Nascido em Many
(Áustria-Hungria), em 1915, Lázslo Csizsik-Csatari pertencia à Polícia
Húngara e foi destacado para a cidade de Kassa (agora conhecida como
Kosice, e que já não fica na
Hungria mas na Eslováquia). Após a chegada das tropas alemãs à região,
em março de 1944, foi criado um guetto para os judeus. E, em maio,
Csatari terá sido o responsável pela deportação de cerca de 15 700
judeus, que foram enviados para campos de
concentração nazis, especialmente Auschwitz.
Como muitos outros
responsáveis nazis, Csatari conseguiu fugir no final da Segunda Guerra
Mundial. Depois de ter sido condenado à morte "in absentia" por crimes
de guerra por um tribunal da Checoslováquia, em 1948, Csatari arranjou
maneira de chegar ao Canadá, onde disse ser oriundo da Jugoslávia.
Instalou-se em Montreal, onde trabalhou como comerciante de arte, e
conseguiu a cidadania canadiana em 1955. Em 1997, a cidadania foi-lhe
retirada quando as autoridades descobriram que tinha mentido quanto à
sua identidade.
Voltou então para Budapeste, na Hungria, onde
conseguiu viver calmamente durante 15 anos. No final de 2011, foi
novamente localizado pelas autoridades, com base em
informações do Centro Simon Wiesenthal, que colocou o seu nome na lidsta dos criminosos nazis mais procurados pela justiça, e o seu caso voltou a ser investigado. O jornal inglês The Sun encontrou-o, fotografou-o e confrontou-o à porta de sua casa.
Em
março deste ano, um tribunal da Eslováqui alterou a pena de Csatari: de
setença de morte passou para prisão perpétua, de forma a que a pena
pudesse ser efetivamente cumprida, uma vez que o país não aplica penas
de morte.
Em junho, o ministério público da Hungria acusou-o de
ter estado "ativamente envolvido" na tortura e deportação de judeus.
Além de responsável pela deportação, o antigo polícia "costumava bater
nos judeus com as mãos e açoitá-los com um chicote, sem qualquer
justificação, independentemente do sexo, idade ou estado de saúde", diz a
acusação. E recusou-se a abrir janelas em carruagens onde 80 pessoas
seriam transportadas em "circunstâncias desumanas", quase sem conseguir
respirar.
O Centro Wiesenthal
considerou que esta acusação era "um momento determinante" para a
Hungria mostrar ao mundo "que pessoas como Csatari são criminosos e não
heróis patrióticos". E pediu ao tribunal para que, tendo em conta a
idade do réu, o julgamento fosse rápido.
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