Um dos pontos mais debatidos é a
construção da usina de Belo Monte, que será a terceira maior usina do mundo, com
a capacidade de geração de energia de 11.233 megawatts. A hidrelétrica está
sendo construída no Rio
Xingu, tem um investimento total estimado em R$ 25,6
bilhões. Apesar de o rendimento médio ser de cerca de 4.500
megawatts de potências, já que o reservatório principal de 203 km² foi
diminuído
para reduzir os impactos ambientais. O professor Roberto Schaeffer, da
Coppe/UFRJ,
especialista em programas enérgicos, acredita que o Brasil vai precisar
de 5 mil megawatts por ano para continuar o desenvolvimento.
“Nos próximos anos, o país vai
precisar de demanda de 5 mil megawatts, ou seja, um Belo Monte por ano”, diz o professor. A
usina hidrelétrica Belo Monte, que está sendo construída no rio Xingu,
no Pará, tem um investimento total estimado em 25,6 bilhões de reais e
vai representar 10% do consumo nacionalO atraso nas obras é um dos problemas
de projetos ligados às hidrelétricas e de linhas de transmissão em fase de
financiamento prévio devido a questões sócio-ambientais. Em fevereiro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama)
multou em R$ 7 milhões por atraso na implementação, o Projeto Básico Ambiental da usina do Consórcio
Norte Energia, responsável pela obra. A usina é um
empreendimento que tem entre os sócios a Eletrobras, a Cemig e a Light. A
construção da hidrelétrica modificou a previsão para a finalização das obras de
2014 para 2019. Apesar das dificuldades, segundo o Schaeffer, o Brasil está se desenvolvendo
no setor elétrico.
“O Brasil não está parado. Belo Monte
é um projeto de médio e longo prazo, e estamos olhando para frente. Além disso,
estão sendo feitas inúmeras usinas menores que podem ficar prontas em seis
meses”, esclarece. Ilustração
divulgada pela Norte Energia de como ficará a Casa de Força principal
da usina de Belo Monte quando a obra estiver pronta.De
acordo com Cleveland Maximino
Jones, auditor ambiental e mestre em Geologia da Universidade do Estado
do Rio de Janeiro (Uerj), a perda de energia nas linhas de transmissão é
outro problema, já que a usina está longe de mercado consumidor da
demanda.
“A demanda não está onde ficará
Belo Monte. A perda de 15% nas linhas de transmissão abre um questionamento
sobre a validade de justificar um projeto gigantesco em nível nacional, acredito
que construir usinas menores seria mais eficiente e mais fácil de controlar”, analisa o pesquisador da Uerj.
Uma alternativa de médio prazo
para o Brasil é o desenvolvimento de energia através do gás. O elemento é a segunda
maior fonte de energia do mundo atrás apenas do carvão mineral.
“O
Brasil precisa investir em
diversificar a matriz elétrica: investir em hidrelétricas, sistemas de
energia eólica
e gás. Construir usinas hidrelétricas é uma boa alternativa, já que é um
tipo de energia muito barata. Podemos desenvolver em longo prazo,
através da
exploração do pré-sal, investimento no gás”, afirma Schaeffer.
Os
Estados Unidos, por exemplo,
têm uma matriz energética suja, já que 40% vêm do carvão. Na China, o
percentual sobe para 80%. Outros países, como a França, têm sua matriz
essencialmente nuclear. De acordo com o analista da Uerj, o Brasil
precisa aproveitar a experiência de Angra 3 e investir em um programa
nuclear.
“Acredito que o governo deve
investir em Angra 3 e ampliar os investimentos na matriz nuclear. Um dos pontos
que justifica o investimento é que as usinas ficam próximas do centros do país.
A energia é segura e os resíduos são
armazenados sem dificuldade”, explica Cleveland Maximino Jones.
O medo de volta de 2001, quando o
racionamento de energia causou impacto econômico no país, tais como a redução
do crescimento econômico de 1,5%, aumento do desemprego, aumento do déficit da
balança comercial, perda de arrecadação de impostos e efeito inflacionário, mas
também, pelos grandes incômodos que a privação de energia causou à população.
“Isso
traz dois desafios importantes
ao país: a necessidade de ampliação da taxa de investimento de forma a
consolidar as bases produtivas do Estado e a gerar mais postos de
trabalho e,
posteriormente, a melhoria da eficiência alocativa desses recursos. Tais
desafios
precisariam ser vencidos a fim de minimizar os custos da dependência do
país em
relação a atores externos mais fortes, ampliar sua competitividade e
permitir
uma inserção internacional mais dinâmica e assertiva”, analisa Diego
Santos
Vieira, professor de Relações Internacionais da (PUC-Rio). Apuração: Rômulo Diego Moreira copiado : http://www.jb.com.br
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