A revolução do altruísmo. Quando a visão do outro determina os rumos da nossa vida O que é altruísmo? Simplificando, é o desejo de que outras pessoas sejam felizes. Matthieu Ricard,

A revolução do altruísmo. Quando a visão do outro determina os rumos da nossa vida

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O que é altruísmo? Simplificando, é o desejo de que outras pessoas sejam felizes. Matthieu Ricard, pesquisador de felicidade e monge budista de linha tibetana, diz que o altruísmo é também uma ótima lente para tomada de decisões, tanto a curto como a longo prazo, no trabalho e na vida.

O monge medita diante do glaciar de Jomolhari
O monge medita diante do glaciar de Jomolhari


Vídeo: TED – Ideas Worth Spreading
Fotos: Matthieu Ricard
Tradução: Viviane Ferraz Matos. Revisão: Andrea Mussap

Alguns dizem que ele é “o homem mais feliz do mundo”, mas o francês Matthieu Ricard prefere definir a si próprio como monge budista, escritor e fotógrafo.
Depois de estudos completos na área da bioquímica, no renomado Instituto Pasteur, em Paris, Matthieu Ricard abandonou a ciência e seguiu para as montanhas do Himalaia, e lá se tornou um monge budista dentro da tradição tibetana. Decidiu dedicar a vida à busca da felicidade, tanto como alvo básico da existência humana, como objeto de estudo sistemático. Conquistar a felicidade, acredita ele, requer o mesmo tipo de esforço e treinamento mental de qualquer outro objetivo existencial.

O monge budista, escritor e fotógrafo Matthieu Ricard
O monge budista, escritor e fotógrafo Matthieu Ricard

Suas reflexões sempre feitas com tintas científicas sobre a felicidade e o budismo se traduziram em diversos livros, entre os quais o célebre The Quantum and the Lotus: A Journey to the Frontiers Where Science and Buddhism Meet (O quantum e o lótus: Onde ciência e budismo se encontram). Ao mesmo tempo, ele também produziu fotografias notáveis do seu amado Tibete.

Vídeo:


Tradução integral da palestra de Matthieu Ricard no TED:
 Nós, humanos, temos um potencial extraordinário para o bem, mas também um imenso poder para fazer o mal. Qualquer instrumento pode ser usado para construir ou destruir. Tudo depende da nossa motivação. Por isso, é ainda mais importante promover uma motivação altruísta em vez de egoísta.
De fato, estamos enfrentando muitos desafios, atualmente. Poderiam ser desafios pessoais. Nossa mente pode ser nossa melhor amiga ou pior inimiga. Existem também desafios sociais: a pobreza em meio a abundância, desigualdades, conflitos, injustiça. E ainda há novos desafios inesperados. Há 10 mil anos, havia cerca de 5 milhões de seres humanos na Terra. Qualquer coisa que eles fizessem, a resiliência da Terra logo remediaria a atividade humana. Após as Revoluções Industrial e Tecnológica, não é mais assim. Agora somos o principal agente de impacto na Terra.
Entramos no Antropoceno, a era dos seres humanos. De um modo, se disséssemos que precisamos continuar esse crescimento sem fim, esse uso ilimitado de recursos materiais, é como se este homem dissesse - e eu ouvi de um ex-chefe de Estado, não direi quem, dizer - “Há cinco anos, estávamos à beira do precipício. Hoje demos um grande passo adiante.” Portanto, esta fronteira é a mesma que os cientistas definiram como os limites planetários. E dentro desses limites, pode haver um número de fatores. Ainda podemos prosperar, a humanidade ainda pode prosperar por 150 mil anos se mantivermos a mesma estabilidade climática como no Holoceno, nos últimos 10 mil anos. Mas isso depende de escolhermos uma simplicidade voluntária, crescer qualitativamente, não quantitativamente.

O Dalai Lama (esquerda) e Matthieu Ricard
O Dalai Lama (esquerda) e Matthieu Ricard

Em 1900, como podem ver, estávamos bem dentro dos limites de segurança. No entanto, em 1950, veio a grande aceleração. Prendam a respiração, não muito, para imaginar o que vem depois. Agora, devastamos amplamente alguns dos limites planetários. Tomemos como exemplo a biodiversidade: no ritmo atual, até 2050, 30% das espécies terrestres terão desaparecido. Ainda que congelemos seu DNA, isso não será reversível. Por isso estou ali, sentado em frente a uma geleira de 7 mil metros, de 21 mil pés, no Butão. No Terceiro Polo, 2 mil geleiras estão derretendo mais rápido que o Ártico.
O que podemos fazer nessa situação? Bem, por mais complexa que seja em termos políticos, econômicos, científicos, a questão do meio ambiente simplesmente se reduz a uma questão de altruísmo versus egoísmo. Sou marxista, da tendência Groucho. (Risos) Groucho Marx disse: “Por que devo me importar com as gerações futuras? O que já fizeram por mim?” (Risos) Infelizmente, ouvi o bilionário Steve Forbes, na Fox News, dizendo exatamente o mesmo, mas a sério. Contaram a ele da subida dos níveis dos oceanos, e ele disse: “Acho um absurdo mudar meu comportamento atual por algo que acontecerá em 100 anos”. Então se vocês não se importam com as gerações futuras, vão em frente.

Parada de cavalos em festival budista, no planalto tibetano
Parada de cavalos em festival budista, no planalto tibetano

Portanto, um dos maiores desafios atuais é conciliar três escalas de tempo: a economia a curto prazo, os altos e baixos do mercado de valores, o balanço de fim de ano; a qualidade de vida a médio prazo - o que é qualidade de vida em cada momento, a cada 10 anos, 20 anos? - e o meio ambiente a longo prazo. Quando ambientalistas falam com economistas, é como um diálogo esquizofrênico, completamente incoerente. Não falam a mesma língua. Agora, nos últimos dez anos, andei pelo mundo todo, encontrando economistas, cientistas, neurocientistas, ambientalistas, filósofos, pensadores no Himalaia e por todo lugar. A mim, parece que só há um conceito que pode conciliar essas três escalas de tempo: simplesmente, ter mais consideração pelos outros. Ao ter mais consideração pelos outros, teremos uma economia solidária, em que as finanças estejam a serviço da sociedade e não a sociedade a serviço das finanças. Vocês não jogarão no cassino com os recursos que as pessoas confiaram a vocês. Se vocês têm mais consideração pelos outros, se assegurarão de remediar a desigualdade, de trazer algum tipo de bem-estar para a sociedade, para a educação e local de trabalho. Do contrário, se a nação for a mais poderosa e mais rica, mas todos são pobres, qual o sentido? E se temos mais consideração pelos outros, não prejudicaremos o planeta que temos; e no ritmo atual, não temos três planetas para continuar dessa maneira.

Nos contrafortes do Himalaia
Nos contrafortes do Himalaia

Por isso a pergunta é: tudo bem, o altruísmo é a resposta, isso não é novidade, mas pode ser uma solução real, pragmática? E primeiro, ele existe, o verdadeiro altruísmo, ou somos egoístas demais? Alguns filósofos pensavam que éramos irremediavelmente egoístas. Mas somos realmente todos sacanas? Isso é uma boa notícia, não é? Muitos filósofos, como Hobbes, falaram isso. Mas nem todos parecem sacanas. Ou o homem é como um lobo para o homem? Este cara não parece tão mal. É um dos meus amigos do Tibete. É muito gentil. Agora, nós adoramos cooperação. Não há prazer maior do que trabalhar juntos, certo? E não só os humanos. Então, claro, há a luta pela vida, a sobrevivência do mais apto, o darwinismo social. Mas na evolução, a cooperação - embora a competição exista, claro - a cooperação deve ser bem mais criativa para ir a níveis altos de complexidade. Somos supercooperadores e deveríamos ir mais além.
E agora, no topo disso, a qualidade das relações humanas. A OCDE fez uma pesquisa com dez fatores, incluindo a renda, tudo. O primeiro que as pessoas disseram ser o principal para sua felicidade é a qualidade das relações sociais. Não só dos humanos. Vejam essas bisavós. E a ideia de que se nos aprofundamos em nosso interior, somos irremediavelmente egoístas, isto é ciência fajuta. Não há nenhum estudo sociológico, nem psicológico, que tenha mostrado isso. Ao contrário. Meu amigo, Daniel Batson, passou a vida toda pondo pessoas no laboratório em situações muito complexas. Claro, às vezes somos egoístas, e algumas pessoas mais do que outras. Mas ele descobriu que sistematicamente, independente de tudo, há um número significativo de pessoas que se comportam de maneira altruísta, independentemente de tudo. Se você vê alguém profundamente ferido, sofrendo muito, você pode querer ajudá-lo por angústia empática - você não pode suportar, então é melhor ajudar que continuar olhando essa pessoa. Testamos isso e, ao final, ele diz que claramente podemos ser altruístas. Essa é uma boa notícia. E ainda mais, devemos olhar a banalidade da bondade. Vejam isto. Ao sairmos não diremos: “Isso é tão agradável! Não houve brigas enquanto essa multidão pensava em altruísmo”. Não, isso é esperado, não é? Se houvesse uma briga, falaríamos nisso durante meses. Portanto, a banalidade da bondade é algo que não chama a atenção, mas ela existe!

Danças folclóricas do Tibete
Danças folclóricas do Tibete

Vejamos isto. Alguns psicólogos disseram, quando contei que dirijo 140 projetos humanitários no Himalaia, que isso me dá tanta alegria, disseram: “Ah, entendo, você trabalha pelo prazer. Isso não é altruísmo. Simplesmente você se sente bem”. Pensam que este cara, ao saltar na frente do trem, pensou: “Vou me sentir ótimo quando isto acabar”? (Risos) Mas isso não é tudo. Quando o entrevistaram ele disse: “Não tive escolha, tinha que saltar, claro”. Não tinha escolha. Comportamento automático. Não é egoísta nem altruísta. Não teve escolha? Bem, pressupõe-se, esse cara não ia pensar por meia hora: “Deveria dar a mão a ele? Não dar a mão?” Ele o faz. Há escolha, mas é óbvia, imediata. E então, também ali, ele teve uma opção. (Risos)
Há pessoas que tiveram opção, como o pastor André Trocmé e sua esposa, e todo o povo de Le Chambon-sur-Lignon, na França. Em toda a Segunda Guerra Mundial, eles salvaram 3.500 judeus, deram refúgio a eles, levaram todos para a Suíça, contra toda a dificuldade, arriscando suas vidas e de suas famílias. Portanto, o altruísmo existe.

Dois monges meditam às margens do rio Tsang Po, no Tibete
Dois monges meditam às margens do rio Tsang Po, no Tibete

O que é altruísmo? É o desejo de que o outro seja feliz e encontre a causa da felicidade. A empatia é a ressonância afetiva ou a ressonância cognitiva que nos diz: essa pessoa está feliz, essa pessoa sofre. Mas a empatia por si só não é suficiente. Se você se confronta sempre com o sofrimento, pode sentir angústia empática, estresse, por isso você precisa de um âmbito maior de bondade. Com Tania Singer do Instituto Max Planck, em Leipzig, demonstramos que as redes cerebrais da empatia e bondade são diferentes. É tudo muito bem feito, então temos isso da evolução, do cuidado materno, do amor dos pais, mas temos que estender isso. Isso pode estender-se inclusive a outras espécies.
Se queremos uma sociedade mais altruísta, precisamos de duas coisas: mudança individual e mudança social. É possível a mudança individual? Dois mil anos de estudo contemplativo disseram que sim, que é. E 15 anos de colaboração com a neurociência e a epigenética disseram que sim, que nosso cérebro muda quando se treina o altruísmo. Passei 120 horas numa máquina de ressonância magnética. Essa foi a primeira vez, por duas horas e meia. O resultado foi publicado em muitos trabalhos científicos Mostra, sem dúvidas, que há uma mudança estrutural e funcional no cérebro, quando se treina o amor altruísta. Só para vocês terem uma ideia: aqui está o meditador em repouso, à esquerda, fazendo meditação de compaixão, vemos toda a atividade, e o grupo de controle em repouso, nada aconteceu, em meditação, nada aconteceu. Eles não foram treinados.

A caminho do Monte Kailash, a montanha mais sagrada do Tibete
A caminho do Monte Kailash, a montanha mais sagrada do Tibete

Então são necessárias 50 mil horas de meditação? Não. Quatro semanas, 20 minutos por dia de meditação afetiva, consciente, já gera uma mudança estrutural no cérebro, comparado ao grupo controle. Apenas 20 minutos ao dia, por 4 semanas.
Mesmo com crianças de pré-escola. Richard Davidson fez isso em Madison. Um programa de oito semanas: gratidão, gentileza, cooperação, respiração. Podem dizer: “São só crianças de pré-escola”. Vejam após oito semanas, o comportamento pró-social, nessa linha azul. E a seguir o último teste científico, o teste do adesivo. Antes, você determina para cada criança quem é o melhor amigo da classe, o menos favorito, o desconhecido, e uma criança doente, e eles têm que dar os adesivos. Antes da intervenção, eles dão a maioria dos adesivos para o melhor amigo. Crianças de 4, 5 anos, 20 minutos, 3 vezes por semana. Depois da intervenção, mais nenhuma discriminação: o mesmo número de adesivos ao melhor amigo e à criança menos favorita. Isso é algo que devíamos fazer em todas as escolas do mundo.

Meninos tibetanos posam para o fotógrafo
Meninos tibetanos posam para o fotógrafo

Para onde vamos a partir daí? Quando o Dalai Lama soube, disse a Richard Davidson: “Vá a 10 escolas, 100 escolas, à ONU, ao mundo todo”.
E, para onde vamos a partir daí? A mudança individual é possível. Temos que esperar por um gene altruísta na raça humana? Isso levará 50 mil anos, demais para o meio ambiente. Felizmente, existe a evolução da cultura. As culturas, como especialistas mostram, mudam mais rápido que os genes. Essa é a boa notícia. O comportamento relacionado à guerra mudou drasticamente com o tempo. A mudança individual e cultural se moldam mutuamente, e sim, podemos alcançar uma sociedade mais altruísta.
Para onde vamos a partir daí? Eu voltarei ao Oriente. Agora tratamos 100 mil pacientes ao ano em nossos projetos. Temos 25 mil crianças na escola, 4% a mais. Algumas pessoas dizem: "Isso funciona na prática, mas funciona na teoria?” Sempre há o desvio positivo. Então também voltarei à minha ermida para encontrar os recursos internos para servir melhor aos outros.

Mosteiro budista como ninho de águia, encravado na encosta da montanha
Mosteiro budista como ninho de águia, encravado na encosta da montanha

Mas a nível mais global, o que podemos fazer? Precisamos de três coisas. Aumentar a cooperação: aprendizagem cooperativa na escola, em vez de aprendizagem competitiva; cooperação incondicional dentro das empresas, pode existir certa competição entre empresas, mas não dentro delas. Precisamos de harmonia sustentável. Adoro esse termo! Nada de crescimento sustentável. Harmonia sustentável significa que agora reduziremos a desigualdade. No futuro, faremos mais com menos, continuaremos crescendo qualitativamente, não quantitativamente. Precisamos da economia solidária. O Homo economicus não pode lidar com a pobreza em meio a abundância, não pode lidar com o problema dos bens comuns da atmosfera, dos oceanos. Precisamos da economia solidária. Se um diz que a economia deve ser compassiva, dizem: “Não é trabalho nosso.” Mas se você diz que eles não se importam, isso é mal visto. Precisamos de compromisso local, e responsabilidade global. Precisamos estender o altruísmo ao outro 1,6 milhão de espécies. Os seres sencientes são cocidadãos neste mundo. E temos que nos atrever ao altruísmo.
Portanto, vida longa à revolução altruísta! Viva a revolução de altruísmo!
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FHC nega desejo tucano de privatizar Petrobras (O Povo brasileiro quem defende a democracia. Privatizar a Petrobras NUNCA! O Petróleo é nosso e patrimônio Nacional do povo Brasileiro.)

 

O Povo brasileiro quem defende a democracia. Privatizar a Petrobras NUNCA! O Petróleo é nosso e patrimônio Nacional do povo Brasileiro.
Dulce.

FHC nega desejo tucano de privatizar Petrobras

Karime Xavier: SÃO PAULO, SP - 20.05.2013: FHC/PALESTRA/EXECUTIVOS/SP - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dá palestra para executivos da Thomson Reuters no hotel Unique, na avenida Brigadeiro Luís Antônio, na zona sul da capital paulista, nesta segunda-feira. (F
"Por que Lula, em lugar de se erguer ao patamar que a história requer, insiste em esbravejar, como fez ao final de fevereiro, dizendo que colocará nas ruas as hostes do MST (pior, ele falou nos “exércitos”...) para defender o que ninguém ataca, a democracia e — incrível — para salvar a Petrobras de uma privatização que tucano algum deseja?", questiona o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo publicado neste fim de semana; no entanto, em entrevista concedido nesta semana, o senador José Serra (PSDB-SP) afirmou que seu modelo para a Petrobras consiste na divisão da companhia em várias empresas e na venda de ativos que não seriam estratégicos, ou seja, a privatização parcial da empresa; Serra não é tucano?
1 de Março de 2015 às 08:54

247 - Dias depois de o senador José Serra (PSDB-SP) defender a privatização parcial da Petrobras, com a venda de ativos não estratégicos (leia mais aqui), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso negou que esta seja a intenção do PSDB. Confira, abaixo, seu artigo mensal:
A miséria da política
Será que a lógica do marquetismo eleitoral continuará a guiar os passos da presidente e do seu partido?
Por Fernando Henrique Cardoso
Otimista por temperamento com os necessários freios que o realismo impõe raramente me deixo abater pelo desalento. Confesso que hoje, no entanto, quase desanimei: que dizer, que recado dar diante (valham-me os clássicos) de tanto horror perante os céus?
Na procura de alento, pensei em escrever sobre situações de outros países. Passei o carnaval em Cuba, país que visitava pela terceira vez: a primeira, na década de 1980, quando era senador. Fui jurado em um prêmio Casa de las Américas.
Voltei à Ilha como presidente da República. Vi menos do povo e dos costumes do que na vez anterior: o circuito oficial é bom para conhecer outras realidades, não as da sociedade. Agora visitei Cuba como cidadão comum, sem seguranças, nem salamaleques oficiais. Fui para descansar e para admirar Havana, antes que o novo momento econômico de relações com os Estado Unidos a modifique muito.
Não fui, portanto, para avaliar a situação política (sequer possível em sete dias) nem para me espantar com o já sabido, de bom e de mau, que lá existe. Não caberia, portanto, regressar e fazer críticas ao que não olhei com maior profundidade.
Os únicos contatos mais formais que tive foram com Roberto Retamar (poeta e diretor da referida Casa de las Américas), com o jornalista Ciro Bianchi e com o conhecido romancista Leonardo Padura.
Seu livro “El Hombre que amaba los perros”, sobre a perseguição a Trotski em seu exílio da União Soviética, é uma admirável novela histórica. Rigorosa nos detalhes, aguda nas críticas, pode ser lida como um livro policial, especialidade do autor, que, no caso, reconstitui as desventuras do líder revolucionário e o monstruoso assassinato feito a mando de Stálin.
Jantei com os três cubanos e suas companheiras. Por que ressalto o fato, de resto trivial? Porque, embora ocupando posições distintas no espectro político da Ilha, mantiveram uma conversa cordial sobre os temas políticos e sociais que iam surgindo.
A diversidade de posições políticas não tornava o diálogo impossível. Eles próprios não se classificavam, suponho, em termos de “nós” e “eles”, os bons e os maus.
Por outra parte, ainda que o cotidiano dos cubanos seja de restrições econômicas que limitam as possibilidades de bem-estar, em todos os populares com quem conversei, senti esperanças de que no futuro estariam melhores: o fim eventual do embargo, o fluxo de turistas, a liberdade maior de ir e vir, as remessas aumentadas de dinheiro dos cubanos da diáspora, tudo isso criou um horizonte mais desanuviado.
É certo que nem em todos os contatos mais recentes que tive com pessoas de nossa região senti o mesmo ânimo. Antes de viajar, recebi a ligação telefônica da mãe de Leopoldo Lopes, oposicionista venezuelano que cumpriu um ano de cadeia no dia 18 de fevereiro.
Ponderada e firme, a senhora me pediu que os brasileiros façamos algo para evitar a continuidade do arbítrio. Ainda mantém esperanças de que, ademais dos protestos no Congresso e na mídia, alguém do governo entenda nosso papel histórico e grite pela liberdade e pela democracia.
Esta semana foi a vez de Enrique Capriles me telefonar para pedir solidariedade diante de novos atos de arbítrio e truculência em seu país: o prefeito Antonio Ledezma, eleito ao governo do Distrito Metropolitano de Caracas pelo voto popular, havia sido preso dias antes em pleno exercício de suas funções.
Não bastasse, em seguida houve a invasão de vários diretórios de um partido oposicionista. Note-se, como me disse Capriles, que Ledezma não é um político exaltado, que faz propostas tresloucadas: ele, como muitos, deseja apenas manter viva a chama democrática e mudar pela pressão popular, não pelas armas, o nefasto governo de Nicolás Maduro. Esperamos todos que o desrespeito aos direitos humanos provoque reações de repúdio ao que acontece na Venezuela.
Até mesmo os colombianos, depois de meio século de luta armada, vão construindo veredas para a pacificação. As Farc e o governo vêm há meses, lenta, penosa mas esperançadamente abrindo frestas por onde possa passar um futuro melhor.
Amanhã, segunda-feira, 2 de março, o presidente Santos e outras personalidades, entre as quais Felipe González, estarão reunidos em Madri num encontro promovido por “El País” ( ao qual não comparecerei por motivos de força maior) para reafirmar a fé na paz colombiana.
Enquanto isso, nós que estamos longe de sofrer as restrições econômicas que maltratam o povo cubano ou os arbítrios de poder que machucam os venezuelanos, eles também submetidos à escassez de muitos produtos e serviços, nos afogamos em copo d’água.
Por que isso, diante de uma situação infinitamente menos complexa? Por que Lula, em lugar de se erguer ao patamar que a história requer, insiste em esbravejar, como fez ao final de fevereiro, dizendo que colocará nas ruas as hostes do MST (pior, ele falou nos “exércitos”...) para defender o que ninguém ataca, a democracia e — incrível — para salvar a Petrobras de uma privatização que tucano algum deseja?
Por que a presidente Dilma deu-se ao ridículo de fazer declarações atribuindo a mim a culpa do petrolão? Não sabem ambos que quem está arruinando a Petrobras (espero que passageiramente) é o PT que, no afã de manter o poder, criou tubulações entre os cofres da estatal e sua tesouraria?
Será que a lógica do marquetismo eleitoral continuará a guiar os passos da presidente e de seu partido? Não percebem que a situação nacional requer novos consensos, que não significam adesão ao governo, mas viabilidade para o Brasil não perder suas oportunidades históricas?
Confesso que tenho dúvidas se o sentimento nacional, o interesse popular, serão suficientes para dar maior têmpera e grandeza a tais líderes, mesmo diante das circunstâncias potencialmente dramáticas das quais nos aproximamos. Num momento que exigiria grandeza, o que se vê é a miséria da política.
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La investigación judicial. Analizan si hubo hackeos a las PC y los celulares de Nisman luego de su muerte

Analizan si hubo hackeos a las PC y los celulares de Nisman luego de su muerte

Hay registros de llamadas del 19 de enero desde teléfonos a nombre de Nisman.

Analizan si hubo hackeos a las PC y los celulares de Nisman luego de su muerte

La investigación judicial.
La familia pidió que se determine si alguien accedió de forma remota a la información que guardaba el fiscal en esos aparatos. Hay registros de llamadas del 19 de enero desde teléfonos a nombre de Nisman.
Cuando Sara Garfunkel entró al departamento de su hijo, el fiscal Alberto Nisman, encontró todo cerrado, la mesa del comedor tapada de carpetas apiladas y una computadora con la pantalla encendida en el cuarto de sus hijas. Así lo relató en su declaración ante la fiscal Viviana Fein. Así lo destacó la jueza Fabiana Palmaghini. Mañana comienza el peritaje de las computadoras y los teléfonos del fiscal y pese a las trabas que puso Fein, los peritos analizarán si alguien pudo acceder a esos artefactos de forma remota. Para la familia la pista para conocer que pasó con Nisman está en la información que manejaba.Cuatro días antes de morir, Nisman había denunciado a Cristina Kirchner por presunto encubrimiento en la causa AMIA. El fiscal trabajaba en esa presentación desde hacía meses y siempre llevaba el material de trabajo a su casa. Sus secretarios letrados, Soledad Castro y Walter Vargas lo sabían. También conocían de las copias digitales y los back up que Nisman realizaba en sus computadoras periódicamente.
“Soledad me hace saber su inquietud por comunicarse con la fiscal de turno porque quería ponerla al tanto porque Alberto tenía documentación de carácter reservado en su casa”, le contó Vargas a la fiscal Fein en su declaración el 28 de enero, y antes de terminar, dijo que le generó “una inquietud significativa” ver cómo entraba y salía personal policial “sin haber nadie en el lugar que preserve donde se había producido el suceso”.
Pero no son tanto esas carpetas, secuestradas como prueba, las que llaman la atención de los peritos designados por Sandra Arroyo Salgado, jueza federal y ex mujer de Nisman. Lo que quieren saber los peritos es si alguien pudo haber tomado información de los dispositivos tecnológicos de Nisman sin su autorización.
El 23 de febrero, el representante letrado de Arroyo Salgado y Garfunkel, Germán Carlevaro, presentó un pedido de nulidad al peritaje tecnológico después que la fiscal Fein rechazara el pedido de puntos de peritaje a la querella por considerar que “tales pruebas no aportarían dato alguno de interés en lo concerniente al esclarecimiento del hecho que nos ocupa”.
Lo que la querella quería averiguar y que hará a partir de mañana, puesto que tras la presentación se autorizaron las pruebas, es determinar la hora y fecha de encendido de la computadora y “la existencia de programas de acceso remoto, así como también identificar contenedores de almacenamiento en la nube que pueden contener registros informáticos de interés en las fechas solicitadas”.
En su argumentación, Arroyo Salgado recuerda que en su declaración, el asesor informático de Nisman, Diego Lagomarsino, contó que asistía al fiscal en la realización de back up y también con problemas de su computadora y precisó que en muchos casos lo hacía de forma remota accediendo a la computadora del fiscal a través de “Teamviewer”. Así como Lagormasino lograba acceder, entiende la querella, también podría haberlo hecho alguna otra persona.
Del departamento de Nisman, la justicia se llevó al menos cinco computadoras, dos teléfonos celulares y una cámara de fotos que guardaba en su mesa de luz.
En su declaración ante la fiscal Fein, la testigo Natalia Fernández, reiteró lo que antes había dicho a los medios, que un policía se acercó al living donde ella estaba, con un teléfono celular sostenido con su mano enguantada, pidió que nadie lo tocara porque era de Nisman y lo dejó sobre la mesa ratona. Natalia contó que llegó una chica de Prefectura y “vio que el teléfono no paraba de vibrar, el que habían dicho que era de Nisman. Esa chica lo agarró y lo tocó como para desbloquearlo, le pasa la mano”.
El oficial policial de criminalística Nicolás Vega Laiun, también habló del celular al que se refirió Natalia, pero dijo que no percibió que el polvo que él había colocado sobre el mismo para levantar las huellas hubiera sido corrido.
No se sabe qué línea de móvil es la que responde a ese aparato sobre el que hablaron la testigo y el perito. Nisman tenía varios celulares de distintas empresas, además de dos líneas fijas. Según consta en los registros de la compañía de celular Claro, uno de esos teléfonos tiene característica de Córdoba y tuvo llamadas y conexiones móviles hasta el 22 de enero, cuatro días después de la muerte del fiscal.
También el móvil con el que Nisman se comunicó los últimos días con sus secretarias y desde el que llamó apenas arribó a Ezeiza el 12 de enero, registra movimientos después de su muerte. Estos movimientos, sin embargo, podrían explicarse por el uso automático del paquete de datos por el ingreso de mails e información.

Vanoli se quedó dormido y en Twitter explotaron las cargadas


Cristina: "Hemos desendeudado definitivamente a la Argentina" Video Así llegó la Presidenta al Congreso y bailó para la Plaza En Montevideo. Abuchearon a Amado Boudou en Uruguay Tras el fallo de Rafecas Luis D'Elía llegó exultante a la plaza

Cristina: "Hemos desendeudado definitivamente a la Argentina"

La Presidenta habla ante la Asamblea Legislativa. Se prevén anuncios en materia económica, fuertes críticas al Poder Judicial y un balance de la gestión. Empezó citando un tuit de un periodista del Financial Times.

Video Así llegó la Presidenta al Congreso y bailó para la Plaza

Minutos después de aterrizar en Casa Rosada con su helicóptero, arribó al Palacio para dar su último discurso en el poder.
Cristina llega al Congreso.

En Montevideo. Abuchearon a Amado Boudou en Uruguay

El vicepresidente participó del traspaso de mando entre Tabaré Vázquez y José "Pepe" Mujica. Cristina lo mandó para que represente al país.
El vicepresidente Amado Boudou en la asunción de Tabaré Vázquez. (Twitter: @CaroBellocq)
Diego Díaz

En el Congreso, Cristina brinda su último discurso como Presidenta

Apertura de sesiones ordinarias
La Presidenta llegó pasadas las 12, en medio de una fuerte movilización de militantes kirchneristas. La primera parte la dedicado a temas económicos y a destacar la gestión de Aerolíneas Argentinas.
Cristina Kirchner llegó puntual al Congreso, para pronunciar su último discurso de apertura de las sesiones ordinarias, en medio de una gran movilización kirchnerista en las inmediaciones.
A las 11.30 sonaron las estrofas del Himno Nacional y Gerardo Zamora, presidente provisional del Senado en reemplazo de Amado Boudou, dio lectura del decreto de apertura de las sesiones.

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La Presidenta arribó en helicóptero a las 12 puntual, detrás de la Casa Rosada. Allí se subió a un auto oficial y partió rumbo al Congreso por la avenida de Mayo, saludando a la multitud que la esperaba a lo largo del vallado dispuesto en el trayecto hacia el Congreso.
A su llegada al Congreso, fue recibida en las escalinatas por el titular de la Cámara de Diputados, Julián Domínguez, quien la acompañó en su ingreso al recinto donde fue recibida con una ovación, por parte de los militantes que estaban dentro.
"Quiero felicitar a todos los argentinos y al equipo económico de mi Gobierno, que supo y me ayudó a llevar la dura tarea de remontar todas las expectativas que se habían volcado, yo digo tirado casi sobre todos los argentinos, en cuanto a lo que iba a ser el año 2014 para todos nosotros, en el cual nos auguraban catástrofes financieras asusadas por los buitres que desde Nueva York intentaron trabar la gestyión de Gobierno, el funcionamiento de la economía argentina y apoyados internamente, porque siempre en toda nuestra historia nuestros fracasos no pueden ser todo desde afuera", afirmó, en referencia a la negociación con los fondos buitre y con las primeras críticas a la oposición.

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El tema económico fue el primero de los puntos que tocó en su discurso: "Podemos decir que nuestro país, tu país, es el único país que ha descendido en forma negativa su deuda externa en todo el mundo". "Hemos desendudado definitivamente a la República Argentina", afirmó. Y agregó que la deuda es de 9,7% del PBI.
En este marco, la mandataria resaltó el récord de turismo del último verano: "Este verano, entonces, el turismo explotó lilteralmente. Y veíamos los titulares de los diarios, radios, televisión, todos sorprendidos de la cantidad de millones de argentinos que hicieron explotar batiendo el récord de turismo interno".
Allí destacó a Aerolíneas Argentinas, la línea aérea de bandera dirigida por el camporista Mariano Recalde, quien seguía con atención las palabras desde los balcones del recinto. "No nos molesta que los argentinos viajena al exterior, lo que queremos es que viajen por Aerolíneas Argentinas", dijo, al tiempo que leía los nuevos destinos de cabotaje y al exterior.

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Luego, continuó destacando los logros de su gestión en el sistema previsional: "Los jubilados ganaban 150 pesos, 25 aumentos del año 2003 a la fecha, 25 por 25 ¿por qué digo? Casi 25 veces, 2448% aumentó la jubilación mínima de 150 pesos al último aumento registrado que fue el más alto de 2014 para llegar a 381%". Mientras, destacó el aumentó del 135% de las sentencias resueltas por ANSES.
"Un sentido de justicia y equidad para poder ayudar a las familias que no tienen salario, tienen trabajo informal y no les alcanza o que no han encontrado trabajo o no tienen trabajo permanente, desde la creación en 2009 de la Asignación Universal por Hijo", contó la Presidenta y luego leyó el reconocimiento del Banco Mundial, la Organización Internacional del Trabajo y otros organismos sobre la asignación, porque sino "uno podría estar como la abuela elogiándose de las políticas que ha llevado a cabo", sentenció irónicamente.
Luego de más de una hora y media de discurso, la jefa de Estado continúa resaltando las poíticas llevadas adelante por su Gobierno, destacando "la inclusión social" y la "redistribución de la riqueza".
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La responsabilidad moral de Putin Moscú ve un "intento de desestabilización" en el crimen de Nemtsov más información El opositor Borís Nemtsov, asesinado a tiros en el centro de Moscú Entrevista: "Rusia está amenazada por burócratas corruptos" Putin impone su ley en Ucrania Moscú ve en la muerte de Nemtsov un “intento de desestabilización”

La responsabilidad moral de Putin

El Kremlin es responsable del clima de agresividad hacia políticos de corte occidental como Boris Nemtsov
Juan Manuel Santos, durante la entrevista. / CÉSAR CARRIÓN / EL PAIS TV
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ANÁLISIS

La responsabilidad moral de Putin

El Kremlin es responsable del clima de agresividad hacia políticos de corte occidental como Nemtsov


Una figura de oposición destacada es asesinada en Rusia y el Kremlin se mira al espejo para ver si su sangre ha salpicado al líder del Estado y ha mancillado su índice de popularidad. Así fue en 2006 cuando acribillaron a la periodista Anna Politkóvskaia y así ha sucedido de nuevo tras el atentado que ha segado la vida de Borís Nemtsov. Ambos se oponían con vehemencia a la guerra, en el caso de Politkóvskaya, en Chechenia, y en el de Nemtsov, primero en el Cáucaso y ahora en Ucrania.
Las teorías de la conspiración, de distinto nivel de complejidad, son parte de la cultura política rusa y, en ese contexto, hay base para afirmar que el Kremlin está detrás de la muerte de Nemtsov, que criticaba al presidente Vladímir Putin y se disponía a revelar datos sobre la ayuda militar de Moscú a la guerra en Ucrania. En este contexto, también cabe decir que Putin era el menos interesado en que su oponente cayera abatido junto al Kremlin. Tras la muerte de Politkóvskaya, los amantes de la conspiración se dividieron, siguiendo esa lógica, en dos grupos: para unos, Putin era el menos interesado en que Politkóvskaya fuera acribillada justamente el día de su cumpleaños, el 7 de octubre; y para otros, la fecha había sido elegida adrede por quienes querían ofrecerle un regalo-sacrificio.
Conspiraciones al margen, la cuestión clave es si se dan hoy en Rusia las condiciones institucionales y políticas para descubrir la verdad o si las pistas del terror se extraviarán de nuevo en expedientes y archivos. Lo que sí es posible afirmar ya es que el Kremlin, como mínimo, tiene responsabilidad moral y política por el clima reinante en Rusia de agresividad hacia Occidente y hacia los políticos de corte occidental, como era Nemtsov. Este clima es aventado por las televisiones estatales, con su vitriólica propaganda que presenta a Occidente como el portador de todas las lacras y que siembra el odio en las mentes ofuscadas, es un caldo de cultivo que propicia la violencia y muertes como la de Nemtsov. Si esto continúa, no hay que descartar la aparición de formas locales de violencia a la usanza del Estado Islámico.
Las autoridades rusas tratan de unir a sus ciudadanos en nombre de una idea del Estado que parece arcaica en Occidente. El Kremlin adopta actitudes de defensa y ataque, pero no sabe conectar con la sociedad entendida como un conjunto de ciudadanos individuales portadores de derechos.
Cuando Politkóvskaya fue asesinada, Putin tuvo que vérselas en Alemania con manifestantes que le trataban de “asesino”. A preguntas de los periodistas, el líder reconoció que Politkóvskaya era “muy crítica”, pero calificó de “insignificante su grado de influencia” sobre la política de Rusia. La muerte de Politkóvskaya, dijo, “resulta más perjudicial para las autoridades que criticaba” que “todas sus publicaciones”.
En el caso de Nemtsov, el secretario de prensa de Putin, Dmitri Peskov, afirmó que el “monstruoso crimen tiene todos los síntomas de haber sido encargado y se parece bastante a una gran provocación”. Preguntado si el caso podía incidir en el índice de popularidad de Putin, Peskov dijo que “con todos los respetos por la memoria de Borís Nemtsov”, éste no suponía “ninguna amenaza” para el presidente. “Si comparamos el nivel de popularidad, los índices de Putin y del Gobierno en su conjunto, Borís Nemtsov estaría sólo un poco más arriba que un ciudadano medio”, dijo.
Ante el aluvión de mentiras generado por la política oficial, las promesas oficiales de impulsar una investigación seria son recibidas con escepticismo por quienes desearían que el Kremlin deje de cultivar las bajas pasiones de la sociedad.
Entre los líderes de la oposición, Nemtsov fue tal vez el más atrevido y el más capaz de despertar simpatía, pese a sus fallos o justamente por ellos, pues nada de lo humano le era ajeno. Curtido en la agitada década de los noventa, el político liberal colaboraba con el carismático Alexéi Navalni y otras figuras como el exjefe de Gobierno, Mijaíl Kasiánov, o el exvicejefe de la Duma, Vladímir Rizhkov. Sin embargo, la oposición a Putin es débil, en parte porque el Kremlin la ahoga, al recortarle las libertades y derechos, pero también porque los liberales no han sabido encauzar los sentimientos positivos de la sociedad, hoy eclipsados por la frustración, el recelo y la venganza.
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Radiografía de la brecha social en españa » La desigualdad social obliga a los partidos a redefinir sus prioridades fotográficoLa desigualdad en cifras

La desigualdad social obliga a los partidos a redefinir sus prioridades

Javier Ayuso Madrid
El 1% de la población española tiene el 27% de la riqueza y el 10% acapara el 55%. Tras 7 años de crisis, la pobreza, y la precariedad laboral irrumpen en los discursos de los partidos en año electoral
  • fotográficoLa desigualdad en cifras

    Cómo cerrar la brecha

    La emergencia social por paro, pobreza y exclusión obliga a los partidos a asumir como prioridad la lucha contra la desigualdad


    Centro de asistencia Pinar de San José, en Madrid, en febrero. / B. Pérez
    Esta es una historia triste, de exclusión, pobreza, paro, precariedad laboral…, de desigualdad, en definitiva. La historia empezó a agravarse en 2008 y se disparó entre 2010 y 2014, por la crisis económica y los recortes sociales, pero llevaba muchos años instalada en la sociedad española, escondida tras la borrachera provocada por la bonanza económica, la burbuja inmobiliaria y el consumo disparado a golpe de crédito. La pobreza existía en España en las ciudades, en los pueblos y en las aldeas, pero no nos dábamos cuenta a pesar de los avisos de organizaciones humanitarias como Cáritas, Intermón-Oxfam o Cruz Roja. Los pobres eran invisibles. Además, pensábamos que era solo cosa de inmigrantes. Estábamos muy ocupados disfrutando de unos años boyantes y los políticos habían dejado de pisar la calle, para gobernar desde la moqueta y el coche oficial.
    Mientras tanto, las calles se llenaban de personas sin techo que dormían en soportales o túneles, los comedores sociales no daban abasto y las familias iban acabando con su hucha y no podían ya ser la red de apoyo de sus hijos, hermanos o nietos que dejaron de cobrar las prestaciones sociales.
    Pero en el año con más citas electorales desde que estrenamos democracia (andaluzas, autonómicas, locales, catalanas y generales), los partidos políticos parece que se han dado cuenta de la gravedad de la situación y empiezan a incluir en sus programas preelectorales diversas medidas para atajar la situación. Son conscientes de que, ante este panorama de auténtica emergencia nacional, o proponen cambios de peso en la política económica y social o se exponen a una revolución. Incluso en el debate sobre el estado de la nación de esta semana la desigualdad ha sido uno de los asuntos más citados.
    No es para menos. Ahí van algunos datos que pueden definir la situación de auténtica emergencia social que vive España: » Una de cada cuatro personas que quieren trabajar está en paro.
    » Uno de cada tres parados no cobra prestación alguna.
    » Uno de cada dos jóvenes no tiene trabajo.
    » 526 personas perdieron su vivienda cada día en 2012, año récord de los desahucios. Ahora son unos 120 diarios.
    » 2,3 millones de niños viven por debajo del umbral de pobreza.
    » 13 millones de personas están en riesgo de pobreza o exclusión social y cinco millones se encuentran en situación de exclusión severa.
    » 1,3 millones de personas recibieron en 2014 la ayuda básica de emergencia de Cáritas, tres veces más que en 2007. Y 2,5 millones de personas fueron atendidas por esta organización por distintos motivos.
    » España suspende, con un 4,85 sobre 10, en el índice de justicia social de la Unión Europea.
    » El 1% de la población española tiene el 27% de la riqueza y el 10% acapara más del 55%.
    » Tres comunidades autónomas tienen un 30% de su población en riesgo de pobreza, y otras dos, el 25%.
    Con esos titulares, no es de extrañar que los políticos se hayan dado cuenta de que no pueden ni plantearse una campaña electoral sin ofrecer por lo menos un poco de esperanza a los ciudadanos más golpeados por la crisis. Otra cosa es que esa famélica legión les crea, porque buena parte de la desafección de los españoles hacia los políticos y las instituciones viene del empobrecimiento que ha causado la crisis económica y los recortes sociales llevados a cabo en los últimos cinco años.
    Los primeros en recordar la desigualdad social, económica y territorial que existe en España fueron los representantes de Izquierda Unida (IU). La verdad es que nunca han dejado de ondear esa bandera, sobre todo desde el famoso 10 de mayo de 2010 en que el Gobierno de José Luis Rodríguez Zapatero dio un volantazo a su política económica, forzado por la Unión Europea, iniciando una política de recortes sociales que luego fue multiplicada por el Gobierno de Mariano Rajoy. IU ha sido la fuerza política que más se ha enfrentado a la política de austeridad promovida por el eje Bruselas-Fráncfort.
    Luego apareció en el escenario político Podemos, formado por militantes de la izquierda anticapitalista que se hicieron mayores con el chavismo; un partido que formuló grandes promesas de política social en los pasados comicios al Parlamento Europeo, consiguiendo enormes réditos electorales. Al poco tiempo se dieron cuenta de que sus recetas para luchar contra la desigualdad eran imposibles de cumplir (sobre todo la llamada renta básica universal) y las devaluaron notablemente, pero no cabe duda de que su irrupción en la política (y sobre todo las previsiones de las encuestas) ha agitado las conciencias de los partidos de izquierda y de centro izquierda.
    El 1% de la población española tiene el 27% de la riqueza y el 10% acapara más del 55%
    El PSOE de Pedro Sánchez ha sido uno de los partidos que más ha pisado el acelerador en los últimos meses en busca de propuestas que corrijan la brecha creciente de desigualdad en España. Tal vez por la presión de IU y de Podemos, por los resultados de las encuestas o sencillamente porque han considerado que sus siglas exigen una apuesta seria por una de las señas de identidad de la socialdemocracia: la igualdad de oportunidades. En esa línea, Sánchez ha llegado a proponer hasta la modificación del artículo 135 de la Constitución, relativo al equilibrio presupuestario, que se aprobó en la anterior legislatura por consenso entre su partido, que entonces gobernaba, y el PP. Además, desde hace meses el aparato del PSOE no para de producir papeles sobre desigualdad, y el propio Sánchez ha viajado este fin de semana a Brasil a preguntarle al expresidente Lula da Silva cómo consiguió cambiar la tendencia de desigualdad en su país, uno de los más pobres del mundo.
    Ciudadanos ha irrumpido también con fuerza en el panorama de la lucha contra la desigualdad, la pobreza y la precariedad laboral. Lo quisieron dejar muy claro en la presentación, hace dos semanas, de su programa económico. Su competencia con UPyD (partido que desde su nacimiento ha defendido las tesis socialdemócratas y ha hecho innumerables propuestas contra la desigualdad en el Parlamento) les exige un movimiento hacia el centro y no han querido quedarse cortos. Hasta los partidos soberanistas catalanes han hecho un alto en el camino hacia la independencia para centrar sus acciones en la política social.
    ¿Y el PP? El partido del Gobierno mantiene la teoría de que la mejor forma de luchar contra el paro, la pobreza y la desigualdad es recuperar la senda del crecimiento económico (parece que lo ha conseguido, ¡seamos justos!) y que cuando las cifras macroeconómicas empiecen a cuadrar y la creación de empleo alcance una buena velocidad de crucero, la brecha de la desigualdad empezará a cerrarse. Algo cierto solo a medias, porque Estados Unidos, que disfruta de una magnífica posición económica y ha llegado prácticamente al pleno empleo (5,6% de tasa de paro), es uno de los países con mayor desigualdad del mundo. Por si acaso, Mariano Rajoy anunció el martes pasado algunas medidas sociales que pondrá en marcha en los escasos nueves meses que restan para unas elecciones generales en las que tanto el PP como el PSOE se juegan su propia existencia como partidos hegemónicos.
    Entre los detractores de esa filosofía de que para luchar contra la desigualdad hay que fomentar el aumento de la riqueza desde arriba, porque antes o después llegará a todas las capas de la sociedad, está el economista Thomas Piketty. Uno de los escritores más citados de los últimos años con la publicación de su libro El capital en el siglo XXI, en el que desarrolla algunas de las teorías de Karl Marx dos siglos antes. Para Piketty, la desigualdad es una tendencia estructural en la sociedad capitalista, derivada de lo que denomina su fuerza fundamental de divergencia. Lo que viene a decir el economista francés es que cuando el rendimiento del capital es mayor que el propio crecimiento de la economía, la riqueza heredada crece más rápidamente que la producción y la renta y, por lo tanto, aumenta la desigualdad. Y para solucionarlo, propone una drástica reforma fiscal con altos tipos marginales para los ricos, tanto en el impuesto sobre la renta como en el de patrimonio.
    Ahora es posible tener un trabajo precario que no dé para salir
    de ese pozo oscuro de la desigualdad
    Hace menos de un mes, Pedro Sánchez y Pablo Iglesias compitieron por hacerse la foto con el exitoso Piketty cuando vino a presentar su libro a Madrid. Los dos consiguieron sentarse a su lado y abrazar su doctrina con auténtica pasión. Una doctrina que tiene muchos adeptos, pero también detractores. De hecho, los países de la Unión Europea llevan meses debatiendo sobre si las políticas de austeridad llevadas a cabo para estabilizar las cuentas públicas no han causado males mayores sobre la población. Keynesianos y liberales mantienen la discusión en Europa, con los ojos puestos en Estados Unidos, en donde hay toda una escuela de pensamiento que defiende que para luchar contra la pobreza hay que crear riqueza y que es mejor centrarse en el crecimiento económico que en la redistribución y corrección de las desigualdades.
    El director de BBVA Research para España, Rafael Doménech, ha estudiado en profundidad el problema de la desigualdad en España y próximamente publicará un libro sobre el tema con otros profesores de Economía. A su juicio, la desigualdad en España está absolutamente vinculada a dos factores: el desempleo y el capital humano. “Antes de la crisis de 2008”, explica Doménech, “ya había mucha desigualdad encubierta, aunque siempre ha evolucionado en paralelo a la tasa de paro. En estos momentos estamos en una situación muy alta comparada con los países a los que queremos parecernos, especialmente los nórdicos, y en un nivel similar al de Italia o Portugal. De todas formas, es mayor la desigualdad de riqueza que la de rentas”.
    Doménech insiste en que el bajo nivel de capital humano (educación) hace que la desigualdad sea un problema crónico y que “cuando vienen mal dadas, como esta última crisis económica, hay una parte de la sociedad española que lo pasa muy mal. Se han creado dos tipos de colectivos: los insiders del sistema, que son los que tienen un trabajo indefinido, los funcionarios y los pensionistas, que afrontan las crisis con ciertas garantías, y los outsiders, un amplio grupo formado por los parados, los empleados temporales y los precarios”. Es ese segundo grupo el que ha crecido de forma espectacular en los últimos años, formando una masa de pobreza que tardará años en reducirse. Y hay un último grupo de pobres con trabajo. Antes, si se tenía trabajo se salía de la pobreza, pero ahora es posible tener un trabajo precario que no dé para salir de ese pozo oscuro de la desigualdad.
    A su juicio, “recomponer la situación nos va a llevar mucho tiempo porque hay que tomar medidas que solo tienen efectos a medio y largo plazo, como la reforma de la educación, para conseguir unos ciudadanos con habilidades profesionales vinculadas a los nuevos tiempos”. Este economista de BBVA recuerda además el drama que sufren millones de jóvenes españoles que abandonaron sus estudios entre los noventa y los primeros años del nuevo siglo, incentivados por los sueldos que les ofrecían en la construcción en pleno boom inmobiliario (casi siempre en negro), y cuando llegó la crisis se encontraron en la calle, sin prestación por desempleo ni una formación que les permita conseguir un nuevo trabajo.
    En el debate del estado de la nación de esta semana la desigualdad ha sido uno de los asuntos más citados
    “Además de las medidas ex post como los subsidios o las ayudas”, añade Doménech, “hay que plantearse medidas ex ante que ayuden a afrontar el grave problema de la desigualdad desde su propia raíz”. Para lograr el objetivo de mayor equidad fiscal, el papel del Estado es crucial. Además de la mejora del capital humano y la calidad de las instituciones, Rafael Doménech se refiere a medidas fiscales (empezando por la lucha contra el fraude) y reformas estructurales.
    En la misma línea, el economista de Cáritas Guillermo Fernández Maíllo se reafirma en que “la desigualdad no se va a reducir solamente con la recuperación del empleo en España. El problema es más grave y la fractura social viene aumentando desde hace años; antes de que llegara esta última crisis económica”.
    Fernández Maíllo forma parte del equipo que elabora el Informe Foessa sobre exclusión y desarrollo social, que lleva siete años llamando la atención sobre estos problemas. “Cuando lo presentamos por primera vez en 2007”, explica, “el Gobierno socialista ponía nuestros datos en tela de juicio porque decíamos que el 17% de la población española estaba en situación de exclusión social. Hoy, el dato llega hasta el 25%”. Para elaborar este índice, Cáritas trabaja con ocho dimensiones y más de 35 fenómenos sociales diferentes referidos al empleo, el consumo, la vivienda, la salud, el acceso a la política, las redes familiares y sociales, la conflictividad social y la salud. Y estos indicadores muestran que la desigualdad y la exclusión han estado presentes en la sociedad española durante toda la etapa democrática, aunque en los años ochenta se produjera un descenso notable por las políticas sociales desarrolladas por los sucesivos Gobiernos de Felipe González.
    La última crisis económica que estalló en 2008 ha disparado todos los índices de desigualdad, pobreza y exclusión social en España, especialmente por el aumento del desempleo y por los recortes sociales en sanidad y educación. “Hay una generación transversal expulsada del mercado del trabajo y condenada a la exclusión”, dice Fernández Maíllo.
    Inmigrantes encaramados en la valla de Melilla, junto al campo de golf situado al lado de la alambrada. / José Palazón (Prodein)
    Según Cáritas, la crisis está causando un riesgo de falta de cohesión social en España, con consecuencias graves. Este riesgo se fundamenta en el incremento de la desigualdad y de la pobreza, el aumento del paro, el descenso de los sistemas de protección social, el desgaste de los mecanismos de protección familiar, las desigualdades territoriales y la crisis recaudatoria por la economía sumergida y el fraude fiscal. “Todos estos factores unidos”, explica el economista de Cáritas, “han llevado a que la pobreza sea más extensa, más intensa y se pueda llegar a cronificar. Es más extensa porque aumenta el número de personas que viven bajo el umbral de la pobreza, aumenta el número de hogares con todos sus miembros activos en el paro, aumenta la tasa de paro y se multiplica por tres en diez años el número de ejecuciones hipotecarias. Es más intensa porque cae la renta disponible por persona en valor real, cae el umbral de pobreza y aumenta el número de hogares con dificultades para llegar a fin de mes o sencillamente sin ingresos. Y, por último, la pobreza se cronifica, como lo prueba que casi el 50% de las personas que reciben ayudas de nuestra organización lo llevan haciendo tres o más años”.
    Para el célebre autor Thomas Piketty, se trata de una tendencia estructural en la sociedad capitalista
    En definitiva, el paro, el endeudamiento de los hogares y los insuficientes sistemas de protección social han llevado a que la fractura social se siga ampliando, creando importantes problemas para las familias que repercuten especialmente en los niños. “Entrar en la exclusión social es muy fácil y salir es muy difícil, casi imposible”, dice Fernández Maíllo. “Los millones de personas que están en esa situación en estos momentos lo tienen más difícil que en las anteriores crisis”. En cuanto a los niños, el economista defiende que no se debe hablar de pobreza infantil, sino de pobreza de las familias y que en estos momentos “existe un riesgo claro de transmisión intergeneracional de la pobreza, como ya ocurrió en las crisis de los ochenta y los noventa, pero más grave porque este pico de pobreza es más intenso, extenso y crónico”.
    El Informe Foessa enuncia varias propuestas para luchar contra la pobreza y la exclusión: revisar el sistema de garantía de rentas, implementar políticas públicas de ayuda a las familias, lanzar nuevas políticas públicas de creación de empleo y reducción de la pobreza y recuperar los servicios sociales públicos que se han perdido por los recortes llevados a cabo desde 2010.
    Otra organización no gubernamental, Intermón-Oxfam, coincide bastante con Cáritas tanto en el diagnóstico como en las recetas para solucionar el problema. La economista de Oxfam Teresa Cavero explica que “España llegó a esta última crisis con unos niveles de pobreza muy altos, por lo que las consecuencias han sido muy graves. La mezcla de desempleo más recortes sociales ha hecho un daño irreparable en la población, porque cada vez hay más gente con necesidades de ayuda y menos fondos para prestaciones y políticas sociales”.
    Cavero enumera las propuestas para afrontar este problema: “En primer lugar, es imprescindible una nueva política fiscal sostenible, progresiva y equitativa, unida a la lucha contra el fraude y la implantación de la tasa Tobin [impuesto a las transacciones financieras]. En segundo lugar, hay que blindar las políticas sociales para que no puedan volver a reducirse como estos últimos años; hay que garantizar la educación y la sanidad universal y de calidad, recuperar la protección social, garantizar unos ingresos mínimos y lanzar políticas públicas de empleo. Y, por último, reclamamos un auténtico refuerzo democrático de las instituciones”.
    Las propuestas de Cáritas, Intermón y otras ONG parece que han sido escuchadas por los distintos dirigentes políticos, según se desprende de las últimas declaraciones y documentos presentados por el PSOE, IU, Ciudadanos, UPyD y Podemos. Aunque todavía hay que concretar más las propuestas y cuantificarlas. Lo que ya nadie duda, a estas alturas, es que “hemos llegado a un nivel excesivo de desigualdad que no solo es injusto, sino que pone en peligro la democracia”, como decía hace pocas semanas la catedrática de Ética Adela Cortina en una entrevista a este periódico.
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