Francisco Falcão, que assumiu hoje, disse que vai trabalhar em harmonia com o Supremo Tribunal Federal
Novo corregedor do CNJ quer tirar 'meia dúzia de vagabundos' do Judiciário
Fernando Diniz
Adotando um estilo
mais discreto que o da ministra Eliana Calmon, o novo corregedor
nacional de Justiça, Francisco Falcão, prometeu nesta quinta-feira agir
com "mão de ferro" quando houver corrupção de "meia dúzia de vagabundos"
do Poder Judiciário. Sem criticar sua antecessora, Falcão disse que vai
trabalhar em harmonia com o Supremo Tribunal Federal (STF) e garantiu
que não quebrará o sigilo de magistrados.
"Eu não temo nada. Meu
trabalho será um trabalho todo direcionado para resgatar a boa imagem do
Poder Judiciário. Tirar as maçãs podres que existem no Poder
Judiciário", disse. "A maioria dos juízes é de pessoas boas, mas temos
uma meia-dúzia de vagabundos que precisamos tirar do Judiciário. As
maçãs podres é que precisamos retirar", acrescentou ele. "Eu não temo nada", disse Francisco Falcão Falcão
garantiu que a corregedoria não mudará com a saída de Eliana Calmon,
que se classificou na sua saída do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
como "duríssima¿ e "indiscreta" no combate à corrupção. "É uma missão
que eu procurarei desempenhar com humildade e discrição, como deve se
portar o verdadeiro magistrado, o que não significa tolerância à
corrupção. Onde houver corrupção, a corregedoria agirá com mão de
ferro", prometeu ele.
Durante seus dois anos como corregedora,
Calmon sofreu críticas do então presidente do Supremo Tribunal Federal
(STF), Cezar Peluso, e de associações de magistrados, que chegaram a
acusá-la de quebrar sigilo de juízes e desembargadores. Sem julgar o
trabalho da antecessora, Falcão disse que não cometerá crime no cargo ao
ser questionado se seguirá o trabalho da ministra na investigação de
evolução patrimonial de magistrados. "O que eu não vou é quebrar o
sigilo de ninguém. Quebrar o sigilo é crime. Eu não vou dizer que houve.
Eu não cometerei crime quebrando sigilo sem autorização judicial",
afirmou.
"Nos Estados Unidos, como todos sabem, nenhuma autoridade
tem sigilo. E eu defendo essa tese. Lamentavelmente, no Brasil, nós
temos a nossa Constituição, que garante o sigilo. E nós temos que ser
obedientes à Constituição. Temos que trabalhar para mudar essa
mentalidade. O Brasil está mudando e acredito que, em pouco tempo, nós
alcançaremos essa coisa do primeiro mundo", disse. Atuação junto à PF
Sobre
a segurança de juízes, Falcão disse que atuará em parceria com a
Polícia Federal e com os governos Estaduais. Ontem, a ministra Eliana
Calmon afirmou não ter conseguido acabar com a atuação de integrantes de
milícias na segurança dos tribunais. "Estou trazendo para minha equipe
da corregedoria um policial federal e vamos trabalhar em parceria
constante com a Polícia Federal", afirmou.
Questionado sobre o
caso Patrícia Acioli, juíza morta no Rio de Janeiro com mais de 20
tiros, Falcão foi direto: "espero que os culpados sejam colocados na
cadeia".
Ministro do Superior Tribunal de Justiça, Francisco
Falcão foi corregedor-geral da Justiça Federal entre 2009 e 2011 e deve
permanecer durante dois anos à frente da Corregedoria Nacional.
Tags: cnj, Críticas, falcão, juízes, posse COPIADO http://www.jb.com.br
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