Ideologia da repressão
Entretanto, em contraste com a
esperança de um novo ciclo histórico, bolsões de pensamento e
comportamento ditatorial permaneceram em muitas instituições e espaços
sociais, inclusive na Justiça, na polícia, em órgãos de governo, na
universidade, nos meios de comunicação.
É esse substrato cultural autoritário que está atrás de atos de violência praticados por autoridades públicas contra o cidadão. É esse substrato cultural que faz com que a polícia e também a Justiça presumam a culpa e determinem que a inocência seja provada. É esse substrato que admite que, na persecução do crime, vidas de inocentes possam ser sacrificadas. É esse substrato que não aceita a ação dos advogados, nos inquéritos policiais e nos processos judiciais. O advogado é visto como “inimigo público”. Não entra na cabeça dos ideólogos da repressão a ideia de que o advogado não defende o crime mas, sim, o acusado de um crime ou até mesmo o culpado. Sem a presença altiva do advogado não se tem julgamento, mas farsa.
A violência urbana, que com razão amedronta o povo, encoraja a ideologia da repressão. Segundo essa ideologia, tropas especializadas, com atiradores de elite, estão autorizadas a matar, uma vez que se encontram no desempenho de papel estratégico para preservar a segurança pública. O resultado disso é uma ilusória segurança.
Faz-se indispensável uma discussão ampla sobre o papel da polícia, discussão essa a ser travada dentro da corporação policial e também no seio da sociedade. Em muitas situações concretas, é a população que pede à polícia “mão de ferro˜, deixando de lado os princípios constitucionais.
Dentro do organismo policial, milhares de vozes discordam de atitudes assumidas ao arrepio da lei e lutam bravamente para que tenhamos no país uma polícia democrática.
* João Baptista Herkenhoff, supervisor da Coordenação Pedagógica da Faculdade Estácio de Sá de Vitória, é autor de 'Curso de direitos humanos' (Editora Santuário, Aparecida, SP). - jbherkenhoff@uol.com.br
É esse substrato cultural autoritário que está atrás de atos de violência praticados por autoridades públicas contra o cidadão. É esse substrato cultural que faz com que a polícia e também a Justiça presumam a culpa e determinem que a inocência seja provada. É esse substrato que admite que, na persecução do crime, vidas de inocentes possam ser sacrificadas. É esse substrato que não aceita a ação dos advogados, nos inquéritos policiais e nos processos judiciais. O advogado é visto como “inimigo público”. Não entra na cabeça dos ideólogos da repressão a ideia de que o advogado não defende o crime mas, sim, o acusado de um crime ou até mesmo o culpado. Sem a presença altiva do advogado não se tem julgamento, mas farsa.
A violência urbana, que com razão amedronta o povo, encoraja a ideologia da repressão. Segundo essa ideologia, tropas especializadas, com atiradores de elite, estão autorizadas a matar, uma vez que se encontram no desempenho de papel estratégico para preservar a segurança pública. O resultado disso é uma ilusória segurança.
Faz-se indispensável uma discussão ampla sobre o papel da polícia, discussão essa a ser travada dentro da corporação policial e também no seio da sociedade. Em muitas situações concretas, é a população que pede à polícia “mão de ferro˜, deixando de lado os princípios constitucionais.
Dentro do organismo policial, milhares de vozes discordam de atitudes assumidas ao arrepio da lei e lutam bravamente para que tenhamos no país uma polícia democrática.
* João Baptista Herkenhoff, supervisor da Coordenação Pedagógica da Faculdade Estácio de Sá de Vitória, é autor de 'Curso de direitos humanos' (Editora Santuário, Aparecida, SP). - jbherkenhoff@uol.com.br
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