Comissão da Reforma, sem acordo, não vai andar
Há 125 requerimentos de audiências, debates, seminários e sessões externas na Comissão Especial de Reforma da Previdência.
Se o presidente da Comissão, Marcelo Ramos, insistir na fixação de um calendário “corre-corre”, mesmo com sessões todas as terças, quartas e quintas, nem 10% delas poderao ser realizadas até o início de junho, quando ele anuncia querer começar o debate sobre as (centenas) de emendas que serão apresentadas.
A proposta da oposição, fechada em acordo de seus líderes (foto), aceita reduzir os debates gerais para 15 audiências públicas em Brasília e, no mínimo, mais 10 audiências nos estados.
Se não houver acordo, os requerimentos terão de ser votados um a um, o que põe em risco a sessão de amanhã, à qual irá o Ministro da Economia, Paulo Guedes.
A sessão, marcada para as 14;30 h, vai começar daqui a pouco e aí veremos se o governo vai conseguir apressar a votação e se é mesmo “para valer” o empenho de Rodrigo Maia para que se tente votá-la, na Câmara, ainda no primeiro semestre.
Rumo à destruição do Brasil
A situação do Brasil, hoje, embora os números não sejam tão dramáticos, é de piores perspectivas do que as que tínhamos no início do período golpista de Michel Temer.
Ainda que com muita “torcida”, os agentes econômicos esperavam, de fato, uma retomada, mesmo tímida, da situação.
Agora, você não encontra nenhum que se atreva – exceto Paulo Guedes, que prevê crescimento a partir de julho – a achar que temos algum sinal de reversão no curto prazo.
Não há qualquer política para nos livrar da estagnação econômica, exceto a promessa de que uma reforma da toque de caixa da Previdência seria como a chuva no sertão. Ainda que passe, basta olhar os números e ver que, no curto prazo, ela não representa nenhum alívio para as contas do governo e, muito menos, algum ânimo para a atividade econômica.
Mas há uma crescente convicção de que o atual governo não tem, além de capacidade, unidade para decidir-se por estas políticas.
Cresce a percepção de que a administração – se é que se pode chamá-la assim – Bolsonaro rege-se pelo desmonte que o próprio presidente, numa de suas falas, anunciou.
Tinha-se desconfiança de que, se faltaria apoio parlamentar a este governo, o apoio das corporações militares lhe serviria de alicerce, o que, está claro, já não tem.
Resta saber o quanto o terceiro viés, o apoio de uma parte da sociedade – afinal, a maioria o elegeu – sobreviverá ao mix de redução de emprego – aumento dos preços – desorganização dos serviços públicos e redução de direitos. Porque, afinal, a degola no direito de aposentadoria atinge indistintamente seus eleitores e opositores.
Fanatismo de seitas não sustenta governos.
E quem disse que Olavo quer servir ao Brasil, general?
De onde o general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército e agora tutor da ala militar do governo Bolsonaro, tirou a ideia de que Olavo de Carvalho e seu grupo pretenderam, algum dia, servir ao país, para reclamar que ele presta, agora, um desserviço ao Brasil.
Não, general, ele apenas está fazendo o que sempre quis fazer, organizar uma falange de extrema-direita, filonazista. E, politicamente, está se saindo muito melhor do que os senhores, com todas as suas estrelas, cursos na ESG e o controle de um terço da administração federal.
No Estadão, seu grupo diz que os militares “só não deixam o governo com receio do que pode acontecer no País.”
Perdoe, mas é de rir.
General, nos cursos de Comando e Estado Maior, o senhor e seus colegas aprenderam a fazer estudos de situação. Será possível que os senhores vejam o papel das Forças Armadas como simples freio às loucuras de um governante e seu grupo de áulicos?
Freios, sabe o senhor, podem reduzir a velocidade da descida, assim mesmo se estiverem sendo acionados com força. Mas não podem empurrar o país ladeira acima na crise. E afundar na crise, como estamos fazendo, só soma forças ao radicalismo deles.
Em quatro meses, os senhores só perderam força. Ao ponto de terem, ontem, de apelar para a “bomba atômica Villas Bôas”, que foi lançado ao MMA virtual de Olavo de Carvalho que, sem se fazer de rogado, disse que não vai polemizar com “um doente preso a uma cadeira de rodas”, como disparou no Facebook:
Nem o Lula seria vil e porco o bastante para, fugindo a argumentos sem resposta, se esconder por trás de um doente preso a uma cadeira de rodas. Mas os nossos heróicos generais são.
Já Olavo de Carvalho, do nada que é, conseguiu se impor como referência pública, figura central do governo e, não duvidem, com prestígio na jovem oficialidade que os senhores, deliberadamente, entregaram a Jair Bolsonaro, comandante das Forças Armadas brasileiras.
Quer dizer que os senhores acham que demitir uma “olavete” inexpressiva da Apex e colocar lá um contra-almirante é uma vitória? É só munição para esta turma de fanáticos, que vai continuar a passar os dias demolindo a reputação das Forças Armadas, o que é o seu verdadeiro objetivo.
É lamentável, general, mas Olavo de Carvalho tem se mostrado um estrategista anos-luz à frente dos senhores.
E isso, sim, deixa a todos nós com medo do que vai acontecer com o país.
copiado http://www.tijolaco.net/blog/
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