Costa explica remodelação e agradece a ministros que saem
Primeiro-ministro afirma que as alterações no Governo reforçam a política económica e mostram prioridade para a transição energética
primeiro-ministro, António Costa, afirmou este domingo que as mudanças agora introduzidas no seu Governo pretendem assegurar uma "dinâmica renovada", com "reforço da política económica" e prioridade concedida à "transição energética na mitigação das alterações climáticas".
Esta posição consta de uma nota do líder do executivo enviada à agência Lusa, na qual António Costa elogia o trabalho dos ministros cessantes da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, e da Economia, Manuel Caldeira Cabral. Idêntico agradecimento pelo primeiro-ministro já tinha sido feito ao ministro da Defesa, Azeredo Lopes, na sexta-feira.
"Quero agradecer muito reconhecido a Luís Felipe Castro Mendes, Adalberto Campos Fernandes e Manuel Caldeira Cabral o espírito de missão e compromisso de serviço público com que exerceram as funções ministeriais que amanhã [segunda-feira] cessarão."
"Agradeço a João Gomes Cravinho e a Marta Temido a disponibilidade cívica para servirem o país como membros do Governo", respetivamente como ministros da Defesa e da Saúde.
Na sua mensagem, o primeiro-ministro considera que a aprovação no sábado, em Conselho de Ministros, das propostas de Lei das Grandes Opções do Plano e do Orçamento do Estado para 2019 "asseguram a continuidade com dinâmica renovada da execução do Programa do Governo".
"As alterações na orgânica governativa traduzem o reforço da política económica no centro do Governo e a prioridade da transição energética na mitigação das alterações climáticas", acrescenta o primeiro-ministro na sua nota.
Um embaixador na Defesa
O antigo secretário de Estado da Cooperação João Gomes Cravinho é o novo ministro da Defesa Nacional, em substituição de José Azeredo Lopes.
Doutorado em Ciência Política pela Universidade de Oxford, e com mestrado e licenciatura pela London School of Economics, João Gomes Cravinho é atualmente embaixador da União Europeia no Brasil, desde agosto de 2015, tendo desempenhado o mesmo cargo na Índia entre 2011 e 2015.
Entre março de 2005 e junho de 2011, João Gomes Cravinho foi secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, nos dois governos liderados por José Sócrates.
Há 20 anos ao lado de Costa
Graça Fonseca, atual secretária de Estado Adjunta e da Modernização Administrativa, chega agora a ministra da Cultura, substituindo no cargo Luís Filipe Castro Mendes. É a terceira titular deste ministério - a pasta com mais rotatividade do atual governo.
Há muito que Graça Fonseca acompanha António Costa - primeiro, no Ministério da Justiça, no segundo governo de António Guterres; depois, como chefe de gabinete do atual primeiro-ministro, entre 2005 e 2007, quando Costa assumiu a pasta da Administração Interna, no primeiro executivo de José Sócrates; depois como vereadora na Câmara Municipal de Lisboa, assumindo os pelouros da Economia, Inovação, Educação e Reforma Administrativa, entre 2009 e 2015, altura em que integrou as listas do PS por Lisboa, acabando por ser chamada ao governo.
Com 47 anos, Graça Fonseca é licenciada em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e doutorada em Sociologia pelo ISCTE. Dirigente do PS, foi aprimeira dirigente política portuguesa a assumir publicamente que é homossexual.
Novamente uma mulher na Saúde
Marta Temido, que substitui Adalberto Campos Fernandes na pasta da Saúde, era até agora subdiretora do Instituto de Higiene e Medicina Tropical e presidente não executiva do conselho de administração do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa .
Nascida em Coimbra, com 44 anos, é licenciada em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e doutorada em Saúde Internacional. Foi presidente do conselho diretivo da Administração Central do Sistema de Saúde e membro dos conselhos de administração de vários hospitais públicos.
Rui Rio diz que primeiro-ministro "deu a mão à palmatória"
14 Outubro 2018 — 20:13
Líder social-democrata acredita que escolhas de António Costa vão ao encontro daquilo que vem dizendo o PSD nas áreas da Defesa, da Saúde e da Cultura.
Sobre a remodelação governamental, o presidente do Partido Social Democrata (PSD) considera que primeiro-ministro "deu a mão à palmatória". Rui Rio reagiu ao anúncio dos novos ministros da Defesa, Saúde, Economia e Cultura, este domingo, a partir da sede do PSD, Porto.
"Esta remodelação assenta nas áreas em que o PSD tem feito as suas principais críticas ao Governo. Nessa medida, significa que o primeiro-ministro acaba por reconhecer aquilo que nós temos dito, de certa forma", afirmou o líder social-democrata.
O líder o PSD, deu o exemplo do Ministério da Defesa, no qual considera que a gestão feita pelo Governo nunca foi ao encontro do prestígio das Forças Armadas. "Quer no caso de Tancos, quer no caso do Colégio Militar, quer no caso da morte dos comandos e na forma como tudo isto foi gerido politicamente, nunca foi defendido o prestígio das Forças Armadas. Na Defesa, o país está pior hoje, do que estava há três anos. E, portanto, há reconhecimento quanto à necessidade de mudar o ministro da defesa", defendeu.
No caso da Saúde, Rui Rio, voltou a repetir que também nesta área o país está pior do que há três anos, tal como demonstra a "notória" degradação dos serviços quer em termos humanos, quer de infraestruturas e investimento.
Já na Economia, o presidente do PSD, considerou que falta uma estratégia sustentada de médio e longo prazo, quando o que o país precisava era de um crescimento sustentável assente nas exportações e no crescimento.
"O crescimento que temos é um crescimento fraco, dos piores da Europa, arrastado pelas condições europeias e não pelas políticas publicas. E, portanto, na economia nós desperdiçamos três anos muito importantes. Na economia, nós não investimos, nós distribuímos", sustentou.
Na Cultura, acrescentou que, o passado fala por si: "três ministros em três anos, o que dá uma média de um ministro por ano, o que revela o desnorte do Governo relativamente ao setor".
Para o líder do PSD há, contudo, um ministério que não foi remodelado, apesar das críticas.
"Há estas quatro remodelações, mas não há remodelação do ministro da Educação. E, portanto, podemos tirar a conclusão que o primeiro-ministro entende que na Educação se não estão bem, pelo menos estão razoáveis. E nós sabemos que as coisas na Educação não estão bem. Se em todas as outras áreas o primeiro-ministro acaba por dar a mão à palmatória, na Educação não", considerou.
Rui Rio estranhou, contudo, o momento escolhido pelo Governo para esta remodelação que "é a maior deste 2011", e questionou se os ministros terão saído pelo seu próprio pé.
"No dia em que o Governo aprova a proposta do Orçamento do Estado, saem os ministros que a acabam de aprovar e entram os ministros que vão gerir aquilo que os outros que acabaram de sair desenharam", afirmou.
Rui Rio lançou ainda a questão sobre "se os ministros saem pelo próprio pé, de certa forma descontentes com aquilo que é Orçamento do Estado para 2019, ou se por vontade exclusiva do primeiro-ministro", considerando que este será um tema que fica "por esclarecer".
Depois da reunião de ministros extraordinária, este domingo António Costa anunciou mudanças no Governo para a pasta da saúde, cultura, economia e defesa. Azeredo Lopes é substituído por Gomes Cravinho, Marta Temido vai para a Saúde, Graça Fonseca passa a ministra da Cultura e Siza Vieira assume a Economia. Novidades trazem ao governo cinco mulheres, num total de 16 ministros.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, concordou com propostas de nomeação de António Costa, aceitando a "exoneração dos atuais ministros da Cultura, da Saúde e da Economia, a seu pedido, e dos ministros Adjunto e do Ambiente", que acompanham a saída de Azeredo Lopes da Defesa.
A tomada de posse terá lugar amanhã, segunda-feira, 15 de outubro, pelas 12.00, no Palácio de Belém, no dia em que o Governo entrega a sua proposta de Orçamento do Estado no Parlamento.
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