21/06/2012 17h43
- Atualizado em
21/06/2012 17h43
Impeachment é tentativa de 'golpe branco' no Paraguai, diz especialista
Congresso paraguaio vota nesta sexta impeachment de Fernando Lugo.
Para cientista político, oposição busca via legal para derrubar presidente.
Comente agora
“Nem o próprio Congresso tem muita clareza de como seria o processo. A impressão que eu tenho é que se trata de um ‘golpe branco’. Estão procurando algum caminho legal para derrubar o presidente, sem discussão e sem direito a defesa. [O processo de] Impeachment leva alguns meses, ninguém sofre impeachment por incompetência, mau governo”, afirma o especialista.
Lugo anunciou que não vai renunciar e que vai se submeter ao julgamento “com todas as suas consequências”.
Para o professor, que é doutor em ciência política pelo Iuperj, a oposição tenta aproveitar a repercussão causada pelo enfrentamento de policiais e sem-terra para abreviar o governo do presidente, cujo mandato se encerra em 2013 (a Constituição paraguaia não prevê reeleição).
“Desde o começo do mandato, Lugo tem problemas seriíssimos de governabilidade. Aconteceram uns três ou quatro vezes boatos de golpes de estado por parte dos militares, que foram depois desmentidos, mas ele chegou a mudar a direção das Forças Armadas várias vezes, aparentemente para tentar evitar um golpe”, afirma.
Na Presidência desde 2008, o ex-bispo católico Lugo foi eleito por uma frente de partidos de oposição que se uniu contra o tradicional Partido Colorado, no poder há mais de 60 anos. Mas a aliança que se ofereceu como alternativa ao país logo se desfez, enfranquecendo a base política do presidente, segundo o especialista.
“Logo no início, Lugo teve problemas de não conseguir levar adiante projetos e perdeu popularidade e sua base social, formada por movimentos sociais. Além disso, todas as denúncias de filhos [ilegítimos], também abalaram a imagem dele”, disse.
ParalisiaA área de conflito entre fazendeiros, que também inclui os chamados “brasiguaios”, e movimentos de sem-terra na região de Curuguaty, na fronteira com o Paraná, é mais uma crise no já desgastado mandato do presidente paraguaio.
“A oposição acusa Lugo de não agir. Ele também não pode reprimir os movimentos sem-terra com força, porque são próximos de sua base de apoio, e não pode deixar uma grande quantidade de terras serem invadidas. Fica paralisado nesta questão”, observa o cientista político.
Para Fabrício Pereira da Silva, somente uma intervenção internacional, da Unasul, pode evitar que o presidente sofra o processo de impeachment neste momento. Uma delegação de chanceleres dos países do Cone Sul deve chegar ainda nesta quinta a Assunção para apurar a abertura do processo.
tópicos:
Nenhum comentário:
Postar um comentário