A alvorada da de-extinção. Você está pronto para conviver com animais ressuscitados?


A alvorada da de-extinção. Você está pronto para conviver com animais ressuscitados?

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Desde os anos da contracultura, na década de 1960, Stewart Brand milita na área da biotecnologia. Agora, ele investe num plano ainda mais ousado: trazer espécies extintas de volta à vida. E não apenas: uma vez ressuscitadas, quer reinseri-las no mundo natural
A rã dourada da Costa Rica (Bufo_periglenes), espécie considerada extinta em 1989, devido à destruição do seu habitat
A rã dourada da Costa Rica (Bufo_periglenes), espécie considerada extinta em 1989, devido à destruição do seu habitat


Vídeo: TED – Ideas Worth Spreading
Tradução: Karina Guzzi. Revisão: Andrea Rojas

Com a biotecnologia crescendo hoje quatro vezes mais rápido do que a própria tecnologia digital, ressuscitar espécies extintas torna-se cada vez mais possível e provável. O biotecnologista Stewart Brand investe pesado na área. Ele pretende não apenas trazer várias espécies extintas de volta, mas também restaurar a presença delas na vida selvagem.
Brand já se tornou uma lenda no mundo da biotecnologia, por causa das marcas que ele criou: o Whole Earth Catalog, a Rede Global Business, a Long Now Foundation. Ao lado do seu trabalho científico, ele defende ativamente a bandeira da liberdade de informação no mundo digital.

O biotecnologista Stewart Brand diante de uma ilustração de tigres-da-Tasmânia
O biotecnologista Stewart Brand diante de uma ilustração de tigres-da-Tasmânia

Brand diz que “ressuscitar o mamute usando o DNA de carcaças antigas desse animal pode soar como ciência doida, mas esse projeto tem objetivos inteiramente racionais: desfazer o mal que os seres humanos causaram no passado”. Seu trabalho procura descobrir o que causou tantas extinções de espécies, para que possamos proteger aquelas que atualmente estão ameaçadas, preservar a diversidade genética e biológica, os ecossistemas de reparação esgotados.

Vídeo: Conferência de Stewart Brand

Tradução integral da palestra de Stewart Brand:
Extinção é um tipo diferente de morte. É maior que a morte. Nós não percebemos isso até 1914, quando o último pombo-viajante, uma fêmea de nome Martha, morreu no zoológico de Cincinnati. Este foi o pássaro mais abundante no mundo que existiu na América do norte durante seis milhões de anos. De repente não estava mais aqui. Bandos que tinham uma milha de largura e 400 milhas de comprimento costumavam esconder o sol. Aldo Leopoldo disse que isso era uma tempestade biológica, uma tempestade de penas. E, de fato, foi uma espécie fundamental que enriqueceu as florestas do leste, do Mississippi ao Atlântico, do Canadá ao Golfo. Mas o número foi de cinco milhões de pássaros a zero em apenas duas décadas. O que aconteceu?
Bem, aconteceu a caça comercial. Esses pássaros foram caçados por sua carne, que era vendida às toneladas, e era fácil porque quando esses bandos grandes vinham ao chão, eles eram tantos que centenas de caçadores e outros com redes podiam aparecer e abatê-los as dezenas de milhares. Era a forma mais barata de proteína na América. No final do século, não tinha mais nada além dessas lindas peles de pombos nas gavetas de espécies nos museus.
Esta história tem um lado bom. Isso ajudou as pessoas a perceberem que a mesma coisa estava para acontecer com o bisão Americano, e assim esses pássaros salvaram os búfalos.
Criança siberiana toca um filhote mumificado de mamute encontrado na tundra
Criança siberiana toca um filhote mumificado de mamute encontrado na tundra

Mas muitos outros animais não foram salvos. O periquito da Carolina foi um papagaio que animou quintais em todos os lugares. Foi caçado até a morte por suas penas. Tinha um pássaro que as pessoas gostavam na costa leste, chamado galinha do urzal. Era amada. Tentaram protegê-la. Morreu da mesma forma. Num jornal local se lia, "Não há sobreviventes, não há futuro, não há vida para ser recriada desta forma nunca mais." Há uma sensação de profunda tragédia que acontece com essas coisas, e aconteceu a muitos pássaros que as pessoas amavam. Aconteceu a muitos mamíferos.
Outra espécie fundamental é um animal famoso chamado auroque Europeu. Um filme foi feito sobre ele recentemente. E os auroques eram como o bisão. Este era um animal que basicamente mantinha a floresta misturado aos prados por toda a Europa e no continente asiático, da Espanha à Coréia. O registro da existência desse animal vem desde as pinturas nas cavernas de Lascaux.
A extinção ainda continua. Havia um caprino na Espanha chamado bucardo. Foi extinto em 2000. Havia um animal maravilhoso, um lobo marsupial chamado tilacino na Tasmânia, sul da Austrália, chamado tigre-da-Tasmânia. Foi caçado até que só restaram alguns poucos para morrerem em zoológicos. Um pequeno vídeo chegou a ser filmado mostrando esses animais.
Raiva, tristeza, luto. Não lamente. Organize as coisas, e se você pudesse descobrir que, usando o DNA de espécies em um museu, fósseis de talvez até 200 mil anos poderíamos usá-los para trazer espécies de volta. O que você faria? Por onde você começaria?

Exemplar empalhado de pombo-viajante
Exemplar empalhado de pombo-viajante

Bem, você poderia começar descobrindo se a biotecnologia já existe. Eu comecei com minha esposa, Ryan Phelan, que administrava uma empresa de biotecnologia chamada DNA Direct, e por intermédio dela, um de seus colegas, George Church, um dos maiores engenheiros genéticos que também era obcecado por pombos-viajantes e tinha muita confiança que os métodos em que ele estava trabalhando poderiam fazer o truque acontecer.
Então ele e Ryan organizaram e fizeram uma reunião no Instituto Wyss em Harvard reunindo especialistas em pombos-passageiros, ornitólogos de conservação, bioeticistas, e felizmente o DNA do pombo-passageiro já tinha sido sequenciado por uma bióloga molecular chamada Beth Shapiro.Tudo o que ela precisava dessas espécimes no Smithsonian era um pouco de tecido do dedão do pássaro, porque lá embaixo está o que se chama de DNA antigo. É um DNA que está muito fragmentado, mas com as boas técnicas de hoje, você pode praticamente remontar o genoma inteiro.
Daí a questão é, dá para remontar, com aquele genoma, o pássaro inteiro? George Church acha que sim. Em seu livro "Regênesis," que eu recomendo, ele tem um capítulo sobre a ciência revivendo espécies extintas, e ele tem uma máquina chamada a máquina Multiplex Automatizada de Engenharia de Genoma. É tipo uma máquina de evolução. Você tenta combinações diferentes de genes que você escreve no nível celular e depois em órgãos em um chip, e os que vencem, você pode daí por em um organismo vivo. Vai funcionar. A precisão disto, um dos famosos slides ilegíveis do George, apesar disso mostra que há um nível de precisão aqui até o par básico individual. O pombo-viajante tem 1.3 bilhões de pares em seu genoma.

Ilustração de como deveriam ser os auroques, bois primitivos que deram origem às raças bovinas modernas
Ilustração de como deveriam ser os auroques, bois primitivos que deram origem às raças bovinas modernas

Então, o que você está conseguindo é a capacidade de repor um gene com outra variação do gene, o que se chama alelo. Bem, isso é o que acontece em uma hibridização normal, de qualquer forma. Então isto é uma forma de hibridização sintética do genoma de uma espécie extinta com o genoma de seu parente vivo mais próximo. Agora, conforme avança, o George diz que sua tecnologia, a tecnologia de biologia sintética, está hoje em dia acelerando quatro vezes a velocidade da Lei de Moore. Tem feito isso desde 2005, e é provável que continue.
Ok, o parente vivo mais próximo do pombo-viajante é a pomba-de-coleira-branca. Elas são abundantes. Tem algumas por aqui. Geneticamente, a pomba-de-coleira-branca já é como o pombo-passageiro. Só existem algumas partes que são pomba-de-coleira-branca. Se você substituir estas partes com partes de pombo-passageiro, você tem de volta o pássaro extinto, arrulhando para você.
Agora, há trabalho a ser feito. Você tem que descobrir exatamente quais genes são importantes. Então, existem genes para a cauda curta da pomba-de-coleira-branca, genes para a cauda longa do pombo-viajante, e por aí vai, com os olhos vermelhos, o peito cor de pêssego, migração, etc. Adicione todos e o resultado não vai ser perfeito. Mas deverá ser perfeito o suficiente, porque a natureza também não faz perfeição.
Então, este encontro em Boston levou a três coisas. Primeiro, eu e o Ryan decidimos criar uma ONG sem fins lucrativos chamada Reviva e Restore que encorajariam a de-extinção em geral e tentar fazer isso de forma responsável, e nós poderíamos avançar com o pombo-viajante.
Outro resultado direto foi um jovem estudante de pós-graduação chamado Ben Novak, que é obcecado por pombos desde que tinha 14 anos e também aprendeu a trabalhar com DNA antigo. Ele mesmo sequenciou o pombo-viajante, usando dinheiro de sua família e amigos. Nós o contratamos em período integral. Agora, eu tirei esta fotografia dele ano passado no Smithsonian, ele está olhando para a Martha, o último pombo-passageiro vivo. Então, se ele tiver sucesso, ela não será a última.
O terceiro resultado do encontro de Boston foi a constatação de que existem cientistas no mundo inteiro trabalhando em várias formas de de-extinção, mas eles nunca haviam se encontrado. A National Geographic se interessou porque a National Geographic tem a teoria de que, no último século, descobrir significava encontrar coisas, e neste século, descobrir significa fazer coisas. De-extinção está nessa categoria. Então, eles hospedaram e financiaram esse encontro. E 35 cientistas - biólogos conservacionistas e biólogos moleculares - basicamente se encontrando para ver se existe trabalho que pudessem fazer juntos. Alguns desses biólogos de conservação são bem radicais. Há três deles que não estão só recriando espécies antigas, eles estão recriando inteiros ecossistemas extintos no norte da Sibéria, na Holanda, e no Havaí.

O baiji, golfinho do rio Amarelo, na China, foi declarado extinto há dois anos
O baiji, golfinho do rio Amarelo, na China, foi declarado extinto há dois anos

Henri, da Holanda, com um sobrenome holandês que eu não vou nem tentar pronunciar, está trabalhando com os auroques. O auroque é o ancestral de todo o gado doméstico, e então, basicamente, seu genoma está vivo, só está distribuído desigualmente. O que eles estão fazendo, estão trabalhando com sete raças de gado primitivo de aparência robusta como o Maremmana primitivo como aquele ali para reconstruir com o tempo, com pecuária seletiva, os auroques. Atualmente, o retorno à vida selvagem está se movendo mais rápido na Coréia do que na América, e então o plano é, com essas áreas de retorno à vida selvagem em toda a Europa, eles introduzirão os auroques para fazer seu antigo trabalho, seu antigo papel ecológico, de limpar as copas fechadas e meio estéreis das florestas para que nelas hajam esses prados cheios de biodiversidade.
Outra história fantástica veio do Alberto Fernández-Arias. O Alberto trabalhou com o bucardo na Espanha. O último bucardo foi uma fêmea chamada Celia que ainda estava viva quando eles a capturaram, eles pegaram um pouco de tecido da orelha dela, e o criopreservaram em nitrogênio líquido, e soltaram ela de volta na natureza, mas alguns meses mais tarde, ela foi encontrada morta embaixo de uma árvore caída. Eles pegaram o DNA daquela orelha, eles o implantaram como um óvulo clonado em uma cabra, a gravidez aconteceu, e um bebê bucardo vivo nasceu. Foi a primeira de-extinção na história.
Mas viveu pouco. Algumas vezes clones entre espécies tem problemas respiratórios. Este tinha uma má formação no pulmão e morreu depois de 10 minutos, mas Alberto estava confiante de que a clonagem tinha melhorado desde então, e isto vai melhorar, e eventualmente vai haver uma população de bucardos de volta às montanhas no norte da Espanha.
Um grande pioneiro da criopreservação foi Oliver Ryder. No zoo de São Diego, seu zoológico congelado coletou tecidos de mais de mil espécies nos últimos 35 anos. Agora, quando está tão congelado, 196 graus centígrados negativos, as células estão intactas e o DNA está intacto. Elas são basicamente células viáveis, então alguém como Bob Lanza do Advanced Cell Technology (Tecnologia Celular Avançada) pegou um pouco desse tecido de um bovino em extinção chamado banteng de Java, colocou em uma vaca, a vaca emprenhou, e o que nasceu foi um bebe banteng de Java vivo e saudável, que vingou e ainda está vivo.
O que é mais empolgante para Bob Lanza é a habilidade de agora poder pegar qualquer tipo de célula com células estaminais pluripotentes induzidas e transformá-las em células germinativas, como esperma e óvulos.
Então, agora vamos ao Mike McGrew que é um cientista no Instituto Roslin na Escócia. O Mike está fazendo milagres com pássaros. Ele pega, digamos, células da pele de um falcão, fibroblastos, e as transforma em células estaminais pluripotentes induzidas. Como é tão pluripotente, elas podem se tornar germoplasma. Ele daí tem um jeito de por o germoplasma no embrião de um ovo de galinha para que a galinha tenha, basicamente, as gônadas de um falcão. Você pega uma fêmea e um macho de cada espécie, e deles saem falcões. (Risadas) Falcões reais feitos de galinhas ligeiramente adulteradas.

O rinoceronte negro do Oeste (Diceros bicornis longipes), subespécie  declarada extinta em 2011
O rinoceronte negro do Oeste (Diceros bicornis longipes), subespécie declarada extinta em 2011

O Ben Novak era o cientista mais jovem no grupo. Ele mostrou como tudo isso pode ser reunido. A sequência de eventos: ele junta os genomas da pomba-de-coleira-branca e do pombo-viajante, ele vai pegar as técnicas do George Church e pegar DNA de pombo-viajante, as técnicas do Robert Lanza e Michael McGrew, põe esse DNA nas gônadas de galinhas, e das gônadas das galinhas saem ovos de pombos-viajantes, pombinhos, e agora você está conseguindo uma população de pombos-viajantes.
O que levanta a questão, eles não vão ter pais que são pombos-viajantes para lhes ensinar como se tornar um pombo-viajante... O que fazer a respeito disso? Bem, acontece que o comportamento dos pássaros é bem pré-determinado, então a maior parte já está no DNA deles. Mas para suplementar, parte da ideia do Ben é usar pombos-correio para ajudar a treinar os jovens pombos-viajantes a como se reunir em bando e como encontrar o caminho para seus locais de nidificação e lugares de alimentação.
Existem alguns conservacionistas, conservacionistas muito famosos como Stanley Temple, que é um dos fundadores da biologia de conservação, e Kate Jones da UICN, que fazem uma Lista Vermelha. Eles estão empolgados com tudo isto, mas também estão preocupados com aqui que pode ser competitivo com os esforços tão importantes para proteger espécies ameaçadas que ainda estão vivas, mas ainda não estão extintas. Veja você, você quer trabalhar protegendo animais lá fora. Você que quer trabalhar para diminuir o mercado de marfim na Ásia para que não estejam abatendo 25 mil elefantes por ano.
Mas, ao mesmo tempo, os biólogos conservacionistas estão percebendo que más notícias deprimem as pessoas. Então a Lista Vermelha é muito importante, para saber o que está ameaçado e criticamente em perigo de extinção, e por aí vai. Mas eles estão começando a criar o que chamam de Lista Verde, e a Lista Verde vai ter espécies que estão indo muito bem, obrigado, espécies que já estiveram ameaçadas de extinção, como a águia careca, mas que estão muito melhor agora, graças ao ótimo trabalho de todos, e áreas protegidas no mundo todo que são muito muito bem gerenciadas. Então, basicamente, eles estão aprendendo a construir as boas notícias. E vem revivendo espécies extintas como um tipo de boa notícia em que você pode construir.
Aqui estão dois exemplos relacionados. A reprodução em cativeiro vai ser uma parte importante para trazer de volta estas espécies. A população do condor da Califórnia caiu para 22 aves em 1987. Todos acharam que tinha acabado. Graças à reprodução em cativeiro no zoológico de São Diego, existem 405 deles hoje, 226 foram soltos na natureza. Essa mesma tecnologia vai ser utilizada em animais de-extintos. Outra história de sucesso é a do gorila-de-montanha na África Central. Em 1981, Diane Fossey tinha certeza que eles seriam extintos. Só haviam 254. Agora existem 880. A população deles está crescendo três por cento ao ano. O segredo é: eles tem um programa de ecoturismo que é absolutamente genial. Então esta foto foi tirada no mês passado pelo Ryan com um IPhone. Os gorilas estão confortáveis, assim como os visitantes.
Outro projeto interessante, embora vá precisar de ajuda, é o do rinoceronte branco do norte. Não existem mais casais reprodutores. Mas este é o tipo de coisa que um variedade grande de DNA para este animal está disponível no zoológico, congelado. Um pouco de clonagem, e você tem eles de volta.
Então para onde vamos? Estes tem sido encontros privados. Eu acho que está na hora do assunto ficar público. O que as pessoas pensam disso? Você sabe, você quer trazer de volta espécies extintas? Você quer a volta das espécies extintas?
A Sininho virá flutuando. Este é um momento Sininho, porque as pessoas estão empolgadas com isso. Com o que eles estão preocupados?
Nós também vamos continuar como pombos-viajantes. Então o Ben Novak, neste momento enquanto conversamos, está se unindo ao grupo que a Beth Shapiro tem na UC Santa Cruz. Eles vão trabalhar com os genomas do pombo-viajante e a pomba-de-coleira-branca. Conforme a informação amadurece, eles vão enviá-la para o George Church, que vai fazer sua mágica, extrair o DNA de pombo-viajante dali. Nós vamos ter ajuda do Bob Lanza e do Mike McGrew para pegar o germoplasma que pode ser introduzido em galinhas que podem produzir filhotes de pombo-viajante que podem ser criados por pombas-de-coleira-branca, e daí em diante, são todos completamente pombos-viajantes, talvez pelos próximos seis milhões de anos. Você pode fazer o mesmo, conforme o custo diminui, com o periquito-da-Carolina, com o grande mergulhão, com a galinha do urzal, com o pica-pau-bico-de-marfim, com o maçarico-esquimó, com a foca monge do Caribe, com o mamute lanudo.
Porque o fato é que os humanos fizeram um buraco enorme na natureza nos últimos 10 mil. Agora nós temos a habilidade, e talvez a obrigação moral de consertar um pouco do estrago. A maior parte do que faremos expandindo e protegendo áreas selvagens, expandindo e protegendo as populações de espécies ameaçadas de extinção. Mas algumas espécies que erradicamos totalmente nós poderíamos considerar traze-las de volta para um mundo que sente a falta delas.
Chris Anderson: Obrigado. Eu tenho uma pergunta. Então, isso é um assunto emocional. Algumas pessoas levantam. Eu acho que tem algumas pessoas lá sentadas, meio que se perguntando questões atormentadas, quase, sobre, bem, espera, espera, espera, espera, espera, espera um minuto, tem algo errado com a humanidade interferindo na natureza dessa forma. Vão haver consequências inesperadas. Você vai abrir algum tipo de caixa de Pandora de sabe-se-lá-o-que. Será que eles tem razão?
Stewart Brand: Bem, a razão inicial é nós interferimos enormemente levando esses animais à extinção, e muitas delas eram espécies fundamentais, e nós mudamos o ecossistema inteiro onde elas viviam quando as deixamos ir. Agora, o problema de base que muda é que, quando essas espécies voltarem, eles podem substituir alguns pássaros que estão aqui e que as pessoas conhecem e amam. Eu acho que isso, sabe, é parte de como a coisa vai funcionar. Este é um processo longo e lento - Uma das coisas que gosto dele é que é multi-geracional. Nós vamos ter de volta o mamute lanudo.
CA: Bem, parece que tanto a conversa quanto o potencial aqui são super emocionantes. Muito obrigada pela apresentação.
SB: Obrigado.

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Biologia da ressurreição. Como trazer animais extintos de volta à vida

Biologia da ressurreição. Como trazer animais extintos de volta à vida

: de Abril de 2015 às 11:55

Por: Tanya Lewis. Fonte: Site Live Science

Na Universidade de Harvard, o geneticista George Church e sua equipe usaram uma técnica de edição de gene conhecido como CRISPR para inserir no DNA de células epiteliais de elefante genes de mamute correspondentes às suas características orelhas pequenas, sua gordura subcutânea, pelos longos e a cor da pele desse animal extinto. O trabalho ainda não foi publicado em uma revista científica, e ainda tem que ser revisto por outros especialistas da engenharia genética. Mas a experiência promete e despertou nas últimas semana enorme entusiasmo e interesse nos pesquisadores.
O mamute lanudo (Mammuthus primigenius) foi extinto há milênios, e os últimos exemplares de uma de suas subespécies conseguiram durar até cerca 3.600 anos, em pequenos nichos ambientais no hemisfério norte. Restos extremamente bem conservados desses animais foram encontrados (preservados no gelo) e os cientistas dizem ser possível trazer essas e outras espécies de volta do túmulo, através de um processo de engenharia genética conhecido como de-extinção.

Mamute (esquerda) e mastodonte. Embora aparentadas, as duas espécies eram bem diferentes
Mamute (esquerda) e mastodonte. Embora aparentadas, as duas espécies eram bem diferentes

“Mas não vamos ver mamutes pastando em nossas fazendas tão cedo, porque ainda há muito trabalho a fazer, mas nós pretendemos fazê-lo”, diz Church. Implantar DNA de mamute em células de elefantes é apenas o primeiro passo de um longo processo. Em seguida, os cientistas precisam encontrar uma maneira de transformar as células híbridas em tecidos especializados, para ver se eles reproduzem as características certas. Por exemplo, precisam certificar-se que os genes de mamute irão produzir o pelo da cor e textura corretas.  Depois disso, a equipe planeja desenvolver as células híbridas em um útero artificial; cientistas e defensores dos direitos dos animais consideram antiético cultivá-las no ventre de um elefante fêmea vivo.

Ilustração mostra um mamute caído em fenda no gelo, na tundra siberiana. Foi desse modo que muitos deles tiveram suas carcaças preservadas até os dias de hoje
Ilustração mostra um mamute caído em fenda no gelo, na tundra siberiana. Foi desse modo que muitos deles tiveram suas carcaças preservadas até os dias de hoje

Se os engenheiros genéticos conseguirem recriar alguns desses gigantescos elefantes-híbridos para sobreviver, eles serão projetados para que possam viver muitas décadas em climas frios, onde deverão enfrentar menos ameaças por parte dos seres humanos. Uma vez criadas tais criaturas híbridas, e desde que elas sobrevivam, os cientistas irão incorporar cada vez mais fragmentos de DNA de mamute no genoma delas, até que se chegue à recriação do mamute com todas as suas características.

O bucardo dos Pirineus, espécie caprina de montanha declarada extinta no ano 2000, devido à caça predatória e a destruição do meio ambiente
O bucardo dos Pirineus, espécie caprina de montanha declarada extinta no ano 2000, devido à caça predatória e a destruição do meio ambiente

Mamutes, no entanto, não são os únicos candidatos à “de-extinção”, como agora é chamado esse processo. Em 2003, cientistas já tinham reavivado, embora por um breve tempo, o bucardo dos Pirineus, grande caprino de montanha extinto em 2000. O processo aconteceu através da clonagem de uma amostra de tecido congelado do animal. No entanto, depois de ter nascido, o clone sobreviveu por apenas 7 minutos.  Vários anos atrás, um grupo de pesquisadores extraiu DNA da carcaça de um tigre-da-Tasmânia, morto há um século e empalhado em um museu de Melbourne, na Austrália, inserindo-o em embriões de camundongos. A experiência mostrou que os genes eram funcionais. O próprio George Church trabalha ativamente nos últimos anos para trazer de volta o pombo-viajante (Ectopistes migratorius), pássaro que no passado enchia os céus norte-americanos, mas foi extinto no início do século 20 por causa da caça predadora. Os pesquisadores extraíram cerca de 1 bilhão de “letras”de DNA de um exemplar morto há cerca de 100 anos, e estão agora tentando uni-las ao DNA de um pombo comum.

Ilustração de um dodo (Raphus cucullatus). A espécie era aparentada aos pombos de hoje, porém em tamanho gigante.jpg
Ilustração de um dodo (Raphus cucullatus). A espécie era aparentada aos pombos de hoje, porém em tamanho gigante.jpg

As tentativas de de-extinção são várias, em muitos países do mundo. Mas, mesmo se esses esforços forem bem sucedidos, eles ainda colocarão alguns desafios de ordem ética. Por exemplo, a capacidade de reviver criaturas extintas em laboratório poderia incentivar o apoio à destruição de habitats naturais. Mas, com cautela, muitos outros cientistas da área estão aceitando a ideia. Stanley Temple, ecologista da Universidade de Wisconsin-Madison disse em agosto de 2013 que “Nós podemos usar algumas dessas técnicas para realmente ajudar espécies ameaçadas e melhorar a sua viabilidade a longo prazo”.

Galeria:


1 Algumas espécies extintas - como o mamute, mostrado acima - podem ser trazidos de volta à vida, se os cientistas conseguirem superar algumas dificuldades técnicas e questões éticas espinhosas. Esta galeria de imagens mostra seis espécies citadas pelos geneticistas como dentre as mais fáceis de se reviver.


2 A paleobiologista Tori Herridge do Museu de História Natural de Londres posa com as presas de um mamute. Herridge participou da autópsia do animal.

3 Thylacines, ou tigre-da-Tasmânia, eram abundantes na ilha australiana da Tasmânia até a chegada dos europeus, em 1803. O exemplar da foto é o último thylacyne vivo.

4 A partir do final do século 19, o governo da Tasmânia começou a pagar prêmios por cada carcaça de thylacine. Acreditava-se que os animais eram predadores de ovinos e galinhas. O último indivíduo morreu em um zoológico da Tasmânia em 1936. A foto mostra um espécime empalhado no Museu Americano de História Natural, em Nova York.

5 Revoadas de pombos-viajantes (Ectopistes migratorius) outrora cobriam os céus do leste da América do Norte. O desmatamento e a caça predatória conseguiram extinguir a espécie no início do século 20. Martha, o último exemplar, uma fêmea, morreu no zoológico de Cincinnati em 1914. O exemplar da foto, empalhado, está no museu de Norwich


6 Rheobatrachus vitellinus e Rheobatrachus silus eram duas espécies aparentadas de rãs norte-americanas que possuíam características reprodutivas únicas. As fêmeas engoliam os ovos fertilizados e conseguiam transformar seus aparelhos gástricos em úteros, gestando os ovos até a sua eclosão. O parto então era feito pela boca. O último exemplar desses batráquios foi observado em 1985. A destruição das paludes e o desmatamento das pradarias, mais o surgimento do fungo Chytrid extinguiram as duas espécies.

7 O periquito da Carolina (Conuropsis carolinensis) era a única espécie nativa de papagaio no leste dos Estados Unidos. Era remotamente originária do Golfo do México. Essas aves foram extintas no início do século 20, também devido à destruição dos seus habitats.

8 Os gatos-de-dente-de-sabre (Smilodon fatalis) eram predadores de emboscada do tamanho de um leão. São bem conhecidos por seus longos dentes caninos. Foram extintos no final do Pleistoceno, há cerca de 11 mil anos. O exemplar da foto é uma réplica perfeita, criação da Jim Henson Creature Shop, loja americana especializada em réplicas de animais.

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Psicologia do arco-íris. Laranja dá energia, azul relaxa, verde tranquiliza - (Beleza para seus olhos)

A sociedade e as entidades devem ser ouvidas, garantindo um debate amplo.

Apagando o futuro

Jandira  Feghali
JANDIRA FEGHALI
É preciso deixar claro que a redução da maioridade penal não contribuirá em nada para o combate à violência. Os grupos que apoiam essa ideia usam do sensacionalismo de atos isolados

O retrocesso em direitos dos cidadãos é forte realidade hoje na Câmara dos Deputados, oferecendo sérios riscos às futuras gerações brasileiras. A admissibilidade dada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) à proposta de redução da maioridade penal de 18 para 16 anos faz ganhar corpo uma discussão que jamais deveria ter apoio no Parlamento.
Não fosse devastadora a situação do nosso sistema prisional, que segundo a Organização dos Estados Americanos (OEA) acumula 217 mil detentos à espera de julgamento (40% do total), podemos antever os efeitos da aprovação da medida como o fim de qualquer proteção à nossa juventude e o fim dos preceitos da Justiça Especializada estabelecidos pelo Estatuto da Criança e do Juventude (ECA).
Não se pode ferir de morte cláusulas pétreas da Constituição Federal (CF) – artigos que não podem ser modificados pelo legislador. No capítulo que trata dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, o inciso XLVII do art. 5º deixa claro que não podem haver penas cruéis no país. Há quem duvide da crueldade de manter uma pessoa em formação no regime prisional de adultos? O Fórum de Entidades da Psicologia Brasileira sinaliza nesta discussão que a adolescência é uma das fases do desenvolvimento dos indivíduos e, por ser um período de grandes transformações, deve ser pensada pela perspectiva educativa e não criminal. Encarcerar adolescentes nestes locais seria um atentado a este pilar constitucional. Outro inciso do mesmo artigo - o XLVIII - diz que a pena deve ser aplicada de acordo com a idade, impossibilitando, portanto, o uso do Código Penal para uma faixa etária já estabelecida pelo ECA.
É preciso deixar claro que a redução da maioridade penal não contribuirá em nada para o combate à violência. Os grupos que apoiam essa ideia usam do sensacionalismo de atos isolados, recorrendo a casos chocantes para promover uma sensação de impunidade no Brasil. Esse argumento cai por terra com recente levantamento do Ministério da Justiça: jovens entre 16 e 18 anos são responsáveis por menos de 0,9% dos crimes praticados no país. Se forem considerados os homicídios e tentativas de homicídio, esse número cai para 0,5%. Pelo mundo, outras democracias abandonaram essa ideia. Países como Espanha e a Alemanha desistiram de criminalizar menores. Além do que, nenhum dos 54 países que reduziram a maioridade penal obteve eficácia na redução da violência urbana.
Reforço também que o Brasil assiste diariamente o assassinato de jovens negros e pobres, com 82 mortes diárias, fruto de uma cultura da violência policial e do confronto com o crime dentro das periferias. Neste enfrentamento bélico, muitos adolescentes inocentes são mortos sem que sejam comprovadas suas participações em delitos. Consequência da filosofia de Segurança Pública do "atirar primeiro, perguntar depois". É preciso dar um basta na dor das famílias que enterram seus jovens. Episódios como o do menino Eduardo de Jesus, morto dentro do Complexo do Alemão, com forte suspeita de ação policial, não podem mais fazer parte de nosso dia a dia. Uma estatística que clama pela urgente aprovação do projeto de Autos de Resistência.
Sobre o ECA, pondero que suas diretrizes devem ser preservadas, pois já direcionam os infratores para medidas socioeducativas nos artigos 118 a 125 (liberdade assistida, semiliberdade e internação). Criminalizar a adolescência é nublar perspectivas e impedir que estes cidadãos consigam construir suas vidas com alternativas à infração praticada. Garantindo-lhes a possibilidade de desenvolvimento de seus papeis sociais com maior dignidade e chance de reabilitação.
Passada esta decisão da CCJ, virá o momento de formar uma comissão especial na Câmara para análise da proposta. A sociedade e as entidades devem ser ouvidas, garantindo um debate amplo. A bancada federal do Partido Comunista do Brasil se posicionará contrariamente ao texto e prosseguirá manifestando-se publicamente pela manutenção da punição penal a partir de 18 anos. O eficiente combate à criminalidade se faz com educação e com políticas públicas para proteger os jovens, diminuindo, assim, suas vulnerabilidades ao crime. Somos um país que ainda apresenta enormes carências na educação, saúde e emprego com esta parcela da sociedade.
Por fim, o debate sobre segurança pública deveria se concentrar em itens como a reforma do sistema prisional, uma justiça mais célere, eficiente e que passe para a sociedade a certeza de que não aceitamos qualquer tipo de crime, onde a punição virá e será exemplar para qualquer um, rico ou pobre, negro ou branco. Devemos combater o que ofende e desrespeita o cidadão de bem: milhares de pobres presos aguardado julgamento, enquanto outros se aproveitam de uma condição mais favorável e passam ao largo de qualquer tipo de punição. É preciso possibilitar futuros, e não apagá-los.

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‘PMDB volta a tripudiar sobre o governo Dilma’

‘PMDB volta a tripudiar sobre o governo Dilma’

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Partido fez "manobra maquiavélica" ao colocar na rua uma sondagem a Eliseu Padilha para a coordenação política como se fosse um convite e conseguiu impor mais um desgaste à presidente Dilma, avalia Tereza Cruvinel, colunista do 247; "Com isso, o atual ministro da SRI, Pepe Vargas, perdeu as condições de continuar na pasta, acham os principais líderes no Congresso", diz a jornalista; ministro pode pedir demissão ainda hoje e Padilha, da Aviação Civil, recusou o cargo; enquanto isso, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, "está faturando a recusa de Padilha como mais uma vitória dele, que teria vetado a transferência"; restam poucos possíveis substitutos, segundo Tereza: o líder José Guimarães, o deputado Ricardo Zarattini e Ricardo Berzoini, que teria de deixar a pasta de Comunicações
7 de Abril de 2015 às 13:46

Por Tereza Cruvinel
O PMDB, mais uma vez, tripudiou sobre o governo Dilma com a recusa da coordenação política pelo ministro Eliseu Padilha. A manobra foi maquiavélica: o partido colocou na rua uma sondagem a Padilha como se fosse um convite e conseguiu impor mais um desgaste à presidente Dilma. Com isso, o atual ministro da SRI, Pepe Vargas, perdeu as condições de continuar na pasta, acham os principais líderes no Congresso. Dilma vai reunir-se com os líderes aliados no final da tarde para discutir novos rumos para a articulação política entre o Governo e o Congresso.
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, está faturando a recusa de Padilha como mais uma vitória dele, que teria vetado a transferência do atual ministro da aviação civil para a SRI. A verdade é que Padilha concluiu que não teria instrumentos para garantir a fidelidade e os votos da maioria da bancada do PMDB, que hoje presta vassalagem a Cunha. Qualquer ministro da coordenação politica, seja de que partido for, não terá êxito se Dilma não lhe delegar autonomia para negociar com o Congresso. Isso pressupõe uma relação de confiança que ela teria com poucos políticos de sua base.
E muito menos com os peemedebistas, a partir do momento em que Eduardo Cunha passou a dominar o partido e a própria agenda da Câmara. Lula teve coordenadores políticos não petistas, como Aldo Rebelo, do PC do B, e Mares Guia e José Mucio, do PTB. No quadro atual, não é fácil encontrar nomes assim, com trânsito em toda a base. Um nome do PSD, por exemplo, seria trucidado pelo PMDB, que acusa o governo de ter fortalecido a sigla de Gilberto Kassab para lhe minar as forças.
Se hoje ainda Pepe Vargas pedir demissão, como se espera no Congresso que aconteça, Dilma poderá optar por um petista que tenha trânsito mais largo. Arlindo Chinaglia, um habilidoso articulador, deve ser descartado porque disputou com Eduardo Cunha a presidência da Câmara. Restam o líder José Guimarães, o deputado Ricardo Zarattini e Ricardo Berzoini, que teria de deixar a pasta de Comunicações. Foi durante sua curta passagem pela SRI, no primeiro mandato, que Dilma teve sua fase de melhor relacionamento com o Congresso.
Seja qual for a solução para o imbróglio da coordenação política, a pergunta que não cala continua no ar: o que quer o PMDB, que faz parte do governo mas dispensa a oposição em matéria de desgastar Dilma.
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CUT: 'polícia de Cunha' agrediu trabalhadores. Aconteceu tanto protesto sem violência. Creio que pessoas infiltradas com intenções de violentar o protesto. Polícia não ia espanca, não acredito. Se a polícia agrediu certamente houve agressão. Não acredito que aconteceu o fato sem motivo forte. Os policiais trabalham em stress grande, mal equipado, remunerado e sem muito treinamento que o deixem preparados para seu exercício. Como quaisquer trabalhadores andam na com medo. O medo de não voltar para casa, ao seio de suas famílias.

CUT: 'polícia de Cunha' agrediu trabalhadores

 

Aconteceu tanto protesto sem violência. Creio que pessoas infiltradas com intenções de violentar o protesto. 
Polícia não ia espanca, não acredito.
Se a polícia agrediu certamente houve agressão. Não acredito que aconteceu o fato sem motivo forte.
Os policiais trabalham em stress grande, mal equipado, remunerado e sem muito treinamento que o deixem preparados para seu exercício. Como quaisquer trabalhadores andam na rua com medo. O medo de não voltar para casa, ao seio de suas famílias. 
Dulce.

Depois da batalha campal em Brasília, em que manifestantes contra a terceirização foram agredidos até pela polícia legislativa, a CUT divulgou nota contra a violência; "Atuação truculenta de policiais a uma manifestação com cerca de cinco mil pessoas diante do Congresso Nacional deixou clara a resposta que a atual presidência da Casa pretende dar a manifestações democráticas e que enfrentem interesses empresariais"; segundo a entidade, um carro de som dos manifestantes teve um dos pneus furado por membros da polícia legislativa, que em seguida dispararam bombas de gás lacrimogênio e "atiraram para tudo quanto é lado"; protestos por direitos trabalhistas ta
7 de Abril de 2015 às 17:52

247 - A Central Única dos Trabalhadores (CUT) classificou como "ação truculenta" a reação da polícia legislativa a manifestantes que protestavam contra o Projeto de Lei  4330, que regulamenta a terceirização e que pode ser votado hoje na Câmara dos Deputados. O protesto terminou com militantes presos e feridos em frente ao Congresso Nacional, em Brasília.
A "atuação truculenta de policiais a uma manifestação com cerca de cinco mil pessoas diante do Congresso Nacional deixou clara a resposta que a atual presidência da Casa pretende dar a manifestações democráticas e que enfrentem interesses empresariais", disse a CUT em um comunicado, em referência ao presidente da Casa, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Conforme relato da entidade, um carro de som dos manifestantes teve um dos pneus furado por membros da polícia legislativa enquanto se posicionava diante da entrada principal do Congresso. Em seguida, outros policiais dispararam bombas de gás lacrimogênio e "atiraram para tudo quanto é lado", segundo a CUT.
Outros protestos por direitos trabalhistas aconteceram em outras cidades do País. Leia abaixo na reportagem da Agência Brasil:
Policiais e manifestantes da CUT entram em confronto em frente ao Congresso
Yara Aquino - Manifestantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) entraram nesta terça-feira (7) em confronto com policiais militares e integrantes da Polícia Legislativa em frente ao Congresso Nacional. O tumulto começou quando eles tentaram se aproximar da chapelaria, uma das entradas da sede do Parlamento.
Os policiais fizeram um bloqueio e houve o confronto. Os manifestantes jogaram pedaços de madeira e cones de sinalização. Os militares reagiram com spray de pimenta e cassetetes. Um manifestante ficou ferido e outro foi detido.
Neste momento, os manifestantes permanecem em frente ao Congresso e os policiais militares fazem uma barreira para impedir que eles entrem na Casa Legislativa. As lideranças sindicais que estão no alto de um carro de som pedem tranquilidade e que se evite o confronto com os policiais.
A manifestação é contra o projeto de lei que regulamenta a terceirização, cuja apreciação está prevista para hoje na Câmara dos Deputados. O projeto estende a liberação das terceirizações das atividade-meio para as atividades-fim das empresas. Os protestos ocorrem em vários estados.
mbém aconteceram em outras cidades do País; além da CUT, participaram CTB, NCST e Intersindical
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Câmara deve votar hoje projeto que amplia terceirização; ENTENDA



Saiba o que muda se lei for aprovada.
Trabalhadores,
Se o projeto for votado a favor que Rasgue Seus Direitos Trabalhistas anote o nome dos parlamentares que votaram contra esses direitos dos brasileiros e não elejam mais.Eu vou ficar atenta aos nomes deles.
A Câmara dos Deputados deve iniciar nesta terça-feira (7) a votação do projeto de lei 4330/2004, que regulamenta contratos de terceirização no mercado de trabalho. Se aprovado, será encaminhado diretamente para votação no Senado.
O projeto tramita há 10 anos na Câmara e vem sendo discutido desde 2011 por deputados e representantes das centrais sindicais e dos sindicatos patronais. Ele prevê a contratação de serviços terceirizados para qualquer atividade e não estabelece limites ao tipo de serviço que pode ser alvo de terceirização. Além disso, prevê a forma de contratação tanto para empresas privadas como públicas.
Representantes dos trabalhadores argumentam que a lei pode provocar precarização no mercado de trabalho. Empresários, por sua vez, defendem que a legislação promoverá maior formalização e mais empregos.

O que é terceirização?
Na terceirização uma empresa prestadora de serviços é contratada por outra empresa para realizar serviços determinados e específicos. A prestadora de serviços emprega e remunera o trabalho realizado por seus funcionários, ou subcontrata outra empresa para realização desses serviços. Não há vínculo empregatício entre a empresa contratante e os trabalhadores ou sócios das prestadoras de serviços.

Atualmente, é a Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que determina que a terceirização no Brasil só deve ser dirigida a atividades-meio. Essa súmula, que serve de base para decisões de juízes da área trabalhista, menciona os serviços de vigilância, conservação e limpeza, bem como “serviços especializados ligados à atividade-meio do tomador”, “desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta” do funcionário terceirizado com a empresa contratante.
Quais os pontos polêmicos da proposta?
O PL 4330/04 envolve quatro grandes polêmicas, que têm causado protestos das centrais sindicais: a abrangência das terceirizações tanto para as atividades-meio como atividades-fim; obrigações trabalhistas serem de responsabilidade somente da empresa terceirizada – a contratante tem apenas de fiscalizar; a representatividade sindical, que passa a ser do sindicato da empresa contratada e não da contratante; e a terceirização no serviço público. Já os empresários defendem que a nova lei vai aumentar a formalização e a criação de vagas de trabalho.
O que diz o projeto de lei 4330
O que muda na prática
O contrato de prestação de serviços abrange todas as atividades, sejam elas inerentes, acessórias ou complementares à atividade econômica da contratante.
Proposta permite que qualquer atividade de uma empresa possa ser terceirizada, desde que a contratada esteja focada em uma atividade específica. Segundo o relator, o objetivo é evitar que a empresa funcione apenas como intermediadora de mão de obra, como um “guarda-chuva” para diversas funções.
A empresa contratante é subsidiariamente responsável pelas obrigações trabalhistas dos funcionários da prestadora de serviços/devedora.
O terceirizado só pode cobrar o pagamento de direitos da empresa tomadora de serviços quando a contratada não cumpre as obrigações trabalhistas e após ter respondido, previamente, na Justiça. Ou, quando a empresa contratante não fiscalizar o cumprimento das obrigações trabalhistas pela prestadora de serviços. A contratante terá de fiscalizar mensalmente o pagamento de salários, horas-extras, 13º salário, férias, entre outros direitos.
A administração pública pode contratar prestação de serviços de terceiros, desde que não seja para executar atividades exclusivas de Estado, como regulamentação e fiscalização.
A administração pública pode contratar terceirizados em vez de abrir concursos públicos e será corresponsável pelos encargos previdenciários, mas não quanto às dívidas trabalhistas. Sempre que o órgão público atrasar sem justificativa o pagamento da terceirizada, será responsável solidariamente pelas obrigações trabalhistas da contratada. O texto proíbe, porém, a contratação de empresa terceirizada por pregão eletrônico se o valor destinado à mão de obra ficar acima de 50% do valor total do contrato de prestação de serviços.
O recolhimento da contribuição sindical compulsória deve ser feito ao sindicato da categoria correspondente à atividade do terceirizado e não da empresa contratante.
Os terceirizados não serão representados por sindicados das categorias profissionais das tomadoras de serviços. O argumento é que isso favorecerá a negociação e a fiscalização em relação à prestação de serviços.
O que pode ser terceirizado?
O projeto de lei amplia a terceirização para a atividade-fim, ou seja, a atividade principal. Atualmente, por exemplo, uma empresa de engenharia não pode contratar um engenheiro terceirizado, mas o serviço de limpeza pode ser feito por um prestador de serviço. Da mesma forma montadoras não podem terceirizar os metalúrgicos, e os bancos, os bancários, por serem funções para atividades-fim. Hoje só é permitido terceirizar as atividades-meio ou apoio das empresas, ou seja, pessoal da limpeza, recepção, telefonia, segurança e informática, por exemplo.

Quem responde pelos direitos trabalhistas?
O projeto propõe que a responsabilidade da empresa contratante pelo cumprimento dos direitos trabalhistas do empregado terceirizado, como pagamento de férias e licença-maternidade, seja subsidiária, ou seja, a empresa que contrata o serviço é acionada na Justiça somente se forem esgotados os bens da firma terceirizada, quando a contratada não cumpre as obrigações trabalhistas e após ter respondido, previamente, na Justiça. Ao mesmo tempo, a empresa contratante poderia ser acionada diretamente pelo trabalhador terceirizado, mas apenas quando não fiscalizar o cumprimento das obrigações trabalhistas pela contratada.
No caso da responsabilidade subsidiária, o terceirizado só pode cobrar o pagamento de direitos da empresa tomadora de serviço após se esgotarem os bens da terceirizada. Já na solidária, como é atualmente, o terceirizado pode cobrar tanto da empresa que terceiriza quanto da tomadora de serviços.

A empresa contratante terá de fiscalizar mensalmente o pagamento de salários, horas-extras, 13º salário, férias, entre outros direitos.

Quem irá representar esses trabalhadores?
Outra questão se refere à representação sindical, se fica a cargo da categoria da empresa contratante ou da empresa prestadora de serviços. No setor bancário, por exemplo, os terceirizados não serão representados pelo Sindicato dos Bancários, que teriam mais poder de negociação. Portanto, o terceirizado que trabalha num banco, por exemplo, não usufruiria dos direitos conquistados pela classe bancária.

A proposta prevê que os empregados terceirizados sejam regidos pelas convenções ou acordos trabalhistas feitos entre a contratada e o sindicato dos terceirizados. As negociações da contratante com seus empregados não se aplicariam aos terceirizados.

Defensores argumentam que isso aumentará o poder de negociação com as entidades patronais, bem como será favorecida a fiscalização quanto à utilização correta da prestação de serviços.

Críticos apontam que ao direcionar a contribuição ao sindicato da atividade terceirizada e não da empresa contratante, o trabalhador terceirizado será atrelado a sindicatos com menor representatividade e com menor poder de negociação.

Terceirização no serviço público
Também está previsto no projeto que a administração pública poderá contratar terceirizados, desde que não seja para executar atividades exclusivas de Estado, como regulamentação e fiscalização. Assim, a administração direta e indireta poderá recorrer à forma de contratação de prestadores de serviços, no lugar de abrir concursos públicos.

Para defensores, isso significa que a administração pública é solidariamente responsável quanto aos encargos previdenciários (órgão pode ser acionado como corresponsável na Justiça), mas não quanto às dívidas trabalhistas. E o projeto se limita a empresas públicas e sociedades de economia mista, como Petrobras, Correios e Caixa Econômica Federal.

Críticos argumentam que a democratização do ingresso no serviço público por meio de concurso publico vai acabar, que a qualidade do serviço público a ser prestado poderá piorar com a contratação de prestadoras de serviços em qualquer atividade, pois não haverá como avaliar a competência dos funcionários, e a retirada de responsabilidade do órgão do pagamento das dívidas trabalhistas, isentando-a dos prejuízos, prejudicará os trabalhadores.

Quem é contra e quem é a favor?
A proposta divide opiniões entre empresários, centrais sindicais e trabalhadores. Os empresários argumentam que o projeto pode ajudar a diminuir a informalidade do mercado. Segundo o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, a lei pode representar a geração, no futuro, de 700 mil empregos/ano em São Paulo e mais de 3 milhões no Brasil.
Já os sindicatos representantes dos trabalhadores acreditam que a aprovação do projeto de lei pode levar a uma precarização das condições de trabalho. Entre as queixas mais recorrentes daqueles que trabalham como terceirizados estão a falta de pagamento de direitos trabalhistas e os casos de empresas que fecham antes de quitar débitos com trabalhadores.
Entre as entidades que estão a favor do projeto de lei estão as Confederações Nacionais da Indústria (CNI), do Comércio (CNC), da Agricultura (CNA), do Transporte (CNT), das Instituições Financeiras (Consif) e da Saúde (CNS), além do Sindicato Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços e Instaladoras de Sistemas e Redes de TV por assinatura, cabo, MMDS, DTH e Telecomunicações (Sinstal) e Sindicato Paulista das Empresas de Telemarketing, Marketing Direto e Conexos (Sintelmark).
Entidades sindicais representantes dos trabalhadores como a CUT, a Força Sindical, sindicatos dos bancários de todo o país e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) também são contra a aprovação do PL 4330.
O relator do projeto, o deputado Arthur Oliveira Maia (PMDB-BA), defende que é preciso e permitir a terceirização para qualquer atividade, desde que a empresa contratada seja especializada na execução do serviço em questão. Dessa forma, uma montadora de automóveis, por exemplo, poderia contratar várias empresas responsáveis pela montagem dos diferentes componentes de um carro.
Sandro Mabel, autor do projeto e deputado até janeiro deste ano, justifica as mudanças pela necessidade de a empresa moderna ter de se concentrar em seu negócio principal e na melhoria da qualidade do produto ou da prestação de serviço. Para ele, ao ignorar a terceirização, os trabalhadores ficaram vulneráveis, por isso, as relações de trabalho na prestação de serviços a terceiros demandam intervenção legislativa urgente, no sentido de definir as responsabilidades do tomador e do prestador de serviços e, assim, garantir os direitos dos trabalhadores.
Estimativas
O Ministério do Trabalho não tem números oficiais de terceirizados no país. De acordo com um estudo da CUT em parceria com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o total de trabalhadores terceirizados em 2013 no Brasil correspondia a 26,8% do mercado formal de trabalho, somando 12,7 milhões de assalariados.

Os estados com maior proporção de terceirizados, segundo o estudo, são São Paulo (30,5%), Ceará (29,7%), Rio de Janeiro (29,0%), Santa Catarina (28%) e Espírito Santo (27,1%), superior à média nacional de 26,8%.

Já de acordo com o Sindicato das Empresas de Prestação de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário do Estado de São Paulo (Sindeprestem), com apoio da Federação Nacional dos Sindicatos de Empresas de RH, Trabalho Temporário e Terceirizado (Fenaserhtt) e Central Brasileira do Setor de Serviços (Cebrasse), a terceirização empregava, em 2014, 14,3 milhões de trabalhadores formais no país. O setor é composto por 790 mil empresas, que faturam R$ 536 bilhões ao ano. Os dados foram coletados de 60 entidades representativas do setor.

Argumentos das centrais sindicais
Ainda de acordo com um estudo da CUT em parceria com o Dieese, o trabalhador terceirizado tem maior rotatividade no mercado. Eles permanecem 2,6 anos a menos no emprego do que o trabalhador contratado diretamente e têm uma jornada de 3 horas semanais a mais. Além disso, recebem em média salários 24,7% menores, e a cada 10 acidentes de trabalho fatais, oito ocorrem entre trabalhadores terceirizados, devido à falta de treinamento e investimentos em qualificação.
Direitos assegurados aos trabalhadores dentro do PL 4330
Empresa contratante não pode colocar terceirizados em atividades distintas das que estão previstas no contrato com a empresa prestadora de serviços.
A empresa contratante deve garantir as condições de segurança e saúde dos trabalhadores terceirizados.
Quando for necessário treinamento específico, a contratante deverá exigir da prestadora de serviços a terceiros certificado de capacitação do trabalhador para a execução do serviço ou fornecer o treinamento adequado antes do início do trabalho.
A contratante pode estender ao trabalhador terceirizado os benefícios oferecidos aos seus empregados, como atendimento médico e ambulatorial e refeições.
A empresa prestadora de serviços que subcontratar outra empresa para a execução do serviço é corresponsável pelas obrigações trabalhistas da subcontratada.
O contrato entre a contratante e a terceirizada deve conter a especificação do serviço e prazo para realização (se houver). A prestadora de serviços (contratada) deve ainda fornececer comprovantes de cumprimento das obrigações trabalhistas para a empresa contratante.
 copiado  http://g1.globo.com/politica

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