Indonésia determina enterros em massa após terremoto e tsunami
AFP / JEWEL SAMADUm barco e vários edifícios destruídos em Palu (Indonésia) em 28 de setembro de 2018
Voluntários indonésios começaram nesta segunda-feira
(1º) a enterrar, em um grande fossa comum, os corpos das vítimas do
terremoto e do tsunami que atingiram a ilha Célebes.
A catástrofe
deixou pelo menos 844 mortos e 59.000 deslocados, de acordo com o
balanço atualizado divulgado nesta segunda-feira pela Agência de Gestão
de Desastres e pelo governo local.
O Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) da ONU calcula que 191.000 pessoas precisam de ajuda urgente.
As autoridades temem um número muito maior de mortos, pois grande parte da região afetada permanece inacessível.
Dezenas
de agências humanitárias e ONGs ofereceram ajuda ao país, mas o envio
de material à região é muito complicado: estradas estão bloqueadas, e os
aeroportos, muito danificados.
"Não temos muita comida. Só
conseguimos pegar o que estava em casa. E precisamos de água potável",
disse à AFP Samsinar Zaid Moga, uma moradora de 46 anos de Palu.
"O mais importante são as barracas, porque choveu, e há muitas crianças aqui", afirmou sua irmã, Siti Damra.
A
ONG Oxfam prevê o envio de ajuda a, potencialmente, 100.000 pessoas,
com destaque para alimentos instantâneos, equipamentos de purificação de
água e barracas, anunciou Ancilla Bere, diretora da organização na
Indonésia.
"Mas o aceso é um grande problema", destacou o diretor do programa Save The Children, Tom Howells.
"As
organizações de ajuda e as autoridades locais se esforçam para chegar a
várias comunidades ao redor de Donggala, onde acreditamos que haja
grandes danos materiais e a possível perda de vidas humanas em grande
escala", explicou.
- Estado de emergência de 14 dias -
AFP / ADEK BERRYHomem observa os escombros de uma mesquita em Palu
O presidente indonésio Joko Widodo autorizou a ajuda
internacional de urgência, e as autoridades declararam estado de
emergência de 14 dias.
A maior parte das vítimas foi registrada em
Palu, cidade de 350.000 habitantes na costa oeste da ilha Célebes,
segundo a Agência de Gestão de Desastres.
Em Poboya, na colinas que cercam Palu, voluntários
começaram a enterrar as vítimas em uma gigantesca fossa comum, com
capacidade para 1.300 corpos.
Três caminhões lotados de cadáveres chegaram ao local. Os corpos foram colocados na fossa, um por um, e cobertos com terra.
Em
um primeiro momento, as autoridades reuniram os corpos em necrotérios
improvisados para poder identificá-los. Diante do risco sanitário,
decidiram organizar enterros em massa.
Em Balaroa, bairro da
periferia de Palu com uma zona residencial, os danos foram
catastróficos. A área se transformou em um terreno baldio coberto por
árvores derrubadas, blocos de cimento, pedaços de telhados e móveis
destruídos.
Em um cenário de devastação, as equipes de resgate lutam contra o tempo para encontrar sobreviventes e retirá-los dos escombros.
Nesta
segunda-feira, as equipes trabalhavam entre os destroços do hotel Roa
Roa, onde as autoridades acreditam que entre 50 e 60 pessoas possam ter
sido sepultadas. Até o momento, duas pessoas foram resgatadas com vida
no local, segundo uma fonte oficial.
Muitos moradores procuram os parentes desaparecidos nos hospitais, ou necrotérios improvisados.
- Fuga de mais de mil detentos -
Fontes do governo local informaram que 1.200 detentos escaparam de três prisões da região.
Em
um centro de detenção de Palu, construído para receber 120 pessoas,
vários dos 581 detentos fugiram quando os muros desabaram. Na prisão de
Donggala aconteceu um incêndio, ao que parece provocado pelos próprios
prisioneiros, e os 343 detidos escaparam.
"Se assustaram quando
souberam que o terremoto havia sacudido fortemente Donggala", afirmou
Sri Puguh Utami, funcionária do Ministério da Justiça.
"Os
diretores da prisão negociaram com os detentos para permitir que se
informassem sobre a situação de suas famílias. Mas alguns não tiveram
paciência e colocaram fogo no local", completou.
No momento do
terremoto, 114 estrangeiros estavam na região. Vários foram resgatados e
já iniciaram o processo de retorno para seus países, de acordo com as
autoridades.
A Indonésia, um arquipélago de 17.000 ilhas, fica no
Anel de Fogo do Pacífico e é um dos países do mundo mais propensos a
sofrer desastres naturais.
O terremoto de sexta-feira (28), de 7,5
graus de magnitude, foi mais potente do que os tremores que deixaram
mais de 500 mortos e 1.500 feridos na ilha indonésia de Lombok em agosto
passado.
copiado https://www.afp.com/pt/n
Canadá e EUA chegam a acordo para substituir o Nafta a poucas horas do prazo final
AFP/Arquivos / SAUL LOEBO presidente americano,
Donald Trump, e o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, durante
uma reunião do G7 em Quebec, em 8 de junho de 2018
A incerteza chegou ao fim neste domingo à noite, a
poucas horas do prazo final, quando negociadores canadenses e americanos
alcançaram um acordo para substituir o Tratado de Livre Comércio da
América do Norte (Nafta).
O novo tratado receberá o nome Acordo
Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, na sigla em inglês), de acordo com
uma declaração conjunta.
A nova versão do Nafta, em vigor desde 1994 entre Estados
Unidos, Canadá e México, começou a ser renegociada em 2017 por exigência
do presidente americano, Donald Trump, que considerava o acordo um
"desastre" para seu país.
O comunicado, assinado pelo
representante do Comércio dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, e pela
ministra das Relações Exteriores do Canadá, Chrystia Freeland, destaca
que o novo acordo entre os países da América do Norte vai gerar um
"crescimento econômico sólido".
Depois de mais de um ano de
negociações, os governos conseguiram superar as divergências e ceder em
alguns aspectos. No comunicado, celebram o acordo com um como algo
positivo para os cidadãos da região, onde vivem quase 500 milhões de
pessoas e que movimenta um trilhão de dólares por ano em comércio.
Para concluir o acordo, o Canadá cedeu no sistema de cotas para o leite, o que abrirá seu mercado aos produtores americanos.
Ottawa, porém, conseguiu preservar o sistema do Nafta de solução de conflitos entre os sócios que Washington desejava modificar.
O
novo pacto também incluirá um capítulo ambiental e, como parte do
acordo, o Canadá poderá conservar a proteção do setor cultural.
"O
USMCA proporcionará a nossos trabalhadores, agricultores, fazendeiros e
empresas um acordo comercial de alta qualidade que dará como resultado
mercados mais livres, comércio mais justo", afirmaram os governos
americano e canadense no comunicado conjunto, publicado 90 minutos antes
do fim do prazo limite fixado pelos Estados Unidos.
O
primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, saiu às pressas de uma
reunião em caráter de urgência com seus ministros no domingo e declarou
apenas que "é um bom dia para o Canadá".
Para o Canadá a pressão era grande, pois Estados Unidos e México já haviam concluído um acordo.
O principal negociador do presidente eleito do México para o tratado, Jesús Seade, celebrou a notícia.
"Celebramos
o acordo trilateral. Fecha a porta para fragmentação comercial da
região. TLCAN 2 (sigla do Nafta no México) dará certeza a estabilidade
ao comércio do México com os sócios na América do Norte", escreveu no
Twitter Seade, que representou o presidente eleito Andrés Manuel López
Obrador durante as negociações.
O tempo era o principal
obstáculo, já que o atual presidente do México, Enrique Peña Nieto,
deixará o cargo no dia 1 de dezembro, o que aprofundo a necessidade de
um acordo, pois segundo a lei americana Casa Branca precisa enviar o
texto de um acordo comercial 60 dias antes de sua eventual assinatura.
As
negociações aconteceram de forma remota, ao contrário de outras rodadas
de diálogo, quando a chanceler canadense viajou a Washington.
O
anúncio veio após um final de semana inteiro de trabalho por
videoconferência dos negociadores para alcançar o acordo de última hora
- Aço e alumínio? -
O
calendário eleitoral complicava as coisas para os negociadores
canadenses. As concessões no setor de laticínios podem ser mal recebidas
em Quebec, que vota nesta segunda-feira para definir o próximo
governador da província francófona.
Os principais partidos de
Quebec e as organizações de agricultores defendem o sistema de
"administração da oferta", que controlava a produção e o preço do leite e
das aves de curral, além de garantir um faturamento estável para os
agricultores canadenses.
As pesadas tarifas impostas por Trump ao
aço e alumínio canadense, entre outras, permanecem em vigor no momento,
em um contexto no qual o governo dos Estados Unidos realiza uma campanha
protecionista que afeta vários países.
O texto final inclui uma cláusula que permite revisar o acordo a cada seis anos, de acordo com uma fonte americana.
Agência da ONU para os refugiados palestinos retira funcionários
AFP/Arquivos / Said Khatib(Setembro) Prédio fechado da UNRWA em Rafah, sul da Faixa de Gaza
A agência da ONU para os refugiados palestinos anunciou
nesta segunda-feira a retirada provisória de seus funcionários
estrangeiros da Faixa de Gaza, em razão de incidentes "alarmantes"
ligados à supressão de postos após o corte do financiamento americano.
A
UNRWA anunciou a supressão de 250 postos em Gaza e na Cisjordânia
ocupada, outro território palestino, e que transformará 500 outros em
empregos parciais, depois que os Estados Unidos decidiram cortar seus
fundos.
Entre protestos, Catalunha celebra aniversário do referendo de independência
AFP / Josep LAGOUma bandeira separatista
catalã gigante junto à faixa "1-0, Ni olvido ni perdón", em Sant Julià
de Ramis, perto de Girona, em 1º de outubro de 2018
Grupos de separatistas catalães bloquearam estradas e
vias férreas, nesta segunda-feira (1º), no aniversário do referendo de
autodeterminação ilegal celebrado há um ano nesta região espanhola.
Baseando-se
nessa votação, promovida pelo então presidente Carles Puigdemont e na
qual, segundo seu Executivo, dois milhões de pessoas apostaram na
secessão, em 27 de outubro foi proclamada uma república que nunca chegou
a ser instaurada.
Um ano depois desse referendo, que foi possível graças à
colaboração na clandestinidade de milhares de cidadãos, os grupos mais
radicais pressionam o novo governo, liderado por Quim Torra, que iniciou
um tímido diálogo com Madri.
"Hoje faz um ano que votamos na
independência (...) Passamos para a ação", lembrou no Twitter a conta
dos Comitês de Defesa da República, associações radicais que reivindicam
a ruptura imediata com a Espanha.
Suas diferentes associações
espalhadas por toda região bloquearam, de surpresa, a linha ferroviária
de alta velocidade entre Barcelona e França, diferentes autoestradas e
também algumas ruas da capital catalã.
Ao meio-dia, houve uma
marcha de universitários, que convocaram uma greve para recordar o
referendo. À tarde, aconteceu uma manifestação separatista para
reivindicar que "se torne efetivo o desejo da maioria do povo da
Catalunha".
"Os CDRs pressionam e fazem bem em pressionar", reagiu
o presidente catalão, Quim Torra, de Sant Julià de Ramis, o pequeno
povoado onde, há um ano, Puigdemont votaria, mas foi impedido pela
chegada da Polícia, que reprimiu os eleitores.
"Temos que agir nas
próximas semanas com a mesma determinação" que em 1º de outubro,
insistiu, no momento em que a ação de seu governo começa a gerar tensão
com os separatistas mais radicais.
Da Bélgica, Puigdemont pareceu
se distanciar ligeiramente da estratégia dos novos líderes, que por
enquanto deixaram de lado o caminho da desobediência.
"Nós não
apoiamos muito com o jogo de espelhos e lantejoulas com que o Estado
tenta compensar sua imagem internacional deteriorada (...) Vamos fazer
como decidimos há um ano", disse ele em um vídeo postado no Twitter.
No
sábado, a Polícia regional atuou fortemente contra uma manifestação
separatista que tentava chegar a um ato para homenagear os agentes
enviados há um ano por Madri para evitar o referendo.
A votação de
2017 significou um momento de tensão máxima entre Barcelona e Madri,
após anos de auge do separatismo nessa região de 7,5 milhões de
habitantes, rachada sobre a secessão.
Um ano depois, a tensão
diminuiu, especialmente após a chegada ao poder espanhol do socialista
Pedro Sánchez, partidário de se buscar uma saída dialogada para a crise
catalã.
"Este é um momento em que todos devemos contribuir cada um
de seu papel institucional a pedir serenidade e ordem", afirmou em
Madri o ministro das Relações Exteriores, Josep Borrell.
"Este
governo abriu uma via política, abriu uma interlocução com as
autoridades catalães, e essa interlocução com as autoridades catalães
está dando resultados", disse a porta-voz do governo, Isabel Celáa.
As
reuniões entre ambos os Executivos são frequentes, mas permanece um
obstáculo até agora sem solução: os separatistas exigem um referendo de
autodeterminação vinculante que não está nas considerações de Sánchez,
com um exíguo apoio no Congresso espanhol.
Divergências rebeldes surgem sobre acordo russo-turco em Idlib
AFP / OMAR HAJ KADOURVista geral da cidade de Binnish, na província de Idlib, em 24 de setembro de 2018
A duas semanas da data limite surgiram divergências
entre os rebeldes da província de Idlib e zonas próximas do noroeste da
Síria sobre a aplicação do acordo russo-turco, que prevê a criação de
uma "área desmilitarizada".
A maioria dos grupos rebeldes da
região recebeu favoravelmente o acordo entre Ancara e Moscou, assinado
em Sochi, na Rússia, em 17 de setembro, e evitou uma ofensiva contra o
último reduto insurgente por parte do regime de Damasco e seu aliado
russo.
Mas as posições parecem ter mudado nos últimos dias, com
algumas facções que rejeitam o acordo ou se opõem a determinados pontos
concretos, o que inclui a marcação da "área desmilitarizada" e a
presença da polícia militar russa, entre outros.
A zona
desmilitarizada prevista teria forma de ferradura e entre 15 e 20
quilômetros de distância, sob controle da Rússia e da Turquia na
província de Idlib e áreas em regiões vizinhas, como Aleppo, Hama e
Latáquia.
Os grupos rebeldes e extremistas deverão retirar suas armas pesadas da área até 10 de outubro, segundo o acordo.
Além disso, os extremistas têm que abandonar a zona antes de meados de outubro.
O
acordo entre Rússia e Turquia é "ambíguo em seu conjunto e não inclui
suficientes detalhes técnicos" sobre a sua realização, disse à AFP Sam
Heller, analista do International Crisis Group (ICG).
Dentro dos
grupos rebeldes, "a visão (concreta) de sua implementação emergiu nos
últimos dias, após as discussões técnicas que ocorreram entre turcos e
russos e as reuniões" com Ancara, acrescentou.
Após essas
reuniões surgiram divergências: o grupo Jaish al-Ezza anunciou no sábado
que rejeitava o acordo, tornando-se a primeira facção rebelde a
fazê-lo.
Em um comunicado postado no Twitter, esse grupo exigiu
que a "zona desmilitarizada" fosse localizada em partes iguais nos
territórios controlados pelo regime e naqueles sob domínio insurgente.
Quando
foi anunciado, o acordo não especificava a exata localização geográfica
da zona desmilitarizada, e apenas sinalizou que estaria "nas linhas de
contato" entre as forças do regime e os grupos rebeldes.
Mas ficou
"claro que a zona desmilitarizada estaria unicamente no território da
oposição", acrescentou Heller, porque era "impensável que Moscou
assinasse um acordo que atacasse a soberania" do Estado sírio.
"É uma beleza. Eles cobram o que
quiserem de nós. Se você perguntar nas empresas, vão dizer que o Brasil
está entre os mais difíceis, talvez o mais difícil do mundo", disse
Trump, durante uma coletiva de imprensa sobre o novo acordo comercial
entre Estados Unidos, México e Canadá para substituir o Nafta.Trump acusa Brasil de tratar empresas dos Estados Unidos 'injustamente'
AFP / Jim WATSON
O presidente americano, Donald Trump, durante discurso na Casa Branca, em Washington DC, em 1º de outubro de 2018
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o
Brasil, nesta segunda-feira, de tratar "injustamente" as empresas
americanas, afirmando que o país é um dos mais difíceis do mundo para
manter relações comerciais.
"É uma beleza. Eles cobram o que
quiserem de nós. Se você perguntar nas empresas, vão dizer que o Brasil
está entre os mais difíceis, talvez o mais difícil do mundo", disse
Trump, durante uma coletiva de imprensa sobre o novo acordo comercial
entre Estados Unidos, México e Canadá para substituir o Nafta.
"Nós não ligamos para eles e dizemos: 'Vocês estão
tratando nosso país injustamente'", acrescentou, do jardim da Casa
Branca, falando sobre as tarifas cobradas pelo Brasil.
Trump se
referiu à ausência de negociações comerciais com o Brasil, comparando o
caso com o da Índia - que, segundo ele, quer começar negociações
comerciais com os EUA "imediatamente".
A Índia "ligou e nos
disse: 'Queremos começar as negociações imediatamente'", contou Trump,
descrevendo o país asiático como o "rei das tarifas".
"Tivemos presidentes dos Estados Unidos e representantes comerciais que nunca falaram com a Índia. O Brasil é outro", afirmou.
Os Estados Unidos são o segundo principal parceiro comercial do Brasil depois da China.
Trump diz que Kavanaugh foi sincero sobre 'dificuldades' com álcool
AFP / Jim WATSON
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em coletiva na Casa Blanca, em 1 de outubro de 2018 em Washington
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu
nesta segunda-feira seu nomeado para ocupar um posto na Suprema Corte,
Brett Kavanaugh, e disse que ele foi sincero ao falar sobre suas
"dificuldades" com o álcool durante sua juventude.
O FBI abriu
uma investigação a pedido do Senado depois que três mulheres acusaram o
magistrado conservador de 53 anos de tê-las agredido sexualmente quando
ele estava bêbado durante a década de 1980.
Perguntado na quinta-feira durante a Comissão de Justiça
do Senado, Kavanaugh reconheceu que gostava de cerveja, mas ignorou
questões específicas, como a de um senador democrata que lhe perguntou
se ele tinha algum problema com o álcool.
O presidente Trump, que
disse que apoiava "completamente" seu candidato, também assegurou em uma
coletiva de imprensa da Casa Branca que Kavanaugh tinha sido muito
"aberto" sobre seu passado.
"Fiquei surpreso com sua maneira de
dizer francamente que ele adora cerveja", disse Trump, que questionou as
diferenças entre a versão do magistrado e os depoimentos de ex-colegas
da universidade.
"Ele foi muito forte ao admitir que bebia muito",
disse o presidente, que reiterou seu desejo de uma investigação
"rápida" pelo FBI sobre as acusações sobre o juiz.
Trump solicitou
uma investigação adicional pela polícia federal após a audiência do
juiz e sua primeira acusadora, Christine Blasey Ford, após a petição da
oposição e de alguns senadores republicanos.
"A Casa Branca está
fazendo o que os senadores querem, eu estou aberto a todas as suas
demandas", disse Trump, acrescentando que não quer que essa investigação
se torne uma "caça às bruxas" contra o juiz, que segundo ele já foi.
"Terrivelmente mal tratado".
Glifosato, a poção milagrosa das grandes colheitas do Brasil
AFP / Alain BOMMENEL, Kun TIANInfográfico com dados sobre o glifosato
O Brasil, segundo maior produtor mundial de soja e
terceiro de milho, está firmemente apegado ao uso de pesticidas, em
particular à base de glifosato, que permitiram ao país adotar um sistema
de plantio direto e se tornar competitivo nos mercados agrícolas
mundiais.
No início de setembro, um tribunal cancelou uma medida
cautelar que determinava a suspensão do "registro de todos os produtos"
com glifosato até que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) conclua sua "reavaliação toxicológica".
"Ao nosso ver, a suspensão foi feita sem fundamento. Na
nossa agricultura comercial, em plantio direto, não tem como não se usar
pesticidas. Sem substituto, teríamos que voltar para moléculas menos
eficientes e mais tóxicas", disse à AFP o vice-presidente da Associação
de Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso (Aprosoja/MT), Fernando
Cadore.
O glifosato, princípio ativo do pesticida, chegou ao
Brasil na década de 1970. Os agricultores começaram, então, a adotar um
sistema de plantio direto e levaram o país a uma revolução agrícola
inédita.
- Plantio direto limita a erosão -
O plantio direto
consiste em não arar a terra entre as colheitas e a usar o restolho
como cobertura vegetal. A técnica permite limitar a erosão do solo,
regenerá-lo em matéria orgânica e reter a umidade e o carbono.
Hoje
líder mundial neste sistema, utilizado em mais da metade de seus 61,7
milhões de hectares de cereais e oleaginosas, o Brasil o associa a um
uso em massa de pesticidas para limpar os campos com o plantio.
Com 173.150 toneladas de produtos comercializados em 2017, o glifosato é o campeão de vendas.
"Antes,
tirávamos ervas daninhas com máquina, mas o solo estava exposto e tinha
muita erosão. O uso de pesticidas se fazia depois do plantio. O plantio
direto conserva melhor o solo e aplicamos uma vez o glifosato antes do
plantio. Depois, dependendo da resistência das ervas daninhas, usamos
mais uma vez, em até 30 dias", explica Fernando Cadore.
O uso da
molécula depois da plantação se generalizou, sobretudo, a partir dos
anos 1990, com a chegada da soja, do milho e do algodão geneticamente
modificados, resistentes ao Roundup produzido pela Monsanto. De acordo
com a consultoria Céleres, os OGMs ocupam atualmente 49 milhões de
hectares no Brasil e 93% das terras dedicadas aos três cultivos.
Considerado
provavelmente cancerígeno pela Agência Internacional para a Pesquisa do
Câncer, o glifosato está autorizado em mais de 100 países. A União
Europeia acaba de renovar sua licença por cinco anos, e a França se
comprometeu a suprimir seu uso no prazo de três anos.
- Brasil, mais permissivo -
O
volume de produto utilizado por hectare é diferente entre os países. Em
um estudo com o título "Geografia do uso de pesticidas no Brasil e
conexões com a União Europeia", a pesquisadora Larissa Mies Bombardi, da
Universidade de São Paulo (USP), calcula que a escala dos pesticidas
usados na Europa varia de 0 a 2 kg por hectare.
No caso do Brasil, o consumo médio de glifosato pode variar de 5 a 19 kg por hectare, de acordo com a região.
"Os
estudos toxicológicos do glifosato são os mesmos estudos apresentados
às autoridades sanitárias dos Estados Unidos e da Europa [...] No Brasil
são realizados estudos específicos para formulações, toxicidade para o
meio ambiente e resíduos. São estudos com excelente qualidade e atendem
às recomendações internacionais", argumenta Flávio Zambrone, toxicólogo
de referência do Grupo de Informação e Pesquisas sobre o Glifosato.
De
qualquer maneira, o Brasil é mais permissivo em termos de limites
máximos de resíduos de glifosato. De acordo com Larissa Mies Bombardi,
na água potável, o país autoriza uma quantidade 5.000 vezes maior do que
a permitida pela UE. Quanto aos resíduos na soja, o limite é 200 vezes
maior do que o da UE.
"O glifosato não é incluído nos programas de
controle dos resíduos de agrotóxicos nos alimentos da Agência Nacional
de Vigilância Sanitária", destaca Marina Lacôrte, engenheira agrônoma e
especialista em agricultura e alimentação do Greenpeace.
"Além
disso, os cálculos dos limites máximos são feitos sobre os riscos de
intoxicação aguda. Os riscos de doenças crônicas não são estudados",
critica Lacôrte.
"Estamos comendo veneno, e o Brasil continua indo
na contramão dos debates que acontecem em outros países, por interesse
econômico", acrescenta.
Próximo presidente do Brasil enfrentará pressão dos mercados e urgências sociais
AFP / NELSON ALMEIDA(30 set) Candidatos à presidência participam de debate na TV
O próximo presidente do Brasil enfrentará desde o
primeiro dia de mandato uma enorme pressão dos mercados para prosseguir
com a política de ajustes fiscais, em um país com cerca de 13 milhões de
desempregados e boa parte da população com carências sociais de todos
os tipos.
"Por um ajuste justo com crescimento compartilhado" é o
título de um relatório do Banco Mundial apresentado aos 13 candidatos
das eleições de 7 de outubro, com uma lista de recomendações que parecem
um tanto ilusórias diante da extensão da crise econômica, política e de
segurança que põe à prova a credibilidade desta jovem democracia.
Segundo o relatório, o Brasil "enfrenta três desafios
principais: seu grande desequilíbrio fiscal, a falta do crescimento
sustentado da produtividade e a dificuldade de oferecer serviços
públicos básicos".
O Brasil tem "uma parte da população que ainda
está no século XIX e outra que já está no século XXI. A gente não pode
esquecer" da primeira, que vive sem saneamento básico, tem níveis de
educação muito baixos e enfrenta "níveis de violência que são de
guerra", afirma Marcelo Neri, ex-ministro da Secretaria de Assuntos
Estratégicos (2013-2015) e atual diretor do centro de políticas sociais
da Fundação Getúlio Vargas (FGV Social).
Neri defende um "caminho
do meio" entre quem preconiza a austeridade para fechar os déficits
deixados por dois anos de recessão (2015 e 2016) e outros dois de
crescimento fraco e os que pensam que essa receita pode acabar de matar o
paciente.
O endividamento do Estado passou de 56,3% do PIB no fim
de 2014 a 77%,3 em agosto deste ano e, segundo as projeções do BM, esse
nível se estabilizará se o Brasil conseguir um improvável crescimento
econômico de 4% por ano até 2030. Sem reformas estruturais profundas, a
dívida poderia chegar a 140% do PIB, estima a organização internacional.
- "Vender terreno na Lua"
O
presidente Michel Temer congelou os gastos públicos durante 20 anos,
entre outras medidas de austeridade, mas deixou pendente a delicada
reforma da previdência, considerada pelos mercados como a pedra angular
do saneamento das contas.
O projeto impõe uma idade mínima de
aposentadoria (atualmente existe a possibilidade de se aposentar com
base nos anos de contribuição) e unifica o regime do setor privado e dos
funcionários públicos, mais vantajoso. O governo o apresenta como uma
tentativa de "reduzir as desigualdades".
Essa reforma "é
importante, mas não é suficiente. O déficit fiscal é muito pior que
isso", alerta Marcos Lisboa, ex-secretário de Política Econômica do
Ministério da Fazenda (2003-2005) e atual presidente do Insper, um
instituto de ensino e pesquisa nas áreas de administração e negócios.
A
maioria dos candidatos propõe algum tipo de reforma da previdência e de
programa de contenção dos déficits, sem entrar demais em números que
poderiam fazer com que perdessem votos.
O candidato de
extrema-direita Jair Bolsonaro, que lidera as pesquisas para o primeiro
turno, preconiza uma transição para um sistema de aposentadoria por
capitalização e uma redução de 20% da dívida pública "mediante
privatizações, concessões" e a venda de propriedades da União.
O
Partido dos Trabalhadores (PT) de Fernando Haddad, em segundo lugar nas
pesquisas, propõe "interromper as privatizações" e afirma ser possível
equilibrar as contas "a partir do retorno do emprego" e do combate à
sonegação fiscal.
O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin
promete "eliminar o déficit público em dois anos" mediante privatizações
e uma simplificação tributária.
É preocupante "uma campanha em
que os problemas mais prementes são afastados do debate em troca de
soluções que reproduzem o desastre que o país viveu nos últimos anos ou
que prometem vender terreno na Lua", diz Marcos Lisboa.
Para o
economista, existem "possibilidades de construir uma solução negociada"
para uma reforma da previdência e tributária, "mas falta uma agenda
politica que consiga coordenar e definir prioridades".
- 'Mandela brasileiro' -
Nesta
campanha, a mais polarizada desde o fim do regime militar (1964-85), os
dois favoritos são também os que têm o maior índice de rejeição, o que
poderia ameaçar a governabilidade de quem tomar posse em 1º de janeiro
de 2019.
A crise, entretanto, continua destruindo rendas e vidas,
no nono país mais desigual do mundo, segundo o índice Gini do Banco
Mundial.
No fim de 2017, 23,3 milhões de brasileiros, de um total
de 208 milhões, viviam abaixo da linha da pobreza, 6,27 milhões a mais
(+33%) que no fim de 2014, segundo um estudo da FGV Social.
O
próximo presidente terá a tarefa titânica de tentar cicatrizar as
feridas de uma população descrente em relação aos seus dirigentes, após
anos de escândalos de corrupção.
O "país precisa ser integrado e
acho que até agora as eleições não apontam para essa direção", comenta
Marcelo Neri. Precisamos de "um Nelson Mandela, alguém que consiga
perdoar e ter visão do país no futuro. Acho que isso é possível (...),
mas não acho que seja simples", conclui.
Insegurança, desemprego, falta de moradia: as preocupações do eleitor brasileiro
AFP / EVARISTO SASilvana da Cruz conversa com a AFP em frente a agência de empregos em Brasília
Insegurança, desemprego e déficit habitacional: a AFP
reuniu em Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo depoimentos sobre
problemas cruciais que afetam os brasileiros, que irão eleger seu
próximo presidente em 7 de outubro:
Avelino de Souza, barman assaltado no Rio de Janeiro
Avelino Barcellos de Souza, de 47 anos, é coproprietário
do Bar da Foca, que fica perto de várias universidades no bairro de
classe média de Botafogo.
"Em quinze anos meu bar nunca foi assaltado, mas em março aconteceu duas vezes em duas semanas.
A
primeira vez foi depois da meia-noite, havia cerca de 15 clientes. Um
carro parou em frente ao bar e quatro jovens desceram, todos armados. Um
deles apontou a arma para a minha cabeça.
Duas semanas depois,
duas pessoas chegaram em moto e roubaram os celulares dos clientes em
menos de cinco minutos. A clientela diminuiu um pouco e tive que mudar
meus hábitos.
AFP / Mauro PimentelAvelino de Souza, dono de bar assaltado duas vezes no Rio de Janeiro
Parei de abrir às segundas-feiras, que era um bom dia, e
com frequência fecho por volta das 22H30, não mais de madrugada como
costumava fazer, por motivos de segurança.
No Rio, os Jogos
Olímpicos de 2016 geraram muita expectativa, se formou uma espécie de
bolha com um forte aumento dos preços dos imóveis, mas depois a bolha
estourou. Com todos os erros cometidos pelos governantes, o poder
aquisitivo das pessoas caiu. Na vizinhança, nunca estivemos tão mal.
Votar sempre foi uma fonte de orgulho para mim, mas admito que, pela primeira vez, estou desmotivado".
Silvana da Cruz, desempregada em Brasília
Silvana
da Cruz, de 36 anos, vive em Brasília e integra a estatística de 12,7
milhões de brasileiros que estão em busca de um emprego.
"Auxiliar
de serviços gerais, supervisora em padaria, em supermercado,
recepcionista, qualquer coisa que apareça!", explica Da Cruz, de 36
anos.
Nascida em Girassol, Goiás (centro-oeste), recebeu seu
último salário há cinco anos, quando trabalhava em uma padaria em
Vicente Pires, uma das "cidades-satélite" da capital do país, e se
demitiu para priorizar sua segurança.
"Quis sair (do trabalho).
Estava lá havia muitos anos e morava muito longe do trabalho [50 km].
Disse: 'vou dar um tempo, descansar um pouco', porque estavam ocorrendo
muitos assaltos dentro dos ônibus; eu trabalhava à tarde e chegava em
casa muito tarde".
Mas quando quis voltar ao mercado, era tarde
demais. A recessão havia tomado conta do país e encontrar um emprego se
tornou um luxo.
Ela leva quase duas horas para percorrer a distância entre sua casa e Brasília, o que dificulta mais ainda a busca de emprego.
Silvana
vive com seus pais, seu marido e dois filhos adolescentes. "Graças a
Deus", segundo ela, sua filha mais velha, de 19 anos, conseguiu um
emprego como assistente odontológica em Girassol.
É a primeira
vez que recorre a uma agência do governo para tentar sair da
estatística. "Você deixa um formulário e depois vê se te ligam. Estou
esperando".
Diane Batista, moradora de ocupação em São Paulo
"Às
vezes me perguntava como uma pessoa acaba vivendo na rua, e cheguei
muito perto disso: você fica desempregada, tem que pagar aluguel, o dono
de um imóvel não entende se você está desempregada ou se tem filhos.
Você tem até tal dia para pagar e se não paga, fica sem casa", conta
contendo as lágrimas Diane Batista, que viveu esse ciclo este ano quando
ela e seu marido perderam seus empregos.
AFP / NELSON ALMEIDADiane Batista, 35, moradora da ocupação Mauá, no Centro de São Paulo
Com quatro filhos, Diane, de 35 anos, ficou
desempregada quando ficou grávida. Morava em uma casa de um quarto em um
bairro da periferia da cidade. O aluguel consumia um terço da renda
familiar e o cuidado diário dos filhos, outro terço.
A família
mora agora na ocupação Mauá, no centro de São Paulo, que é administrada
por três movimentos de luta por moradia. Diane divide o pequeno espaço
com três de seus filhos e seu marido que, enquanto procura emprego,
trabalha no setor informal. O filho mais velho do casal vive com a avó
materna.
Um total de 6,35 milhões de famílias brasileiras não têm
casa ou vivem em condições precárias, segundo um estudo de 2015. O
estado de São Paulo é o que mais contribui para essa estatística, com um
déficit de 1,3 milhão de moradias.
"Apesar de ter um pouquinho
de estudo e experiência de trabalho, ficamos praticamente sem ter onde
morar", conta Diane, que não economiza agradecimentos ao movimento
social que recebeu ela e sua família no edifício Mauá. "Esta foi a forma
de sobreviver em São Paulo".
Indonésia determina enterros em massa após terremoto e tsunami
AFP / JEWEL SAMAD
Um barco e vários edifícios destruídos em Palu (Indonésia) em 28 de setembro de 2018
Voluntários indonésios cavavam nesta segunda-feira uma
fossa comum para enterrar as centenas de vítimas do terremoto e do
tsunami que atingiram a ilha Célebes, ao mesmo tempo que as equipes de
emergência tentavam encontrar sobreviventes nos escombros.
Diante
da magnitude da catástrofe, que deixou pelo menos 844 mortos, segundo o
balanço atualizado divulgado nesta segunda-feira pela Agência de Gestão
de Desastres, o governo da Indonésia pediu ajuda internacional.
As autoridades temem um número muito maior de mortos, pois grande parte da região afetada permanece inacessível.
Dezenas
de agências humanitárias e ONGs ofereceram ajuda ao país, mas o envio
de material à região é muito complicado: estradas estão bloqueadas e os
aeroportos muito danificados.
"Não temos muita comida. Só
conseguimos pegar o que estava em casa. E precisamos de água potável",
disse à AFP Samsinar Zaid Moga, uma moradora de 46 anos de Palu.
"O mais importante são as barracas, porque choveu e há muitas crianças aqui", afirmou sua irmã, Siti Damra.
AFP / ADEK BERRY
Homem observa os escombros de uma mesquita em Palu
A ONG Oxfam prevê o envio de ajuda a, potencialmente,
100.000 pessoas, com alimentos instantâneos, equipamentos de purificação
de água e barracas, anunciou Ancilla Bere, diretora da organização na
Indonésia.
"Mas o aceso é um grande problema", destacou o diretor
do programa Save The Children, Tom Howells. "As organizações de ajuda e
as autoridades locais se esforçam para chegar a várias comunidades ao
redor de Donggala, onde acreditamos que há grandes danos materiais e a
possível perda de vidas humanas em grande escala", explicou.
- Estado de emergência de 14 dias -
O presidente
indonésio Joko Widodo autorizou a ajuda internacional de emergência e as
autoridades declararam estado de emergência de 14 dias.
A maior
parte das vítimas foi registrada em Palu, cidade de 350.000 habitantes
na costa oeste da ilha Célebes, segundo a Agência de Gestão de
Desastres.
Em Poboya, na colinas que cercam Palu, voluntários
começaram a enterrar as vítimas em uma gigantesca fossa comum, com
capacidade para 1.300 corpos.
Três caminhões lotados de cadáveres chegaram ao local. Os corpos foram colocados, um por um, na fossa e cobertos com terra.
Em
um primeiro momento, as autoridades reuniram os corpos em necrotérios
improvisados para poder identificá-los, ma ante o risgo sanitário,
decidiram organizar enterros em massa.
Em Balaroa, bairro da
periferia de Palu com uma zona residencial, os danos foram
catastróficos. A área se transformou em um terreno baldio coberto por
árvores derrubadas, blocos de cimento, pedaços de telhado e móveis
destruídos.
Em um cenário de devastação, as equipes de resgate lutam contra o tempo para encontrar sobreviventes e retirá-los dos escombros.
Nesta
segunda-feira, as equipes trabalhavam entre os destroços do hotel Roa
Roa, onde as autoridades acreditam que entre 50 e 60 pessoas podem ter
sido sepultadas. Até o momento, duas pessoas foram resgatadas com vida
no local, segundo uma fonte oficial.
Muitos moradores procuram os parentes desaparecidos nos hospitais ou necrotérios improvisados.
- Fuga de mais de mil detentos -
Fontes do governo local informaram que 1.200 detentos escaparam de três prisões da região.
Em
um centro de detenção de Palu, construído para receber 120 pessoas,
vários dos 581 detentos fugiram quando os muros desabaram. Na prisão de
Donggala aconteceu um incêndio, ao que parece provocado pelos próprios
prisioneiros, e os 343 detidos escaparam do local.
"Se assustaram
quando souberam que o terremoto havia sacudido fortemente Donggala",
afirmou Sri Puguh Utami, funcionária do ministério da Justiça.
"Os
diretores da prisão negociaram com os detentos para permitir que se
informassem sobre a situação de suas famílias. Mas alguns não tiveram
paciência e colocaram fogo no local".
As autoridades anunciaram
que 71 estrangeiros estavam em Palu no momento do terremoto, a maioria
deles já localizados e em processo de retorno a seus países.
A
Indonésia, um arquipélago de 17.000 ilhas, fica no Anel de Fogo do
Pacífico e é um dos países do mundo mais propensos a sofrer desastres
naturais.
O terremoto de sexta-feira, de 7,5 graus de magnitude, f
oi mais potente que os tremores que deixaram mais de 500 mortos e 1.500
feridos na ilha indonésia de Lombok em agosto
Balanço de terremoto e tsunami na Indonésia supera 800 mortos
AFP / BAY ISMOYOIndonésios carregam
corpos de parentes para uma zona habilitada perto de um hospital em
Palu, na ilha indonésia Célebes, após o terremoto e tsunami
O número de mortos no terremoto e tsunami que atingiram
na sexta-feira a ilha indonésia de Célebes subiu para 832 neste
domingo, depois que os serviços de emergência encontraram mais corpos
entre os escombros na cidade devastada de Palu.
"Ao meio-dia (hora
local) de hoje temos 832 mortos", anunciou o porta-voz da Agência de
Gestão de Desastres, Sutopo Purwo Nugroho.
"O número de mortos vai continuar aumentando", alertou o porta-voz.
Os enterros estavam programados para começar neste domingo, para evitar a propagação de doenças, indicou Purwo Nugroho.
"É muito duro", afirmou à AFP Risa Kusuma, de 35 anos, que estava com o filho febril em um centro para desabrigados de Palu.
"A ambulância traz mais corpos a cada minuto. Não temos água e as lojas são saqueadas", disse.
A
maior parte das vítimas foi registrada em Palu, cidade de 350.000
habitantes na costa oeste da ilha Célebes, segundo a Agência de Gestão
de Desastres. Mas as autoridades e diversas ONGs também estão
preocupadas com a situação na região de Donggala, mais ao norte.
O
diretor do programa de Save The Children, Tom Howells, destacou que o
acesso às zonas afetadas é um grande problema que dificulta os resgates.
"As
organizações de ajuda e as autoridades locais se esforçam para alcançar
várias comunidades ao redor de Donggala, onde tememos grandes danos
materiais e a possível perda de vidas humanas em grande escala",
declarou Howells.
AFP / MUHAMMAD RIFKIMulher ferida aguarda atendimento em hospital improvisado em Palu, Indonésia
Os hospitais não conseguem receber todas as vítimas e
muitos feridos recebem atendimento ao ar livre. Alguns estabelecimentos
sofreram muitos danos com o terremoto.
Aviões com material e alimentos começaram a chegar à cidade.
"Tenho apenas um filho e está desaparecido", disse à AFP
Baharuddin, morador de Palu, de 52 anos. "Falei pela última vez com ele
antes de sua saída para a escola".
As autoridades anunciaram que 71 estrangeiros estavam em Palu no momento do terremoto, a maioria deles já localizados.
- Sobrevivente entre os escombros -
As
equipes de emergência procuravam sobreviventes entre os escombros de um
hotel, que tinha capacidade para 150 hóspedes, e de um centro comercial
que desabou com o tremor.
"Conseguimos retirar uma mulher viva
dos escombros do hotel Roa-Roa na noite passada", afirmou à AFP Muhamad
Syaugi, o comandante do serviço de emergência.
"E ouvimos pessoas pedindo ajuda".
O presidente indonésio, Joko Widodo, desembarcou em Palu neste domingo.
"Peço
que se preparem para trabalhar dia e noite e iniciar o processo de
evacuação", afirmou às tropas mobilizadas para ajudar nas buscas.
O
terremoto de 7,5 graus de magnitude sacudiu a ilha Célebes na
sexta-feira e provocou uma onda gigante na área de Palu, que arrastou
carros, árvores e postes de energia elétrica, além de ter destruído
vários imóveis.
Muitos moradores da cidade dormiram em campos de
futebol ou abrigos improvisados, construídos com bambu, por temor de
tremores secundários.
Após a catástrofe, as pessoas procuram
sobretudo comida e um local de refúgio. Moradores formaram longas filas
para receber água potável e macarrão instantâneo.
O
terremoto foi mais potente que os tremores que deixaram mais de 500
mortos e 1.500 feridos na ilha indonésia de Lombok em agosto.
A
Indonésia, um arquipélago de 17.000 ilhas, fica no Anel de Fogo do
Pacífico e é um dos países do mundo mais propensos a sofrer desastres
naturais.
Em 26 de dezembro de 2004, a Indonésia sofreu uma série
de terremotos devastadores, um deles de magnitude 9,1, na ilha de
Sumatra. Este tremor motivou um grande tsunami que provocou a morte de
220.000 pessoas na região, 168.000 delas na Indonésia.
Em 2006, quase 6.000 pessoas morreram em um violento sismo que atingiu a ilha de Java.
ONU: quase 2 milhões de pessoas deixaram a Venezuela desde 2015
AFP / CRIS BOURONCLEVenezuelanos fazem fila em posto fronteiriço de Tumbes, no noroeste do Peru, na fronteira com Equador, em 23 de agosto de 2018
Pelo menos 1,9 milhão de pessoas deixaram a Venezuela
desde 2015, fugindo da crise econômica e política que o país atravessa -
informou a ONU nesta segunda-feira (1º).
"Com mais de 2,6 milhões
de pessoas no exterior do país atualmente, é crucial uma perspectiva
apolítica e humanitária para ajudar os países que os recebem em um
número que vai crescendo", declarou o alto comissário da ONU para os
refugiados, Filippo Grandi, durante a abertura da reunião anual do
comitê executivo do Alto Comissariado das Nações Unidas para os
Refugiados (Acnur) que acontece esta semana em Genebra.
"Cerca de 5.000 pessoas deixam a Venezuela por dia hoje. É
o maior movimento de população na história recente da América Latina",
acrescentou.
Interrogado pelo fluxo cotidiano em massa, um
porta-voz da Acnur, William Spindler, explicou à AFP que "se observa
esta tendência desde o início deste ano", insistindo em que "o grande
êxodo começou este ano".
"Segundo os dados oficiais do governo,
estimamos que 1,9 milhão de venezuelanos deixaram seu país desde 2015
para se dirigir, principalmente, para outros países da América do Sul
como Brasil, Colômbia, Equador e Peru", acrescentou o porta-voz.
O
Acnur e a Organização Internacional para as Migrações anunciaram, em 19
de setembro, a nomeação do ex-vice-presidente da Guatemala Eduardo
Stein como representante especial para a crise migratória venezuelana.
A
população venezuelana está asfixiada por uma crise econômica
caracterizada pela hiperinflação, pobreza, falta de serviços públicos e
escassez de artigos de primeira necessidade, especialmente remédios e
alimentos. Isso provocou um êxodo em massa de centenas de milhares de
venezuelanos.
"Felicito os Estados que mantiveram suas fronteiras
abertas e que oferecem asilo, ou outras formas de estância legal" para
os venezuelanos, disse Grandi.
"Ainda resta muito por fazer para
garantir a coerência regional da resposta dada em matéria de proteção"
dos indivíduos, advertiu.
Entre protestos, Catalunha celebra aniversário do referendo de independência
AFP / Josep LAGOUma bandeira separatista
catalã gigante junto à faixa "1-0, Ni olvido ni perdón", em Sant Julià
de Ramis, perto de Girona, em 1º de outubro de 2018
Grupos de separatistas catalães bloquearam estradas e
vias férreas, nesta segunda-feira (1º), no aniversário do referendo de
autodeterminação ilegal celebrado há um ano nesta região espanhola.
Baseando-se
nessa votação, promovida pelo então presidente Carles Puigdemont e na
qual, segundo seu Executivo, dois milhões de pessoas apostaram na
secessão, em 27 de outubro foi proclamada uma república que nunca chegou
a ser instaurada.
Um ano depois desse referendo, que foi possível graças à
colaboração na clandestinidade de milhares de cidadãos, os grupos mais
radicais pressionam o novo governo, liderado por Quim Torra, que iniciou
um tímido diálogo com Madri.
"Hoje faz um ano que votamos na
independência (...) Passamos para a ação", lembrou no Twitter a conta
dos Comitês de Defesa da República, associações radicais que reivindicam
a ruptura imediata com a Espanha.
Suas diferentes associações
espalhadas por toda região bloquearam, de surpresa, a linha ferroviária
de alta velocidade entre Barcelona e França, diferentes autoestradas e
também algumas ruas da capital catalã.
As mobilizações devem continuar ao longo desta segunda-feira.
Ao
meio-dia, haverá uma marcha de universitários, que convocaram uma greve
para recordar o referendo. À tarde, em toda Barcelona, também está
prevista uma manifestação separatista para reivindicar que "se torne
efetivo o desejo da maioria do povo da Catalunha".
"Os CDRs
pressionam e fazem bem em pressionar", reagiu o presidente catalão, Quim
Torra, de Sant Julià de Ramis, o pequeno povoado onde, há um ano,
Puigdemont votaria, mas foi impedido pela chegada da Polícia, que
reprimiu os eleitores.
"Temos que agir nas próximas semanas com a
mesma determinação" que em 1º de outubro, insistiu, no momento em que a
ação de seu governo começa a gerar tensão com os separatistas mais
radicais.
No sábado, a Polícia regional atuou fortemente contra
uma manifestação separatista que tentava chegar a um ato para homenagear
os agentes enviados há um ano por Madri para evitar o referendo.
A
votação de 2017 significou um momento de tensão máxima entre Barcelona e
Madri, após anos de auge do separatismo nessa região de 7,5 milhões de
habitantes, rachada sobre a secessão.
Um ano depois, a tensão
diminuiu, especialmente após a chegada ao poder espanhol do socialista
Pedro Sánchez, partidário de se buscar uma saída dialogada para a crise
catalã.
"Este governo abriu uma via política, abriu uma
interlocução com as autoridades catalães, e essa interlocução com as
autoridades catalães está dando resultados", disse a porta-voz do
governo, Isabel Celáa.
As reuniões entre ambos os Executivos são
frequentes, mas permanece um obstáculo até agora sem solução: os
separatistas exigem um referendo de autodeterminação vinculante que não
está nas considerações de Sánchez, com um exíguo apoio no Congresso
espanhol.
1,9 millones de personas abandonaron Venezuela desde 2015, según la ONU
AFP / CRIS BOURONCLEUn grupo de venezolanos
hacen cola en un puesto fronterizo de Tumbes, en el noroeste de Perú,
fronterizo con Ecuador, el 23 de agosto de 2018.
Cerca de 1,9 millones de personas se fueron de
Venezuela desde 2015, huyendo de la crisis económica y política que
atraviesa el país, informó el lunes la ONU.
"Con más de 2,6
millones de personas en el exterior del país actualmente, es crucial una
perspectiva apolítica y humanitaria para ayudar a los países que les
reciben en un número que va en aumento", declaró el Alto Comisionado de
la ONU para los Refugiados, Filippo Grandi, durante la apertura de la
reunión anual del comité ejecutivo de la Agencia de la ONU para los
Refugiados (Acnur) que se celebra esta semana en Ginebra.
"Unas 5.000 personas abandonan Venezuela cada día
actualmente, es el mayor movimiento de población en la historia reciente
de América Latina", agregó.
Interrogado por el flujo masivo
cotidiano, un portavoz de ACNUR, William Spindler, explicó a la AFP que
"se observa esta tendencia desde principios de este año", insistiendo en
que "el gran éxodo empezó este año".
"Según los datos oficiales
gubernamentales, estimamos que 1,9 millones de venezolanos dejaron su
país desde 2015 para dirigirse principalmente hacia otros países de
América del Sur como Brasil, Colombia, Ecuador y Perú", precisó el
portavoz.
Acnur y la Organización Internacional para las
Migraciones anunciaron el 19 de septiembre el nombramiento del ex
vicepresidente de Guatemala Eduardo Stein como representante especial
para la crisis migratoria venezolana.
La población venezolana está
asfixiada en una crisis económica caracterizada por la hiperinflación,
la pobreza, la falta de servicios públicos y la escasez de productos de
primera necesidad, especialmente de medicamentos y alimentos. Esto ha
provocado un éxodo masivo de cientos de miles de venezolanos.
"Felicito
a los Estados que han mantenido sus fronteras abiertas y que ofrecen
asilo u otras formas de estancia legal" a los venezolanos, dijo Grandi.
"Todavía
queda mucho por hacer para garantizar la coherencia regional de la
respuesta aportada en materia de protección" de los individuos, advirtió
sin embargo
Pro-independence protesters in Catalonia block roads, railway line
AFP / Josep LAGOBlunderbuss guns were
fired in Sant Julia de Ramis, near Girona, during the ceremony to
commemorate the anniversary of the banned referendum
Pro-independence protesters obstructed major roads and a
high-speed railway line in Spain's Catalonia region on Monday, one year
after a banned referendum on secession marred by police violence.
"Everything
began on October 1 and everything goes back to October 1," the region's
separatist president Quim Torra said in a ceremony in Sant Julia de
Ramis in northern Catalonia on a stage next to a large black and white
banner that read "No forgetting, no forgiving."
Some 10 kilometres (six miles) away in Girona, hundreds of
activists, many covering their faces with scarves, occupied high-speed
railway tracks for around three hours, blocking services linking
Figueres, Girona and Barcelona, Spain's state-owned rail operator Renfe
said.
AFP / Josep LAGOTorra (L) praised the actions of the activists, saying they were "doing well in putting on the pressure"
Central streets in Barcelona and Lleida were blocked,
as was the AP-7 motorway, south of Barcelona, and A2 linking Barcelona
to Madrid, images on Catalan TV showed.
Activists also got into
Catalonia's regional government building in Girona and took away the
facade's Spanish flag, replacing it with a red, yellow and blue
separatist flag.
In his speech, Torra praised their actions, saying they were "doing well in putting on the pressure."
- 'Damaged Spain's reputation' -
A
year after the contested October 1, 2017 referendum, disagreements over
separatism have nevertheless deepened in the wealthy northeastern
region of Spain, which is home to some 7.5 million people and has its
own distinct language.
AFP / PAU BARRENAPro-independence proteststers blocked streets in Barcelona
Far from uniting the community, it has polarised opinion, leaving deep divisions over the region's fate.
The
independence movement itself is divided and rudderless, with the
separatist parties that have an absolute majority in the regional
parliament split on what strategy to pursue to break from Spain --
direct confrontation or moderation.
The protests were called online by a grassroots group
calling itself the Committees for the Defence of the Republic (CDRs),
founded to help stage last year's banned referendum and now demanding a
clean break with the Spanish state.
"A year ago we voted for independence... Let's act," the CDRs tweeted.
Already
on Saturday, Barcelona was the scene of unrest, with 24 people injured
and six detained when separatists clashed with police.
AFP/File / Pau BarrenaTwenty-four people were
injured during a rally -- and a counter demonstration -- in Barcelona by
police paying tribute to colleagues deployed to prevent the 2017
referendum
They were taking part in a demonstration called to
counter a rally by police paying tribute to colleagues deployed to
prevent the 2017 Catalan independence referendum.
The Catalan
government, then led by Carles Puigdemont, pushed ahead with the vote on
secession despite it having been deemed illegal by the Spanish courts.
The vote was marred by a violent police crackdown on polling stations that made headlines around the world.
Even
if it was illegal and therefore non-binding, 2.3 million people cast
their ballots out of 5.5 million eligible voters, 90 percent of whom
voted to break from Spain. Opponents of independence largely boycotted
the vote.
In a radio interview, the spokeswoman for the Socialist
government in Madrid, Isabel Celaa, said the referendum had been
"illegal" and had no "legal consequence."
AFP/File / JORGE GUERREROThe Catalan government pushed ahead with the referendum in 2017 despite it having been deemed illegal by the Spanish courts
But she said the sometimes violent police intervention
to impede the vote -- as ordered by Spain's then conservative government
-- was a mistake.
She said the footage of police charging at
voters -- even if some of it was later found to be false -- "seriously
damaged Spain's reputation" abroad.
After the Catalan government declared unilateral
independence on October 27, Madrid swiftly sacked the Catalan
government, prompting several key figures to flee abroad, including
Puigdemont. Others were jailed.
In total, 13 separatist leaders
have been charged with rebellion, nine of whom are in preventative
custody in Spain awaiting trial, while four others are in self-exile in
Belgium, Scotland and Switzerland.
In a video broadcast on social
media, Puigdemont called on pro-independence Catalans to "not divert
from the only path possible to be able to live in a full democracy --
achieving the republic and its international recognition."
Cataluña celebra entre protestas el aniversario del referéndum de independencia
AFP / Josep LAGOUna bandera
independentista catalana gigante junto a una pancarta rezando "1-0, Ni
olvido ni perdón" en Sant Julià de Ramis, cerca de Girona (España), el 1
de octubre de 2018
Grupos de independentistas catalanes cortaron este
lunes carreteras y vías de tren en el aniversario del referéndum de
autodeterminación ilegal celebrado hace un año en esta región española
entre fuertes cargas policiales.
Basándose en esa votación,
impulsada por el entonces presidente Carles Puigdemont y en la que según
su ejecutivo dos millones de personas apostaron por la secesión, el 27
de octubre se proclamó una república que nunca se llegó a aplicar.
Un año después de ese referéndum, que fue posible gracias a
la colaboración en la clandestinidad de miles de ciudadanos, los grupos
más radicales presionan al nuevo gobierno, liderado por Quim Torra, que
ha iniciado un tímido diálogo con Madrid.
"Hoy hace un año que
votamos independencia (...) Pasamos a la acción", recordó en Twitter la
cuenta de los Comités de Defensa de la República, asociaciones radicales
que reclaman la ruptura inmediata con España.
Sus diferentes
asociaciones repartidas por toda la región cortaron por sorpresa la
línea ferroviaria de alta velocidad entre Barcelona y Francia, distintas
autopistas y también algunas calles de la capital catalana.
Las
movilizaciones deben continuar a lo largo del día, con una marcha al
mediodía de universitarios, que convocaron una huelga para recordar el
referéndum, y una manifestación independentista por la tarde en
Barcelona que "se haga efectivo el deseo de la mayoría del pueblo de
Cataluña".
"Los CDR aprietan y hacen bien en apretar", reaccionó
el presidente catalán Quim Torra desde Sant Julià de Ramis, el pequeño
pueblo donde hace un año tenía que votar Puigdemont pero se lo impidió
la llegada de la policía que cargó contra los electores.
"Tenemos
que actuar las próximas semanas con la misma determinación" que el 1 de
octubre, insistió, cuando la acción de su gobierno empieza a generar
tensión con los independentistas más radicales.
El sábado, la
policía regional dependiente de su propio gobierno cargó fuertemente
contra una manifestación independentista que intentaba llegar a un acto
para homenajear a los agentes enviados hace un año por Madrid para
evitar el referéndum.
- En proceso de distensión -
La
votación del año anterior supuso el momento de máxima tensión entre
Barcelona y Madrid tras años de auge del independentismo en esta región
de 7,5 millones, dividida a partes iguales sobre la secesión.
A
pesar de la prohibición explícita de la justicia y el envío de miles de
policías por parte del gobierno español, los dirigentes independentistas
tiraron adelante esta votación con la colaboración de miles de
ciudadanos anónimos.
Con órdenes de incautar el material
electoral, los agentes policiales cargaron con mucha contundencia contra
las decenas de electores que se concentraban frente a los puntos de
votación.
Las imágenes dieron la vuelta al mundo pero, a
diferencia de lo que esperaba Puigdemont, no sirvieron para ganar apoyos
internacionales y cuando se declaró la independencia semanas después,
ningún país la reconoció.
AFP / Sonia GONZALEZLa crisis política en Cataluña
El gobierno español del conservador Mariano Rajoy
destituyó al ejecutivo regional y disolvió el Parlamento mientras la
justicia imputaba por rebelión a los dirigentes catalanes, que marcharon
al extranjero o entraron en prisión, donde todavía hay nueve de ellos a
la espera de juicio.
Un año después, la tensión ha decaído
especialmente tras la llegada al poder español del socialista Pedro
Sánchez, partidario de buscar una salida dialogada a la crisis catalana.
"Este gobierno ha abierto pasillo político, ha abierto una
interlocución con las autoridades catalanes y esa interlocución con las
autoridades catalanes está dando resultados", dijo la portavoz
gubernamental Isabel Celáa.
Las reuniones entre ambos ejecutivos
son frecuentes aunque les separa un escollo por ahora insalvable: los
independentistas exigen un referéndum de autodeterminación vinculante
que Sánchez, con un exiguo apoyo en el Congreso español, no contempla.
Torra
combina este acercamiento con un discurso exaltado, llamando
constantemente a la movilización ciudadana si bien su gobierno no ha
presentado ninguna estrategia para alcanzar la independencia.
Entierros en masa en Indonesia tras el sismo y el tsunami
AFP / BAY ISMOYOVarios cuerpos son
transportados hasta una fosa común antes de la ceremonia fúnebre por las
víctimas del sismo y el tsunami en Palu, en la isla indonesia de
Célebes, el 1 de octubre de 2018
Voluntarios indonesios excavaron este lunes una fosa
común para enterrar a las cientos de víctimas del sismo y el tsunami que
azotó la isla indonesia de Célebes, mientras los socorristas trataban
de sacar a más supervivientes de entre los escombros.
Ante la
amplitud de la catástrofe, que causó al menos 844 muertos y 48.000
desplazados, según un último balance este lunes de la agencia de gestión
de desastres, el gobierno indonesio solicitó ayuda internacional.
Las autoridades temen que el balance final sea mucho más alto, pues gran parte de la región afectada sigue siendo inaccesible.
Decenas
de agencias humanitarias y de oenegés se brindaron para dar asistencia
al país, pero el envío de ayuda a la zona resulta complicado porque
numerosas carreteras están cortadas y los aeropuertos dañados.
"No
tenemos mucha comida. Sólo pudimos tomar lo que teníamos en casa. Y
necesitamos agua potable", declaró a la AFP Samsinar Zaid Moga, una
mujer de 46 años.
"Lo más importante son las tiendas, porque ha llovido y hay muchos niños aquí", añadió su hermana, Siti Damra.
AFP / Jewel SAMADUn superviviente intenta recuperar objetos entre los escombros en Palu, el 1 de octubre de 2018
Oxfam "prevé aportar ayuda a, potencialmente, 100.000
personas", alimentos instantáneos, equipos de purificación del agua y de
tiendas, indicó Ancilla Bere, una responsable de esa oenegé en
Indonesia.
Pero "el acceso es un gran problema", destacó el
director del programa de Save The Children, Tom Howells. "Las
organizaciones de ayuda y las autoridades locales se esfuerzan por
alcanzar varias comunidades alrededor de Donggala, donde se prevé que
habrá grandes daños materiales y posibles pérdidas de vidas humanas a
gran escala", explicó.
- Estado de emergencia de 14 días -
El presidente
indonesio Joko Widodo autorizó la ayuda internacional de urgencia y las
autoridades declararon un estado de emergencia de 14 días.
La
mayoría de las víctimas se registraron en Palu, una ciudad de 350.000
habitantes en la costa occidental de la isla de Célebes, según la
agencia de gestión de desastres.
AFP / Jewel SAMADUn hombre descansa entre
restos de construcción, mientras otros intentan recuperar sus enseres,
cuatro días después del terremoto y el tsunami que golpearon la ciudad
de Palu, en la isla indonesia de Célebes, el 1 de octubre de 2018
En Poboya, en la colinas que rodean Palu, voluntarios
empezaron a enterrar a las víctimas en una gigantesca fosa común, con
capacidad para 1.300 cuerpos.
Tres camiones cargados de cadáveres
envueltos en bolsas naranjas, amarillas y negras, llegaron al lugar,
constató un periodista de la AFP. Uno por uno, fueron colocados en la
fosa y recubiertos de tierra.
En un primer momento, las autoridades agruparon los
cuerpos en morgues improvisadas para poder identificarlos pero, ante el
riesgo sanitario, decidieron realizar entierros masivos.
En
Balaroa, un barrio periférico de Palu con una zona residencial, los
daños fueron catastróficos. La zona se transformó en un terreno baldío
cubierto de árboles arrancados, bloques de hormigón, restos de tejado y
trozos de muebles.
Sobre el terreno, los equipos de rescate trabajaban contrarreloj para hallar supervivientes y sacarlos de entre los escombros.
El
lunes, los socorristas rebuscaban entre los restos del hotel Roa Roa,
donde se cree que entre 50 y 60 personas podrían haber quedado
sepultadas. De momento, salvaron a dos personas en ese lugar, según una
fuente oficial.
Muchos habitantes siguen buscando a sus allegados, desaparecidos, en los hospitales o en las morgues improvisadas.
- Más de mil presos evadidos -
Según funcionarios del gobierno, unos 1.200 presos escaparon de tres cárceles de la región.
En
un centro de detención de Palu, construido para acoger a 120 personas,
la mayoría de sus 581 detenidos salieron cuando los muros se
derrumbaron. En la cárcel de Donggala se produjo un incendio, que parece
que fue provocado por los propios prisioneros, y sus 343 detenidos
huyeron.
"Se asustaron cuando supieron que el terremoto había
sacudido fuertemente Donggala", según Sri Puguh Utami, una funcionaria
del ministerio de la Justicia. "Los responsables de la cárcel negociaron
con los detenidos para permitirles ir a informarse sobre la situación
de sus familias. Pero algunos de los detenidos no tuvieron suficiente
paciencia y prendieron fuego".
AFP / BAY ISMOYOUna familia transporta un ataúd en Palu el 30 de septiembre de 2018
En el momento del sismo, había 71 extranjeros en Palu,
la mayoría de los cuales están siendo repatriados, según la portavoz de
la agencia de gestión de catástrofes, Sutopo Purwo Nugroho.
Indonesia,
un archipiélago de 17.000 islas e islotes que se encuentra en el
Cinturón de Fuego del Pacífico, es uno de los países del mundo más
propensos a sufrir desastres naturales.
El terremoto fue más potente que los temblores que dejaron
más de 500 muertos y unos 1.500 heridos en la isla indonesia de Lombok
en agosto.
Manifestantes pró-Bolsonaro reúnem-se na avenida Paulista, em São Paulo, e em outros estados
Manifestantes a favor do candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, realizam atos de apoio e carreatas em vários estados neste domingo (30), um dia após milhares de pessoas irem às ruas em protesto contra a candidatura do militar.
Em cidades dos 26 estados e do Distrito Federal foram registrados
atos pró-Bolsonaro. Em São Paulo, manifestantes se concentram na avenida
Paulista, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) e ao prédio da
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Nas redes sociais, o candidato do PSL publicou um vídeo de uma passeata em Vitória (ES). Assista:
Políticos do entorno da campanha de Bolsonaro participam do ato na
capital paulista, entre eles o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL), filho
do candidato, o deputado e candidato ao Senado Major Olímpio (PSL) e o
vice na chapa do capitão reformado, general Hamilton Mourão (PRTB).
Outras cidades paulistas tiveram atos a favor do político, como
Araçatuba, Bauru, Campinas, Mogi das Cruzes, Ribeirão Preto, São José
dos Campos e Mogi das Cruzes.
Já em Brasília, milhares de veículos saíram em carreata na Esplanada
dos Ministérios. A manifestação teve início ainda de manhã, quando
apoiadores de Bolsonaro se reuniram no Museu da República, na região
central da capital federal.
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Debate na Record foi o penúltimo entre os presidenciáveis na TV. Quinta-feira (4) será a vez da Globo
Presidenciáveis que participaram do
debate realizado na TV Record (veja a íntegra no vídeo abaixo)
aproveitaram para surfar na onda das manifestações organizadas por mulheres contra Jair Bolsonaro
(PSL) em todos os estados brasileiros e em dezenas de cidades mundo
afora. De olho no eleitorado feminino, maioria no Brasil, quase todos os
oito candidatos presentes teceram elogios à mobilização feminina,
aproveitando para direcionar a mira da artilharia para o próprio
ex-capitão do Exército – um dos principais alvos da noite, aliás.
Oito presidenciáveis participaram do debate – Alvaro Dias (Podemos),
Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Fernando Haddad (PT), Geraldo
Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (Psol), Henrique Meirelles (MDB) e
Marina Silva (Rede). Coube aos jornalistas Adriana Araújo e Celso
Freitas a mediação de perguntas e respostas.
Bolsonaro convalesce de duas cirurgias e 23 dias de pós-operatório
feitos no hospital Albert Einstein, em São Paulo, e diz cumprir
recomendações médicas para não ir a debates pelos próximos dias. Seus
adversários dizem que ele não tem preparo para enfrentá-los diante das
câmeras e usa o atentado que sofreu como pretexto ideal para ficar em
casa e escapar das polêmicas. Em entrevista ao jornalista José Luiz Datena,
da TV Bandeirantes, ele disse que gostaria de participar do debate da
TV Globo, na próxima quinta-feira (4), tradicionalmente o último antes
da eleição presidencial. Há a expectativa de que ele vá, mas a
orientação de seus médicos deve prevalecer. Medo da derrota
A Record optou por um formato simples, em que candidatos fizeram
perguntas entre si em todos os blocos do programa, etapa seguida das
tradicionais considerações finais. Única mulher no debate, Marina Silva
(Rede) foi quem mais condenou a postura do ex-capitão do Exército e, com
autoridade feminina, afirmou que ele também "desrespeita índios,
negros, minorias".
Em resposta a Ciro Gomes, que citou a "frase assustadora" de
Bolsonaro sobre não aceitar derrota nas eleições, Marina aproveitou para
ironizar o candidato. “Com essa frase, ele desrespeita também a
Constituição, o jogo democrático, desrespeita a todos. Para mim, o
Bolsonaro fala muito grosso, mas tem momentos em que ele amarela. Isso
são palavras de quem já está com medo da derrota”, fustigou a
ex-ministra do Meio Ambiente no governo Lula (2003-2010). Assista à íntegra do debate:
Quando não atacavam Bolsonaro, alguns candidatos preferiam fazer
perguntas para que seus adversários o fizessem. Ciro lembrou que o
deputado, esfaqueado em 6 de setembro, já recebeu alta no sábado (29) e,
ao contrário dele, que participou de debate do SBT, na semana passada, “com uma sonda perdurada na perna”, preferiu ficar fora do embate.
“Ele vem sendo desconstruído pelos seus próprios atos”, acrescentou
Marina, passando a condenar o discurso violento de Bolsonaro e lembrando
que, se fosse um revólver no atentado do início de setembro, o
esfaqueador poderia ter feito mais vítimas além do próprio deputado. Bolsonaro e o Bolsa Família
Depois foi a vez de Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda de
Michel Temer, atacar Bolsonaro. Com seu discurso de experiência na
gestão econômica, Meirelles disse que o candidato do PSL "não gosta do
Bolsa Família".
"E o vice dele quer acabar com 13º e o adicional de férias. O Paulo
Guedes, que ele escolheu para a gestão da economia, quer recriar a CPMF
[Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira]", provocou
Meirelles, dando a deixa para que Marina, novamente ela, criticasse o
deputado.
“A campanha do Bolsonaro indicou claramente que pode acabar com o 13º
e recriar a CPMF. Ou seja, retira direitos do povo em um país com 13
milhões de desempregados”, devolveu Marina. “Como se não bastasse, ele
ainda desrespeita mulheres, índios, negros. Eu nunca vi na minha vida um
candidato que diz claramente que vai governar para os fortes, para os
que têm, para os que podem. Você é eleito presidente para governar para
os mais necessitados, e eu queria que ele estivesse aqui para explicar
essas coisas para ele.” Primeiramente...
Na vez de responder a Geraldo Alckmin – de quem Bolsonaro subtraiu
eleitores e, também por isso, passou a ser alvo de ataques no horário
político gratuito –, Guilherme Boulos fez menção imediata às centenas de
pessoas, a grande maioria mulheres, que foram às ruas em todo o mundo
contra o deputado do PSL.
“Primeiramente, ele não!”, começou Boulos, em alusão ao
"primeiramente, fora Temer" que virou bordão político em boa parte da
gestão emedebista. “Esse sábado foi o início da derrota de Jair
Bolsonaro.”
Boulos havia sido instado por Alckmin a falar sobre o setor da saúde
pública, e aproveitou para repudiar a PEC do Teto de Gastos, “aprovada
pelo governo Temer e apoiada pelos tucanos”. Na réplica, Alckmin disse
que o limite de investimentos não afeta a saúde, disse que rejeitou teto
de gastos na gestão do estado de São Paulo e negou ter apoiado a PEC.
Mas disse que a Emenda Constitucional 95/2016 foi necessária em nível
nacional “porque o PT quebrou o país”
“Dizer que a saúde está fora da PEC do Teto é uma mentira, Geraldo
Alckmin”, rebateu o líder máximo do Movimentos dos Trabalhadores Sem
Teto (MTST). Crítica tucana
Principal algoz de Bolsonaro nos programas de rádio e TV, Alckmin
respondia uma pergunta de Alvaro Dias (Podemos) sobre a quantidade e os
privilégios de políticos. O tucano começou a resposta se referindo à
manifestação do #elenão e elogiou o “grande exemplo de civismo e da
importância das mulheres na sociedade”.
Na réplica, Alvaro disse que a "reforma política matriz" consiste em
rever "este sistema político corrupto", do compadrio e da troca de
favores. Referindo-se ao “centrão”, que apoia Alckmin – o mesmo grupo de
partidos que amparavam a gestão do ex-deputado presidiário Eduardo
Cunha (MDB-RJ) à frente da Câmara –, o senador lembrou que “arca de Noé
está se desmanchando”, porque quer cargos em um governo eleito.
Foi uma menção ao fato de que membros da coligação de Alckmin – destaque para o deputado Marcos Montes
(PSD-MG), que desembarcou da nau tucana para apoiar Bolsonaro – já
procuram uma forma de reorientar o apoio partidário face ao fraco
desempenho do ex-governador de São Paulo em pesquisas de intenção de
voto. Meio sem jeito, Alckmin disse que costurou aliança para governar, e
não para trocar favores. Haddad na mira
Fernando Haddad também não escapou das críticas dos adversários a
respeito do legado petista, embora em menor escala que Bolsonaro. Ao lhe
direcionar sua primeira pergunta, Cabo Daciolo lembrou que Haddad é
representante de Lula, preso desde 7 de abril em Curitiba (PR).
Haddad não se intimidou e disse que Lula foi “o maior presidente da
história do Brasil” e sua prisão é injusta. Daciolo não deixou barato.
“Um grande líder que se corrompeu no caminho. Não teve peito, coragem
para libertar o nosso povo da ordem mundial que está se instalando”,
divagou Daciolo.
Haddad replicou lamentando a fala do interlocutor e acrescentando que
ele “desconhece a geopolítica do continente sul-americano”. “Foram
criados 20 milhões de empregos em 12 anos e feito investimento maciço em
educação”, defendeu-se o petista, agora recordando suas épocas de
ministro da Educação de Lula. “Eu tripliquei o número de universitários
no Brasil.” Golpe
Outro que investiu no ataque ao "lulopetismo" personificado em Haddad
foi Ciro Gomes, ministro da Integração de Lula entre 2003 e 2006. E
Ciro o fez em duas ocasiões: na primeira, disse que Haddad está "de mãos
dadas" com os "golpistas" que derrubaram, em 2016, a então presidente
Dilma Rousseff; depois, disse que o ex-prefeito de São Paulo quer
reformar a Constituição sem ter competência legal para isso – neste
ponto do embate, comparou-o ao companheiro de chapa de Bolsonaro, que
chegou a defender uma Constituição sem a participação do povo.
“Eu vetei a participação de Eunício [Oliveira, emedebista que apoiou o
impeachment e tenta se reeleger senador pelo Ceará] na minha coligação,
porque ele é corrupto. E você aceitou despudoradamente o apoio dele”,
fustigou Ciro. Haddad se defendeu falando em tolerância
político-ideológica e necessidade de diálogo para que se possa ter
governabilidade.
Haddad foi um dos alvos de Ciro no debate da Record - Foto: Reprodução
Em relação à criação de uma assembleia constituinte especial, o
petista atribuiu a ideia a Lula e acrescentou que o objetivo é criar
condições para uma Constituição mais moderna, com regras para o sistema
bancário, mecanismo de redução de injustiça na divisão do orçamento e
providências para sanear as contas estaduais e municipais, entre outras
questões.
Ciro fez nova investida. "Me desculpe, mas você não acredita numa
única palavra do que acabou de dizer", declarou o ex-governador do
Ceará. "A Constituição nasceu para frear a prepotência dos poderosos." Presidente de quê?
O já folclórico "glória a Deus" do candidato Cabo Daciolo voltou a
roubar a cena nos debates, bem como o próprio candidato, evangélico e
bombeiro militar. Ele se queixou das regras alegadas pela TV Globo para
excluí-lo do próximo encontro, na próxima quinta-feira (4), e voltou a
falar de uma guerra que se dá "no plano espiritual, com principados e
potestades".
Daciolo ouviu a pergunta de Boulos e sua defesa embutida do MTST,
reclamando que gestores ignoram o Estatuto das Cidades e negligenciam a
crise de moradia que assola milhões Brasil afora. Boulos perguntou o que
ele faria a respeito do problema, caso fosse eleito, mas Daciolo
preferiu desviar sua metralhadora verbal para o petista.
“Tenho o dia de hoje para falar sobre essa farsa que é o cenário
político deste país. Aqui são todos amiguinhos. Os senhores estão há 13
anos do poder destruindo o povo!”, bradou Daciolo, para então se dirigir
especificamente a Haddad. “Quatro anos como prefeito e não fez nada por
São Paulo, e quer ser presidente. Presidente de quê?”, atacou o também
deputado federal.
Daciolo ficou sem a fala de Haddad, pois a resposta caberia a Boulos.
“Quero deixar claro aqui que não sou amiguinho de ninguém aqui”,
enfatizou o líder do MTST.
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