Motivo de suposta espionagem são interesses econômicos, diz Dilma


Petrobras teria sido espionada por razão comercial, diz Dilma
Presidente diz que estatal do petróleo não ameaça segurança de nenhum país.
  • Petrobras diz que descarta 90% de mensagens
  • Lobão: espionagem não afeta leilão do pré-sal
    09/09/2013 17h33 - Atualizado em 09/09/2013 18h37


    Neste domingo, Fantástico mostrou que Petrobras era alvo dos EUA.
    Em nota, presidente disse que estatal não representa ameaça a segurança.

    Priscilla Mendes Do G1, em Brasília
    61 comentários
    A presidente Dilma Rousseff afirmou em nota nesta segunda-feira (9) que, se comprovada, a espionagem dos Estados Unidos sobre a Petrobras, tem por motivos "interesses econômicos e estratégicos". Neste domingo, reportagem do Fantástico revelou documentos de que a estatal estaria entre os alvos da Agência Nacional de Segurança (veja a reportagem ao lado).
    Na nota, a presidente diz que a Petrobras "não representa ameaça à segurança de qualquer país", em referência a justificativas anteriormente dadas pelo governo americano para atos de espionagem, que incluiriam identificação e interceptação do conteúdo de comunicações por telefone, e-mails e mensagens eletrônicas.
    A estatal, diz Dilma, "representa, sim, um dos maiores ativos de petróleo do mundo e um patrimônio do povo brasileiro".
    A presidente diz ainda que o governo "está empenhado" em obter esclarecimentos dos EUA "sobre todas as violações eventualmente praticadas, bem como em exigir medidas concretas que afastem em definitivo a possibilidade de espionagem ofensiva aos direitos humanos, a nossa soberania e aos nossos interesses econômicos".
    Na próxima quarta-feira (11), o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, deve se encontrar com a assessora-chefe de Seguranca Nacional da Casa Branca, Susan Rice, em Washington, para discutir o assunto. Na semana passada, o presidente dos EUA, Barack Obama, prometeu dar explicações formais também até quarta.
    Os dados sobre a Petrobras estão em documentos vazados por Edward Snowden, analista de inteligência contratado pela NSA, que divulgou esses e outros milhares de registros em junho passado. O jornalista Glenn Greenwald foi quem recebeu os papéis das mãos de Snowden.
    •  
    Snowden Cronologia (6/9) (Foto: Editoria de Arte / G1)
    A NSA nega espionagem para roubar segredos de empresas estrangeiras. Ao jornal "The Washington Post", a agência afirmou não fazer espionagem econômica de nenhum tipo, incluindo o cibernético.
    Na nota, Dilma diz que "tentativas de violação e espionagem de dados e informações são incompatíveis com a convivência democrática entre países amigos, sendo manifestamente ilegítimas". Conclui dizendo que tomará "todas as medidas para proteger o país, o governo e suas empresas".
    Na semana passada, o Fantástico já havia divulgado que a presidente Dilma Rousseff e o que seriam seus principais assessores foram alvos diretos de espionagem da NSA.
    Leia abaixo a íntegra da nota:
    Mais uma vez, vieram a público informações de que estamos sendo alvo de mais uma tentativa de violação de nossas comunicações e de nossos dados pela Agência Nacional de Segurança dos EUA. Inicialmente, as denúncias disseram respeito ao governo, às embaixadas e aos cidadãos – inclusive a essa Presidência. Agora, o alvo das tentativas, segundo as denúncias, é a Petrobras, maior empresa brasileira. Sem dúvida, a Petrobras não representa ameaça à segurança de qualquer país. Representa, sim, um dos maiores ativos de petróleo do mundo e um patrimônio do povo brasileiro.
    Assim, se confirmados os fatos veiculados pela imprensa, fica evidenciado que o motivo das tentativas de violação e de espionagem não é a segurança ou o combate ao terrorismo, mas interesses econômicos e estratégicos.
    Por isso, o governo brasileiro está empenhado em obter esclarecimentos do governo norte-americano sobre todas as violações eventualmente praticadas, bem como em exigir medidas concretas que afastem em definitivo a possibilidade de espionagem ofensiva aos direitos humanos, a nossa soberania e aos nossos interesses econômicos.
    Tais tentativas de violação e espionagem de dados e informações são incompatíveis com a convivência democrática entre países amigos, sendo manifestamente ilegítimas. De nossa parte, tomaremos todas as medidas para proteger o país, o governo e suas empresas.
    Dilma Rousseff
    Presidenta da República Federativa do Brasil
    copiado http://g1.globo.com/politica/

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagem em destaque

Ao Planalto, deputados criticam proposta de Guedes e veem drible no teto com mudança no Fundeb Governo quer que parte do aumento na participação da União no Fundeb seja destinada à transferência direta de renda para famílias pobres

Para ajudar a educação, Políticos e quem recebe salários altos irão doar 30% do soldo que recebem mensalmente, até o Governo Federal ter f...