Preso em Salvador, Geddel chega a Brasília e deve ser levado ao presídio da Papuda


O político baiano embarcou por volta das 13h no aeroporto de Salvador - Foto: Reprodução | TV Record
O político baiano embarcou por volta das 13h no aeroporto de Salvador
Reprodução | TV Record
Sex , 08/09/2017 às 13:06 | Atualizado em: 08/09/2017 às 13:06 

Preso em Salvador, Geddel chega a Brasília e deve ser levado ao presídio da Papuda

Gustavo Maia e Leandro Prazeres
Do UOL, em Brasília
Ele foi transferido pela Polícia Federal em um jatinho, que saiu da Bahia por volta das 13h40, e será levado inicialmente à sede da Superintendência da PF na capital federal. Em seguida, o peemedebista deve ser encaminhado ao presídio da Papuda, no Distrito Federal.
A prisão de Geddel, segundo a JF-DF (Justiça Federal do Distrito Federal), ocorreu por conta das evidências apresentadas pela PF que ligam o ex-ministroaos R$ 51 milhões localizados em um apartamento na capital baiana nesta semana
Ele já havia sido preso preventivamente em 3 de julho e ficou preso na Papuda durante nove dias. Desde o dia 13 daquele mês, ele cumpria prisão domiciliar em Salvador.
O pedido de prisão foi embasado por impressões digitais, depoimentos e até mesmo uma fatura em nome de uma empregada do irmão de Geddel, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA).
Segundo o despacho do juiz federal Vallisney Oliveira, 10ª Vara da JF-DF, que autorizou a prisão de Geddel, a PF encontrou impressões digitais do ex-ministro em algumas das cédulas localizadas pela polícia.
Além disso, o documento indica que a PF encontrou uma fatura em nome de Marinalva Teixeira de Jesus, que segundo a polícia, teria vínculos empregatícios com o deputado Lúcio Vieira Lima. Policiais federais também encontraram impressões digitais no dinheiro referentes a Gustavo Pedreira do Couto Ferraz, que foi preso hoje.
Geddel estava em prisão domiciliar sem o uso da tornozeleira eletrônica. O juiz Vallisney Oliveira justificou o mandado de prisão preventiva contra Geddel por acreditar que há indícios de que o ex-ministro continuou praticando delitos mesmo durante a prisão domiciliar.
"No momento, são fortes os indícios do delito de lavagem de capitais, tudo apontando ao fato de que o requerido não cumpriu a decisão na sua integralidade e de que esteja reiterando na conduta criminosa", diz um trecho do documento.

"Criminoso em série"

Procuradores da "Operação Cui Bonno?" classificaram o peemedebista como um "criminoso em série". A declaração faz parte da manifestação do MPF (Ministério Público Federal) que pediu a prisão preventiva do ex-ministro, que chefiou a Secretaria de Governo do presidente Michel Temer (PMDB) entre maio e novembro do ano passado.
Geddel é investigado pelo suposto pagamento de propina por parte de empresários em troca de facilitação ou liberação de créditos da Caixa Econômica Federal, banco do qual ele foi vice-presidente de Pessoa Jurídica (no governo Dilma Rousseff).
Em um trecho da representação do MPF, os procuradores afirmam que Geddel fez do crime sua "carreira profissional". "Noutras palavras, Geddel Vieira Lima adequar-se-ia à figura do 'serial criminal', ou criminoso em série, ou seja, criminoso habitual que faz de uma dada espécie de crime (neste caso, crimes financeiros e contra a Administração Púbica) sua própria carreira profissional", diz um trecho do documento do MPF.
Divulgação
Malas de dinheiro em endereço atribuído a Geddel Vieira Lima em Salvador
Coordenador-geral da Defesa Civil de Salvador,Gustavo Ferraz foi exonerado após a divulgação do mandado deprisão.Ele foi indicado pelo prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), para coordenar a defesa civil da capital baiana em janeiro deste ano.   
De acordo com os investigadores, Ferraz seria uma pessoa ligada a Geddel que, em 2012, teria sido indicada pelo ex-ministro para receber recursos ilícitos repassados por Altair Alves, apontado pela Operação Lava Jato como um dos operadores do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Divulgação
Preso nesta sexta-feira, Gustavo Ferraz (à dir.) foi indicado por ACM Neto (à esq.)
A PF indicou também que tanto o dono do imóvel, Sílvio Silveira, quanto a administradora do condomínio onde o apartamento está localizado, Patrícia dos Santos, confirmaram que o imóvel tinha sido emprestado a Lúcio Vieira Lima.

Outro lado

Em nota, a defesa de Geddel Vieira Lima disse que ainda não teve acesso às provas colhidas pela PF nas últimas apreensões e que por isso não poderia se manifestar. "A defesa técnica de Geddel Vieira Lima informa que somente se manifestará quando, finalmente, lhe for franqueado acesso aos autos, especialmente aos documentos que são mencionados no decreto prisional."
A reportagem doUOLtelefonou para o deputado Lúcio Vieira Lima, para obter um posicionamento sobre o assunto, mas ele não atendeu as ligações. A reportagem também enviou mensagens de texto para o deputado, mas ela ainda não foi respondida.  

Próximo a Temer, Geddel foi ministro de Lula e Temer

Geddel é um dos integrantes do PMDB mais próximos do presidente Michel Temer. Ele foi ministro da Integração Nacional durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre 2007 e 2010. No governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), ele ocupou a vice-presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal.
No governo Temer, ele foi nomeado ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República. Em novembro de 2016, porém, ele pediu demissão do cargo após ver seu nome envolvido em uma polêmica com o então ministro da Cultura Marcelo Calero.
O peemedebista foi acusado por Calero de ter o pressionado para que obras de um edifício no qual Geddel teria um apartamento fossem liberadas por órgãos ligados ao Ministério da Cultura. À época, Geddel negou seu envolvimento no caso.

PF USA MÁQUINAS PARA CONTAR DINHEIRO ENCONTRADOS EM SALVADOR

Raul Spinassé/Folhapress
De volta ao presídio da PapudaGeddel embarca para Brasília após ser preso pela PF em Salvador

Geddel embarca para Brasília após ser preso em Salvador

Paula Pitta e redação 

O ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) embarcou por volta das 13h desta sexta-feira, 8, no aeroporto de Salvador com destino a Brasília, onde ele ficará preso preventivamente. O peemedebista chegou na pista em uma viatura da PF, horas após ser preso em casa, no bairro do Jardim Apipema, em Salvador. Na residência, ele cumpria prisão domiciliar. A aeronave descolou às 13h25.
Em Brasília, ele será levado para a sede da PF e depois deve ser encaminhado para o Complexo Penitenciário da Papuda, onde esteve preso em julho.
A PF solicitou a prisão preventiva de Geddel após achar R$ 51 milhões em um apartamento vinculado a ele, no bairro da Graça. Peritos acharam digitais do político baiano nas cédulas. [Leia a íntegra do pedido de prisão preventiva].
Também foram encontradas digitais do coordenador-geral da Defesa Civil de Salvador (Codesal), Gustavo Ferraz, que também foi detido na quarta fase da Operação Cui Bono, que investiga fraude na Caixa Econômica Federal na época em que Geddel era vice-presidente de Pessoa Jurídica entre 2011 e 2013. Ferraz foi exonerado ainda nesta manhã pela Prefeitura de Salvador e também levado para Brasília.
Policiais federais chegaram no apartamento de Geddel no início da manhã, por volta das 5h40. Logo em seguida, ele saiu em uma viatura da PF e foi levado para o aeroporto para ser encaminhado para Brasília.
Alguns agentes continuaram no edifício, fazendo buscas na casa do político e da mãe dele, Marluce Quadros Vieira Lima, já que há suspeitas que o ex-ministro possa ter guardado documentos na casa dela. Não há informações se os agentes acharam alguma prova nos imóveis. 
De branco, Geddel foi escoltado pela Polícia Federal (Imagem: Reprodução | TV Bahia)
O Ministério Público Federal (MPF) representou o pedido de conversão da prisão domiciliar em preventiva, argumentando que há indícios de que Geddel seria um "criminoso em série", que cometia habitualmente irregularidades. 
O juiz federal Vallisney Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, que acatou o pedido, argumentou em sua decisão que a descoberta de digitais do ex-ministro em algumas cédulas achadas no apartamento indicam que o recolhimento domiciliar de Geddel é ineficaz
"Em outras palavras, os fatos supervenientes à prisão domiciliar de Geddel Quadros indicam que a medida deferida pelo TRF da 1ª Região, sobretudo porque não foi possível a implantação da monitoração eletrônica, é (no momento) completamente ineficaz diante desse novo quadro, pois não garante a eficiência da medida, como se pode notar pela dinheirama encontrada (sem documentação e sem comprovação de origem) perto da residência em que se encontra cumprindo a prisão domiciliar decretada", disse o juiz, em seu despacho.
Ainda na decisão, o magistrado também autorizou a quebra dos sigilos telefônicos, telemáticos, postais, bancários e fiscais nas mídias e outros objetos sujeitos às buscas e apreensões, e, se for o caso, submetê-los à realização de perícias.


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Embarque de Geddel foi no aeroporto de Salvador (Foto: Luciano da Matta | Ag. A TARDE)

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