Agentes da Delegacia
de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e da Subsecretaria
de Inteligência (Ssinte) da Secretaria de Estado de Segurança (Seseg),
em parceria com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime
Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro, realizam na
manhã desta quarta-feira (5) a Operação Os Intocáveis para
prender uma organização criminosa formada por políticos exercendo cargos
na Prefeitura e na Câmara de Vereadores do município de Guapimirim, na
Baixada Fluminense.
Os criminosos desviavam, regularmente, há
cerca de quatro anos, mais de R$ 1 milhão por mês de recursos públicos
da Prefeitura – inclusive verba destinada à merenda escolar. Estão sendo
cumpridos sete mandados de prisão e 45 de busca e apreensão, que foram
expedidos pela Seção Criminal do Tribunal de Justiça. Além disso, outras
11 pessoas foram indiciadas, incluindo três vereadores.
Os
mandados de prisão incluem o atual prefeito da cidade, Renato Costa
Mello Júnior (o “Júnior do Posto”); a subsecretária de Governo
licenciada e candidata a prefeito de Guapimirim, Ismeralda Rangel
Garcia; o presidente da Câmara dos Vereadores, Marcelo Prado Emerick
(“Marcelo do Queijo”); o atual secretário de Governo, Isaías da Silva
Braga (“Zico”); e o chefe do Setor de Licitações da Prefeitura, Ramon
Pereira da Costa Cardoso. Também estão sendo com mandados de prisão Ivan
Azevedo Valentino (“Ivan do Gazetão”) e Ronaldo Coelho Amorim
(“Ronaldinho”), que tinham a função de “laranjas” da organização
criminosa.
Os policiais da Draco e da Ssinte se encontram também
na Prefeitura e na Câmara de Vereadores de Guapimirim para cumprir
mandados de busca e apreensão.
O Ministério Público Estadual
denunciou um total de 16 pessoas sob acusação dos crimes de quadrilha
armada, fraude em licitação, corrupção ativa, coação no curso do
processo e peculato, que podem somar até 24 anos de prisão. Entre os
denunciados, que não têm mandado de prisão decretada, estão os
vereadores Iram Moreno de Oliveira (“Iram da Serrana”), Alexandre Duarte
de Carvalho e Marcel Rangel Garcia (“Marcel do Açougue”), que recebiam
mensalmente, cada um, valores entre R$ 50 mil e R$ 80 mil para evitar
que as contas da Prefeitura fossem alvo de fiscalização pela Câmara
Municipal de Guapimirim.
A Operação Os Intocáveis é resultado de
sete meses de investigação da Draco, a partir de uma denúncia recebida.
De acordo com as investigações, o grupo roubava dinheiro público dos
cofres da prefeitura por meio de diversas ações criminosas.
Alguns exemplos:
·Veículos
particulares em nome dos acusados eram alugados para a prefeitura a
preços superfaturados, como no caso de um automóvel ano 1993 que custava
R$ 7 mil por mês aos cofres municipais.
·Notas fiscais
contabilizam a venda de até 60 toneladas de carnes por mês para a
Prefeitura, porém essa quantidade era incompatível com a demanda do
município e com o porte do fornecedor. O mesmo artifício de vendas
fantasmas era usado para fraudar compras de pães e outros alimentos
destinados à merenda escolar.
·O presidente da Câmara dos
Vereadores, “Marcelo do Queijo”, é proprietário de uma empresa de
manutenção de ar-condicionado que prestava serviços para a prefeitura
com notas fiscais superfaturadas. Organização ofereceu propina a policiais
Durante
as investigações, os políticos criminosos procuraram policiais da Draco
para tentar um “acerto”. A Draco pediu autorização judicial para, de
forma simulada, aceitar uma propina, como forma de ganhar a confiança
dos investigados e conseguir mais provas.
Assim, no dia 27 de
julho, policiais se encontraram com os criminosos num posto de gasolina
em Guapimirim para receber a quantia de R$ 800 mil, entregue em notas de
R$ 100 e R$ 50, oferecida como propina pela organização criminosa para
que as investigações fossem encerradas. O dinheiro foi entregue aos
policiais pelo presidente da Câmara dos Vereadores, vereador “Marcelo do
Queijo”, acompanhado de outras pessoas. Chamou a atenção dos policiais o
fato de as cédulas estarem úmidas e com cheiro de esterco, o que leva a
crer que estavam enterradas. Na ocasião, os criminosos disseram que, a
partir de janeiro de 2013, iriam pagar R$ 20 mil mensais para os
policiais, caso a candidata Ismeralda Rangel Garcia ganhasse as eleições
para a Prefeitura de Guapimirim. Criminosos ofereceram R$ 800 mil em propina para que investigações fossem encerradasOs
R$ 800 mil recebidos pela Draco na tentativa de suborno foram
imediatamente depositados numa conta bancária, à disposição da Justiça.
O
prefeito Renato Costa Mello Júnior tem 35 anos, já foi deputado
estadual em 1998 (aos 21 anos de idade) e vice-prefeito de Guapimirim
(2004). Em 2008, tornou-se candidato a prefeito após a candidatura à
reeleição de seu tio, “Nelson do Posto”, ter sido impugnada pelo
Tribunal Superior Eleitoral. “Júnior do Posto” é filho de “Renato do
Posto”, conhecido político de Guapimirim, assassinado em março de 2009.
Sua irmã, “Renata do Posto”, foi deputada estadual, cassada em 2008 por
envolvimento em fraude com o auxílio-educação. Há mais de uma década a
família “do Posto” domina a política da cidade. Renato resolveu não se
candidatar à reeleição e apoiava a candidatura de Ismeralda.
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