Alemanha multa Porsche em € 535 milhões por fraude relacionada a disesel
AFP/Arquivos / THOMAS KIENZLEOs juízes revelaram "falhas no dever de supervisão" que tornaram possível a venda de carros a diesel "cujas emissões de óxido de nitrogênio não correspondiam às normas"
A Porsche, marca de luxo do grupo Volkswagen, pagará multa de 535 milhões de euros na Alemanha no âmbito do escândalo dos motores a diesel manipulados, anunciou nesta terça-feira a Promotoria de Stuttgart.
Os juízes revelaram "falhas no dever de supervisão" que tornaram possível a venda de carros a diesel "cujas emissões de óxido de nitrogênio não correspondiam às normas".
O valor é adicionado ao 1,8 bilhão de euros de multas já aplicadas às marcas VW e Audi na Alemanha após outros processos de sanções similares, a única base jurídica no momento para perseguir penalmente uma empresa no país.
Após a multa, não há nenhum processo aberto contra o grupo Volkswagen ou suas marcas, indicou um porta-voz da montadora.
A multa, no entanto, não tem impacto nos processos em curso individuais ou nas ações dos clientes, indicou o MP de Stuttgart.
UE reduz projeção de crescimento da Eurozona para 2019 e 2020
AFP / EMMANUEL DUNANDComissário europeu Pierre Moscovici, em Bruxelas, em 3 de maio de 2019
A economia da zona do euro crescerá 1,2% em 2019 e 1,5% em 2020, anunciou a Comissão Europeia nesta terça-feira, o que reduz em um décimo suas projeções anteriores "em um contexto de persistentes incertezas em todo o mundo".
O Produto Interno Bruto (PIB) dos 19 países do euro crescerá como um todo este ano, em 1,2%, e 1,5% em 2020, após registrar 2,4% em 2017 e 1,9% um ano depois, informa Bruxelas em suas previsões.
"A economia europeia está se mantendo bem num contexto econômico menos favorável mundialmente e com incertezas persistentes", apontou o comissário de Assuntos Financeiros, Pierre Moscovici, durante a apresentação das previsões.
Por país, a Espanha cresceria 2,1% em 2019 e 1,9% em 2020, após 2,6% em 2018, confirmando sua posição de líder do crescimento entre as principais economias da zona do euro, segundo a Comissão.
Bruxelas reduz sua previsão para a Alemanha, a maior economia europeia, em seis décimos para 2019, a 0,5%, e mais dois décimos, a 1,5%, um ano depois.
O crescimento da França seria de 1,3% e 1,5%, respectivamente.
A economia europeia enfrenta, externamente, um "agravamento dos conflitos comerciais, bem como a fraqueza dos mercados emergentes, particularmente a China", declarou o vice-presidente da Comissão, Valdis Dombrovskis.
A eventualidade de uma retirada do Reino Unido da União Europeia (UE) sem acordo também continua a pesar sobre a economia da UE, cujo crescimento em 2019 e 2020 é baseada na atividade doméstica, assegura o Executivo comunitário.
A taxa de desemprego na zona do euro continuará caindo, de 8,2% em 2018 para 7,7% este ano. Em 2020, a porcentagem de desempregados chegaria abaixo dos níveis anteriores à crise econômica de 2008, em 7,3%.
A inflação seria de 1,4% tanto em 2019 quanto em 2020, em comparação a 1,8% em 2018, afastando-se assim da meta de quase 2% estabelecida pelo Banco Central Europeu (BCE), sinal de uma boa saúde econômica.
Com guerra comercial, China e EUA poderiam desacelerar crescimento
AFP / HECTOR RETAMALHomem caminha por centro financeiro de Xangai em 7 de maio de 2019.
Ao ameaçar impor novas tarifas sobre produtos chineses a partir de sexta-feira, o presidente americano, Donald Trump, intensificou novamente a guerra comercial com Pequim, o que poderia afetar negativamente o crescimento mundial.
- Por que Trump aumentou a pressão? -
Para Donald Trump, o bom momento de Wall Street e da economia americana são indicativos de que os Estados Unidos estão ganhando em seu conflito comercial contra a China. As últimas estatísticas parecem lhe dar razão: a taxa de desemprego nos Estados Unidos caiu em abril a 3,6% (seu nível mais baixo em quase meio século) e o crescimento econômico no primeiro trimestre disparou 3,2% no somado de 12 meses. Em Wall Street, o índice S&P 500 e o Nasdaq bateram recordes na semana passada.
- Como a China reagirá?-
Apesar das últimas sanções dos Estados Unidos, Pequim parece querer reduzir as tensões e confirmou que seu principal negociador, Liu He, visitará Washington nesta semana para retomar as negociações, como planejado.
Como seu homólogo americano, o presidente Xi Jinping pode se proteger na força relativa de sua economia. Embora o PIB tenha caído no ano passado para o seu nível mais baixo em 30 anos, os números do primeiro trimestre (+6,4%) foram melhores do que o esperado.
Além disso, os mercados chineses cresceram quase 20% até agora neste ano.
- Quem tem mais vantagens? -
Trump, acreditam analistas, que enfatizam que Xi deve combinar seu apoio à economia - sobre a qual repousa a legitimidade do partido no poder - com reformas em empresas públicas deficitárias.
Além disso, Pequim deve reduzir seu nível de endividamento considerado "perigoso" pelo FMI.
As autoridades suavizaram sua política monetária nos últimos meses para apoiar a economia. Apesar de "estabilizar a economia no momento", isso não será "nem duradouro, nem livre de complicações", alertou Brock Silvers, diretor da sociedade investimentos e capitais Kaiyuan, em Xangai.
"A China pode se arrepender de perder sua chance de acabar com uma guerra que parece cada vez mais arriscada", considerou.
- E se ninguém ceder? -
"Se eles não se entenderem, a economia chinesa vai sofrer e o crescimento global desacelerará", disse Bao Ting, da corretora Great Wall Securities.
E, mesmo que Pequim não queira provocar a luta, de acordo com Tao Wang, diretor de pesquisa do banco UBS, as mesas podem mudar. "O risco de uma guerra comercial generalizada aumentou consideravelmente", disse ele.
"Está claro que as tensões entre os Estados Unidos e a China são uma ameaça para a economia mundial", disse Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI nesta na terça-feira.
- A China vai ceder às pressões dos Estados Unidos? -
Além de reequilibrar a balança comercial, Washington exige que Pequim realize reformas estruturais, especialmente para acabar com os subsídios às empresas públicas e aprovar regras de concorrência justa para os estrangeiros.
Mas parece improvável que Pequim abandone esta política, que levou ao milagre econômico chinês, disse o economista Christopher Balding, da Universidade Fulbright, em Ho Chi Minh.
"Há duas visões de mundo opostas, entre uma economia capitalista aberta e uma economia comunista fechada", disse ele.
copiado https://www.afp.com/pt
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