PIB descobre contradição básica do governo Bolsonaro
Jair Bolsonaro não é exatamente um contemporizador.
É um capitão radical que fala em autoridade o tempo todo e já enquadrou até o general vice. Hierarquia será um forte componente de seu governo, se chegar lá. Não se sabe também o real grau de convicção do candidato do PSL à ortodoxia do liberalismo econômico que passou a pregar na campanha. Pode ter se convencido de fato? Poder, pode.

O antipetismo do mercado e de parte do PIB desenhou, no primeiro turno, um conto de fadas no qual o dragão da esquerda seria morto pelo príncipe encantado do liberalismo, encarnado por Paulo Guedes no reino de Bolsonaro. As reformas, como a da Previdência, seriam retomadas, as estatais privatizadas, as amarras ao capital desatadas, a confiança dos investidores recuperada.
Não bastaram nem três dias de campanha no segundo turno para perceber que a coisa pode não ser bem assim. Por mais que Jair Bolsonaro se poupe de debates e sabatinas no segundo turno – e essa é exatamente a estratégia de sua campanha – vai ficar difícil fugir às contradições e à impressão de que elas vão continuar num hipotético governo.
Todo governo tem lá suas divergências, e o do PT de Fernando Haddad não escaparia delas, também passando a impressão de que os pilotos estão em constante desentendimento sobre a rota na cabine do avião. No caso de Bolsonaro, porém, provavelmente teremos um presidente que não hesitará em atirar o discordante porta afora do avião.
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