AFP / JOHN THYS(25 jul) A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini
A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, expressou sua preocupação com os informes sobre as violações dos direitos humanos na Venezuela, onde os opositores iniciaram nesta quarta-feira uma greve de 48 horas contra a Assembleia Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro.
"Os inúmeros informes sobre as violações dos direitos humanos, o uso excessivo da força, as prisões em massa e os julgamentos de civis por tribunais militares são uma fonte de preocupação", indicou Mogherini em uma declaração em nome da União Europeia.
O governo venezuelano enfrenta desde abril uma série de protestos, que se intensificaram depois da proposta do presidente Nicolás Maduro de convocar uma Assembleia Constituinte.
Desde então, os protestos resultaram em quase cem mortos.
"Já é hora de por fim a esta violência", afirmou a chefe da diplomacia europeia, que pediu ainda que Caracas respeite a "Constituição e o Estado de direito" e garanta "o respeito dos direitos e liberdades fundamentais, incluindo o direito à manifestação pacífica".
Mogherini enfatizou, além disso, que a Constituinte é uma "medida controvertida" para a sociedade, por isso pediu ao governo que tome medidas urgentes para restabelecer a confiança da população.
A diplomata ainda insistiu que todas as partes devem abrir os canais de diálogo, como a formação de um grupo de amigos regional, aceito pelo governo e oposição.
Maduro ameaça beneficiários de programas sociais para que votem na Constituinte
Presidência da Venezuela/AFP /(25 jul) Maduro cumprimenta partidários em Caracas
O governo venezuelano verificará se os beneficiários de seus programas sociais votarão na eleição da Assembleia Constituinte, no próximo domingo, através da apresentação do chamado "carnê da pátria" nas seções eleitorais.
"Carnê da Pátria na mão, todo mundo com seu carnê da pátria e sua identidade. Na porta das seções eleitorais vamos checar todos os carnês, para saber se todos votaram", disse o presidente Nicolás Maduro em um comício pela Constituinte.
Dotado de um "código qr" (similar ao código de barras), que traz informações do usuário, o "carnê da pátria" permite, entre outras coisas, adquirir alimentos subsidiados, em meio ao grave desabastecimento e à inflação galopante no país.
A oposição afirma que a exigência é um mecanismo de controle social com objetivos políticos.
Maduro antecipou que um dos objetivos da Constituinte será incluir o "carnê da pátria" na nova Carta Magna.
Segundo o presidente, 14 milhões de venezuelanos, de uma população total de 30 milhões, possuem o documento.
No dia 6 de julho, Maduro ameaçou os funcionários públicos que não votarem para formar a Constituinte: "se temos 15 mil em uma repartição, devem votar os 15 mil, sem desculpas, empresa por empresa, ministério por ministério, prefeitura por prefeitura".
Segundo analistas, uma alta abstenção diminuiria a legitimidade da Constituinte, diante dos 7,6 milhões de votos que, de acordo com a MUD, obteve o plebiscito simbólico realizado em 16 de julho contra essa iniciativa.
De acordo com o instituto de pesquisas Datanálisis, a Constituinte é rejeitada por mais de 70% da população.
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