, que terminou com a vitória
da seleção brasileira nas grandes penalidades.
Apesar de ficar de
imediato suspenso para o jogo dos quartos de final, marcado para
sexta-feira diante da Colômbia, Rodrigo Paiva terá de apresentar a sua
defesa ao processo até amanhã, incorrendo em sanção mais pesada.
Nesta terça-feira Joaquim Barbosa preside sua última sessão no STF; ele
vai julgar ação apresentada pelo presidenciável tucano Aécio Neves
pedindo a alteração da Lei Geral da Copa quanto à liberdade de expressão
e manifestações, que veda “portar ou ostentar de cartazes, bandeiras,
símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas”; JB anunciou há três
semanas aposentadoria e não fará qualquer discurso ou balanço da
polêmica gestão na saída; na semana passada, o magistrado viu sua
decisão de impedir o trabalho externo de condenados na AP 470 derrubada
por demais colegas no Plenário da Corte
De saída, JB pode liberar protestos na Copa
Nesta terça-feira Joaquim Barbosa preside sua
última sessão no STF; ele vai julgar ação apresentada pelo
presidenciável tucano Aécio Neves pedindo a alteração da Lei Geral da
Copa quanto à liberdade de expressão e manifestações, que veda “portar
ou ostentar de cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com
mensagens ofensivas”; JB anunciou há três semanas aposentadoria e não
fará qualquer discurso ou balanço da polêmica gestão na saída; na semana
passada, o magistrado viu sua decisão de impedir o trabalho externo de
condenados na AP 470 derrubada por demais colegas no Plenário da Corte
1 de Julho de 2014 às 05:34
247 – Em seu último dia na Presidência do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa vai julgar a lei que libera protestos na Copa.
O processo foi aberto em decorrência de uma ação apresentada pelo
presidenciável tucano Aécio Neves (PSDB) pedindo a alteração da Lei
Geral da Copa quanto à liberdade de expressão e manifestações, que veda
“portar ou ostentar de cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais
com mensagens ofensivas, de caráter racista, xenófobo ou que estimulem
outras formas de discriminação”, e restringe “o direito constitucional
ao livre exercício da manifestação e plena liberdade de expressão”.
Na semana passada, ele foi derrotado pelos demais colegas do Plenário
em decisão de impedir o trabalho externo de condenados na AP 470. Após a
sessão de hoje, sairá sem despedidas ou balanço de sua polêmica
gestão. "O que eu fiz em 11 anos de Supremo é público e está disponível
para quem quiser pesquisar", afirma Barbosa.
Segundo a colunista Mônica Bergamo, num primeiro momento, o ministro pretende entrar de férias. E deve ficar no Brasil pelo menos até o fim da Copa do Mundo.
Leia a matéria de Helena Sthephanowitz, daRede Brasil Atual:
Na semana passada, o ministro e ainda presidente do Supremo Tribunal
Federal, Joaquim Barbosa, faltou ao julgamento dos recursos dos réus da
Ação Penal 470, o chamado mensalão. Foi mais uma de suas decisões
políticas, apesar do cargo que ocupa não ser adequado a tal politização.
Sabia que suas sentenças monocráticas – que ele decidiu sozinho – de
impedir ou revogar direito ao trabalho externo de réus como Delúbio
Soares, José Dirceu, João Paulo Cunha e outros, seriam modificadas.
O próprio procurador-geral da República, Rodrigo Janot, representante
da parte interessada na condenação, havia dado parecer favorável ao
trabalho externo.
O resultado foi nove votos a favor do trabalho externo e apenas um
contra. Até Gilmar Mendes, o ministro mais identificado com a oposição
demo-tucana, votou a favor de respeitar os direitos dos apenados ao
trabalho externo, conforme rege as leis e a jurisprudência.
Nesta terça feira (1º), Joaquim Barbosa preside sua última sessão
antes de se mudar para Miami. Vai deixar saudade? Em seus 12 anos como
ministro do Supremo ele colecionou bate-bocas, discussões ríspidas,
trocas de ameaças, ofensas e até um princípio de 'barraco'.
Marco Aurélio Mello foi um dos ministros que tiveram acaloradas
discussões com Barbosa no Supremo. Em 2004, Barbosa chegou a chamar o
colega para “resolver a questão fora do tribunal”. Já em 2008, após
declarar não ser um “negro submisso”, Marco Aurélio disse que o colega
era complexado.
Eros Grau, aposentado do STF em 2010, também foi alvo do estilo
agressivo de Barbosa, e chegou até a abandonar uma sessão. No ano de
2008, um episódio quase terminou em violência, após Eros autorizar a
soltura de um preso, Barbosa teve de ser contido ao partir para cima do
colega, proferindo ofensas como “burro” e “velho caquético”. Teve que
ouvir como resposta um irônico: “Para quem batia na mulher, não seria
nada estranho que batesse em um velho também”.
Em discussões 'famosas' com o ex-presidente Gilmar Mendes, acusou
publicamente: “Vossa excelência está na mídia, destruindo a
credibilidade do Judiciário brasileiro” e completou: “Quando se dirigir a
mim, não pense que está falando com seus capangas de Mato Grosso”. Em
outra ocasião, ouviu: “Vossa Excelência tem complexo! Por isso que vive
falando em República das Bananas!”.
O “rival” de maior destaque, foi Ricardo Lewandowski, com quem desde o
início do processo do mensalão travou inúmeros debates, e contra quem,
muitas vezes extrapolou para ofensas, como quando Barbosa, já no cargo
de presidente do Supremo, acusou Lewandowski de 'fazer chicanas'. Após o
fim do julgamento, Barbosa ainda revogou decisões de Lewandowski sobre o
caso, causando desconforto entre os demais ministros do colegiado.
Magistrados, aliás, devem cumprir seu dever de julgar, usar seu saber
jurídico para aplicar a lei, independentemente das turbas nas ruas, das
pressões da mídia e de como votarão seus colegas. Então, por qual razão
Barbosa fugiu ao dever de presidir a sessão que julgou o direito ao
trabalho daqueles réus? Mesmo sendo voto vencido, seria uma oportunidade
para ele, pelo menos, explicar e justificar suas decisões.
Talvez a resposta seja justamente suas decisões anteriores serem
inexplicáveis e injustificáveis à luz do Direito, só encontrando
explicação no exercício político de seu cargo. Logo, ou daria um voto
pífio, evasivo, que não lhe traria holofotes, ou se embananava na hora
de fundamentar melhor seu voto, com grande chance de produzir mais uma
peça que entraria para o folclore dos meios jurídicos, pelos absurdos.
Semelhante a quando advogados recomendam o silêncio a seus clientes para não serem incriminados.
Além disso, havia sempre o risco de um deslize em caso de mais um
eventual – e provável – bate-boca com os colegas de toga, deixando
escapar intenções eleitorais por trás das sentenças extravagantes. Para
quem almeja entrar na carreira política candidatando-se a algum cargo em
2018, melhor evitar deslizes nesta hora, já que atos arbitrários
pararam de trazer dividendos em forma de popularidade.
Já que estamos em plena Copa do Mundo, cabem metáforas futebolísticas
para sua ausência ao julgamento. Barbosa é caso único de juiz que deu
cartão vermelho para si mesmo.
copiado http://www.brasil247.com/pt
"Não vai ter estádio". "Não vai ter aeroporto". "Não vai ter acesso".
"Caso tenha, isso era apenas uma crítica construtiva". Charge do
cartunista Laerte, publicada hoje na Folha de S. Paulo, é uma obra-prima
que resume a canoa furada na qual os principais grupos de mídia do País
embarcaram antes da Copa. Sondagem realizada ontem com jornalistas do
mundo inteiro confirmou: esta é a #copadascopas
Charge histórica de Laerte resume toda uma época
"Não vai ter estádio". "Não vai ter aeroporto".
"Não vai ter acesso". "Caso tenha, isso era apenas uma crítica
construtiva". Charge do cartunista Laerte, publicada hoje na Folha de S.
Paulo, é uma obra-prima que resume a canoa furada na qual os principais
grupos de mídia do País embarcaram antes da Copa. Sondagem realizada
ontem com jornalistas do mundo inteiro confirmou: esta é a #copadascopas
1 de Julho de 2014 às 09:50
247 – Uma charge do cartunista Laerte, publicada
nesta terça-feira 1º na Folha de S. Paulo, resume perfeitamente a onda
de mau humor e críticas infundadas dos veículos de comunicação
brasileiros em relação à Copa do Mundo.
"Não vai ter estádio". "Não vai ter aeroporto". "Não vai ter acesso".
"Caso tenha, isso era apenas uma crítica construtiva". As frases estão
estampadas em cartazes de manifestantes na arte de Laerte.
O cenário retratado pelo cartunista mostra exatamente o comportamento
da imprensa antes da Copa e o que aconteceu após o início do evento. Reportagem da semana passada
do Jornal Nacional, por exemplo, admitiu com todas as letras que
"muitos problemas previstos não se confirmaram". No entanto, o
noticiário da Globo atribui à imprensa internacional as "críticas
ácidas", sem assumir parte no pessimismo.
Como bem resumiu o jornalista Ruy Castro
no programa Redação SporTV, os jornalistas da imprensa nacional não
deram "nem chance de que se pusesse as coisas em ordem" e fizeram
"exigências absurdas". "A nossa imprensa foi rigorosamente espírito de
porco antes de o evento começar", concluiu o o escritor.
Pesquisa realizada pelo portal Uol, do grupo Folha, e divulgada nesta
segunda-feira 30, aponta o efeito inverso das previsões obscuras dos
noticiários: 38,5% dos jornalistas do mundo todo afirmam que essa é a
melhor Copa do Mundo já realizada em todos os tempos (leia mais aqui).
copiado http://www.brasil247.com/pt
Desde que Pelé
se despediu dos gramados, em outubro de 1974, no mítico e acanhado
estádio da Vila Belmiro, em Santos, os torcedores da cidade –e do
Brasil– lamentavam. “Um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar”. Mas,
neste sábado, um atacante de 22 anos, carrega mais uma vez as esperanças
da seleção brasileira. Num confronto decisivo da Copa do Mundo
contra o Chile, em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, o jovem
Neymar é a grande esperança para fazer o Brasil passar para as quartas
de final.
Está em jogo uma marca de 20 partidas sem derrota do camisa 10 pela
seleção atuando no Brasil. E muito mais do que isso: uma vaga nas
quartas de final para junto com a sua geração, o atacante começar a
confirmar que, sim, um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar.
No seu primeiro Mundial, lá se vão quatro gols em três jogos –a
‘Neymardependência’ restrita ao clube santista começa a adquirir um tom
verde e amarelo. Sim, depois da saída de Pelé houve relâmpagos na
cidade, como Giovanni, Robinho, Diego, mas só Neymar poderá confirmar a condição efetiva de um grande raio em um Mundial.
Assim como Pelé, ele não nasceu na cidade portuária de cerca de
500.000 habitantes à beira do Atlântico, mas conquistou os títulos que
fizeram o torcedor lembrar a época gloriosa de conquistas nos anos 1960,
inclusive com uma Libertadores, em 2011. Mesmo ainda com uma enorme
distância entre ambos no histórico no clube e na seleção –Pelé fez mais
de 1.000 gols, jogou no Santos por 18 anos, ganhou dois Mundiais
interclubes e três Copas–, os comentários na cidade sobre a escolha
divina ou do destino na hora de depositar os raios são constantes.
O barbeiro Didi. / BOSCO MARTÍN
Nos arredores do estádio com capacidade para 20.000 torcedores, a
vida pacata dos dias comuns se confunde com a história. Na barbearia de
João Araújo, o Didi, por exemplo, as fotos e relíquias de Pelé
espalhadas pelo salão são exibidas com orgulho por quem corta o cabelo
do Rei há mais de 50 anos. “O Neymar eu via muito jovem ainda andando
por aqui. Assim como o Pelé, quando ele entrou no time não saiu mais.
Esse pedaço é iluminado. É a Vila mais famosa do mundo”, diz Araújo, 74,
apontando para o estádio a poucos metros de sua barbearia.
“Logo que chegou à cidade o Pelé em 1956 fez uma parada aqui para
cortar o cabelo, antes mesmo de se apresentar ao clube. O Waldemar de
Brito –ex-jogador descobridor do ídolo– já era meu freguês e o trouxe de
Bauru (cidade do interior de São Paulo)”, emenda. “Quando ele não pode
vir por algum motivo ou por causa do assédio eu vou até a casa dele. Se
todos que aparecem por aqui quando o Rei vem à barbearia virassem meus
clientes, eu já estaria rico.”
Ao lado, no bar Confraria do Alemão, um pequeno grupo acompanha o
noticiário da Copa do Mundo pela TV. O torcedor Alberto Francisco, 56,
cujo apelido dá nome ao bar, carrega o escudo do time tatuado nos braços
e até na testa. É para recordar os títulos, conta ele, em meio ao
vaivém de turistas com camisas de diferentes seleções no corredor que dá
acesso ao Memorial do clube, em frente. O atual camisa 10 e Pelé são
praticamente onipresentes na cidade durante a Copa, estampando de
painéis publicitários a estátuas de areia na praia.
Um dos descobridores de Neymar, o ex-companheiro de Pelé no Santos e
na seleção brasileira Zito lembra bem da primeira impressão ao ver o
atacante. “Fui com um amigo e o Neymar me encheu os olhos. Falei (ao
presidente) que ele tinha de ser contratado imediatamente, antes que
outros o fizessem. Ele tinha 11 anos. E aí deu no que deu”, contou
recentemente à emissora Sportv o ex-volante de 81 anos, bicampeão
mundial com a seleção (1958 e 62).
De lá até o último jogo contra Camarões na Copa, na última segunda-feira,
tudo também passou como um raio. O jogador estrearia entre os
profissionais em 2009, aos 17 anos, tendo marcado 138 gols até a sua
despedida. Nem a sua conturbada saída do clube rumo a Barcelona foi
capaz de estremecer a relação do jogador nascido em Mogi das Cruzes, na
região metropolitana de São Paulo, com o Santos e a cidade. Na seleção,
os números também começam a ser superlativos, com 35 gols, que o situam
na artilharia brasileira junto a ídolos como Ronaldinho Gaúcho e Tostão.
E a história ainda está começando a ser construída
Jorge Sampaoli, treinador argentino sem história como jogador,
ex-juiz de paz e caixa de banco, que começou a preparar a fama quando
foi campeão com o Belgrano de Arequito, na Liga de Casilda, em sua
cidade natal, pode se tornar o homem capaz de mudar a historia do
futebol. O técnico do Chile, de 54 anos, passaria despercebido em uma
multidão. É um homem pequeno, calvo, de olhos brilhantes e olhar
perdido. Dizem que de vez em quando se enfurece e se transforma em um
tipo temível, capaz de aterrorizar seus comandados. Mas não foi essa
imagem que ele deu ontem, quando se apresentou no Mineirão para anunciar
calmamente que o Brasil sofrerá para se manter no campeonato que
organiza.
"A equipe está preparada", disse, firme, usando uma linguagem
cifrada, como se anunciasse o futuro. "Está preparada, não para garantir
o resultado, mas para garantir a busca. Sonhei com um grupo de
jogadores que deixava tudo em campo e fazia uma partida histórica
superando todas as adversidades imagináveis".
"A equipe está preparada", disse, firme, como se anunciasse o futuro
Sampaoli anunciou o que muito poucos na imprensa brasileira
reconhecem e criticam: que o Brasil vai esperar e contra-atacar diante
de um adversário inferior em talento e em recursos. "Imagino", disse o
técnico, "que o Brasil fará uma partida buscando mais os espaços que a
posse de bola. O jogo que propõe esta equipe do Brasil é diferente
daquele com o qual estávamos acostumados. Não se parece ao que fizeram
outras seleções na história do futebol brasileiro, pelas características
dos jogadores que possui. Busca transições muito rápidas, inclusive com
passes dos centrais aos pontas. Por isso devemos ter cuidado extremado
nas perdas de bola".
"A rebeldia e a valentia terão muito a ver", prosseguiu o técnico,
"porque se não nos rebelarmos diante de um adversário que tem todo o
estádio a favor, o país apoiando e a responsabilidade de estar à altura
de sua história, o resultado está claro. Neste grupo, a característica a
aprofundar é a rebeldia".
Concluída a primeira fase, a Copa do Mundo do Brasil 2014
aponta para uma das poucas certezas do futebol desde seu primeiro
chute. Desde os séculos dos séculos não há quem possa com a América na
América. E para poder com a Europa na Europa é preciso chamar o Pelé.
O desafio territorial é maiúsculo. As estatísticas não mentem: nos sete
campeonatos já disputados em solo americano, houve mais participantes
europeus do que locais (66 e 43, respectivamente), mas apenas quatro
seleções (a Itália, em duas ocasiões, Tchecoslováquia, Holanda e
Alemanha) chegaram na final. E todas sem sucesso. Pelo contrário, nos 10
torneios na Europa, com 50 americanos e 125 equipes locais, apenas o
Brasil, por duas vezes, e a Argentina em uma oportunidade, chegaram ao
último jogo. Os europeus o fizeram em 17 ocasiões e apenas a Suécia não
ganhou, batida em seu Mundial em 1958 por um Rei brasileiro na única
derrota até o momento. Se a Alemanha, França, Holanda, Bélgica, Suíça e
Grécia não o desmentirem nestes dias, a Europa segue aos pés da América,
que com a metade de participantes em Copas tem somente um título a
menos.
No atual campeonato, a superioridade americana também é acachapante.
Sobreviveram oito dos 10 participantes – saíram apenas o Equador, por
pouco, e Honduras -. A Europa foi ladeira abaixo: dos 13 aspirantes, já
voltaram sete, incluindo campeões como a Espanha,
a Inglaterra e a Itália, ícones como Cristiano Ronaldo e os
petrodólares russos de Capello. Com a história por trás, não é estranho
que as oitavas de final comecem hoje como se o Mundial fosse a Copa
América, com Brasil e Chile e Colômbia e Uruguai. Entre os especialistas
não existe uma teoria única deste fenômeno. As causas desta insuperável
fronteira para americanos e europeus são tão heterogêneas como remotas.
Não se vê a mesma combustão nos europeus, que não sentem diretamente a mesma pressão quando cruzam o oceano
No futebol, aonde os desmentidos são perpétuos, a prevalência das
seleções que jogam em casa é uma constante desde que o advogado francês
Jules Rimet e o diplomata uruguaio Enrique Buero sonharam em Paris ali
por volta de 1925 em organizar uma Copa do Mundo. Já então houve
apreensão entre americanos e europeus. Era compreensível que na Europa
se multiplicassem as recuas em viajar para o Uruguai para a primeira
Copa. Em 1930, a travessia no Conte Verde – o meio preferido de Carlos
Gardel – levava duas semanas de ida e outras tantas de volta com um mês
de campeonato no meio. Apenas se atreveram a embarcar no transatlântico a
Bélgica, a França e a Romênia. A Iugoslávia, que encerrou a
participação europeia, o fez por sua conta. A experiência foi exaustiva.
A América tomou nota e quatro anos depois apenas a Argentina, os
Estados Unidos e o Brasil – a única seleção presente em todos os
campeonatos – se animaram com a aventura de ir para a Itália de
Mussolini. Então, o clima, a comida, as exaustivas viagens eram
problemas absolutos. O estranho é que 80 anos depois dos quixotescos
torneios iniciais as barreiras se mantenham. E que até se agucem, como
se percebe pela situação da Copa brasileira.
O que acontece nestes dias no Brasil é a última verificação da
corrente emocional que catapulta as seleções americanas, todas acolhidas
por enormes e efervescentes torcidas. Uma paixão nacionalista que se
percebe nas ruas, nas arquibancadas, na extrema solenidade dos hinos que
provocam um rio de lágrimas nos torcedores e no campo. Cada partida é
quase uma questão de Estado, como se viu com a intervenção do presidente uruguaio, José Mujica, no caso de Luis Suárez. Sem julgamentos, um jogador sintomático do frenesi que invade o Uruguai e seus vizinhos. Na partida entra La Celeste
e os ingleses, Suárez, que havia operado um menisco apenas um mês antes
da Copa, chegou ao torneio destroçado, como tantos outros, europeus ou
americanos. Quando todo mundo esperava que fosse substituído, o jogador
do Liverpool correu como um jamaicano nos cem metros livres para chegar
na área e chutar a bola como se fosse impulsionada desde Navarrone.
Logo, foi para o banco exausto e com as pernas pesando toneladas.
O enigmático é que 80 anos depois daqueles quixotescos torneios iniciais as barreiras se mantêm
Não se percebe igual combustão nos europeus, que não sentem
diretamente a mesma pressão quando cruzam o oceano. Mesmo quando jogam
em casa mostram outro tipo de arrebatamento, sem tanta relação com a
pátria e questões semelhantes. Os clubes europeus pescam no pesqueiro
americano, mas são também vítimas de seu rearmamento como seleção. Como
sustenta Jorge Valdano, campeão do mundo contra a Alemanha no México,
“muitos sul-americanos, por mais que se profissionalizem na Europa,
quando jogam para seus países recuperam o espirito amadorístico”. Não
consta que seja o exemplo do impenetrável Messi, com perfil de um mito cada dia mais mito como Maradona,
mas faz anos que de seu círculo barcelonista dizem que vive no dia a
dia em Rosário e “baixa” para treinar no Barcelona. A América dá o
berço, a Europa o dinheiro e a América, quando organiza os campeonatos,
bate a Europa com a alma como escudo.
De alguma forma, as Copas sempre representaram a volta ao real, às
raízes, ao tribal, ao feitiço de sangue com este jogo. Iluminada pelo
mercantilismo do futebol, a Europa há tempos que se despojou dele, sem
contar uma ou outra ocasião. Ainda vai para os campeonatos mais como
profissional do que com ardor. Por isto nunca conseguiu colonizar
futebolisticamente a América. Talvez porque deus nunca foi europeu, e
sim colombiano; ou porquê o único deus com mãos de gol era argentino. Ou
porquê a Europa há tempos cortou as ligações com Bill Shankly: “O
futebol não é uma questão de vida ou morte, é muito mais do que isso”.
Pelo que está sendo visto no Brasil, a chama do dramaturgo brasileiro
Nelson Rodrigues ainda continua viva quando joga sua seleção: “Ninguém
pode faltar no Maracanã, nem os fantasmas. A morte não exime do dever
com a equipe”.
Seleções do continente americano se deram bem na primeira fase. Oito
das dez equipes que se classificaram para a Copa passaram para as
oitavas. A fase de mata mata começa neste sábado com Brasil X Chile e
Colômbia X Uruguai. No domingo, a Holanda pega o México e a Costa Rica
enfrenta a Grécia. Os outros jogos são França X Nigéria, Alemanha X
Nigéria, Argentina X Suíça e Bélgica X EUA.
A atuação policial é inédita contra um ex-chefe de Estado da França.
Os investigadores vão interrogá-lo para tentar descobrir se ele criou
uma rede que filtrava informações de ações judiciais
Sarkozy é detido em uma investigação por tráfico de influência
O advogado do ex-presidente francês foi detido no dia anterior
A polícia vai interrogar Nicolas Sarkozy em investigação por corrupção
A França acordou com uma notícia excepcional. À primeira hora da manhã o ex-presidente da República Nicolas Sarkozy
foi detido e levado à sede da polícia judicial especializada em crimes
financeiros e fiscais, para dar declarações sobre supostos delitos de
tráfico de influência e violação do sigilo da investigação. Apenas 24
horas antes a mesma polícia tinha detido seu advogado, Thierry Herzog, e dois magistrados do Supremo Tribunal. Sarkozy está sendo interrogado até agora e, dentro do regime francês pelo qual foi convocado (garde à vue), o prazo durante o qual pode ficar detido para interrogatório, normalmente de 24 horas, pode ser estendido para até 48 horas.
Sarkozy chegou à delegacia policial de Nanterre (na periferia de
Paris) por volta das 8h00 (3h00 em Brasília) em um carro com vidros
escurecidos, causando assombro à opinião pública, que tinha sido
informada que o ex-presidente da República poderia ser chamado a depor
dentro de alguns dias.
A rapidez com que a operação está sendo levada adiante surpreendeu
todas as forças políticas, que estão pedindo confiança na justiça. A
detenção inédita se deve ao caso do suposto financiamento ilegal da
campanha eleitoral de Sarkozy em 2007, que teria contado com
contribuições do então presidente da Líbia Muammar Gaddafi.
Os investigadores procuram determinar se o ex-chefe de Estado e seus
assessores criaram uma rede de informantes que os mantinha a par do
andamento dos processos judiciais que ameaçam Sarkozy, político
conservador e chefe do Estado francês entre 2007 e 2012.
O advogado de Sarkozy, Thierry Herzog, e os magistrados do Supremo
Tribunal Gilbert Azibert e Patrick Sassoust foram detidos no dia
anterior no curso da investigação. De acordo com a agência Efe, a
suspeita é que Azibert, que tem vínculos estreitos com o ex-presidente,
obtinha informações de conselheiros do Supremo Tribunal sobre o
andamento da investigação que apura o suposto financiamento ilegal da
campanha que conduziu Sarkozy ao Palácio do Eliseu.
Segundo essa teoria, o defensor de Sarkozy teria prometido a Azibert,
em contrapartida, que o ex-presidente o ajudaria a conseguir um cargo
que o interessava na administração de Mônaco.
As escutas telefônicas às quais foram submetidos Sarkozy (implicado
em vários casos de corrupção) e seus assessores no outono passado
revelaram que o ex-presidente fazia uso de uma rede de informantes nas
estruturas do Estado para se manter a par dos escândalos financeiros que
agora complicam sua situação, em especial o caso Bettencourt, que está
sendo investigado pelo Supremo Tribunal e também está relacionado ao
suposto financiamento ilegal da mesma campanha de 2007, em que Sarkozy
derrotou a candidata socialista Ségolène Royal.
Foram essas escutas que levaram ao conhecimento da polícia o fato de
Sarkozy usar um celular clandestino, em nome de um certo Paul Bismuth,
justamente para conversar com seu advogado Herzog, que também dispunha
de um celular clandestino. As investigações revelaram que Herzog tinha
uma ligação direta com seu amigo, o juiz da sala do Civil do Supremo
Tribunal Gilbert Azibert, que está sendo interrogado agora pela
delegacia de combate à corrupção.
Membros destacados da UMP (União por um Movimento Popular), o partido
de Sarkozy, descrevem como “feroz e vingativo” o processo contra o
ex-chefe de Estado e destacam a coincidência do calendário judicial com o
calendário político, numa alusão clara à possibilidade de que o
político acabaria decidindo nas próximas semanas voltar a liderar a
organização conservadora.
O porta-voz do Governo socialista e ministro da Agricultura, Stéphane
Le Foll, comentou que a justiça deve chegar até o fim e que Sarkozy
deve ser submetido à justiça, “como os demais”.
Situado no número 101 da rua Trois Fontanot, no bairro de La Défense,
o edifício de oito andares onde Sarkozy está sendo interrogado é a sede
central da Polícia Judicial. O ex-presidente foi levado ao local pela
polícia esta manhã, saindo do elegante distrito 16, onde reside. Seu
carro entrou diretamente no estacionamento no subsolo através de um
acesso situado à direita no térreo. Cerca de 20 jornalistas e
cinegrafistas aguardavam sua chegada desde a primeira hora da manhã,
enquanto dois policiais os mantinham à distância da sede policial. Pouco
após as 11h (6h em Brasília), a única pessoa relacionada com o caso que
saiu do prédio foi o advogado Paul-Albert Iweins, que defende o também
advogado Herzog. Ele fumou um cigarro e se negou a dar qualquer
declaração.
Na rua Trois Fontanot, vários operários consertavam as calçadas e
recapeavam o asfalto, como parte de um projeto avaliado em 500 mil euros
(1,5 milhão de reais) para “melhorar o entorno vital”, como indica um
cartaz na área. Operários e funcionários que trabalham no local, onde há
muitos edifícios de escritórios, não quiseram comentar o que ocorreu,
mas nos cafés da região todos acompanhavam as notícias pela televisão.
“Sim, estou sabendo”, alguém se limita a dizer. Apenas os jornalistas
fazem comentários jocosos. “Esta é uma república de bananas”, fala um
cinegrafista.
copy http://brasil.elpais.com
A atuação policial é inédita contra um ex-chefe de Estado da França.
Os investigadores vão interrogá-lo para tentar descobrir se ele criou
uma rede que filtrava informações de ações judiciais
A França acordou com uma notícia excepcional. À primeira hora da manhã o ex-presidente da República Nicolas Sarkozy
foi detido e levado à sede da polícia judicial especializada em crimes
financeiros e fiscais, para dar declarações sobre supostos delitos de
tráfico de influência e violação do sigilo da investigação. Apenas 24
horas antes a mesma polícia tinha detido seu advogado, Thierry Herzog, e dois magistrados do Supremo Tribunal. Sarkozy está sendo interrogado até agora e, dentro do regime francês pelo qual foi convocado (garde à vue), o prazo durante o qual pode ficar detido para interrogatório, normalmente de 24 horas, pode ser estendido para até 48 horas.
Sarkozy chegou à delegacia policial de Nanterre (na periferia de
Paris) por volta das 8h00 (3h00 em Brasília) em um carro com vidros
escurecidos, causando assombro à opinião pública, que tinha sido
informada que o ex-presidente da República poderia ser chamado a depor
dentro de alguns dias.
A rapidez com que a operação está sendo levada adiante surpreendeu
todas as forças políticas, que estão pedindo confiança na justiça. A
detenção inédita se deve ao caso do suposto financiamento ilegal da
campanha eleitoral de Sarkozy em 2007, que teria contado com
contribuições do então presidente da Líbia Muammar Gaddafi.
Os investigadores procuram determinar se o ex-chefe de Estado e seus
assessores criaram uma rede de informantes que os mantinha a par do
andamento dos processos judiciais que ameaçam Sarkozy, político
conservador e chefe do Estado francês entre 2007 e 2012.
O advogado de Sarkozy, Thierry Herzog, e os magistrados do Supremo
Tribunal Gilbert Azibert e Patrick Sassoust foram detidos no dia
anterior no curso da investigação. De acordo com a agência Efe, a
suspeita é que Azibert, que tem vínculos estreitos com o ex-presidente,
obtinha informações de conselheiros do Supremo Tribunal sobre o
andamento da investigação que apura o suposto financiamento ilegal da
campanha que conduziu Sarkozy ao Palácio do Eliseu.
Segundo essa teoria, o defensor de Sarkozy teria prometido a Azibert,
em contrapartida, que o ex-presidente o ajudaria a conseguir um cargo
que o interessava na administração de Mônaco.
As escutas telefônicas às quais foram submetidos Sarkozy (implicado
em vários casos de corrupção) e seus assessores no outono passado
revelaram que o ex-presidente fazia uso de uma rede de informantes nas
estruturas do Estado para se manter a par dos escândalos financeiros que
agora complicam sua situação, em especial o caso Bettencourt, que está
sendo investigado pelo Supremo Tribunal e também está relacionado ao
suposto financiamento ilegal da mesma campanha de 2007, em que Sarkozy
derrotou a candidata socialista Ségolène Royal.
Foram essas escutas que levaram ao conhecimento da polícia o fato de
Sarkozy usar um celular clandestino, em nome de um certo Paul Bismuth,
justamente para conversar com seu advogado Herzog, que também dispunha
de um celular clandestino. As investigações revelaram que Herzog tinha
uma ligação direta com seu amigo, o juiz da sala do Civil do Supremo
Tribunal Gilbert Azibert, que está sendo interrogado agora pela
delegacia de combate à corrupção.
Membros destacados da UMP (União por um Movimento Popular), o partido
de Sarkozy, descrevem como “feroz e vingativo” o processo contra o
ex-chefe de Estado e destacam a coincidência do calendário judicial com o
calendário político, numa alusão clara à possibilidade de que o
político acabaria decidindo nas próximas semanas voltar a liderar a
organização conservadora.
O porta-voz do Governo socialista e ministro da Agricultura, Stéphane
Le Foll, comentou que a justiça deve chegar até o fim e que Sarkozy
deve ser submetido à justiça, “como os demais”.
Situado no número 101 da rua Trois Fontanot, no bairro de La Défense,
o edifício de oito andares onde Sarkozy está sendo interrogado é a sede
central da Polícia Judicial. O ex-presidente foi levado ao local pela
polícia esta manhã, saindo do elegante distrito 16, onde reside. Seu
carro entrou diretamente no estacionamento no subsolo através de um
acesso situado à direita no térreo. Cerca de 20 jornalistas e
cinegrafistas aguardavam sua chegada desde a primeira hora da manhã,
enquanto dois policiais os mantinham à distância da sede policial. Pouco
após as 11h (6h em Brasília), a única pessoa relacionada com o caso que
saiu do prédio foi o advogado Paul-Albert Iweins, que defende o também
advogado Herzog. Ele fumou um cigarro e se negou a dar qualquer
declaração.
Na rua Trois Fontanot, vários operários consertavam as calçadas e
recapeavam o asfalto, como parte de um projeto avaliado em 500 mil euros
(1,5 milhão de reais) para “melhorar o entorno vital”, como indica um
cartaz na área. Operários e funcionários que trabalham no local, onde há
muitos edifícios de escritórios, não quiseram comentar o que ocorreu,
mas nos cafés da região todos acompanhavam as notícias pela televisão.
“Sim, estou sabendo”, alguém se limita a dizer. Apenas os jornalistas
fazem comentários jocosos. “Esta é uma república de bananas”, fala um
cinegrafista.
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