Luís Barrucho - @luisbarruchoDa BBC Brasil em Londres
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Vereador em São Paulo, Gilberto Natalini diz ter
sido torturado por coronel Brilhante Ustra durante ditadura militar
"Nesse dia de
glória para o povo brasileiro tem um nome que entrará para a história
nessa data, pela forma como conduziu os trabalhos nessa casa. Parabéns,
presidente Eduardo Cunha. Perderam em 1964. Perderam agora em 2016. Pela
família e pela inocência das crianças em sala de aula que o PT nunca
teve, contra o comunismo, pela nossa liberdade, contra o Foro de São
Paulo, pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor
de Dilma Rousseff, pelo Exército de Caxias, pelas nossas Forças Armadas,
por um Brasil acima de tudo e por Deus acima de todos, o meu voto é
sim."
Foi assim que o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) justificou o
voto a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff no plenário da
Câmara dos Deputados no último domingo. As declarações geraram
polêmica, especialmente pela referência ao coronel Carlos Alberto
Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-Codi (Destacamento de Operações de
Informações do Centro de Operações de Defesa Interna), órgão de
repressão da ditadura. Ustra morreu aos 83 anos em setembro do ano
passado.
A homenagem a um dos personagens mais controversos do
regime militar foi alvo de críticas de milhares de brasileiros, que
foram às redes sociais expressar choque e reprovação. Para um deles, no
entanto, o elogio de Bolsonaro evocou memórias ruins.
Em 1972,
Gilberto Natalini, hoje médico e vereador pelo PV-SP, tinha então 19
anos e foi torturado por Ustra. À época estudante de medicina, ele havia
sido preso por agentes da ditadura que queriam informações sobre o
paradeiro de uma amiga dele, envolvida na luta armada. Natalini negou-se
a colaborar. A tortura consistia em choques elétricos diários, que,
segundo ele, lhe causaram problemas auditivos irreversíveis.
"Bolsonaro
não tem o direito de reverenciar a memória de Ustra. Ustra era um
assassino, um monstro, que torturou a mim e a muitos outros", afirmou
Natalini à BBC Brasil.
Natalini conta ter sido vítima de tortura por cerca de dois meses na sede do DOI-Codi em São Paulo.
"Tiraram
a minha roupa e me obrigaram a subir em duas latas. Conectaram fios ao
meu corpo e me jogaram água com sal. Enquanto me dava choques, Ustra me
batia com um cipó e gritava me pedindo informações", relembra.
"A tortura comprometeu minha audição. Mas as marcas que ela deixou não são só físicas, mas também psicológicas."
Natalini
nega ter participado da luta armada contra a ditadura militar. Ele
confirma ter feito oposição ao regime, mas diz que "sem violência".
"Sempre
fui a favor da mobilização das consciências contra qualquer tirania.
Nunca fui a favor de ações violentas. Acolhíamos perseguidos políticos,
prestando atendimento médico quando necessário", diz ele, em alusão à
Escola Paulista de Medicina (EPM), onde estudava.
"Mas todo mundo que se opunha ao governo militar era visto como terrorista", ressalva.
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Para Natalini, projeção nacional do deputado está
ligada à desmoralização das esquerdas, devido "aos escândalos de
corrupção protagonizados pelo PT"
Para Natalini, que foi preso "outras 16 vezes" pelo
regime militar, Bolsonaro "não pode, como agente político, pregar o
retorno da ditadura".
"E se ele o fizer, temos todo o direito de
contestá-lo e colocá-lo em seu devido lugar. Bolsonaro não vai conseguir
impingir ao Brasil sua ideologia doente, ultrapassada e fascista. O
caso dele é com a Justiça", afirma ele.
Na visão de Natali, a
projeção nacional do deputado está ligada à desmoralização das
esquerdas, devido "aos escândalos de corrupção protagonizados pelo PT".
"Os
erros do PT permitiram que se criasse uma corrente de opinião contra à
verdadeira esquerda, que nunca existiu no Brasil. A extrema direita, que
estava adormecida, aproveitou-se desse vácuo. Bolsonaro é fruto dessa
roubalheira", opina.
"Se nossa democracia tem defeitos, precisamos
corrigi-la. Muito piores são os regimes militares, de esquerda ou de
direita", acrescenta.
Apesar de criticar Bolsonaro, Natalini defende o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, não há "golpe".
"A
Constituição brasileira prevê que o presidente pode sofrer impeachment
se tiver cometido crimes de responsabilidade. Foi o que aconteceu com as
chamadas pedaladas fiscais", diz.
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Ustra era um dos mais temidos militares nos anos de chumbo
Um dos mais temidos militares nos anos de chumbo,
Ustra chefiou o DOI-Codi, órgão de repressão do 2º Exército em São
Paulo. Ele foi apontado por dezenas de perseguidos políticos e
familiares das vítimas como responsável por perseguição, tortura e morte
de opositores.
Conhecido pelo apelido de "Doutor Tibiriçá", ele
foi acusado pelo desaparecimento e morte de pelo menos 60 pessoas.
Durante sua gestão, pelo menos 500 casos de tortura teriam sido
cometidos nas dependências do DOI-Codi.
Único militar brasileiro
declarado torturador pela Justiça, Ustra foi denunciado pelo MPF
(Ministério Público Federal) pela morte do militante comunista Carlos
Nicolau Danielli em dezembro de 1972. Mas não houve tempo para sua
condenação. Ustra morreu em setembro do ano passado em Brasília. Ele
sofria de câncer de próstata.
Ricardo CalazansDo Rio de Janeiro para a BBC Brasil
19 abril 2016
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Trajetória política de Eduardo Cunha remonta à era Collor
Em 1992 já havia um
"Fora Cunha". Naquele ano, em meio à turbulência em torno do processo
de impeachment de Fernando Collor de Mello, o Sindicato dos
Trabalhadores em Comunicação do Rio de Janeiro exigia a saída do
economista Eduardo Cosentino da Cunha da presidência da companhia
telefônica estadual.
"Um collorido na presidência da Telerj", denunciava o cartaz de protesto.
Hoje
o "Fora Cunha" é uma hashtag, e o ex-collorido da Telerj se tornou o
poderoso presidente da Câmara dos Deputados, o homem à frente da votação
que, no domingo, pavimentou o caminho que tende a levar o país a mais
um processo de impeachment – a decisão, agora, está a cargo do Senado.
Cunha
foi, até então, o principal opositor da presidente Dilma Rousseff na
longa e cansativa batalha do impeachment, o "adversário mais à altura"
que o PT já enfrentou em seus 13 anos de governo, segundo o ex-deputado
Roberto Jefferson (PTB-RJ), condenado no processo do mensalão.
"Lula
nunca esperou encontrar um bandido da mesma qualidade moral,
intelectual que ele", disse Jefferson em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada no último dia 31 de março.
Cunha,
entretanto, tem muitos admiradores. "Ele é um político ousado,
inteligente, disciplinado e trabalhador", elogia o deputado federal
Rodrigo Maia (DEM-RJ), um de seus principais aliados na encarniçada
guerra contra o PT. "Reúne todas essas qualidades. Leva isso ao
extremo."
De fato, Cunha sempre foi aplicado. Estuda os regimentos
da Câmara com afinco, como na época em que era um estudante discreto,
de cabelos compridos e óculos "fundo de garrafa" que sempre tirava boas
notas, como conta um perfil publicado pelo jornal O Globo, também em março.
Mas
nada em seu comportamento escolar nos anos 1970 (ele nasceu em 1958; em
setembro completa 58 anos) indicava que Cunha estaria hoje no centro do
noticiário político do país por seu papel de principal opositor ao
Poder Executivo e por conduzir o processo de admissibilidade do
impeachment enquanto ele mesmo é réu no Supremo Tribunal Federal sob a
suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção passiva.
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PC Farias indicou Cunha para ser o tesoureiro de campanha de Collor no Rio
Tesoureiro de campanha de Collor
"Cunha
não era politizado quando jovem. Nunca foi de movimento estudantil nem
de associação de moradores", conta o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ),
ferrenho adversário do peemedebista.
"Ele vinha de uma família de
classe média, era tijucano (morador do bairro da Tijuca, zona norte do
Rio) como eu, e ingressou na política com um objetivo claro de ascensão
social."
Seu primeiro partido foi o PRN (Partido da Reconstrução
Nacional): em 1989, ele ajudou a eleger Collor presidente, como
tesoureiro do comitê de campanha no Rio, a convite "da figura mais
nefasta daquele grupo, o Paulo Cesar Farias", relata Chico.
Como
se vê, a pecha de "collorido" que Cunha carregava em 1992 não era
gratuita. Foi o próprio PC quem sugeriu a Collor nomeá-lo para a
presidência da Telerj, em 1991. Antes de ingressar no mundo dos cargos
comissionados, ele teve passagens como economista pelas empresas Arthur
Andersen e Xerox.
Em sua gestão na telefônica, teve um papel
importante na implementação da telefonia celular no Rio. Também foi
envolvido, pela primeira vez, num escândalo de superfaturamento. A
segunda vez veio em 2000, quando foi afastado da Companhia Estadual de
Habitação (Cehab) por denúncias de contratos sem licitação e
favorecimento a empresas fantasmas.
Ele havia sido nomeado pelo então governador Anthony Garotinho (hoje no PR), hoje um ferrenho desafeto, apenas seis meses antes.
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Para deputado Glauber Braga, Cunha é 'mentor do acordão e articulador das ações' de Temer
Conta na Suíça
Entre
a Telerj e a Cehab, Cunha foi apadrinhado pelo empresário e deputado
federal Francisco Silva, dono da rádio gospel Melodia, evangélico como
ele, e tornou-se radialista. Passou também a frequentar os cultos da
Igreja Assembleia de Deus, onde construiu sua base eleitoral.
Nessa época ele já se casara com a jornalista Claudia Cruz, apresentadora do noticiário RJTV, da TV Globo, a quem convidara para ser "a voz" da Telerj.
O
trabalho virou romance e, juntos, tiveram uma filha, Bárbara (ele tem
outros três filhos do primeiro casamento). Levam uma vida de alto luxo:
vão a jantares em restaurantes caríssimos de Paris, tiveram aulas de
tênis em Nova York que custaram US$ 60 mil, possuem carros caríssimos. O
dinheiro que paga esses prazeres está sendo investigado na Operação
Lava Jato.
Claudia também é sócia de Cunha em diversas empresas
suspeitas (entre elas, uma chamada Jesus.com) e titular de uma conta
irregular na Suíça, bloqueada a partir da investigação. Nada que
surpreenda Chico Alencar. "Ele sempre lidou com denúncias de negociatas
em sua trajetória", diz o deputado do PSOL.
Alencar e Cunha se
conheceram pessoalmente quando se elegeram deputados estaduais, em 1998.
Cunha entrou como suplente; teve apenas 15 mil votos, menos de sete por
cento dos 232 mil que o tornaram o terceiro deputado federal mais
votado do Rio em 2014.
"Naquela época ele era bem mais discreto, mas sempre foi considerado uma figura ardilosa", recorda Chico.
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Cunha tem uma legião de seguidores na Câmara, mas também muitos críticos
Um terço da Câmara
Essa
discrição acabou em 2014, quando Cunha liderou um "blocão" que exigia
do governo mais cargos para os aliados. Como forma de pressão, passou a
impor derrotas na Câmara a Dilma e ao PT, a quem já havia ajudado em
momentos importantes, como na CPI do Apagão Aéreo, em 2007, quando já
estava havia quatro anos no PMDB e era vice-líder do partido, com um
séquito de seguidores.
Fiel companheiro de Cunha no impeachment de
Dilma, o sindicalista Paulinho da Força, líder do partido
Solidariedade, afirma que 180 dos 513 deputados federais dançam conforme
a música que o antigo aluno de óculos "fundo de garrafa" toca. Quase um
terço da Câmara.
"Individualmente, ele tem mais votos do que o PT
e seus aliados. Cunha, sozinho, também tem mais força que a oposição",
diz Paulinho.
Trata-se de um exército legislativo conquistado com
uma habilidade específica: "Ele cumpre tudo o que diz. Isso tem valor na
Câmara; geralmente político fala e não cumpre. A lealdade e o
compromisso com as pessoas o tornaram forte", avalia Paulinho.
Para
o deputado André Moura, do PSC, o "presidente Eduardo", como o chama,
dignifica o Parlamento. "Ele devolveu o protagonismo ao Legislativo. Deu
altivez a essa casa", opina o sergipano, membro da tropa de choque dos
aliados de Cunha.
"Apesar de todos os problemas pessoais que tem
enfrentado, o presidente Eduardo consegue pautar e botar para votar
matérias importantes, como o pacto federativo, a redução da maioridade
penal e a reforma tributária", diz Moura.
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Cunha se tornou o maior pesadelo de Dilma Rousseff
O deputado Wadih Damous (PT-RJ) vê Cunha de uma forma bem distinta.
"É
um ditador na presidência da Câmara. Patrocina projetos de lei
reacionários e alguns absurdos, como o projeto de lei do Dia do Orgulho
Hétero. A figura dele é emblemática do que há de pior na política
nacional", afirma.
Glauber Braga (PSOL-RJ) faz coro. "Não tem
limites no exercício e na conquista do espaço político. E hoje ele tem
muito mais espaço para impor sua agenda retrógrada. Ele usa todos os
instrumentos para ter acesso a um mecanismo de poder sem limites. Tenho
convicção de que o mentor do acordão e articulador das ações do
(vice-presidente) Michel Temer é o Cunha", diz o deputado.
Roteiro de série
Em 15 de março de 2014, o jornal gaúcho Zero Hora
publicou uma reportagem em que apontava Cunha como "o homem capaz de
balançar a aliança entre peemedebistas e petistas". No último 29 de
março, o presidente da Câmara festejou o rompimento com o governo ao
lado do senador Romero Jucá (também investigado pela Lava Jato) e outros
peemedebistas.
"Ele buscou uma independência harmoniosa entre os
poderes, mas o Palácio (do Planalto) nunca aceitou isso. Essa foi a
origem dos problemas", diz André Moura. "Ele se elegeu com base no poder
econômico, com financiamento de caixa 2 de empresas, é réu no STF e,
por isso, não tem legitimidade", rebate Damous.
Cunha é acusado,
na Lava Jato, de receber propinas milionárias: por um contrato de
navios-sondas da Petrobras teria recebido US$ 5 milhões; das empresas
ligadas ao Porto Maravilha (no Rio de Janeiro), a soma chegaria a
espetaculares R$ 52 milhões. Como se não bastasse, seu nome figura na
lista de offshores reveladas pelos Panama Papers.
Com base
nas denúncias apuradas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, o
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou Cunha ao STF em
setembro do ano passado. Ele nega todas as acusações e diz que é
perseguido, inclusive por Janot.
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Cunha evitou comemorar, ao menos publicamente, derrota de Dilma
Mas o marco do seu antagonismo derradeiro contra o
PT veio, segundo os bastidores políticos, quando o partido do governo
definiu, em dezembro, que não o apoiaria no Conselho de Ética da Câmara,
onde tramita um processo que, no limite, pode levar à cassação de seu
mandato. Seu ato imediato foi aceitar um dos pedidos de impeachment – em
seu primeiro pronunciamento após o resultado do domingo, Dilma voltou a
acusá-lo de agir por "vingança", o que ele nega.
Porém, mesmo
depois da maior das várias derrotas que já aplicou ao governo, o
peemedebista preferiu evitar celebrar – ao menos publicamente. "Tudo
isso é muito triste. Um caso grave", disse aos jornalistas.
O
deputado, todavia, não parece estar disposto a buscar uma trégua. Para
Cunha, esta é uma luta pela própria sobrevivência e até aqui tem
funcionado: ao contrário do impeachment, que corre célere, seu processo
no Conselho de Ética se arrasta lentamente.
"Eduardo Cunha quer
destruir, um a um, os opositores que debatem sua cassação", disse à BBC
Brasil o deputado José Carlos Araújo (PR-BA), que preside o conselho.
Ano que vem a Netflix promete lançar uma série inspirada na Lava Jato. A criação e direção serão de José Padilha (Tropa de Elite, Narcos).
Já a trama do roteiro tem sido escrita, no dia a dia da política
nacional, com a atuação de Eduardo Cunha. E ninguém, até aqui, consegue
prever o desfecho dessa história.
copiado http://www.bbc.com/portuguese/n
Já era de se
esperar que os discursos dos deputados na votação sobre o impeachment da
presidente Dilma Rousseff serviriam de base para uma série de memes em
redes sociais.
Mas nesta segunda-feira até a conservadora revista britânica The Economist ironizou os motivos alegados pelos parlamentares brasileiros para votar a favor do afastamento da presidente.
"As acusações contra Dilma são de que ela teria manipulado as contas do governo, ocultando seu estado lamentável", explica a Economist, em sua versão online.
"Mas
(essas acusações) não foram mencionadas por quase nenhum dos deputados
que falaram na sessão especial (sobre o impeachment) – estridente e
marcada por fortes divisões partidárias. Em vez disso, os deputados
pró-impeachment – acusados por seus adversários de serem ladrões,
fanáticos e golpistas – citaram razões mais ecléticas para seus votos",
completa a revista, mencionando, em seguida, uma lista com mais de 50
motivos, entre eles:
"Pelos maçons do Brasil"
"Pelos produtores rurais, porque se eles não plantam não há almoço nem janta"
"Contra o ensinamento da mudança de sexo nas escolas"
"Pela paz em Jerusalém"
"Por todos os corretores de seguro"
"Pela minha mãe Lucimar"
"Pela BR 429"
"Pelos militares de 64"
"Pela minha tia Eurides, que cuidou de mim quando eu era pequeno"
"Por Campo Grande, a morena mais linda do Brasil"
"Por Carlos Brilhante Ustra (chefe do
DOI-Codi em São Paulo, órgão de repressão política que foi palco de
torturas durante o regime militar), o terror de Dilma"
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Algumas das justificativas listadas pela revista, em inglês
Nas redes sociais, vários posts também satirizaram essa ampla gama de motivos apresentada pelos deputados para afastar Dilma.
"Vote no melhor argumento pró-impeachment", dizia um deles, com uma lista com cerca de 20 opções.
"Pela
volta do plural na língua portuguesa. Pelo fim do implante capilar mal
feito. Pelo fim da tinta acaju", dizia outro meme, satirizando os erros
de português e aparência dos deputados.
Há pouco mais de uma semana, a Economistpublicou
uma matéria na qual defendia que o processo de impeachment em curso o
Brasil não é um golpe de Estado, mas tampouco representa a melhor
solução para o país – que seria uma eleição geral capaz de renovar
também o Congresso.
"A próxima vez que os brasileiros forem às
ruas, é isso (novas eleições gerais) que deveriam exigir", opinou a
revista britânica.
copiado http://www.bbc.com/portuguese/topicos/brasil
A Ordem dos Advogados do Brasil
- seccional do Rio de Janeiro (OAB/RJ) - vai ao Supremo Tribunal
Federal (STF) e até a Corte Interamericana de Direitos Humanos, na Costa
Rica, para pedir a cassação do mandato do deputado federal Jair
Bolsonaro (PSC). Ao votar a favor do impeachment, no domingo (17), o
parlamentar exaltou a ditadura e elogiou Carlos Brilhante Ustra, que foi
chefe do Doi-Codi de São Paulo, um dos mais sangrentos centros de
tortura do regime militar.
Filho do desaparecido político
Fernando Santa Cruz, o presidente da OAB/RJ, Felipe Santa Cruz, afirmou
que um grupo de juristas já está elaborando um estudo com argumentos e
processos cabíveis para pedir a cassação do mandato de Bolsonaro.
"Vamos ao Supremo e à Corte Interamericana de Direitos Humanos para discutir os limites
da imunidade parlamentar e pedir a cassação dele. A apologia à tortura,
ao fascismo e a tudo que é antidemocrático é intolerável", afirmou
Santa Cruz.
Anunciando que tomaria providências contra Bolsonaro, o presidente
da ordem postou em seu Facebook imagens com 20 pessoas que teriam sido
torturadas por Ustra. "Algumas das vítimas do 'homenageado' pelo
deputado Bolsonaro. Tomaremos medidas duras que irão muito além de notas
e declarações", escreveu.
"Sempre achei o Bolsonaro um deputado
folclórico. Ele já até disse que meu pai saiu para pular carnaval e não
voltou. Mas esse folclórico está se tornando grave. Não há uma enorme
discussão sobre o nazismo? O que ele não deixa de ser analogia ao
nazismo porque o Ustra é torturador, que em nome do fascismo militar
torturou e matou pessoas para impedir a democracia". Deputado elogiou Ustra, "o terror de Dilma Rousseff", segundo ele. Veja o vídeo: >>Presa política lembra como conheceu coronel Ustra, homenageado por Bolsonaro >>"É de chorar de vergonha!", diz Joaquim Barbosa sobre votação de impeachment
O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa se manifestou pelas redes sociais na madrugada desta terça-feira (19) sobre a votação
pelo prosseguimento do processo de impeachment contra a presidente
Dilma Rousseff no último domingo (17). Barbosa recomendou entrevistas e
reportagens feitas pela imprensa estrangeira sobre o cenário político no
país.
"Recomendo o vídeo da excelente
entrevista concedida pelo jornalista Glenn Greenwald a Christiane
Amanpour, da CNN", escreveu Barbosa em sua conta no Twitter. "Nesse
vídeo você vai ver algo raro na imprensa brasileira hoje: informação
objetiva, clara, sem viés político", completou o ex-presidente do STF.
"Recomendo igualmente a leitura de matéria
publicada pela 'The Economist' sobre a votação de domingo na Câmara. Na
matéria, a revista traz a lista das 'justificativas de voto' dos
senhores deputados.
É de chorar de vergonha! Simplesmente patético!
Anotem: ainda teremos outras razões para sentir vergonha de nós mesmos
em toda essa história", complementou Barbosa. >> 'The Economist' ironiza votação de impeachment com lista de bizarrices pronunciadas por deputados Barbosa criticou a falta de objetividade da cobertura política na imprensa nacional
O 1º vice-presidente
da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), anunciou nesta terça-feira (19) que
as investigações do Conselho de Ética, que vem se reunindo para votar o
parecer favorável à cassação do mandato do presidente da Casa, deputado
Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sofrerá limitações.
Entre os pontos da
decisão, que foi lida em Plenário e responde a questionamentos de
aliados de Cunha, Waldir Maranhão anunciou que o Conselho de Ética não
poderá fazer uso de documentos e provas que não sejam relacionadas à
acusação (o fato de o presidente da Câmara ter mentido na CPI da
Petrobras em março de 2015, ao negar a existência de contas suas no
exterior). Aliado de Cunha, Maranhão já havia anulado aprovação de parecer por cassação em fevereiroEm
sua decisão, Maranhão, também aliado de Eduardo Cunha, esclareceu que o
uso de provas alheias ao tema pelo relator na elaboração do parecer a
ser submetido à apreciação do colegiado pode provocar a declaração de
nulidade do processo contra o peemedebista.
Na prática, o Conselho
de Ética não poderá argumentar com provas externas ao colegiado e as
que vêm sendo divulgadas pela imprensa, via Ministério Público Federal,
relacionadas à Lava Jato. A medida pode inviabilizar a utilização das
denúncias apresentadas pelo procurador-geral da República, Rodrigo
Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde Eduardo Cunha é réu por
lavagem de dinheiro, corrupção passiva e ocultação de contas no
exterior.
No início de fevereiro, o 1º vice-presidente da Câmara
foi o responsável por anular a aprovação do parecer do deputado Marcos
Rogério (PDT-RO) pela admissibilidade do processo contra Cunha, fazendo
com que o processo de cassação voltasse à etapa zero. O parecer havia
sido aprovado no Conselho de Ética no final de 2015, às vésperas do
recesso parlamentar.
A ação de Waldir Maranhão reforça a tese
aventada nos últimos dias pela imprensa e por diversos deputados
governistas e do Psol, autor da representação contra Cunha no Conselho
de Ética, a de que o presidente da Câmara seria premiado com a
absolvição caso conseguisse conduzir com rapidez a aprovação do processo
de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Plenário.
A senadora Gleisi Hoffmann (PT/PR) criticou, neste domingo (3), o
editorial da Folha, que propôs o afastamento da presidente Dilma
Rousseff e do vice-presidente Michel Temer e eleições em 90 dias; para
ela, "é a manifestação clara de que a articulação pelo impeachment deu
errado"; "Agora querem a renúncia da presidenta e a convocação de
eleições em 90 dias. Eleições gerais? Para o Congresso também? Só isso
teria algum sentido no meio de tantos desatinos. Por que a Folha de São
Paulo só pede eleições presidenciais? Ajudou a criar um clima de
ingovernabilidade e agora quer dar uma receita torta?", questiona
3 de Abril de 2016 às 11:55
247 - A senadora Gleisi Hoffmann (PT/PR) criticou, neste domingo (3), através do seu Facebook, o editorial do jornal Folha de S. Paulo "Nem Dilma nem Temer".
Para ela, "é a manifestação clara de que a articulação pelo impeachment deu errado".
"Agora querem a renúncia da presidenta e a convocação de eleições em
90 dias. Eleições gerais? Para o Congresso também? Só isso teria algum
sentido no meio de tantos desatinos. Por que a Folha de São Paulo só
pede eleições presidenciais? Ajudou a criar um clima de
ingovernabilidade e agora quer dar uma receita torta?", questiona.
O escritor Fernando Morais também condenou o editorial da Folha (aqui).
Abaixo a publicação da parlamentar: NEM IMPEACHMENT, NEM RENÚNCIA, NEM MÍDIA GOLPISTA!
"Nem Dilma, nem Temer". O editorial da FSP, é a manifestação clara de
que a articulação pelo impeachment deu errado. E o que aconteceu nessa
semana foi fundamental para isso:
1. As manifestações fortes e claras
em defesa da democracia nas ruas; o posicionamento de entidades,
artistas, intelectuais, juristas em defesa do Estado Democrático de
Direito;
2. A convenção relâmpago do PMDB, desrespeitosa e a foto do evento, que fala por si;
3. A manifestação do ministro Barroso: "Meu Deus do céu! Essa é a nossa alternativa de poder?"
4. A resistência dos ministros do PMDB em deixar o governo e as
críticas do presidente do Senado de que a decisão foi um erro. Temer
perdeu o jogo e o respeito.
5. A exposição, cada vez maior, dos excessos cometidos pela operação
Lava Jato e a pressa de seus coordenadores em desencadear mais fases,
com mais ilegalidades
Agora querem a renúncia da presidenta e a convocação de eleições em
90 dias. Eleições gerais? Para o Congresso também? Só isso teria algum
sentido no meio de tantos desatinos. Por que a Folha de São Paulo só
pede eleições presidenciais? Ajudou a criar um clima de
ingovernabilidade e agora quer dar uma receita torta?
Pra mim, a tradução do que vivemos veio nas palavras do procurador
Carlos do Santos Lima em palestra na Câmara Americana de Comércio,
destacada hoje pelo colunista Jânio de Freitas: "[...] os governos que
estão sendo investigados, os governos do PT, [...]” copiado http://www.brasil247.com/pt/
Em artigo publicado neste domingo, o ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso se contorce para defender o impeachment da presidente
Dilma Roussseff, mesmo reconhecendo que ela é honesta e não cometeu
nenhum crime; "Sempre me referi à presidente Dilma respeitosamente. Não
se trata, porém, do julgamento de condutas individuais, mas
institucionais", diz ele; para FHC, Dilma deve ser afastada por
denunciar o golpe – que é um golpe – e por ter convidado Lula para ser
ministro, pois, segundo FHC, "a presidente incorre na dúvida de
obstrução da Justiça, qualquer que tenha sido sua intenção"; ou seja:
para FHC, sua "dúvida" deve ser motivo para afastar uma presidente da
República, legitimamente eleita; um papelão que mancha definitivamente a
carreira do "príncipe da sociologia" convertido em golpista
3 de Abril de 2016 às 08:08
247 – Em
artigo publicado neste domingo, o ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso se contorce para defender o impeachment da presidente Dilma
Roussseff, mesmo reconhecendo que ela é honesta e não cometeu nenhum
crime.
"Sempre me referi à
presidente Dilma respeitosamente. Não se trata, porém, do julgamento de
condutas individuais, mas institucionais", diz ele.
Para FHC, Dilma deve ser
afastada por denunciar o golpe – que é um golpe – e por ter convidado
Lula para ser ministro, pois, segundo FHC, "a presidente incorre na
dúvida de obstrução da Justiça, qualquer que tenha sido sua intenção".
Ou seja: para FHC, sua "dúvida" deve ser motivo para afastar uma presidente da República, legitimamente eleita.
Confira abaixo:
A Constituição é o caminho
Fernando Henrique Cardoso
O homem público nem
sempre escolhe o momento em que é obrigado a atuar. Levado a opinar ou a
decidir, não deve afastar-se de seus ideais nem pode desconhecer o
contexto em que atua. Estamos confrontados com um processo desafiador.
Sempre fui cauteloso para endossar impeachments porque se trata de
mecanismo legal que anula uma decisão eleitoral majoritária. Procedi
assim no caso do governo Collor. Só apoiei a tese depois de múltiplos
indícios da existência de malfeitos. O surgimento de um deles (caso do
Fiat Elba), a paralisia do governo e o clamor das ruas foram decisivos
para a aprovação do impeachment. Fui cauteloso porque temia o retrocesso
institucional: a nova Constituição tinha sido promulgada em data
recente e ainda havia arroubos autoritários no ar.
Procedi de igual maneira
quando da possibilidade de impeachment do então presidente Lula por
causa do mensalão. Na época alguns afirmaram que procedi na suposição de
que, desmoralizado, ele seria inevitavelmente derrotado em sua
tentativa de se reeleger. Má informação ou má-fé. Eu pensava na dimensão
histórica: Lula tinha uma trajetória, era o primeiro líder sindical a
chegar à Presidência. A acusação de “as elites” o terem derrubado seria
nódoa a pesar sobre a política brasileira por muito tempo, podendo até
mesmo fraturar a sociedade.
Por que adotar outra
atitude agora? É que o tempo revelou com nitidez o que antes era
nebuloso. Para repetir palavras proferidas no Supremo Tribunal Federal
em 2010 a respeito do mensalão, “uma organização criminosa se apossou do
Estado”. As práticas corruptas, reiteradas no petrolão, não se atêm a
condutas pessoais, em si inaceitáveis. Trata-se da formação de um
sistema que ligou governo, empresas e funcionários para eventual
enriquecimento pessoal, mas principalmente para financiar partidos e
campanhas eleitorais visando à manutenção do poder. É uma fraude à
democracia, além de assalto ao Tesouro.
Sempre me referi à
presidente Dilma respeitosamente. Não se trata, porém, do julgamento de
condutas individuais, mas institucionais. Ao endossar a trama pueril de
que há um “golpe” e se dispor a abrigar em seu governo pessoa suspeita
de reles corrupção pessoal, a presidente incorre na dúvida de obstrução
da Justiça, qualquer que tenha sido sua intenção. Isso reforça o
sentimento favorável à abertura do impeachment na Câmara. Há outros
indícios referidos na petição inicial a justificá-la, além das
“pedaladas fiscais”. Aberto o processo, as provas devem ser julgadas
pelo Senado.
O capítulo da
Constituição que elenca os crimes de responsabilidade é amplo. O
processo se desenrola no âmbito político, e não no estritamente
jurídico. O próprio julgamento se dá no Congresso, e não nos tribunais.
Como fundamento moral para tudo isso se tem o deslize essencial: a
corrupção da democracia sob os auspícios de governos petistas. Do ponto
de vista político é disso que se trata, e não de imputações pessoais.
Para que se apreciem os argumentos probatórios de culpa, assim como os
que poderiam levar à absolvição, aí, sim, o julgamento não pode ser
meramente político nem baseado na falta de popularidade. Daí a ampla
defesa às imputações penais. E a decisão final caberá ao Senado, sob o
comando do presidente do STF.
A simples mudança de
governo não resolverá os problemas nacionais. Estes requerem uma visão
nova, a mudança das práticas político-eleitorais, bem como das políticas
econômicas que nos levaram à recessão, ao desemprego e à desilusão.
Práticas essas resultantes da má condução do Estado pelo lulopetismo.
Sob a retórica maniqueísta de que representariam o bem, enquanto as
demais encarnariam o mal, o que se viu foi a formação de quadrilhas para
assegurar o poder, com a aquiescência de empresários e partidos. Nenhum
avanço social necessita da corrupção como coadjuvante.
O poder democrático
requer a divergência, o cotejo e o choque de opiniões, submetidos à
regra de que as maiorias decidem os impasses, respeitadas as leis,
inclusive o direito das minorias e das pessoas. A corrupção do Estado
impede a aferição veraz e livre das maiorias eleitorais, que passam a
ser formadas graças aos fluxos financeiros advindos da roubalheira
institucionalizada.
Podem ter razão abstrata
os que pedem eleições gerais já. Mas como fazê-las agora sem romper a
Constituição? A renúncia é ato individual de vontade que foi respondido
com um rotundo não! O caminho da anulação das eleições de 2014 pelo TSE
deve continuar, mas ele pode ser objeto de recurso ao STF, o que
retardaria a decisão. Se esta ocorrer em 2017, prevalece o texto
da Constituição que prevê eleições do presidente pelo Congresso se o
tempo de mandato a se completar for de dois anos ou menos. Se houver
contestação apelando-se à legislação infraconstitucional que define a
eleição indireta apenas no caso de faltarem até seis meses para o
término do governo em causa, da mesma maneira caberá demanda
protelatória no STF.
A paralisia da ação
governamental e a marcha cruel da crise econômica, que desorganiza a
sociedade, impõem que se comece logo a reconstruir o futuro. Haverá
líderes capazes de tal proeza? Só o tempo dirá. Para isso precisaremos
de um mínimo de consenso entre as forças e lideranças sociais e
políticas, inclusive as até agora dominantes, afastados os que tenham
comprometimento pessoal com os malfeitos que arruinaram o povo, as
empresas e o Estado. Nenhum compromisso para o futuro que esteja baseado
no “cala a boca” das investigações (seus eventuais abusos devem ser
corrigidos por decisões do Supremo) será capaz de reacender o que é
essencial para o nosso futuro: a competência na condução do Estado, a
confiança e o apoio da sociedade. Sem maniqueísmo, sem salvacionismo e
sem pretensões hegemônicas.
Com a ajuda da memória da coleguinha Angela Tostes a capa da
revista argentina e a da Istoé não só constróem histórias semelhantes,
mas mostram métodos iguais de demolição da imagem de uma mulher.
Ambas...
Com a ajuda da memória da coleguinha Angela Tostes a capa da revista
argentina e a da Istoé não só constróem histórias semelhantes, mas
mostram métodos iguais de demolição da imagem de uma mulher.
Ambas são descritas dando “chiliques”,ideia que, segundo os
estrategos da canalhice, combina com uma mulher muito mais do que com
homem.
Ainda mais com mulheres com poder, chefia, autonomia.
“Ela está fora de si, grita com todos, inclusive com os mais leais”.
“A autoridade se esvai quando seu exercício exige exacerbar no tom, com
gritos, berros e ofensas”.
É em português ou em espanhol?
É para Cristina Kirchner ou Dilma?
Tanto faz como tanto fez. Como mejor le parezca.
Mulheres são histéricas, não é mesmo?
Ou devassas. Ou frígidas e assexuadas.
Têm problemas psicológicos.
O que convier, conforme a situação.
Talvez, quem sabe, nem mesmo seres humanos sejam, não é, senhores?34
Coube aos repórteres Pedro Lopes e Vinícius Segalla, do UOL,
produzirem a mais explosiva reportagem – destas com R maiúsculo. pelo
cuidado e apuração criteriosa – deste domingo. Com riqueza de detalhes e
documentos, mostram que Sérgio...
Lava Jato: ilegal desde a origem. A matéria devastadora do UOL, para usar após o golpe
Coube aos repórteres Pedro Lopes e Vinícius Segalla, do UOL,
produzirem a mais explosiva reportagem – destas com R maiúsculo. pelo
cuidado e apuração criteriosa – deste domingo.
Com riqueza de detalhes e documentos, mostram que Sérgio Moro
manipula, transgride e viola as normas processuais e as leis para
construir e manter consigo a Operação Lava Jato.
Há quase uma década, a operação nasceu de um grampo ilegal, feito
sobre um advogado e seu cliente e em investigações que envolviam o
falecido deputado José Janene, do PP, pelo qual se chegou a Paulo
Roberto Costa. Janene, na ocasião, tinha privilégio de foro no STF e só
por este poderia ser investigado.
A matéria é explosiva e não tenho esperanças de que vá parar em
grande parte dos jornais, comprometidos até a medu
la com a articulação
golpista.
Mas, cumprida a etapa de derrubada de Dilma, os elementos que contém
podem servir para anular boa parte dos inquéritos da Lava Jato e
distribuir impunidade no pós-golpe.
Leiam. É estarrecedor e mostra que desenvolveu-se um cogumelo
ambiente escuro de uma vara federal. Um veneno que, quandofoi
conveniente, foi servido ao país.
Nas últimas semanas, a operação Lava Jato levantou polêmica ao
divulgar conversas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e
a atual presidente Dilma Rousseff (PT). Os questionamentos sobre a
legalidade da investigação, entretanto, surgem desde sua origem, há
quase dez anos. Documentos obtidos pelo UOL apontam
indícios da existência de uma prova ilegal no embrião da operação,
manobras para manter a competência na 13ª Vara Federal de
Curitiba, do juiz Sergio Moro, e até pressão sobre prisioneiros. Esses fatos são alvo de uma reclamação constitucional, movida
pela defesa de Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, no STF
(Supremo Tribunal Federal). A ação pede que as investigações da Lava
Jato que ainda não resultaram em denúncias sejam retiradas de Moro e
encaminhadas aos juízos competentes, em São Paulo e no próprio STF. Para
ler a íntegra do documento, clique aqui. A reportagem ouviu nove profissionais do Direito, dentre
advogados sem relação com o caso e especialistas de renome em
processo penal, e a eles submeteu a reclamação constitucional e
os documentos obtidos. Os juristas afirmam que a Operação Lava Jato, já
há algum tempo, deveria ter sido retirada da 13ª Vara Federal de
Curitiba, além de ter sido palco de abusos de legalidade. O portal também questionou o juiz Sergio Moro sobre o assunto,
mas o magistrado preferiu não se pronunciar (leia mais ao final desta
reportagem). Veja os principais pontos questionados: Origem em grampo ilegal A Lava Jato foi deflagrada em 2014, mas as investigações já
aconteciam desde 2006, quando foi instaurado um procedimento criminal
para investigar relações entre o ex-deputado José Janene (PP), já
falecido, e o doleiro Alberto Youssef, peça central no escândalo da
Petrobras. Entretanto, um documento de 2009 da própria PF (Polícia
Federal), obtido pelo UOL, afirma que o elo entre Youssef e Janene e a investigação surgiram de um grampo aparentemente ilegal.
Reprodução/UOL
Representação da Polícia Federal admite que investigação começou a partir de grampo entre advogado e cliente
A conversa grampeada em 2006, à qual a reportagem também teve
acesso, é entre o advogado Adolfo Góis e Roberto Brasilano, então
assessor de Janene. Seu conteúdo envolve instruções sobre um depoimento,
exercício típico e legal da advocacia. Os desdobramentos dessa
ligação chegaram, anos depois, a Paulo Roberto Costa, ex-diretor da
Petrobras e o primeiro delator da Lava Jato.
Reprodução/UOL
Conversa entre Adolfo Góis e Roberto Brasiliano deu origem a investigação que desaguaria na Lava Jato
“Se as premissas estiverem corretas, realmente parece que se
tratava de conversa protegida pelo sigilo advogado-cliente. Nesse caso, a
interceptação telefônica constitui prova ilícita”, explica Gustavo
Badaró, advogado e professor de Processo Penal na graduação e
pós-graduação da Universidade de São Paulo. “Essa prova contaminará
todas as provas subsequentes. É a chamada “teoria dos frutos da árvore
envenenada”. Todavia, a prova posterior poderá ser mantida como válida,
desde que haja uma fonte independente”, conclui o professor. Lava Jato já deveria ter saído do Paraná Os supostos delitos e criminosos que estão sendo investigados na
Operação Lava Jato não deveriam estar sendo julgados por Moro, segundo a
tese da defesa de Paulo Okamoto, corroborada por juristas ouvidos pela
reportagem. O principal ponto é que Moro não é o “juiz natural”,
princípio previsto na Constituição, para julgar os crimes em questão. De acordo com Geraldo Prado, professor de processo penal da UFRJ
(Universidade Federal do Rio de Janeiro) e da Universidade de Lisboa,
“na Lava-Jato, o juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba [onde atua Moro]
há muito tempo não é mais competente para julgar casos que remotamente
surgiram de investigação no âmbito do chamado caso Banestado. Pelas
regras em vigor, praticamente todos os procedimentos seriam ou de
competência de Justiças Estaduais ou da Seção Judiciária Federal de São
Paulo, porque nestes lugares, em tese, foram praticadas as mais graves e
a maior parte das infrações. Há, portanto, violação ao princípio
constitucional do juiz natural. Exame minucioso da causa pelo STF não
pode levar a outra conclusão.” A legislação brasileira estabelece critérios objetivos para
determinar quem julga determinado crime. O ponto principal é que um
crime, via de regra, será julgado no local onde ele foi cometido. Já
quando existem crimes conexos, ou seja, que têm relação com delitos
previamente cometidos pelos mesmos autores, eles podem vir a ser
julgados pelo mesmo juízo responsável pela apreciação dos crimes
iniciais. Em casos de conexão, a lei prevê que o que determina quem será o
juiz natural para o julgamento são os seguintes critérios, nessa ordem: o
lugar onde ocorreu o delito que tem a pena mais grave, o lugar em que
houver ocorrido o maior número de infrações, se as respectivas penas
forem de igual gravidade, e a competência pela prevenção, que se dá
quando um juiz já julgou crimes relacionados ao mesmo esquema
ilegal. Segundo Moro, é esse último critério que faria dele o juiz
natural de todos os delitos: os crimes seriam conexos a outro que ele
já vinha julgando. Tanto é assim que, em todas as decisões relacionadas aos crimes
investigados na operação, o magistrado inicia seu texto com o seguinte
cabeçalho: “Tramitam por este Juízo diversos inquéritos, ações penais e
processos incidentes relacionados à assim denominada Operação Lava Jato.
A investigação, com origem nos inquéritos 2009.70000032500 e
2006.70000186628, iniciou-se com a apuração de crime de lavagem
consumado em Londrina/PR, sujeito, portanto, à jurisdição desta Vara,
tendo o fato originado a ação penal 504722977.2014.404.7000”. Os inquéritos a que Moro se refere, de lavagem de dinheiro, foram
cometidos no Banestado, e nada têm a ver com as fraudes e desvios de
dinheiro público que ocorreram na Petrobras, que são o principal foco da
Lava Jato. A ligação, alegada por Moro, é que que alguns dos
investigados no Banestado, como Janene e Yousseff, foram flagrados em
escutas telefônicas falando sobre outros supostos crimes, estes sim
relacionados à Petrobras. O STF, no entanto, já proferiu decisão afirmando que escutas
telefônicas que revelem crimes diferentes dos que estão sendo
investigados devem ser consideradas provas fortuitas, não tendo a
capacidade de gerar a chamada conexão por prevenção. É o que afirma o
advogado Fernando Fernandes, que defende Paulo Okamotto, na ação que
move no STF, classificando a prática de “jurisprudência totalitarista”. O professor Badaró concorda. “Houve um abuso das regras de
conexão na Lava Jato. Além disso, a conexão tem efeito de determinar a
reunião de mais de um crime em um único processo. Isso não foi feito na
Lava Jato. Ao contrário, os processos tramitam separados”. O advogado
André Lozano Andrade, especialista em direito processual penal do
escritório RLMC Advogados, lembra ainda que um dos investigados, José
Janene, tinha foro privilegiado por ser deputado federal, na época.
“Assim, os autos deveriam ter sido remetidos para o STF. Além disso,
deveriam os autos no que se refere a outros crimes ter sido remetidos
para São Paulo, tendo em vista que o centro de operação dos ´criminosos´
era na Capital Paulista. A competência por prevenção só se dá quando
ausentes outras formas de determinação de competência.” Longa investigação sem denúncia
A investigação que culminou na deflagração da Operação Lava Jato,
a respeito de crimes de lavagem de dinheiro ocorridos no âmbito
do Banestado, no Paraná, tiveram início em 2006. Daquele ano até 2014,
se passaram oito anos sem que a Polícia Federal, que comandava a
operação, oferecesse uma só denúncia contra os investigados, o que, na
definição da defesa de Paulo Okamoto, seria “investigação eterna”.
Em 2013, após sete anos de investigações sobre o
Banestado, Moro reconheceu as dificuldades para apontar os crimes, mas
concedeu um prazo adicional de quatro meses para alguma conclusão. Esse
prazo ainda foi renovado por mais três meses após o final. O inquérito
foi arquivado, mas serviu como referência para a abertura de outro, que
terminou na Lava Jato.
Reprodução/UOL
Após sete anos de investigações, depois de prolongar por 120 dias, Moro concede mais 90 dias
Reprodução/UOL
Ao longo de oito anos, de 2006 a 2014, Moro quebrou inúmeros sigilos
“A questão torna-se mais delicada se a investigação dura meses ou
anos e em seu curso são adotadas medidas cautelares que invadem a
privacidade alheia [afastamento de sigilos, interceptações etc.], sem
que a investigação seja concluída. A última hipótese é típica de estados
policiais e não de estados de direito”, alerta o professor Geraldo
Prado. “Embora não haja na legislação brasileira um prazo máximo para a
conclusão de investigações criminais, se os investigados estiverem
soltos, não é possível admitir que a investigação possa se desenvolver
sem um limite temporal”, diz Gustavo Badaró. Decisões tomadas sem consulta ao MPF Durante os oito anos de investigações, o juiz Sérgio Moro
autorizou sucessivas quebras de sigilo fiscal, bancário, telefônico e
telemático e decretou prisões cautelares, sem consultar previamente o
MPF (Ministério Público Federal) ou até contrariando recomendação deste
órgão, que, por lei, é o titular da ação penal pública. A história começou em 14 de julho de 2006, quando a PF fez uma
representação para Moro, com o objetivo de investigar a relação de
Youssef e Janene, solicitando a interceptação telefônica do primeiro.
Quando isso ocorre, o procedimento normal é remeter o pedido ao MPF,
para que se manifeste. Apesar disso, em 19 de julho de 2006, Moro
deferiu todos os pedidos da PF sem prévia manifestação do MPF. Em
seguida, não houve abertura de vista ao MPF, e a próxima manifestação da
PF nos autos só ocorreria quase um ano mais tarde, em 3 de maio de
2007. Durante todo esse tempo, os policiais mantiveram uma investigação
que incluía quebras de sigilo. O primeiro despacho abrindo vista para o MPF só ocorreu em 9 de
setembro de 2008, mais de dois anos após a abertura da investigação. Os
procuradores, então, consideraram que já havia passado muito tempo de
investigação sem qualquer resultado frutífero, e recomendaram que Moro
extinguisse ali mesmo a investigação, a não ser que a PF se manifestasse
dando provas de que estariam para surgir fatos novos que justificassem a
continuidade das investigações.
Reprodução/UOL
Em 2008, MPF avisou que investigações eram infrutíferas e não pediu mais diligências
Moro, no entanto, resolveu ir contra a recomendação do MPF, e permitiu que a PF continuasse investigando. Em 06 de janeiro de 2009, quase 120 dias depois, surgia uma
mensagem anônima com informações novas que levavam a crer que Yousseff e
Janene mantinham um esquema de lavagem de dinheiro. A PF, então, pediu
novas interceptações e quebras de sigilo bancário e fiscal de dezenas de
pessoas e empresas. O MPF recomendou que delimitasse o pedido,
indicando o período e os documentos a serem obtidos. Mais uma vez, Moro
descumpriu a recomendação dos procuradores, e autorizou todos os pedidos
da polícia. “Há motivos suficientes para deferir a quebra de sigilo
fiscal e bancário relativamente a todas essas pessoas, considerando as
suspeitas fundadas da prática de crimes expostas nas decisões anteriores
e nesta, bem como por se inserirem no rastreamento bancário em
andamento”, disse o juiz, em despacho. Outras nove vezes Moro deferiu quebras de sigilo, sem ouvir o
MPF, justificando sempre da mesma forma. “Não o ouvi (MPF) previamente
em virtude da necessidade de não haver solução de continuidade da
diligência e por se tratar de prorrogação de medidas investigatórias
sobre as quais o MPF já se manifestou favoravelmente anteriormente.” O professor Badaró explica as consequências desta prática. “O
deferimento em si de um pedido sem oitiva prévia do MP não é ilegal, mas
a sistemática utilização de tal expediente, por mais de um ano, permite
que se coloque em dúvida a imparcialidade do julgador”. Presos sem acesso a advogados e banho de sol A fase mais recente da Lava Jato trouxe denúncias de violações de
direitos humanos — prisões temporárias prolongadas com o objetivo de
obter delações premiadas. Durante este processo, presos teriam sido
isolados, privados de encontros com seus advogados e até de banho de
sol. Um parecer do Ministério Público Federal de junho de 2014 aponta a
ilegalidade dessas práticas e pedem que sejam interrompidas — o preso em
questão é Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras.
Reprodução/UOL
Ministério Público Federal emitiu parecer pedindo fim de restrições a direitos em prisão preventiva de Paulo Roberto Costa
Outro Lado No dia 29 de março, a reportagem do UOL informou
à assessoria do juiz Sergio Moro que estava preparando uma reportagem
sobre as supostas irregularidades constantes na origem da Lava Jato. O
portal enviou ao magistrado a íntegra da reclamação constitucional
interposta no STF pela defesa de Paulo Okamoto. A reportagem destacou,
ainda, que chamavam a atenção “uma prova aparentemente ilícita (um
grampo ilegal) que pode estar na origem de tudo, e uma série de manobras
que teriam sido feitas pelo magistrado para manter a competência em
Curitiba, contrariando o princípio do juiz natural e as regras de
processo penal aplicáveis.” Diante disso, solicitou, por fim, que Sergio
Moro se manifestasse a respeito do assunto. Menos de uma hora após o envio da mensagem, a assessoria de Moro respondeu ao UOL, afirmando que “o magistrado não se manifesta a não ser nos autos”. Apesar do atual silêncio do juiz paranaense, Moro já proferiu
opiniões sobre alguns pontos ora em debate, seja em palestras, decisões
judiciais ou textos acadêmicos. Em um artigo que escreveu em 2004, por
exemplo, Moro defendeu o uso da prisão preventiva como forma de forçar
um investigado a assinar um termo de delação premiada”. O juiz considera
válido “submeter os suspeitos à pressão de tomar decisão quanto a
confessar, espalhando a suspeita de que outros já teriam confessado e
levantando a suspeita de permanência na prisão pelo menos pelo período
da custódia preventiva no caso de manutenção do silêncio ou, vice-versa,
de soltura imediata no caso de confissão”. Sobre o grampo de conversas entre advogado e cliente, em
manifestação enviada ao STF no último dia 29, a respeito do grampo dos
advogados que defendem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Moro
afirmou que o fez por considerar que um dos advogados seria parte do
suposto grupo criminoso que estaria sendo investigado, o que tornaria
legal a interceptação. Esta poderia ser uma explicação para o grampo
supostamente ilegal que deu início à Lava Jato. copiado http://www.tijolaco.com.br/blog/
Durante manifestação em Fortaleza, ex-presidente disse que vice 'tem que aprender sobre eleições'
Lula: Temer precisa aprender sobre eleições; vice responde: 'Não há golpe'
Ex-presidente discursou em palanque em Fortaleza, no Ceará
por O Globo
/
Atualizado
Lula discursa em palanque em Fortaleza - Divulgação / Instituto Lula
RIO — O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva afirmou
neste sábado, em Fortaleza, que o vice-presidente da República, Michel
Temer, precisa “aprender” sobre as eleições, e que há um golpe em curso
contra a presidente Dilma Rousseff. Procurada, a assessoria de imprensa
de Temer disse que, "justamente por ser professor de direito
constitucional, Michel Temer tem ciência de que não há golpe em curso no
Brasil".
— Eu perdi muitas eleições. E eu quero que ele [Temer] aprenda sobre
as eleições. O Temer é um professor de direito e sabe que o quê estão
fazendo é um golpe. E isso, ele sabe que vão cobrar é dos dos filhos
dele, é do neto dele amanhã. Porque a forma mais vergonhosa de chegar ao
poder é tentar derrubar um mandato legal — disse Lula, mais cedo.
O
ex-presidente disse ainda que o país vive um "clima de ódio" nunca
visto antes e que "defender o impeachment" da presidente Dilma Rousseff é
agir "como golpista", segundo o G1. Lula participou de ato contra o impeachment ao lado do governador do Ceará, Camilo Santana, e outros petistas.
— Eu estou estranhando um pouco o que está acontecendo no nosso país.
Eu completei 70 anos de idade. Vivo nesse país fazendo política e nunca
vi um clima de ódio estabelecido no país como está estabelecido agora.
Aqueles que amam a democracia, aqueles que gostam de fazer política
[...] querem que se respeite a coisa mais elementar, que é o respeito ao
voto popular que elegeu a Dilma — discursou o ex-presidente.
Para ele, ainda segundo o G1, Dilma não deveria ser afastada do cargo porque não cometeu crime de responsabilidade.
—
Foi só a Dilma começar a andar de bicicleta que eles inventaram as
pedaladas. Ninguém aqui é contra o impeachment que está na Constituição,
mas tem que ter base legal, crime de responsabilidade. E a companheira
Dilma não cometeu crime de responsabilidade. Por isso, defender
impeachment é ser golpista — defendeu Lula.
Lula disse também que espera a autorização do Supremo Tribunal
Federal para assumir a Casa Civil. A nomeação do ex-presidente foi
barrada por liminar do ministro Gilmar Mendes. O plenário da Corte ainda
vai decidir se Lula pode ou não assumir o ministério.
— Na quinta-feira, se tudo der certo, se a Suprema Corte aprovar, eu
estarei assumindo o ministério — disse Lula. — Eu vou estar no
ministério para ajudar a companheira Dilma. Nadar de mão dada com ela,
para criar condições para melhorar a cidadania no Ceará. Fazer o
cinturão das águas, que era uma coisa que tinha acertado com o Cid [Cid
Gomes, ex-governador do Ceará].
Lula em Fortaleza, ao lado de petistas, onde discursou contra o impeachment
- Facebook
Aliados evitam discussões de temas controvertidos como ajuste econômico
Programa de Temer com medidas polêmicas vira munição para PT
Aliados evitam discussões de temas controvertidos como ajuste econômico
por Cristiane Jungblut e Isabel Braga
Vice-presidente da República, Michel Temer
- Givaldo Barbosa / Givaldo Barbosa/2-3-2016
BRASÍLIA — As divergências políticas dentro do PMDB sobre o “timing”
do desembarque do governo Dilma Rousseff também atingem as discussões da
plataforma econômica para um eventual governo de Michel Temer. Nos
últimos dias, o documento “Uma ponte para o futuro” se tornou uma
armadilha política nas mãos do PT, que explora alguns pontos. Nos
bastidores, aliados de Temer como o senador Romero Jucá (PMDB-RR)
ficaram irritados com as frequentes declarações de Moreira Franco —
braço-direito do vice e presidente da Fundação Ulysses Guimarães — sobre
pontos polêmicos. O próprio Temer, segundo interlocutores, não discute
medidas pontuais agora, porque anteciparia etapas, ou seja, antes de
haver de fato um novo governo.
Temer acredita que o maior objetivo de um eventual governo seu é
recuperar a credibilidade da economia. Nas conversas, o vice fala sobre a
importância de controlar e cortar gastos, por exemplo. O documento “Uma
ponte para o futuro” é considerado uma carta de intenções, ponto de
partida para o debate no Congresso. Muitos acreditam que é preciso
evitar, neste primeiro momento, propostas mais polêmicas como a reforma
trabalhista.
O
documento, divulgado em outubro de 2015, propõe o fim das indexações,
seja para salários, benefícios previdenciários ou outros gastos do
governo. Essas propostas são usadas pelo PT como arma para desgastar
Temer.
A preocupação de aliados é que Temer seja prejudicado por propostas
polêmicas nesse momento de costuras políticas. A insatisfação de parte
do PMDB se tornou pública após parlamentares petistas passarem a
explorar as propostas — da tribuna do Senado, Lindbergh Farias (PT-RJ)
diz que o PMDB quer acabar com a correção de programas como o Bolsa
Família. Eles ainda rebatizaram o plano depois que o presidente da
Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), apareceu ao lado de Jucá em
fotos, quando foi aprovado o desembarque do governo.
— A “Pinguela para o passado” de Cunha-Temer aponta suas baterias não
apenas contra o legado social de Lula, mas também contra a Constituição
de Ulysses Guimarães e a CLT de Getulio — provocou o senador Lindbergh.
Aliados de Temer avaliam que, ao assumir, ele terá de apresentar logo
no início medidas de impacto na área econômica. A mais citada é a
redução de ministérios e cargos comissionados, além de ajustes nas
contas públicas. Também defendem que, se quiser reconquistar a
credibilidade, terá de mesclar, como seus ministros, políticos e pessoas
notáveis da sociedade em áreas estratégicas, como Saúde, Educação e
Justiça.
Apesar de ser bandeira defendida recentemente pela presidente Dilma
Rousseff, a reforma da Previdência é tida como inevitável e algo a ser
enfrentado prioritariamente por Temer. Há quem fale na volta da CPMF
para ajudar a cobrir o rombo das contas públicas, mas esse será um tema
com resistência em partidos da oposição. Nos bastidores, aliados dizem
que é preciso ser realista, entender que esse é um governo de transição a
ser composto com os demais aliados.
— O Temer precisa equilibrar as contas e fazer as eleições de 2018.
Se tentar fazer grandes reformas, vira o governo Dilma. Para aprovar
algo, terá de fazer muitas concessões. O melhor é tomar medidas que
demonstrem austeridade no custeio da máquina. Não dá para inventar
muito. Um Plano Real não aparece a qualquer hora — diz um aliado.
copiado http://oglobo.globo.com/
BRASÍLIA — O governo da presidente Dilma Rousseff decidiu manter em
sigilo o tamanho exato da dívida e quem são os devedores de taxas
destinadas à Caixa Econômica Federal por conta da administração de
fundos e programas sociais. O banco público é contratado pelo governo
para executar programas como o Bolsa Família e precisa ser remunerado
pelos serviços prestados. Em processos de conciliação que tentaram, sem
sucesso, garantir os repasses à Caixa, a Advocacia Geral da União (AGU)
relacionou a falta de pagamento dessas taxas de administração ao
represamento de recursos conhecido como “pedaladas fiscais”. (INFOGRÁFICO: PEDALADAS EM SIGILO)
A União passou a protelar o pagamento das tarifas, um tipo de
“pedalada” que gerou um débito incalculável com a Caixa; parte desse
débito já é cobrada na Justiça Federal em Brasília. A composição da
dívida, com o detalhamento de todos os programas pelos quais a
instituição financeira deveria ser remunerada, permanecerá oculta,
conforme decisão em última instância do governo em pedido de dados
formulado pelo GLOBO via Lei de Acesso à Informação.
Para
tentar obter a dimensão exata dessa “pedalada”, que passou ao largo
inclusive das auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU), foi
pedido à Caixa o detalhamento de dados registrados nas demonstrações
contábeis do banco. O balanço público informa apenas, e de maneira
genérica, que em 2015 a Caixa tinha R$ 1,9 bilhão a receber por
“administração de fundos e programas sociais”. No ano anterior, eram R$
1,98 bilhão. O valor, porém, se refere a prestação de serviços de fundos
e programas sociais “incluindo União, estados, municípios e entes
privados”, conforme informado pela própria Caixa. COMISSÃO NEGOU PEDIDO EM ÚLTIMA INSTÂNCIA
O
pedido pela Lei de Acesso, apresentado em 29 de julho de 2015, cobrou o
valor pormenorizado de cada fundo e programa; o tamanho exato das
dívidas da União, dos estados e das capitais; e o valor privado
envolvido. Todas as instâncias previstas na lei negaram. A decisão
definitiva foi tomada por uma comissão mista integrada por
representantes de nove ministérios.
Para negar o detalhamento dos valores das taxas a receber, a Caixa
alegou que as informações devem ser mantidas em segredo por se enquadrar
no artigo 6º do decreto de 2012 que regulamentou a Lei de Acesso. O
artigo prevê que o acesso à informação não se aplica em hipóteses de
“sigilo fiscal, bancário, de operações e serviços no mercado de
capitais, comercial, profissional, industrial e segredo de justiça”.
Em resposta a um recurso, o vice-presidente de Finanças e
Controladoria da Caixa, Márcio Percival Pinto, acrescentou mais um
argumento: “A composição das contas referenciadas envolve informações
próprias de mercado e da atuação e estratégia desta empresa pública”.
O entendimento não foi unânime no governo. Uma análise da área
técnica da Controladoria Geral da União (CGU), a terceira instância para
recurso prevista na Lei de Acesso, enxergou “princípio da publicidade”
na informação. “Os contratantes, neste caso, são pessoas políticas — a
União, os estados e municípios, aos quais o direito de privacidade não
assiste. Ao contrário, as informações derivadas das relações
constituídas pelas pessoas políticas obedecem, regra geral, ao princípio
da publicidade”, argumentou a analista de Finanças e Controle da CGU
Maíra Luísa Milani, responsável por dar um parecer.
A analista afirmou ainda que “os contratos de prestação de serviços
firmados pela Caixa com os entes políticos não são conquistados em um
mercado de livre concorrência entre as instituições financeiras”. “A
própria Caixa reconhece, nos esclarecimentos prestados à CGU, o caráter
não concorrencial dos serviços prestados, em razão da ‘exclusividade
legalmente imposta hoje’.” Conforme a analista, os relatórios de gestão
disponíveis não informam os “valores devidos pela União, estados e
capitais”.
O parecer sugere que a Caixa informe os fundos e programas com taxas a
receber e diz que o banco “descumpriu procedimentos básicos da Lei de
Acesso à Informação”. Mas o ouvidor-geral da União Gilberto Waller
Júnior superior da analista de Controle, discordou do parecer. Para ele,
a informação deve ser pública, mas fornecida pelos devedores. Esse
levantamento seria impossível de ser feito, por envolver diversos
ministérios, 27 unidades da federação e as mais diferentes cidades. Na
última instância prevista em lei, a Comissão Mista de Reavaliação de
Informações concordou com o ouvidor-geral. A informação foi negada, com
base no argumento do sigilo bancário.
As “pedaladas” consistiram na interrupção de repasses do governo aos
bancos públicos, que se viram obrigados a arcar com programas como Bolsa
Família, abono salarial e seguro-desemprego. Parecer da AGU de março de
2015 associa a dívida das tarifas à dívida das “pedaladas”. O primeiro
débito permanece em aberto, inclusive com ações judiciais da própria
Caixa, uma instituição da União, contra o governo. O segundo foi
regularizado pela equipe econômica, depois de o TCU aprovar parecer pela
rejeição das contas de 2014 de Dilma. O processo de impeachment da
presidente se baseia principalmente na acusação de que a manobra fiscal
voltou a se repetir em 2015.
O GLOBO revelou a “pedalada” com as taxas em julho do ano passado. A
reportagem mostrou que, naquele momento, o governo deixava de pagar mais
de R$ 1 bilhão à Caixa e ao Banco do Brasil referentes a taxas de
administração de programas como Bolsa Família, Fies, Minha Casa Minha
Vida e PAC. Os bancos foram contratados pelos ministérios para
operacionalizar os programas, mas deixaram de ser remunerados. O valor
de R$ 1 bilhão não equivale ao total da dívida com taxas, nem é exato,
por não se ter a dimensão dos programas de governo.
Na Justiça, a Caixa tenta receber R$ 274,4 milhões dos Ministérios da
Agricultura e das Cidades. O banco operacionalizou projetos de emendas
parlamentares e o PAC e não recebeu taxas devidas. As ações tramitam
desde 2013.
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