TSE não tem pressa com denúncia de crime eleitoral. “Domingo, a gente vê”
Ao escrever o post anterior, no qual ironizei a situação de que Mark Zuckerberg – dono dos aplicativos Whatsapp e Facebook – ser a autoridade eleitoral mais ativa e importante do Brasil, ainda não havia a notícia que o confirma: o Tribunal Superior Eleitoral adiou de hoje para domingo à tarde a entrevista coletiva que sua presidente daria ao lado da Procuradora Raquel Dodge e diversos ‘maçanetas’, digo, ministros e chefes do governo de Michel Temer.
A alegação foi uma suposta “incompatibilidade de agenda” de integrantes não-nominados da trupe judicial-policial, embora seja, a esta altura, a pouco mais de uma semana da votação em segundo turno, que alguém tivesse um dentista marcado.
Até agora a tal entrevista é um imenso nada. Hoje, na CBN, o ministro-auxiliar Merval Pereira,sempre frisando que a história dos disparos aos milhões de “fake news” não vai dar em nada, sugeriu que a entrevista pode ser apenas para pedir aos candidatos não falem de suspeitas sobre as urnas eletrônicas, não distribuam notícias falsas e para pedir que “contivessem a violência de seus militantes”, como teria feito em reunião com os advogados dos dois candidatos.
É isso o que se tornou um Judiciário valente contra a esquerda, mas amedrontado contra a direita.
No news, fake news
O quase silêncio do Jornal Nacional, ontem, e o “mais que silêncio” da Justiça Eleitoral – só no final da tarde a Ministra Rosa Weber, acompanhada de uma pena de autoridades do Governo, falará sobre o caso – até agora ajudam a dar veracidade ao que publica a coluna Painel, da Folha:
Casos como esse, avaliam ministros de cortes superiores, pairam como uma espada sobre a cabeça de seus alvos e, num jogo político complexo como o que se desenha para 2019, podem ser usados como instrumento “de incentivo à moderação” do presidenciável e de seu companheiro, o general Hamilton Mourão, favoritos na disputa.
Numa palavra, creem que “cozinhando o galo”- diante do provável triunfo eleitoral do ex-capitão – terão como controlá-lo pelo que consideram uma “moeda de troca”: a lei e seu dever de zelar pela lisura das eleições.
Sim, porque a velocidade e a energia das reações ao que pode influir sobre o pleito falam por si.
No caso de uma mera entrevista do ex-presidente Lula moveram-se com a velocidade de um raio e o peso de um trovão. E, poucas horas, não se hesitou em revogar, numa penada, a decisão do ministro Ricardo Lewandowski que a permitia e, não bastando, entrou no circuito, sem mais delongas, o presidente do Supremo, Dias Tóffoli, para selar a imposição do silêncio, ainda que de forma juridicamente inepta e capenga.
A razão suprema é que a simples expressão das opiniões de Lula ou sua imagem em fotos ou na TV poderia influir nas eleições, causando”desinformação na véspera do sufrágio, considerando a proximidade do primeiro turno das eleições presidenciais”.
Agora, porém, diante da evidência de que esquemas empresariais foram montados, com pesados investimentos, para atuar na distribuição, em escala de centenas de milhões, de mensagens contendo “fake news” para demolir a imagem de um dos candidatos, a lebre virou cágado, mesmo diante da “proximidade do segundo turno das eleições presidenciais”.
A máquina de mentiras está tendo tempo e espaço para desconstruir a própria denúncia, transformando o crime em “armação do PT”. Aliás, a própria imprensa está sendo tratada como, perdão é o texto das redes, a “putinha do PT”.
Ignora-se o que dirão as autoridades formadas hoje na entrevista presidida por Rosa Weber, no TSE. “Vamos investigar com rigor” é pouco diante de um crime que terá sido exposto nada menos que 36 horas antes e que, até agora, não mereceu qualquer providência.
No silêncio e na inação, ficam o que antes se chamava opinião pública ao sabor das fake news e dos criminosos que as impulsionam e massificam.
Eles estão a um passo do poder e, diante dos cães de guerra ao autoritarismo, miam.
Não é difícil imaginar seu futuro.
copiado http://www.tijolaco.net/blog/t
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