O PRENÚNCIO DO OCASO NO CARNAVAL DO FORA TEMER

O PRENÚNCIO DO OCASO NO CARNAVAL DO FORA TEMER


"Se Temer e os senhores a quem serve entendem um pouco do Brasil, de seu povo e de sua cultura, devem ter capado o sentido e a gravidade dos gritos de 'Fora Temer' que ecoaram em vários pontos do País, nos blocos e eventos carnavalescos de rua. Eles invadiram até mesmo as transmissões de emissoras, como a TV Globo, que tentou ignorá-los mas foi convencida, pela repetência dos fatos, a registrá-los", diz a colunista Tereza Cruvinel; "Agora vem a quaresma do governo Temer, um tempo de grandes tribulações", afirma Tereza, prevendo que "outras demonstrações de que o governo não tem condições morais de se sustentar estarão se acumulando nos próximos dias, com a divulgação de uma parte das delações da Odebrecht"Se Temer e os senhores a quem serve entendem um pouco do Brasil, de seu povo e de sua cultura, devem ter capado o sentido e a gravidade dos gritos de “Fora Temer” que ecoaram em vários pontos do País, nos blocos e eventos carnavalescos de rua. Eles invadiram até mesmo as transmissões de emissoras, como a TV Globo, que tentou ignorá-los mas foi convencida, pela repetência dos fatos, a registrá-los.  O “fora Temer” no carnaval não contou com organizadores nem apoiadores. Foi expontaneísmo de massas em estado puro e líquido, um grito do “consciente coletivo” contra o governo golpista e o desmanche do país, um prenúncio do ocaso que se avizinha.  Por coincidência, nesta quarta-feira de cinzas, com as marcas da festa ainda visíveis nas ruas, Marcelo Odebrecht falará ao  ministro Hermann Benjamim, relator da ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer no TSE, sobre a participação da empreiteira de sua família no financiamento da campanha de 2014, inclusive do pedido de ajuda que lhe fez o próprio Temer, e da forma como o atendeu. Talvez explique porque uma parte da grana chegou ao escritório do amigo-irmão do presidente, José Yunes, pelas mãos do operador Lucio Funaro. Mas ainda que não seja pela via do TSE, parece cada vez mais improvável a sobrevivência de um governo que consegue representar tantas faces do descalabro: ilegitimidade, ruína econômica, entreguismo, involução social e exuberância da corrupção, afora outros males.    
Diferentemente das manifestações do ano passado pró-impeachment ou contra o golpe,  o “fora Temer” no carnaval não foi previamente combinado pelas redes sociais, não foi convocado por partidos ou grupos organizados, não teve o apoio da Fiesp ou da CUT, não exigiu a produção de cartazes e carros de som.  Os antropólogos culturais costumam dizer que no carnaval as fantasias e desejos se libertam dos controles censórios para irromper em cena.  Com o “fora Temer” deu-se o mesmo processo. O que irrompeu não foi uma fantasia mas o mal estar reprimido com a situação criada pelo golpe e a ânsia por uma saída política mais imediata. Quem pede “fora Temer” não quer esperar 2018.
O parentesco mais próximo  que o grito deste carnaval pode ter é com as “jornadas de junho” de 2013, que reuniram indignados com a corrupção e decepcionados com a política de esquerda ou de direita, ricos ou pobres, reacionários e progressistas, oportunistas de ocasião ou inocentes sinceramente interessadas em “passar o país a limpo”. Mas como em política não há gesto inútil, aqueles protestos foram capturados e direcionados pelas forças que já pensavam no golpe.  Minada a popularidade de Dilma, o resto foi vindo. Agora, massas que se reuniram apenas para brincar o carnaval entoaram um Fora Temer a plenos pulmões. No Rio, houve até um “Lula lá” de madrugada, no bloco “minha luz é de led”. Mas desprezemos esta preferência, bem como as declarações de artistas e notáveis, para ficarmos só com a força expontaneísta do Fora Temer.
Agora vem a quaresma do governo Temer, um tempo de grandes tribulações.  No âmbito do processo do TSE, além de Marcelo Odebrecht, o relator ouvirá depoimentos de outros delatores da Odebrecht: amanhã os de Benedito Barbosa da Silva Júnior e Fernando Reis, no Rio, e na segunda-feira os Cláudio Melo Filho e Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, em Brasília.  Benjamim está pisando no acelerador. A defesa de Temer fará uso de todos os recursos protelatórios, como pedidos de auditoria e de novas audiências. Chegando ao plenário, o processo estará sob a regência do ministro Gilmar Mendes, presidente do tribunal e aliado indisfarçado do presidente. Gilmar pode muito mas não pode tudo. Outras demonstrações de que o governo não tem condições morais de se sustentar estarão se acumulando nos próximos dias, com a divulgação de uma parte das delações da Odebrecht. Elas devem atingir ministros, colaboradores e parlamentares da base do governo. Ainda que os delatores façam revelações cabeludas sobre Temer, relacionadas com fatos ocorridos antes de sua posse, ele não poderá ser processado por elas. O presidente, diz a Constituição, não pode ser processado e julgado por atos estranhos ao exercício do cargo.  Isso não impede, entretanto, que um governanete açoitado por denúncias graves perca as condições morais e politicas de se manter no cargo. Se Temer chegar a este ponto, alguma saída terá que ser produzida pelas elites, ainda que seja no TSE, apesar de Gilmar.
Para Lula, cuja candidatura já leva jornais como O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo a clamarem por sua interdição judicial, seria até melhor esperar pela saída natural, as eleições de 2018.  Quando mais Temer ficar no Planalto, mais desmoralizado estará seu governo no final. Lula seria beneficiário de um “quanto pior, melhor”, mas o país estaria mais destruído, dificultando e retardando a recuperação.  Também por isso o início do ocaso do governo é um bom sinal, e sua derrocada será uma redenção.  

copiado http://www.brasil247.com/pt/247/

JUIZ LIBERA QUESTÕES DE CUNHA QUE ENVOLVEM TEMER EM CORRUPÇÃO

JUIZ LIBERA QUESTÕES DE CUNHA QUE ENVOLVEM TEMER EM CORRUPÇÃO

Ao contrário de Sérgio Moro, o juiz federal Vallisney de Souza Oliveira determinou que todas as perguntas feitas pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha em ação na qual é réu por irregularidades na Caixa Econômica Federal sejam encaminhadas a Michel Temer; ao todo, Cunha, que está preso desde outubro em Curitiba, apresentou 19 questões, muitas delas incômodas para Temer; em uma delas, pergunta se Temer tem conhecimento de oferecimento de propina ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco; em outra, se doações para campanha do PMDB estavam condicionadas à liberação de recursos do Fundo de Investimentos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FI-FGTS), administrado pela Caixa; o juiz afirmou que Temer pode se reservar o direito de não responder o que considerar impertinente ou autoincriminatório; confira a lista completa 
2 DE MARÇO DE 2017 ÀS 05:10 //

Brasília 247 - O juiz federal Vallisney de Souza Oliveira determinou que todas as perguntas feitas pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha em ação na qual é réu por irregularidades na Caixa Econômica Federal sejam encaminhadas a Michel Temer. Ao todo, Cunha, que está preso desde outubro em Curitiba, apresentou 19 questões, muitas delas incômodas para Temer.
O magistrado fez uma ressalva: Temer “poderá se reservar ao direito de não responder a perguntas impertinentes ou autoincriminatórias”. Cunha está preso desde outubro do ano passado em Curitiba em razão da Operação Lava-Jato e indicou Temer como uma de suas testemunhas.
As informações são de reportagem de André de Souza em O Globo.
"Ao todo, Cunha apresentou 19 questões ao presidente . Em uma delas, pergunta se Temer tem conhecimento de oferecimento de propina ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco. Em outra, se doações para campanha do PMDB estavam condicionadas à liberação de recursos do Fundo de Investimentos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FI-FGTS), administrado pela Caixa.
O caso está na Justiça Federal de Brasília. Em outro processo que corre na Justiça Federal do Paraná, Cunha também fez perguntas constrangedoras a Temer. Mas, em novembro do ano passado, o juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava-Jato, adotou uma medida diferente. Em vez de encaminhar todas as 41 perguntas a Temer, facultando ao presidente responder o que ele quisesse, Moro vetou 21 delas, restringindo os questionamentos que poderiam ser feitos. Na avaliação de Moro, o teor de algumas perguntas era inapropriado, não cabendo à Justiça Federal de primeira instância conduzir investigações contra o presidente da República.
Em Brasília, Cunha arrolou 18 testemunhas, todas aceitas pelo juiz Vallisney. Por ser presidente, Temer tem a prerrogativa de responder as questões por escrito, sem precisar comparecer pessoalmente à Justiça. Além dele e de Moreira, serão ouvidos, a pedido de Cunha, 16 pessoas, entre elas: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; o ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes; o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega; o presidente da Caixa, Gilberto Occhi; o ex-presidente do banco Jorge Hereda; o presidente da siderúrgica CSN, Benjamin Steinbruch, e o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira."

Confira as perguntas:
1) Em qual período Vossa Excelência foi Presidente do PMDB?
2) Quando da nomeação do senhor Moreira Franco como vice-presidente de Fundos e Loteria da Caixa Econômica Federal, Vossa Excelência exercia a Presidência do PMDB?
3) Vossa Excelência foi o responsável pela nomeação dele para Caixa? O pedido foi feito a quem?
4) Em 2010, quando o sr. Moreira Franco deixou a CEF para ir para a coordenação da campanha presidencial como representante do PMDB, Vossa Excelência indicou Joaquim Lima como seu substituto na referida empresa pública?
5) Vossa Excelência conhece a pessoa de André de Souza, representante dos Trabalhadores no Conselho no FI/FGTS à época dos fatos?
6) Vossa Excelência fez alguma reunião para tratar de pedidos para financiamento com o FI-FGTS junto com Moreira Franco e André de Souza?
7) Vossa Excelência conhece Benedito Júnior e Léo Pinheiro?
8) Participou de alguma reunião com eles e Moreira Franco para doação de campanha?
9) Se a resposta for positiva, estava vinculada a alguma liberação do FI-FGTS?
10) André da Souza participou dessas reuniões?
11) Vossa Excelência conheceu Fábio Cleto?
12) Se sim, Vossa Excelência teve alguma participação em sua nomeação?
13) Houve algum pedido político de Eduardo Paes, visando à aceleração do projeto Porto Maravilha para as Olimpíadas?
14) Tem conhecimento de oferecimento de alguma vantagem indevida, seja a Érica ou a Moreira Franco, seja posteriormente, para liberação de financiamento do FI/FGTS?
15) A denúncia trata da suspeita do recebimento de vantagens providas do consórcio Porto Maravilha (Odebrecht, OAS e Carioca), Hazdec, Aquapolo e Odebrecht Ambiental, Saneatins, Eldorado Participações, Lamsa, Brado, Moura Debeux, BR Vias. Vossa Excelência tem conhecimento, como presidente do PMDB até 2016, se essas empresas fizeram doações a campanhas do PMDB. Se sim, de que forma?
16) Sabe dizer se alguma delas fez doação para a campanha de Gabriel Chalita em 2012?
17) Se positiva a resposta, houve a participação de Vossa Excelência? A doação estava vinculada à liberação desses recursos da Caixa no FI/FGTS?
18) Como vice-presidente da República desde 2011, Vossa Excelência teve conhecimento da participação de Eduardo Cunha em algum fato vinculado a essa denúncia de cobrança de vantagens indevidas para liberação de financiamentos do FI/FGTS?
19) Joaquim Lima continuou como vice-presidente da Caixa Econômica Federal em outra área a partir de 2011 e está até hoje, quem foi o responsável pela sua nomeação?
copiado http://www.brasil247.com/pt/247/

Odebrecht diz que acertou com Padilha repasse de R$ 10 milhões ao PMDB Relator do processo contra Dilma e Temer tem atuação considerada firme Ministro, com larga trajetória no Judiciário, avalia possíveis crimes de campanha da chapa nas eleições de 2014 Noblat: Querem derrubar Temer? Não contem com a Justiça Eleitoral BRASIL Noblat: Marcelo Odebrecht implica Dilma e poupa Temer Valor acertado para a campanha presidencial da chapa reeleita foi de R$ 150 milhões, de acordo com o ex-presidente do Grupo Odebrecht

Relator do processo contra Dilma e Temer tem atuação considerada firme

Ministro, com larga trajetória no Judiciário, avalia possíveis crimes de campanha da chapa nas eleições de 2014 

Marcelo Odebrecht implica Dilma e poupa Temer

Ricardo Noblat
Em depoimento, ontem, de mais de quatro horas à Justiça Eleitoral, o herdeiro e ex-presidente do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, deixou mal a ex-presidente Dilma Rousseff e seu ministro da Fazenda Guido Mantega, e relativamente bem o presidente Michel Temer.
Sobre Dilma, disse que ela sabia da origem ilícita do dinheiro doado para sua campanha pela Odebrecht. Sobre Temer, informou que não houve um pedido direto pelo então vice-presidente da República para a doação de R$ 10 milhões ao PMDB. É o que Temer tem repetido.
Segundo Odebrecht, 4/5 dos recursos destinados pela empresa para a campanha da chapa Dilma-Temer em 2014 tiveram como origem o caixa 2. Dilma sabia, sim, dos pagamentos feitos ao marqueteiro do PT, João Santana, a maior parte deles em dinheiro vivo.
O valor acertado para a campanha presidencial da chapa reeleita foi de R$ 150 milhões. Do total, de acordo com Odebrecht, R$ 50 milhões eram uma contrapartida à votação da Medida Provisória do Refis, encaminhada ao Congresso em 2009, e que beneficiou a Braskem, um braço da empresa.
Odebrecht admitiu que tinha contato frequente com o alto escalão do governo. Citou Mantega, com quem negociava repasses de dinheiro para o PT. Afirmou a certa altura:  “Eu não era o dono do governo, eu era o otário do governo. Eu era o bobo da corte do governo”.
Quanto à ajuda dada ao PMDB a pedido de Temer: as tratativas para a doação foram feitas entre o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o executivo da Odebrecht em Brasília Cláudio Melo Filho. Odebrecht reconheceu que parte dela foi via caixa 2.
O depoimento de Odebrecht agrava a situação de Padilha, que se licenciou do cargo para ser operado da próstata em Porto Alegre. Padilha foi o principal alvo da delação de José Yunes, amigo de Temer há mais de 40 anos, que disse ter servido de “mula” para ele.
Yunes revelou que, a pedido de Padilha, recebeu um pacote lacrado que lhe foi entregue em 2014 pelo doleiro Lúcio Funaro, hoje preso na Penitenciária da Papuda, em Brasília. E que Padilha, depois, mandou buscar o pacote. Havia dinheiro dentro, segundo Cláudio Melo Filho.
Marcelo Odebrecht (Foto: Divulgação)
Marcelo Odebrecht (Foto: Divulgação)copiado http://noblat.oglobo.globo.com/

JANOT DEVE PEDIR INQUÉRITO CONTRA 30 AUTORIDADES JÁ NA SEMANA QUE VEM As informações são de reportagem de Jailton de Carvalho em O Globo.


JANOT DEVE PEDIR INQUÉRITO CONTRA 30 AUTORIDADES JÁ NA SEMANA QUE VEM

Antonio Cruz/Agência Brasil

Tensão em Brasília: nova "lista do Janot" deve ser divulgada já na semana que vem, com pedido de inquérito ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra pelo menos 30 autoridades; tendo como base as delações da Odebrecht, alvos são senadores, deputados, ministros e até um integrante do TCU (Tribunal de Contas da União); os procuradores também estão finalizando os pedidos de inquéritos a serem apresentados ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra governadores suspeitos de receberem propina para facilitar a concessão de contratos da Odebrecht; não está claro ainda quais serão os alvos dos primeiros pedidos, mas sabe-se que os delatores citaram os nomes dos governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB)
copiado http://www.brasil247.com/pt/247/


POR 



Entre os alvos dos pedidos está pelo menos um ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Até o momento, três ministros do tribunal já foram citados nas investigações da Operação Lava-Jato: Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro e Vital do Rêgo. Os nomes de Cedraz e Carreiro aparecem nas investigações sobre suposto tráfico de influência e venda de informações privilegiadas do advogado Tiago Cedraz, filho do ex-presidente do TCU, para o dono da UTC, Ricardo Pessoa, um dos primeiros empreiteiros a fazer acordo de delação.
GOVERNADORES TAMBÉM NO ALVO
O nome de Vital do Rêgo também já apareceu num depoimento em que Pessoa confessou pagamento de suborno a parlamentares para impedir a convocação de empreiteiros para depor na CPI da Petrobras. Na época, Vital do Rêgo era senador do PMDB pela Paraíba e presidia a CPI.
Os procuradores também estão finalizando os pedidos de inquéritos a serem apresentados ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra governadores suspeitos de receberem propina para facilitar a concessão de contratos da Odebrecht. Não está claro ainda quais serão os alvos dos primeiros pedidos. Mas sabe-se que os delatores citaram os nomes dos governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB); Minas Gerais, Fernando Pimentel 
Os procuradores estão fazendo a triagem de um extenso material sobre políticos que receberam algum tipo de vantagem da empreiteira, mas não têm foro nos tribunais superiores. As informações serão destinadas a 60 duplas de procuradores ou promotores que participaram ano passado de um esforço concentrado da Procuradoria-Geral da República para interrogar os 78 delatores e concluíram os acordos de delação em tempo recorde, dado o grande volume de dados.
EXECUTIVOS CITARAM MAIS DE 130 POLÍTICOS
O envio do material a promotores e procuradores nos estados depende de decisão do ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no STF. Mas, para deliberar sobre cada caso, Janot terá que destacar as acusações que pesam contra cada um dos suspeitos e apontar os motivos legais que justificariam a transferência das investigações para a Justiça de primeira instância.
O desmembramento da Lava-Jato em investigações locais deverá resultar num número ainda mais expressivo de futuros pedidos de inquérito. Os executivos da Odebrecht citaram mais de 130 políticos de todos os grandes partidos como destinatários de dinheiro do caixa dois da empresa. Entre os acusados estão políticos de âmbito federal, estadual e municipal. Restrita hoje à Brasília, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro, a Lava-Jato deverá, com as delações da Odebrecht, se espalhar por quase todo território nacional.
A análise de depoimentos e provas e a fundamentação de cada um dos pedidos é considerado complexo e exaustivo. Não por acaso, procuradores, promotores e até o próprio procurador-geral arregaçaram as mangas e trabalharam durante o feriado do carnaval. Foi um esforço extra parecido com o que aconteceu há dois anos, quando Janot apresentou pedidos de inquérito contra políticos acusados, em Curitiba, por Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, os dois primeiros delatores da Lava-Jato.
A primeira lista Janot provocou forte reação de alguns dos alvos das investigações, entre eles o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), agora ex-presidente do Senado, e do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ex-presidente da Câmara, que está preso em Curitiba. A expectativa no Ministério Público Federal é de que a segunda lista Janot provoque um contra-ataque ainda mais forte. Para alguns, mesmo antes da conclusão dos trabalhos, os potenciais alvos dos inquéritos já estão se articulando para mudar leis, ocupar cargos estratégicos e recompor alianças para esvaziar a Lava-Jato.
Alguns políticos ainda se movem nos bastidores, mas o quadro deve mudar quando as acusações vierem à público. Janot e equipe já decidiram, desde o ano passado, que os inquéritos serão acompanhados de pedidos de afastamento de sigilo. Ou seja, se considerar consistente o pedido do procurador-geral, Fachin deverá abrir o conteúdo de boa parte dos inquéritos e dos depoimentos gravados em vídeo.
Só permanecerão em sigilo informações essenciais para eventuais pedidos de busca, prisão e outras ações de interesse dos investigadores. Também deverão ficar em segredo as acusações que os delatores fizeram sobre pagamentos de propina na Argentina, Equador, Peru e Colômbia, entre outros países. Essas informações ficarão em segredo até maio para proteger funcionários da Odebrecht que ainda estão em área de risco no exterior.
copiado http://oglobo.globo.com/

14 polegadas ...Os humildes moradores do pequeno vilarejo de dez ou quinze casebres se cotizaram para comprar um único televisor, comum a todos. A tevêzinha era guardada a chave de cadeado numa casinhola de ferro colocada sobre um pedestal, tal e qual um altar. Era, talvez, a peça mais moderna que havia ali...

14 polegadas

Tevê comunitária no interior do Ceará

Em 1994 eu viajava pelo interior do Nordeste para fazer várias reportagens sobre a seca que afligia o Ceará, Pernambuco, Bahia etc. Passei, com o colega encarregado dos textos, quase dois meses rodando lugares os mais recônditos e modestos do sertão.
Um belo dia, já no finzinho da tarde, deparamos com uma cena inusitada, perto de Quixeramobim. É claro que parei para fazer s foto, essa aí, pois era evidente que em breve a cena seria referência para comparação da evolução da sociedade através do tempo.
Os humildes moradores do pequeno vilarejo de dez ou quinze casebres se cotizaram para comprar um único televisor, comum a todos. A tevêzinha era guardada a chave de cadeado numa casinhola de ferro colocada sobre um pedestal, tal e qual um altar. Era, talvez, a peça mais moderna que havia ali.
Sentados em bancos de madeira caprichosamente colocados à frente da tevê de catorze polegadas homens, mulheres e crianças podiam acompanhar, em cores, as novelas e ver as notícias nos telejornais, o que rolava mundo a fora.
Estou sempre viajando pelos interiores, mas a esse vilarejo precisamente nunca mais voltei. Pergunto: hoje, passados vinte e três anos, — na era do telefone celular, da Internet rápida e, enfim, da comunicação digital — será que cenas como essa ainda existem no chamado Brasil profundo? É muito provável que não. É possível que agora o nosso singelo povoado perto de Quixeramobim faça parte de uma reveladora estatística: 97 por cento dos lares agora brasileiros possuem uma tevê.
Aliás, segundo pesquisas realizadas pelo IBGE-Instituto Brasileiro de Estatística, o número de aparelhos de televisão e geladeiras suplantou a quantidade de rádios.
Orlando Brito
copiado https://osdivergentes.com.br/

O outro lado da Justiça e do MP. O das regalias

O outro lado da Justiça e do MP. O das regalias

 


O outro lado da Justiça e do MP. O das regalias

Se quiser reduzir as desigualdades, o reformista Michel Temer poderia incluir na sua cesta de projetos os adereços que adornam os servidores públicos. Nem se fala aqui na estabilidade e na greve remunerada (que ainda vige largamente).


Trata-se de algumas regalias destinadas justamente a quem tem mais. N`O Globo desta terça carnavalesca, 28, o jornalista André de Souza noticia que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defende o auxílio-moradia de R$ 4.377,73 para promotores e procuradores.
Em tese, a prebenda se justificaria para os primeiros momentos quando um servidor tiver que se deslocar para um local distante de sua residência. Numa visão que prime pela redução das desigualdades, o benefício seria destinado preferencialmente aos escalões menos aquinhoados.
Na prática, porém, o que funciona é a regra do “mais você tem, mais você ganha”. Ou “dinheiro atrai dinheiro”. Não à toa, comum encontrar membros do MP e juízes com vencimentos iguais ou superiores ao teto do funcionalismo, extraordinários R$ 33.763.
Chamam a atenção as justificativas de Janot. Depois de alguns argumentos ornamentais (como o de que aposentados não recebem o auxílio), o procurador-chefe vale-se de duas tecnicalidades para amparar seu parecer favorável a uma ação que questiona a regalia.
Diz ele que os juízes têm direito à mordomia, logo é preciso manter a isonomia entre poderes. De fato, o juiz Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu monocraticamente que magistrados têm esse direito.
Mas, afinal, Janot é pago para defender interesses corporativos ou promover justiça? Antes de defender uma vantagem indevida, não caberia a ele questionar a decisão de Fux?
Outro argumento do chefe do MP ampara o privilégio num outro privilégio. Sustenta o procurador, a quem cabe denunciar os mais graúdos meliantes do erário envolvidos na Lava-Jato, que os R$ 4,3 mil são pagos apenas quando o Estado não disponibiliza imóvel funcional.
Conclui-se, assim, que o Estado que carece de recursos para a saúde, a educação e a segurança pública deve bancar moradia justamente para quem tem na estabilidade um seguro às nossas rotineiras instabilidades econômicas. O adicional, que equivaleria a um bom salário para a maioria dos brasileiros, é, desta maneira, pago a quem já tem condições de alugar ou comprar um imóvel.
Noutras palavras, a estrutura de regalias montada pelo Estado para os membros do Estado garante um mimo para quem tem mais. Quem tem menos fica fora da festa.
A Lava-Jato, investigação histórica a destrinchar entranhas apodrecidas do poder público, parece funcionar como anteparo a qualquer questionamento do Poder Judiciário e do Ministério Público, que seriam assim intocáveis. Na verdade, a conclusão oposta é a verdadeira.
Se a operação sediada em Curitiba ajuda a higienizar o Estado justo presumir que nenhuma parte dele fique de fora da moralização pretendida. Como registrou no Estadão o advogado Ives Gandra Martins, o MP não é “um superpoder sem possibilidade de ser responsabilizado”. Tampouco o Judiciário.
copiado https://osdivergentes.com.br/

Michel: vai-e-vem, muda não muda, decide não decide…Gastando o nosso dinheiro não creio que a despesa seja do bolso dele.

Michel: vai-e-vem, muda não muda, decide não decide…

 


Michel e Marcela Temer
Presidente Michel Temer e a primeira-dama Marcela Temer.
Não tem marido que tenha paz quando a patroa cisma de mudar de casa. Ou de não mudar. E não existe nenhuma lei obrigando o presidente da República a morar no Alvorada. Por isso, lá foi a família Temer de volta para o Jaburu, depois de menos de uma semana na residência oficial.

Cada um mora onde quiser, embora a presença dos presidentes no lindo Palácio da Alvorada tenha um forte simbolismo. Mas o problema não é esse. O que pega mal é o vai-e-vem de Michel Temer e família, passando a ideia de insegurança e falta de firmeza. Essa imagem, sim, aliada a outros momentos em que o presidente prometeu e não cumpriu, decidiu e voltou atrás, é que pode produzir uma contaminação negativa.
copiado https://osdivergentes.com.br/

Temer pode escapar pela mesma brecha que livrou Lula no Mensalão


Temer pode escapar pela mesma brecha que livrou Lula no Mensalão

Como farsa ou tragédia, a política adora se repetir. As nuances dão sabor a cada uma das versões. São o tempero que distingue uma boa história de clara trapaça. Até mesmo quando se mesclam.
Publicidade
O que Marcelo Odebrecht contou em seu depoimento à justiça eleitoral tocou a sineta, a mesma campainhia ouvida em outros grandes imbloglios envolvendo a corrupção na política.
E o que ele disse? Ouviu de Michel Temer um pedido de ajuda ao PMDB, sem falar em valores e nem menos em grana. Ao pé da letra, nada. Depois, com Eliseu Padilha, números e circunstâncias entraram na roda.
Cascata ou não, o príncipe dos empreiteiros teria descrito à Justiça Eleitoral um roteiro que complementa o que José Yunes, o primeiro-amigo de Temer, revelou aos procuradores da República.
Pois bem. Se rolou dinheiro legal ou ilegal, a conta é só de Eliseu Padilha e de outros operadores. Na versão deles, mesmo que a conversa tenha sido no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente da República, Temer nunca esteve na cena do suposto crime.
Esse é mais um daqueles filmes que quem acompanha de perto o jogo político em Brasília já viu outras vezes.
Vamos a um deles: em junho de 2002, em um apartamento em Brasília, no qual Lula e seu futuro vice José Alencar estavam presentes, foi fechada a aliança eleitoral entre o PT e o PL.
De acordo com a confissão de Valdemar Costa Neto — eterno dono do partido, em suas várias siglas–, ali foi acertado, em um dos quartos da casa, o pagamento pelo PT de R$ 10 milhões ao PL do apoio a Lula.
Por essa versão, mantida durante todo o julgamento do Mensalão, o acerto em que o PT comprou o apoio do então PL foi entre Valdemar, José Dirceu e Delúbio Soares. Lula estaria em outro aposento trocando um dedo de prosa com José Alencar.
Como não estaria na cena do crime, ele nem foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal que condenou José Dirceu, Valdemar Costa Neto e Delúbio Soares pelo que ali foi acordado.
É assim que a banda toca em Brasília. Mesmo assim, foi um sucesso de público e de crítica pelo ineditismo de por na cadeia gente do andar de cima.
Nos bastidores da Justiça dizem que quem aperfeiçoou esse método de entregar os princípes para preservar o Rei foi Márcio Thomas Bastos, um insubstituível craque nesse jogo.
copiado https://osdivergentes.com.br/

Postagem em destaque

Ao Planalto, deputados criticam proposta de Guedes e veem drible no teto com mudança no Fundeb Governo quer que parte do aumento na participação da União no Fundeb seja destinada à transferência direta de renda para famílias pobres

Para ajudar a educação, Políticos e quem recebe salários altos irão doar 30% do soldo que recebem mensalmente, até o Governo Federal ter f...