Opositora birmanesa pede ao mundo ajuda à democracia em Mianmar

Opositora birmanesa pede ao mundo ajuda à democracia em Mianmar

LONDRES (AFP)
A líder da oposição birmanesa, Aung San Suu Kyi, pediu nesta quinta-feira ao Reino Unido e ao resto do mundo para que ajudem o seu país a completar o caminho para a democracia, em um discurso histórico no Parlamento britânico.
"Meu país está no início de uma jornada para, espero, um futuro melhor", declarou a Prêmio Nobel da Paz a 2.000 pessoas, incluindo membros da Câmara dos Deputados, da Câmara dos Lordes e outros convidados ilustres que a receberam com uma ovação de pé em Westminster Hall.
Mas, ressaltou, "existem muitos morros para subir, muitas pontes para atravessar, muitas barreiras para derrubar". "Nossa determinação só pode nos levar a certo ponto, o apoio das pessoas no Reino Unido e em todo o mundo pode nos levar muito mais longe", disse, acrescentando que falava como "amiga e igual".
Suu Kyi tornou-se assim a primeira mulher, sem incluir a rainha Elizabeth II, a falar para todo o Parlamento, no mais antigo salão do Palácio de Westminster, onde, antes dela, apenas quatro estrangeiros haviam discursado, todos chefes de Estado.
A icônica ativista agradeceu a "honra extraordinária" de poder seguir os passos de Charles de Gaulle, do sul-africano Nelson Mandela, do papa Bento XVI e do americano Barack Obama.
"O Parlamento britânico é talvez o símbolo máximo da liberdade de expressão para os povos oprimidos do mundo", disse Suu Kyi, que vestia um simples vestido roxo.
"Nós em Mianmar tivemos de lutar muito e por muito tempo. Muitas pessoas têm dado tudo na luta pela democracia e só agora estamos começando a ver os frutos", acrescentou em um inglês impecável aprendido nos anos em que viveu em Oxford, antes de entrar na política.
A líder da oposição birmanesa, Aung San Suu Kyi, pediu nesta quinta-feira ao Reino Unido e ao resto do mundo para que ajudem o seu país a completar o caminho para a democracia, em um discurso histórico no Parlamento britânico.
Antes do Parlamento, Suu Kyi se reuniu em Downing Street com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, que defendeu, em uma coletiva de imprensa conjunta, o seu convite ao presidente birmanês, Thein Sein, para visitar o Reino Unido nos próximos meses.
"Há um processo de reforma em Mianmar (...) Se quisermos que tenha êxito, temos de trabalhar com o regime", declarou, 15 meses após a auto-dissolução da junta militar que deu lugar ao atual governo formado por ex-militares reformistas.
Cameron realizou em abril, logo após as eleições que levaram Suu Kyi a ter um assento na Câmara dos Deputados, a primeira visita de um líder ocidental em Mianmar nas últimas décadas.
"Não queremos ficar presos ao passado. Queremos usar o passado para construir o futuro", afirmou a ativista, que, no entanto, pediu que a vigilância sobre o que acontece no país continue.
Suu Kyi, que passou cerca de 15 anos em prisão domiciliar, recuperou recentemente seu passaporte, o que possibilitou esta primeira viagem em 24 anos pelas capitais europeias que sempre apoiaram sua luta pacífica pelas reformas democráticas desde 1988.
Nesse ano ela abandonou o Reino Unido, deixando para trás o seu marido, Michael Aris, e seus dois filhos adolescentes em Oxford, onde na terça-feira comemorou os seus 67 anos com amigos e familiares e em cuja prestigiosa universidade recebeu na terça-feira o título Honoris Causa.
Suu Kiy permanece na Inglaterra até a próxima terça-feira, quando viajará para França antes de encerrar esta viagem histórica de 15 dias.copiado : http://www.afp.com

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