O rei da brincadeira e o rei da confusão 3,5 mil homens, zero armas. Enquanto isso, o PCC entra no “cartel mundial do pó” O dano moral do Dr. Gandra é caro, o do peão é barato

serraparque

O rei da brincadeira e o rei da confusão

Na clássica canção de Gilberto Gil, Domingo no Parque, o rei da brincadeira é José e o rei da confusão, é João.
Mas isso era na Bahia.  Em São Paulo , o José (Serra)  e o João (Doria) trocaram de papéis.
O auto-lançamento da candidatura do José ao Governo de São Paulo é para criar uma baita confusão para o João.
Tira dele a saída de disputar, “a pedido de Geraldo Alckmin”, o Governo do Estado, uma saída honrosa para o fim de seu projeto presidencial sem desmoralizar-se.
Fica a alternativa de ser o vice de Alckmin, o que este não quer, claro, por toda a traição e também pelo que seria um golpe quase fatal em qualquer possibilidade de alianças.
Resta ficar na prefeitura de São Paulo e arriscar-se a um mandato que vai lembrar Celso Pitta, o afilhado renegado por Paulo Maluf.
José integrou o governo Michel Temer, por quem o João morre de paixão, mas saiu alegando “dores na coluna”, talvez por sentir o peso que este se tornara. Curiosamente, sua saúde melhorou fora do Ministério, ao ponto de agora empertigar-se em candidato. Não ataca o ex-patrão, mas a defesa que faz dele é na base do “não tem outro jeito senão aguentar”.
O João, rei da brincadeira, assanhou-se a ser candidato a Presidente. Foi se afastando de seu criador e- justo quem não devia nada ao presidente de ocasião – foi se achegando, se achegando e hoje é o Aécio que não precisa se esconder no esquema de Temer no PSDB.
Na música do Gil, todos sabem, a história termina em facada e sangue.
E num corpo caído, e é João

3,5 mil homens, zero armas. Enquanto isso, o PCC entra no “cartel mundial do pó”

Ontem, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio, realizou-se o oitavo “Show do Jungman”, com o emprego de 3.500 homens das Forças Armadas para prender oito sujeitos sem qualquer importância no tráfico e apreender nenhuma arma...

cartelpcc3,5 mil homens, zero armas. Enquanto isso, o PCC entra no “cartel mundial do pó”

Ontem, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio, realizou-se o oitavo “Show do Jungman”, com o emprego de 3.500 homens das Forças Armadas para prender oito sujeitos sem qualquer importância no tráfico e apreender nenhuma arma de fogo.
Foi a 5ª, em oito operações com milhares de homens, que resultou em nada.
O Ministro da Justiça, Torquato Jardim, afirmou sem meias palavras que uma das dificuldades é que os comandantes dos batalhões da PM são “sócios do crime organizado”.
Certamente alguns ou vários são e, ao que parece, a PM foi quase que excluída da operação de ontem. Mas é só meia verdade que o tráfico de drogas é intenso no Rio e entorno. Cocaína está onde está o dinheiro e o dinheiro não está no Rio de Janeiro.
O ministro deveria ler o que a agência italiana de notícias, a Ansa, publicou ontem sobre “o primeiro Comando da Capital, uma organização criminosa que surgiu nos anos 90 (em São Paulo) , tornou-se um cartel de projeção internacional cuja expansão é observada com atenção por várias agências’  mundiais de combate ao tráfico de cocaína.
“Segundo as Nações Unidas, o Brasil deixou de ser um ator de apoio no conselho mundial de tráfico de drogas, uma atividade que muitas vezes está ligada a outros atos ilícitos. 
 Isso ocorre porque o mercado brasileiro de consumo de cocaína é o segundo mais lucrativo do mundo, superado apenas pelos Estados Unidos. 
 E, em segundo lugar, o Brasil é o país através de cujos portos o maior volume de cocaína passa para o cobiçado mercado europeu.
 Por exemplo, 1,5 mil toneladas de cocaína foram apreendidas esta semana, que aparentemente seriam enviadas para a Europa. 
O Ministro Torquato Jardim tem toda a razão em denunciar a cumplicidade da PM do Rio com o crime organizado.
Mas o Primeiro Comando da Capital é sediado em São Paulo, não no Rio. E não é possível haver uma organização criminosa com este porte sem cumplicidades na área de segurança.
E, embora a matéria diga que a Interpol e pela US Drug Enforcement Agency,  “estão trabalhando em conjunto com a Polícia Federal” em Santos, não parece provável que traficantes arrisquem cargas de R$ 30 ou 40 milhões – preço nacional da tonelada de cocaína – sem algum grau de promiscuidade com as autoridades da polícia de portos, federal.
Essencialmente, uma missão da PF, que está sob o comando de Torquato Jardim.
Os cinematográficos agentes e procuradores, tão orgulhoso da “Operação Lava Jato”, não parecem muito dispostos a uma “Limpa o Pó”.
A mídia brasileira também parece se entusiasmar mais com o espalhafato.
Preferem expor nossas Forças Armadas a um papel deprimente, que resulta em muita humilhação para os pobres e nenhuma, ou quase nenhuma, eficiência para desarmar e pacificar as comunidades.
gandrabotticelli
O dano moral do Dr. Gandra é caro, o do peão é barato
Ontem, comentou-se aqui que o presidente do Tribunal do Trabalho, Ives Gandra Martins Filho, representava “o mais puro pensamento escravocrata e censitário, no qual as pessoas valem não como cidadãos e seres humanos, mas pelo que ganham, pela renda que tem”, pelo fato de defender, como fez a “deforma trabalhista”, que o dano moral sofrido por trabalhadores seja indenizado não pela gravidade, mas pelo salário que ele recebe.
Hoje, na Folha, Bernardo  Mello Franco arrisca a razão para o Dr. Gandra pensar assim, em seu artigo “Reforma é boa para os outros“:
No sistema brasileiro, Gandra pertence a uma casta superior: a elite do funcionalismo. Além do salário de R$ 30 mil, ele recebe R$ 6,5 mil em auxílios e gratificações. Em dezembro passado, seu contracheque chegou a R$ 85,7 mil, incluindo 13º, férias e um extra de R$ 3.300 por “instrutoria interna”. Definitivamente, o ministro não precisa se preocupar com as consequências da reforma que apoia.
Portanto, é bom eu me cuidar com o que digo. A moral do Dr. Gandra é cara, não “baratinha” como a nossa, simples mortais.
Então, será que alguém pode perguntar em meu lugar porque Sua Excelência suspendeu – antes mesmo da malfadada portaria do ministro do Trabalho – a divulgação da lista dos empregadores praticantes de trabalho escravo, decisão que acabou derrubada por outro ministro do TST?
Ou, como Gilmar Mendes e a ministra Luislinda Valois, ele pensa que trabalho escravo é o dele?


copiado http://www.tijolaco.com.br

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