Fantasmas do legado industrial na educação


Jornal do BrasilTennyson Pinheiro*    
Muitos fatores influenciam no desenvolvimento sustentável de indivíduos e organizações, é verdade, mas é difícil mencionarmos algum que seja mais importante do que a educação. Precisamos urgentemente voltar a aprender a ensinar. Os modelos educacionais tracionais não atendem à atual realidade. Se baseiam em uma lógica industrial que mudou o mundo, mas deixou um legado insustentável, hoje já desconectado das nossas necessidades e expectativas como pessoas e como civilização. Além disso, tolhem a criatividade ao não estimular o desenvolvimento e a identificação de talentos individuais.
Até o ensino médio, o objetivo da escola é te ajudar a passar no vestibular. A partir da graduação, te encaixar em alguma vaga preexistente no mercado de trabalho. É preciso começar um movimento de busca por uma revolução educacional real e não apenas em palavras ou teoria. Somos educados para aprender sempre mais do mesmo e, de preferência, da mesma forma. As salas de aula precisam ir além da tradicional relação entre professores e alunos, contextualizada através de conteúdos estáticos e fechados cheios de verdades, que qualquer criança de 12 anos já sabe, não são tão verdades assim.
Há uma urgente necessidade de reforma, de transição para uma experiência de aprendizagem mais flexível, desenhada de acordo com os anseios e desejos individuais. Algo que engaje, empolgue, que saia da teorização pura, da exposição, dando chances aos estudantes de explorarem, fazerem, construírem, e por consequência se tornarem empreendedores.
Pois é deles que o nosso mundo surrado e cansado precisa. Uma nova escola, a do construir, como resposta a uma necessidade individual, mas também coletiva, já que o mundo está em constante evolução e vive a transição do tradicional e transacional, modelo industrial, pautado em produtos, para o sustentável, e bem-vindo modelo relacional, sustentado por serviços. O ser humano, para inovar, precisa se reconectar ao criar, construir, ser e, principalmente, servir.
* Tennyson Pinheiro,diretor e sócio-fundador da Escola de Inovação em Serviços, é autor do livro 'Design Thinking Brasil:empatia, colaboração e experimentação para pessoas, negócios e sociedade' (Elsevier, 248 páginas) 
Tags: . sociedade, aberta, coluna, pinheiro, tennyson
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