Ataques à Síria terão efeito limitado, afirmam especialistas

05/09/2013 - 00:55

Ataques à Síria terão efeito limitado, afirmam especialistas


WASHINGTON, District of Columbia (AFP)
Os ataques planejados pelos Estados Unidos contra a Síria teriam por objetivo "degradar" a capacidade do regime sírio de usar armas químicas, mas diferentes especialistas apontam que, além do efeito psicológico, seu impacto militar será limitado.
Diante de uma comissão do Senado, o secretário americano da Defesa, Chuck Hagel, garantiu que "os objetivos militares na Síria são garantir que o regime de (Bashar) al-Assad seja responsável por seus atos, degradar sua capacidade de realizar ataques químicos e dissuadi-lo de conduzir novos ataques similares".
O pouco que foi vazado à imprensa sobre os preparativos para uma ação militar "limitada em sua duração e em seu porte" leva a pensar que se apoiará essencialmente - ou quase exclusivamente - nos mísseis Tomahawk. Eles seriam lançados de navios situados no mar Mediterrâneo, ou no mar Vermelho.
Para Jeffrey Martini, da Rand Corporation, "se realmente desejarmos ter um efeito militar, o que podemos fazer é privar o regime (sírio) de seu meio de ataque mais eficaz: a artilharia. Essa operação seria muito diferente da que o governo pretende realizar".
Os mísseis Tomahawk são precisos e eficazes contra estruturas fixas, como postos de comando, radares, postos de defesa antiaérea, ou bases terrestres, mas não são concebidos para eliminar peças de artilharia móveis, provavelmente espalhadas em zonas habitadas, concordam diversos analistas.
Na opinião de Martini, destruir a artilharia síria equivaleria a "desarmar inteiramente o regime".
"Não podemos fazer isso, então, tudo o que tentaremos fazer é dissuadir por meio de sanção, e isso os mísseis de cruzeiro não podem fazer".
Por esse motivo, o efeito militar dos ataques pode ser limitado.
-- 'MUDAR OS PLANOS DE AL-ASSAD' --
Os ataques planejados pelos Estados Unidos contra a Síria teriam por objetivo "degradar" a capacidade do regime sírio de usar armas químicas, mas diferentes especialistas apontam que, além do efeito psicológico, seu impacto militar será limitado.
"Eles já esvaziaram os prédios (que podem ser atacados), equipes e pessoal já foram dispersados. E, é o caso agora, e será ainda mais em um mês", ironizou Michael Eisenstadt, referindo-se à declaração do presidente Barack Obama de que os ataques podem acontecer "na próxima semana, ou no próximo mês".
"O fato de alertar o governo sírio sobre a perspectiva de um ataque americano pode ajudar a criar algumas dificuldades, mas isso não se traduz em uma vantagem", disse à AFP um funcionário do alto escalão do Departamento da Defesa, que pediu para não ser identificado.
O comandante do Estado-Maior dos EUA, general Martin Dempsey, destacou a importância dos meios de inteligência americana e alertou que os planos de ataque não se referem "apenas a um conjunto de alvos iniciais, mas (também) a alvos secundários, se eventualmente forem necessários".
Para Steven Pifer, analista da Brookings Institution, "o objetivo é mudar os planos de Assad". Segundo ele, "um ataque militar demonstraria que a utilização de armas químicas tem um custo que pode - e poderá - afetar seus cálculos no futuro".
Nesse sentido, Martini apontou que "trata-se de realizar um ataque suficientemente forte para que ele (Assad) pense duas vezes" antes de voltar a usar armas químicas. "Embora não pense que isso possa ter uma grande eficácia militar, pode, pelo menos, dissuadir Assad de utilizar essas armas de novo", completou.
Segundo Eisenstadt, porém, esse cenário ainda é uma aposta: "Assad corre o risco de responder (aos ataques) utilizando novamente armas químicas, possivelmente em uma escala menor, como já havia feito antes". Nesse caso, acrescentou o especialista, o governo de Obama estará diante de um grave "dilema".
  copy   http://www.afp.com

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