Sanções contra Irã elevam tensão na Opep
Présidence iranienne/AFP/Arquivos / -O presidente iraniano, Hassan Rohani, em entrevista coletiva, em 22 de abril de 2019, em Teerã
Para impedir o Irã de exportar petróleo sem implodir o preço dessa commodity, os EUA contam com seus recursos nacionais e com seus aliados no Oriente Médio, na tentativa de desestabilizar um já precário equilíbrio da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) - afirmam analistas.
Em maio de 2018, o governo americano anunciou sua saída do acordo internacional sobre a questão nuclear iraniana e a retomada das sanções sobre as exportações de petróleo.
"No ano passado, os sauditas foram pegos de surpresa, os países no coração da Opep - como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos - aumentaram sua produção para compensar as perdas iranianas, mas isenções foram acordadas pela Casa Branca" no último momento, lembrou o analista Riccardo Fabiani, da Energy Aspects.
Resultado: os preços do petróleo despencaram no quarto trimestre, e a Opep e seus parceiros, entre eles a Rússia, tiveram de ser ainda mais ajustados, quando seu acordo de restrição da produção foi adotado em dezembro.
Como as decisões tomadas pela Opep têm de ser unânimes, foi difícil obter o consentimento do Irã, desconfiado da aliança entre sauditas e americanos para restabelecer as sanções.
"Se a Arábia Saudita ajudar os Estados Unidos, é como se atacasse, indiretamente, o Irã", destacou Bjarne Schieldrop, analista da SEB.
- Novo cerco -
No final de abril, os Estados Unidos decidiram, então, apertar o cerco contra o Irã, cancelando as isenções que permitiam que certos países continuassem comprando o petróleo do país.
Como resultado, as tensões certamente voltarão a aumentar na próxima reunião da Opep, no final de junho em Viena.
"Isso marcará o fim da Opep como nós a conhecemos, quem sabe?", pergunta Shieldrop, sublinhando "a dramática mudança" representada pelo aumento da produção de petróleo nos Estados Unidos, que tornou o país "independente das importações de petróleo".
"Isso implica que os Estados Unidos podem fazer mais ou menos o que quiserem no Oriente Médio", segundo esse analista.
Resta saber se a Arábia Saudita conseguirá manter a unidade da Opep e, ao mesmo tempo, pressionar o Irã.
"Idealmente, a Arábia Saudita gostaria que a Rússia, a Opep e seus parceiros fizessem uma frente comum, porque isso dá a impressão de que o grupo é mais forte", mesmo que apenas um pequeno número de países realmente se esforce para limitar sua produção, acrescentou Shieldrop.
"Uma das possíveis soluções seria que os sauditas parassem de reduzir sua produção além do prometido pela Opep", disse Fabiani.
Para recuperar os preços após sua queda no final de 2018, o reino foi excessivamente prudente e, em março, produziu 9,82 milhões de barris por dia (mbd), contra sua meta de 10,31 mbd.
Agora, porém, os sauditas estão mais cautelosos.
"Eles foram humilhados" pelas isenções acertadas no último minuto pelos americanos, explica Fabiani, que estima que desta vez, Arábia Saudita e Emirados Árabes "vão esperar para ver os efeitos concretos do fim das isenções no mercado antes de aumentar sua produção".
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