CRISE SEM FIM
Base quer impeachment de Janot
Aliados articulam pedido para pressionar e desgastar a imagem do procurador geral da república
PUBLICADO EM 07/09/17 - 03h00
Brasília. A base do governo Michel Temer articula um novo pedido de impeachment do procurador geral da República, Rodrigo Janot, além de sua convocação na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que foi instalada anteontem no Congresso para apurar os procedimentos do acordo de delação da JBS. Apesar de aparentemente inócua – visto que o mandato de Janot vai até 17 de setembro – a medida faz parte de uma estratégia dos parlamentares, com aval do Palácio do Planalto, para pressionar e desgastar a imagem do procurador geral, tratado como inimigo por Temer.
Além disso, a cúpula do Congresso voltou a falar em votação do projeto que regulamenta o teto salarial do Judiciário e, em seguida, o de abuso de autoridade, já aprovado pelo Senado. O objetivo é que os temas entrem na pauta nas próximas semanas.
A gangorra de disputa entre a classe política e integrantes do Judiciário e do Ministério Público ganhou mais uma capítulo nesta semana, depois que Janot anunciou que pode anular a delação da JBS por omissão de indícios de crimes por delatores e integrantes da própria Procuradoria Geral da República (PGR).
A gangorra de disputa entre a classe política e integrantes do Judiciário e do Ministério Público ganhou mais uma capítulo nesta semana, depois que Janot anunciou que pode anular a delação da JBS por omissão de indícios de crimes por delatores e integrantes da própria Procuradoria Geral da República (PGR).
A decisão do procurador geral foi celebrada por aliados de Temer, que avaliam que o episódio reforça o discurso do presidente de que ele é alvo de “perseguição” por parte da PGR. O objetivo do Planalto agora é conseguir a anulação das provas e comprovar a tese de que Janot foi conivente ou até mesmo cúmplice do procurador Marcello Miller, citado em conversas gravadas entre os executivos do grupo J&F, Joesley Batista e Ricardo Saud, como quem ajudou a empresa a acertar o acordo de colaboração enquanto ainda atuava na PGR.
A CPMI que vai apurar possíveis irregularidades na delação dos irmãos Batista quer convocar para depor, além de Janot, Joesley, Saud e Miller. O colegiado havia sido criado no fim de maio, depois da divulgação da delação da JBS, mas ainda não havia iniciado os trabalhos.
O presidente da comissão é o senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), e aliados da base de Temer discutiam ontem quem seria o relator do caso. Alguns parlamentares aventaram o nome do deputado Carlos Marun (PMDB-MT), um dos mais atuantes da tropa de choque de Temer. Os mais cautelosos, no entanto, acreditam que um perfil tão alinhado ao governo vai fazer com que a comissão perca credibilidade de saída.
O presidente da comissão é o senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), e aliados da base de Temer discutiam ontem quem seria o relator do caso. Alguns parlamentares aventaram o nome do deputado Carlos Marun (PMDB-MT), um dos mais atuantes da tropa de choque de Temer. Os mais cautelosos, no entanto, acreditam que um perfil tão alinhado ao governo vai fazer com que a comissão perca credibilidade de saída.
Impacto. Ainda assimilando os novos fatos que envolvem a delação da JBS, interlocutores próximos a Temer acreditam que a reviravolta no caso inviabiliza qualquer prova colhida contra o presidente, ainda que Janot tenha reiterado que as informações permanecem intactas.
Alguns de seus principais ministros falam na delação de Joesley Batista como uma “árvore podre”, com o potencial de contaminar não só as provas, mas também a primeira denúncia, já derrotada na Câmara, e uma eventual segunda denúncia que o procurador pode apresentar nos próximos dias. “É a teoria da árvore podre, que contamina tudo. As flechas do Janot amoleceram”, afirmou um ministro.
Apesar do cenário favorável para Temer, não há, nos corredores do Planalto, um clima de euforia e de “já ganhou”. Auxiliares do presidente afirmam que caso uma nova denúncia venha a público, o trabalho junto aos deputados deverá ser feito com o mesmo cuidado de sempre, ainda que o clima tenha melhorado para o governo. “Resolvido nunca está, sempre é difícil, mas realmente facilita muito o nosso trabalho. O clima mudou totalmente na Câmara”, admitiu um interlocutor.
copiado http://www.otempo.com.br/
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