Depois de se intoxicar com o apoio ao golpe de 2016, que destruiu a democracia e instalou uma quadrilha no poder, o PSDB finge não ter nada a ver com isso; os tucanos estão dispostos a passar por uma espécie de clínica de reabilitação da proximidade com o peemedebista; no domingo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu o desembarque; a mesma plataforma será defendida pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que disputa a presidência do partido com o governador Marconi Perillo; nos próximos dias, tucanos de São Paulo devem liderar rebelião para finalmente abandonar a canoa furada de Temer
A direção paulista do PSDB pretende iniciar, a partir do próximo domingo, quando acontecem as convenções estaduais do partido, um movimento para cobrar o desembarque do governo Michel Temer. Presidente do PSDB em São Paulo, o deputado estadual Pedro Tobias afirma concordar com o diagnóstico feito pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em artigo publicado neste domingo, ele escreveu que, se o PSDB não desembarcar do governo em dezembro, os tucanos se tornarão “coadjuvantes na briga sucessória”.
Segundo Tobias, após as eleições internas da semana que vem, os paulistas deverão convocar os outros dirigentes estaduais a se rebelarem contra o apoio a Temer. Líder do partido na Câmara, o deputado Ricardo Tripoli, também de São Paulo, engrossou o coro do apoio ao artigo de FH e declarou que os tucanos já deveriam ter deixado o governo Temer.
No artigo de ontem, FH propõe que, apesar do desembarque, o PSDB deve continuar apoiando as reformas propostas pelo governo.
— O grupo que está no governo não quer sair, mas não pode permanecer a um custo tão alto para o partido. Ou saímos do governo e voltamos à raiz do PSDB, ou vamos caminhar para o suicídio coletivo — disse Tobias, que deve reforçar a defesa desse posicionamento na convenção estadual do próximo domingo.
Segundo ele, a participação no governo Temer, com ministérios secundários, “foi uma decisão tomada em Brasília por 50 deputados” e segue apenas a posição do grupo ligado ao senador Aécio Neves (MG), afastado da presidência do partido desde maio — no mês seguinte, foi denunciado por corrupção passiva e obstrução à Justiça, em decorrência da delação dos executivos da JBS. Tobias afirmou que a decisão sobre os rumos do partido não pode ficar “nas mãos de Brasília”. Ele chegou a comparar a situação atual do partido à do PMDB em 1988, quando um grupo de políticos saiu da legenda para fundar o PSDB.
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