CRISE SEM FIM
Montante equivale à metade do total destinado a deputados e senadores desde o início do ano
PUBLICADO EM 25/07/17 - 03h00
BRASÍLIA. Contabilizando cerca de 80 deputados indecisos sobre a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer por corrupção passiva, o Palácio do Planalto liberou, somente nos primeiros 17 dias de julho, R$ 2,1 bilhões em emendas parlamentares, a metade dos R$ 4,2 bilhões destinados a deputados e senadores desde janeiro. As informações são do site Contas Abertas.
O governo abriu a “torneira da bondade” ainda em junho, quando foram liberados R$ 2 bilhões em emendas parlamentares. Naquele mês, a denúncia da PGR chegou à Câmara. Já o segundo pico de liberações, durante o recesso parlamentar, ocorre justamente quando os parlamentares retornam a suas bases e poderiam ser cobrados pelos eleitores a votar a favor da denúncia em plenário. A sessão para autorizar ou não a PGR a entrar com ação contra Temer está prevista para acontecer no dia 2 de agosto. Liberando as emendas, Temer espera dar aos deputados indecisos “escudos” contra a pressão popular, uma vez que os valores liberados vão para obras em seus redutos eleitorais. Temer usou a mesma arma que sua antecessora: Dilma Rousseff pagou R$ 3,2 bilhões em emendas às vésperas da votação do impeachment, em abril e maio de 2016.
Ao divulgar os números (disponíveis no portal Siga Brasil, do Senado), o Contas Abertas ressalta que as liberações acontecem enquanto o governo tenta administrar um rombo fiscal de R$ 139 bilhões. Além disso, o montante empenhado para emendas neste ano representa mais de 70% do corte adicional que o Ministério do Planejamento anunciou na semana passada: mais R$ 5,9 bilhões serão contingenciados nas despesas do governo federal.
Cabe lembrar ainda que o governo aumentou as alíquotas de PIS/Cofins para gasolina, etanol e diesel. O presidente Michel Temer declarou que “a população vai compreender” a elevação.
Do total liberado em emendas em 2017, mais de 82% foi para deputados federais (R$ 3,5 bi) – que votarão a denúncia contra Temer na Câmara – e o restante para senadores. No topo do ranking de beneficiados estão as bancadas estaduais de Maranhão, Roraima e Rio Grande do Norte.
Interesse. Em mensagem publicada em sua rede social, o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, disse nessa segunda-feira (24) que “o próximo passo do PMDB”, partido de Temer, parece ser acabar com a investigação. Carlos Lima reagiu à entrevista do vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG), ao jornal “O Estado de S. Paulo”, na qual o parlamentar defendeu um “prazo de validade” para a Lava Jato. O procurador afirmou que “as investigações vão continuar por todo o país”.
“Acabar com a Lava Jato. Esse parece ser o próximo passo do PMDB. Infelizmente, muitas pessoas que apoiavam a investigação só queriam o fim do governo Dilma, e não o fim da corrupção. Agora, que Temer conseguiu – com liberação de verbas, cargos e perdão de dívidas – ganhar apoio do Congresso, seu partido deseja acabar com as investigações. Mas, mesmo com todas as articulações do governo e de seus aliados, as investigações vão continuar por todo o país”, escreveu.
O governo abriu a “torneira da bondade” ainda em junho, quando foram liberados R$ 2 bilhões em emendas parlamentares. Naquele mês, a denúncia da PGR chegou à Câmara. Já o segundo pico de liberações, durante o recesso parlamentar, ocorre justamente quando os parlamentares retornam a suas bases e poderiam ser cobrados pelos eleitores a votar a favor da denúncia em plenário. A sessão para autorizar ou não a PGR a entrar com ação contra Temer está prevista para acontecer no dia 2 de agosto. Liberando as emendas, Temer espera dar aos deputados indecisos “escudos” contra a pressão popular, uma vez que os valores liberados vão para obras em seus redutos eleitorais. Temer usou a mesma arma que sua antecessora: Dilma Rousseff pagou R$ 3,2 bilhões em emendas às vésperas da votação do impeachment, em abril e maio de 2016.
Ao divulgar os números (disponíveis no portal Siga Brasil, do Senado), o Contas Abertas ressalta que as liberações acontecem enquanto o governo tenta administrar um rombo fiscal de R$ 139 bilhões. Além disso, o montante empenhado para emendas neste ano representa mais de 70% do corte adicional que o Ministério do Planejamento anunciou na semana passada: mais R$ 5,9 bilhões serão contingenciados nas despesas do governo federal.
Cabe lembrar ainda que o governo aumentou as alíquotas de PIS/Cofins para gasolina, etanol e diesel. O presidente Michel Temer declarou que “a população vai compreender” a elevação.
Do total liberado em emendas em 2017, mais de 82% foi para deputados federais (R$ 3,5 bi) – que votarão a denúncia contra Temer na Câmara – e o restante para senadores. No topo do ranking de beneficiados estão as bancadas estaduais de Maranhão, Roraima e Rio Grande do Norte.
Interesse. Em mensagem publicada em sua rede social, o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, disse nessa segunda-feira (24) que “o próximo passo do PMDB”, partido de Temer, parece ser acabar com a investigação. Carlos Lima reagiu à entrevista do vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG), ao jornal “O Estado de S. Paulo”, na qual o parlamentar defendeu um “prazo de validade” para a Lava Jato. O procurador afirmou que “as investigações vão continuar por todo o país”.
“Acabar com a Lava Jato. Esse parece ser o próximo passo do PMDB. Infelizmente, muitas pessoas que apoiavam a investigação só queriam o fim do governo Dilma, e não o fim da corrupção. Agora, que Temer conseguiu – com liberação de verbas, cargos e perdão de dívidas – ganhar apoio do Congresso, seu partido deseja acabar com as investigações. Mas, mesmo com todas as articulações do governo e de seus aliados, as investigações vão continuar por todo o país”, escreveu.
PGR. O grupo de artistas que encabeça o movimento 342 Agora, a favor da denúncia contra Temer, quer se reunir com o procurador geral da República, Rodrigo Janot, ainda em julho.
Trio assume tarefa de defender governo início do ano
copiado http://www.otempo.com.br/
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