UM NOVO CONGRESSO NACIONAL
Centrão elege bancada numerosa, mas enfrentará novo jogo de forças Filho de Bolsonaro não descarta centrão para comando da Câmara: 'Experiência' Sakamoto: Cid e PT podem se refugiar no Congresso. E o país? Foge para onde?
Em uma campanha com apoios fragmentados e muitos partidos decidindo ficar neutros no segundo turno, o Congresso se prepara para funcionar sob uma nova configuração.
Centrão elege bancada numerosa, mas enfrentará novo jogo de forças Filho de Bolsonaro não descarta centrão para comando da Câmara: 'Experiência' Sakamoto: Cid e PT podem se refugiar no Congresso. E o país? Foge para onde?
Em uma campanha com apoios fragmentados e muitos partidos decidindo ficar neutros no segundo turno, o Congresso se prepara para funcionar sob uma nova configuração.
MDB e PSDB foram os maiores perdedores em vagas na Câmara Federal, enquanto o PSL de Jair Bolsonaro conseguiu eleger 52 deputados, tendo a segunda maior bancada.
Legendas que já formaram o chamado centrão ficaram com um número estável de parlamentares, mas podem ter sua força diminuída a depender de quem for escolhido como o novo presidente.
É o que analisam os cientistas políticos entrevistados pelo UOL sobre partidos que historicamente são o fiel da balança nas votações no Parlamento brasileiro.
Na prática, dizem os especialistas, o centrão faz refém governantes que dependem do bloco para aprovar medidas importantes. Em troca, chefes do Executivo precisam fazer concessões a um grupo de políticos mais interessados em cargos e benefícios do que em propostas.
"O ideal é que os partidos se somem em torno de causas, de fazer política, para negociar, e não para constranger, criar dificuldade simplesmente para ganhar facilidade", diz Carlos Melo, cientista político da FGV-SP (Fundação Getúlio Vargas de São Paulo). "As articulações que fazem os partidos atuarem em bloco são normais e bem-vindas na democracia, porque fortalecem causas. Mas o centrão não tem sido conhecido por isso."
Para Marco Antônio Teixeira, também cientista político da FGV, o centrão manterá esse seu jeito de trabalhar independentemente de quem chegar ao poder. Mas o surgimento de uma forte bancada do PSL altera o balanço de forças da Câmara, diminuindo o peso do bloco, no caso de uma eventual vitória de Bolsonaro nas urnas.
"Se Bolsonaro for eleito, a pauta mais conservadora do centrão coincide com o perfil do governo, e aí não tem muito o que barganhar, pois os projetos são parecidos. Se for [o petista Fernando] Haddad, a diferença de pauta vai exigir um esforço maior de concessões do presidente. Afinal, a força do centrão está na crise", diz.
O que é o centrão?
O
termo já foi usado para determinar composições políticas
distintas desde a Constituinte em 1987. Mais recentemente, em
2014, ressurgiu sob a alcunha de "blocão" pelas mãos
do então deputado Eduardo Cunha (MDB), atualmente encarcerado em
Curitiba.
Basicamente,
trata-se da reunião de partidos de proporções médias e que não
têm um interesse programático: ou seja, não defendem pautas
específicas, mas existem para negociar cargos e favores.
No
geral, os partidos do centrão são ideologicamente conservadores e
abrigam deputados do "baixo clero" da Câmara. Dados
organizados pelo Cesop (Centro de Estudos de Opinião Pública),
da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), colocam todos os
partidos que já fizeram parte do bloco à direita no espectro
ideológico. A divisão foi feita com base nos trabalhos dos
cientistas políticos Timothy Power e César Zucco, a partir de
entrevistas com os próprios congressistas.
"A
denominação centrão tem uma raiz histórica na Constituinte.
Naquele período, um grupo começou a se organizar para fazer
oposição a uma pauta de esquerda que estava sendo colocada por
grupos sociais na formulação das leis e das regras que estariam na
próxima Constituição. Não se definiram na ocasião como direita.
Era um fenômeno que tínhamos no Brasil chamado 'direita
envergonhada'. Então se autodenominaram de centrão",
explica Oswaldo Amaral, da Unicamp.
Foi o
desenvolvimento dessa articulação, anos mais tarde, que abriu
caminho para o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), em
2016. Foi a articulação do centrão também que, posteriormente,
desbancou o próprio Cunha da presidência da Casa.
Nessas
duas ocasiões, o bloco foi decisivo para aprovar a destituição
copiado https://www.uol/eleicoes/especiais/c
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