Infiltrado do Exército em ato de rua contra Temer é intimado a depor
Dois inquéritos abertos pelo Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo para investigar se o flagrante dos jovens teria sido forjado junto à PM de São Paulo estão a caminho de serem arquivados. Outro, na Procuradoria Militar, já foi enterrado. Botelho foi promovido a major após os 18 jovens detidos junto com ele virarem réus por organização criminosa em um processo no qual não é denunciado e sequer citado pela promotoria estadual de São Paulo.
No dia 4 de setembro de 2016, 21 pessoas, sendo três adolescentes, foram detidos em ato contra o governo Michel Temer. Naquela noite, um deles não foi detido: tratava-se de Pina Botelho, então capitão infiltrado do Exército, que trabalhava para o serviço de inteligência.
Ao contrário dos outros jovens, ele não foi levado para o Deic, nem preso por uma noite. Na manhã seguinte, o juiz Paulo Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo mandou soltar todos os jovens afirmando que a prisão era ilegal. O caso foi divulgado inicialmente pelo jornal "El País".
Atualmente, 18 jovens que foram presos naquela noite, e depois liberados, respondem pela acusação de corrupção de menores e associação criminosa do promotor Fernando Albuquerque Soares Sousa. Na peça de denúncia, de cinco páginas, um dos jovens, por exemplo, é acusado de "levar uma câmera" aos protestos. Dez são acusados por portar uma barra metálica e um disco de ferro. As únicas testemunhas de acusação são policiais militares.
Após a denúncia, "Balta Nunes" foi promovido de capitão a major e atualmente mora em Manaus. A Justiça da capital amazonense foi questionada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo se seria possível realizar seu depoimento por meio de videoconferência. Do contrário, a defesa dos jovens terá de ouvi-lo em Manaus. Ele já foi intimado a depor.
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