Copa do Mundo Com fotoAngústia fotoO Brasil no Divã fotoMessi já tem seu filme fotoFOTOGALERIA As torcidas jogam Fred em xeque, o Brasil experimenta renunciar a um camisa 9 Neymar: “Viemos ganhar, não dar espetáculo” mais informações A Canarinha no divã Calafrios em todo o Brasil Neymar: "Senti que em vez de três passos percorria três quilômetros" O Brasil aos pés de Neymar


Torcedores da Costa Rica no Rio. / Leo Correa (AP)

Tudo sobre a Copa do Mundo

Todos os primeiros colocados nos oito grupos da Copa do Mundo passaram para as quartas de final. Os confrontos ficaram assim definidos: na sexta-feira, o Brasil pega a Colômbia e a França enfrenta a Alemanha. Os últimos dois semifinalistas serão conhecidos no sábado nos duelos Argentina X Bélgica e Holanda X Costa Rica.

Com Fred em xeque, o Brasil experimenta renunciar a um camisa 9

Pedro Cifuentes Teresópolis

COPA DO MUNDO 2014 | BRASIL

O Brasil experimenta jogar sem o ‘9’

O último treino da seleção antes da viagem à Fortaleza ofereceu sinais claros da reflexão que angustia Luiz Felipe Scolari: o que fazer para que o Brasil recupere o bom jogo de ataque


Fred (à esq.), colocado em xeque, e o reserva Jô, nesta quarta. / Marcelo Sayão (EFE)
A última sessão de treinamento do Brasil antes de partir rumo a Fortaleza ofereceu sinais claros da reflexão que angustia Luiz Felipe Scolari: como fazer para que o Brasil recupere o bom jogo de ataque e evite outra tarde de choro para seu povo na partida desta sexta-feira contra a Colômbia. Após dois dias de atmosfera carregada pelo aspecto débil mostrado pela canarinho antes e depois da disputa de pênaltis contra o Chile, e depois de terem feito um par de sessões de ‘restabelecimento anímico’ com a psicóloga esportiva Regina Brandão, a equipe realizou seu primeiro treinamento completo depois da partida das oitavas de final em uma esplêndida manhã dentro das renovadas instalações da Granja Comary. Neymar e David Luiz voltaram a ser os jogadores mais aclamados entre as centenas de torcedores que assistiram ao treino.
O treinador Scolari confirmou durante o treinamento o retorno de Paulinho em sua equipe titular (substituto do suspenso Luiz Gustavo) e surpreendeu todos os jornalistas presentes com uma equipe inicial com Willian, Hernanes e Ramires nos lugares do já mencionado Luiz Gustavo, Fernandinho e o atacante Fred, alvo de numerosas críticas, em um esquema que parecia renunciar à figura de um centroavante. Felipão voltou atrás vinte minutos depois e organizou um coletivo com a equipe titular habitual (tirando a mudança mencionada de Luiz Gustavo), que será provavelmente a mesma que começará a partida contra a Colômbia: Júlio César; Dani Alves, David Luiz, Thiago Silva, Marcelo; Fernandinho, Paulinho, Oscar; Hulk, Neymar e Fred.
Inconformado com o que via no campo de treino, Scolari voltou a fazer modificações posteriormente e substituiu Daniel Alves por Maicon e Fred pelo zagueiro Henrique, experimentando uma defesa de três homens (Henrique, David Luiz e Thiago Silva) e um meio campo de quatro (os dois laterais, Paulinho e Fernandinho), mais Oscar de armador e Neymar e Hulk como atacantes, alinhado com os comentários de especialistas de seu próprio país que pedem para que povoe o meio de campo para retomar a capacidade criativa da equipe. O consenso na Granja Comary é o de que o prudente Scolari não se atreverá a colocar um novo sistema de jogo com apenas dois treinamentos e seguirá apostando no time campeão da Copa das Confederações, a não ser que a partida contra a Colômbia tome um rumo negativo para seus interesses.
Perguntado posteriormente na coletiva de imprensa sobra a possibilidade de Scolari atrever-se a jogar sem um centroavante, Neymar falou sobre a “importância” de Fred na equipe (“se não fizermos a bola chegar para ele em boas condições ele não pode fazer gols” disse como justificativa sobre seu baixo rendimento), mas confirmou que ele “encaixa em qualquer formação. Com ou sem um ‘9’, o importante é jogar bola”, ressaltou a estrela brasileira, que disse não sentir-se “sobrecarregado” pela enorme responsabilidade que ocupa nesta seleção.
A informação por parte de um grupo de seis jornalistas ‘próximos’ de Scolari de que ele se arrepende de ter convocado um dos 23 jogadores da equipe, mais diversas declarações (como a de Pelé) para que tivesse incluído na lista final alguma estrela brasileira mais veterana (como Kaká ou Ronaldinho) para tirar a pressão do jovem jogador do Barcelona era outra das histórias mais comentadas do dia em Teresópolis. Para lá dirigiu-se o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marín, para dar apoio para a seleção em seu momento de maior confusão e terror psicológico desde o início da Copa. “A ideia é continuar o trabalho que fizemos com eles. Deve ser acompanhado dia a dia. Falo com eles por WhatsApp, por e-mail. Estou constantemente conectada com eles”, explicou ontem a psicóloga Brandão. O triunfalismo cultivado pelos altos dirigentes do futebol brasileiro nos meses anteriores à Copa desapareceu completamente, mas existe a ameaça de repetir a experiência de 1950 e voltarem-se contra uma equipe cujos torcedores abandonaram majoritariamente os protestos sociais e sonham em superar o ‘Maracanazo’ com a conquista do hexacampeonato.
Várias centenas de alvoroçados torcedores despediram-se na tarde desta quarta-feira do ônibus da seleção, que se dirigia ao Rio de Janeiro (90 quilômetros de distância) para pegar o voo até Fortaleza, sem saber se será a despedida definitiva. Pode ter sido a última imagem da seleção na bela localidade serrana, cuja vida tranquila foi completamente alterada com a presença da seleção. O incomum gesto de insegurança de Scolari ao pedir a opinião para esta meia dúzia de jornalista após o espetáculo lacrimogêneo da partida contra o Chile também deixou rastros na limpa e fresca atmosfera de Teresópolis. Como repetia um garçom do restaurante próximo da concentração, “eles estão chorando muito e eu estou muito preocupado”. No final do treino, Neymar ficou estirado no chão alguns minutos, sozinho, as mãos na cabeça, pensando talvez na coletiva de imprensa que o esperava na sequência, despedindo-se talvez de um céu que somente voltará a ver se superarem a temível seleção de José Pekerman em uma partida que se antevê fabulosa.


Neymar, na coletiva de imprensa. / TASSO MARCELO (AFP)

Neymar: “Viemos ganhar, não dar espetáculo”

P. C. Teresópolis
O jogador do Barcelona negou sentir-se “sobrecarregado” pela ‘obrigação’ de ganhar a Copa em solo brasileiro


copa do mundo 2014 | Brasil

Neymar: “Viemos ganhar, não dar espetáculo”

O jogador do Barcelona negou sentir-se “sobrecarregado” pela ‘obrigação’ de ganhar a Copa em solo brasileiro


Neymar, na coletiva de imprensa. / TASSO MARCELO (AFP)


Um Neymar sorridente compareceu esta tarde para falar com a imprensa antes de viajar com sua seleção para Fortaleza e assegurou que a seleção brasileira está “preparada mentalmente” para as quartas de final contra a Colômbia, apesar da choradeira ocorrida no estádio do Mineirão após a sofrida vitória por pênaltis contra o Chile e a confusa atmosfera vivida durante os últimos dias. “Cada um tem sua emoção, mas estamos bem preparados”, disse Neymar, que qualificou como “positiva” a visita repentina na Granja Comary, em Teresópolis, da psicóloga preferida do treinador Scolari, Regina Brandão. “Nunca havia feito nada deste tipo”, comentou ironicamente a estrela brasileira a respeito do trabalho com a psicóloga. “Gostei bastante. Faz bem para a vida do ser humano, fica-se mais tranquilo, estou aprendendo coisas”, afirmou depois de do boato de que ficou incomodado com o perfil psicológico individual pedido por Scolari para cada jogador, com o objetivo de ajudar-lhes a superar a pressão popular.
O jogador do Barcelona negou sentir-se “sobrecarregado” pela ‘obrigação’ de ganhar a Copa em solo brasileiro. “A pressão existe, sem dúvida, mas para mim jogar uma Copa é um sonho. Não sinto tanta pressão como dizem os jornalistas... Jogamos em casa, temos a família e os amigos por perto. Só precisamos jogar futebol e ser felizes dentro de campo. Assumimos responsabilidades, mas temos de ser felizes dentro de campo para que as coisas aconteçam naturalmente”. Perguntado também sobre o jogo feio da seleção até agora no torneio, Neymar fechou a cara para deixar claro que “viemos aqui para ganhar, não para dar espetáculo”. “Meu maior desejo é ver o Brasil campeão, já disse antes de começar que não me interessa ser o artilheiro nem nada parecido”. “Este é um campeonato muito nivelado”, continuou Neymar, “não existem seleções ruins. O mais comprometido acaba vencendo”. “Temos que correr até o final. O que importa é vencer, não o show”, ressaltou para mostrar a concentração da equipe brasileira. “A última vitória nos deu muita confiança[...] Espero que na próxima partida o povo não passe tanto sufoco e nossas famílias tanto sofrimento”.
Os jornalistas latino-americanos reunidos na concentração do Brasil perguntaram para Neymar sobre o duelo particular com o maior goleador e até agora principal estrela da Copa, o colombiano James Rodríguez, de 22 anos de idade como ele. “Já sabia que era um craque”, respondeu Neymar; “o futebol não tem idade”. “Está fazendo uma Copa magnífica, mas com todo o respeito desejo que no sábado seja sua última partida”, resumiu sem perder o sorriso.
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