Briga tucana é pelo controle do partido com convenções
Na Folha de hoje, a obra, que parecia impossível, mas que Michel Temer, Aécio Neves e João Dória conseguiram produzir.
Ala do PSDB que defende apoio a Temer vai partir para tudo ou nada, diz o jornal afirmando que o grupo temerista “quer a saída de Tasso Jereissati da presidência interina até o fim desta semana”.
O sinal foi dado pela repercussão da reunião noturna entre Aécio Neves e o atual ocupante do Planalto, onde a versão de que se tratou ali das hidrelétricas da Cemig é tão verossímil quanto que tenham conversado sobre as virtudes de Rodrigo Janot.
O tema foi outro: uma balanço de forças diante na nota assinada pelo presidente interino dos tucanos e pelo deputado “alckimista” Silvio Torres , secretário-geral, convocando eleições internas no partido, a partir do dia 1º de outubro (nos municípios), em novembro para os diretórios estaduais e a nacional no início de dezembro.
Na convocação, eles definem que ficam extintos os mandatos dos diretórios municipais e estaduais – que haviam sido prorrogados até 2018 – na data marcada para a convenção, enquanto os eleitos terão poderes até o final de maio de 2019. Os diretórios que foram eleitos em 2017 também foram mandados fazer convenções extraordinárias.
Traduzido politicamente, é a expectativa de tirar do controle de Aécio Neves a parte significativa da máquina partidária que tem sob seu controle. E, com isso, retirar seu poder de influir mais fortemente na escolha do candidato tucano à presidência e na definição de uma aliança com o PMDB.
Neste quadro, Doria segue sua trajetória de víbora, mantendo aparente distância de Aécio, escancarada proximidade com Michel Temer e troca de gentilezas vazias com Tasso Jereissati. Ele não tem forças próprias na máquina tucana. mas conta que o apoio empresarial – fora de São Paulo, inclusive – e a perspectiva de candidatos pouco dispostos a carregar a pesada “mala” eleitoral de Aécio possa criar um pedaço do PSDB para chamar de seu.
Não faltam hipocrisias e punhais na corte tucana e está evidente que qualquer caminho leva à guerra.
Os muros da (des)ordem mundial
Fabiano Maisonnave e Avener Prado, hoje, na Folha, mostram algo que, com ou sem concreto e arames farpados, virou a nova ordem mundial. Descrevem os dez quilômetros de muros, que começaram a ser construídos nos anos...
Os muros da (des)ordem mundial
Fabiano Maisonnave e Avener Prado, hoje, na Folha, mostram algo que, com ou sem concreto e arames farpados, virou a nova ordem mundial.
Descrevem os dez quilômetros de muros, que começaram a ser construídos nos anos 80, com a função de “separar as áreas urbanizadas dos “povoados jovens”, o eufemismo local para designar favelas”, em Lima, capital peruana.
A matéria, muito boa, pode ser lida aqui. Traz de tudo o que vemos aqui e quase já não prestamos atenção, de tão condicionados a aceitar a “segurança” como única saída para o caminho bruto e violento que a todos vai sendo imposto.
O “muro do Trump”, afinal, nem tão novidade é. Está na Cisjordânia, “protegendo” Israel, está na Sérvia, contendo os imigrantes do Oriente e da África em caos, está por aqui, separando favelas de condomínios.
Mas o muro mais cruel, a pior parede que se põe entre semelhantes é o muro mental que se deixou construir. Que deixamos, nós também, se construir, frise-se.
A ordem injusta, excludente, cruel produz multidões de seres humanos vivendo na pobreza, em condições em que falar de “direitos” parece um deboche.
Uma ordem assim se sustenta, se legitima, jamais pode tolerar o progresso coletivo. Ao contrário, a crise, cíclica, é necessária à sua sobrevivência.
Ela precisa daquilo que ela própria produz: o medo.
Medo que conduz ao ódio.
Ódio ao favelado, ódio ao pobre, ódio ao negro, ao mestiço, ao índio (como lá em Lima, onde os pobres vêm do altiplano e boa parte dos limenhos descende dos europeus), a qualquer um que não seja “civilizado” ao ponto de poder pertencer ao mundo “normal” onde estamos ou, ao menos, pareça ser suspeito disso.
Bandido bom não é bandido morto: é bandido vivo, ameaçador, que justifique ser bruto, estar armado, haver polícia em quantidades cavalares e métodos idem. Embora faltem recursos para educar, curar, cuidar, estes não podem faltar para patrulhar, prender, atirar.
Não se trata, óbvio, de deixar de cuidar da segurança pública. Trata-se de entender que a “guerra” é um exercício de dominação e submissão.
E uma das dominações e das submissões é a das nossas mentes, levadas a crer que isso é um caminho, quando é um muro.
Que faz prisioneiros dos dois lados.
copiado http://www.tijolaco.com.br/blog/
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