19 de julho de 2011 às 15:01
O caos e a tristeza no Walfredo Gurgel
Publicado em Saúde
Despercebido, o repórter Heldon Simões
entrou ontem no Hospital Walfredo Gurgel para conferir o caos instalado
por mais uma superlotação. Em contato pelo BBM, no celular, as
coordenadas para registrar pontos de sofrimento, já que a segurança não
permitia e desconfiava.
Do lado de fora, observou várias
ambulâncias do interior fazendo filas. Alguns casos que se resolveriam
com atendimento secundário nos municípios.
Ou seja: com a responsabilidade das prefeituras não cumpridas, continua a prática da ambulânciaterapia.
Durante o dia desta segunda-feira (18) no Walfredo Gurgel, na sala de atendimento de urgência pacientes esperavam por triagem.
Dos vários expostos nas macas, quadro clínico dos mais diversos e a mesma realidade: sem vaga.
Por falta de espaço, uma senhora segurava com uma mão o soro que recebia.
Em algumas macas sem proteção, improviso com papelão para aliviar o desconforto.
Uma enfermeira confessou que o atendimento é realizado de forma deficitária e muitos não recebem a atenção devida.
Pelos corredores, acompanhantes corriam
desesperados atrás de médicos e enfermeiros. Um horror. Um médico
alertou sobre os riscos de propagação de doenças, a contar que muitos
pacientes estão com feridas abertas, hematomas…
Macas ensanguentadas, cheiro insuportável exalado de pacientes que tomam conta dos corredores.
Faltam macas para atender a demanda, e a das ambulâncias ficam presas.
A situação é tão precária que um médico ironizou: – “Paciente para receber maca tem que ser vip”.
Outro médico lamentou a situação e afirmou estar de mãos atadas:
– ‘Fazemos o nosso melhor, mas muitos pacientes são idosos, precisam de
atenção especial e de repouso, o que não são possíveis de acompanhar,
já que estão nos corredores.
Uma maqueira que descansava por um instante para aliviar a tensão desabafou:
– “É muito difícil uma pessoa pedir minha ajuda e eu não ter o que
fazer. Eles pedem apenas para serem atendidos, mas não sou médica, não
posso ajudar. O máximo é tentar encontrar um médico de nível”.
Um paciente vindo de Sítio Novo estava à
espera do resultado dos exames havia mais de quatro horas. Com isso,
fica esperando o enfermeiro e o veículo que o trouxe do interior.
Lixeira virada misturada a roupas, comida
e demais utensílios que os acompanhantes levam para os seus pacientes.
Tudo no chão ou em cima das macas sujas de sangue.
São tantas as macas pelos corredores que fica difícil, até, circular.
Os pacientes se misturam pelos corredores, sem qualquer tipo de seleção, como informou alguns acompanhantes.
Uma reclamava que o banheiro estava sendo utilizado por homem e mulher.
Um maqueiro saiu do hospital e, sem lavar
as mãos, colocou-as dentro da bermuda, retirou um cigarro e fumou. Logo
após, voltou para o interior do hospital.
Enquanto pacientes disputam macas, sobram cifrões para a realização da Copa em Natal…
É. Desenvolvimento…
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