Implacável, juiz federal conduz investigação com cautela Justiça Federal nega liberdade a quatro presos na operação Lava Jato


Implacável, juiz federal conduz investigação com cautela 

Implacável, juiz Sérgio Moro conduz com cautela investigação Lava Jato

Caroline Stauffer
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CURITIBA (Reuters) - Em um país com grandes casos legais que muitas vezes se arrastam por mais de uma década e abruptamente se desmoronam em tecnicidades, o homem que lidera um inquérito da operação Lava Jato, que envolve a Petrobras, é descrito por aliados e até mesmo rivais como a pessoa certa para a tarefa.
Meticuloso, formal e reservado, o juiz federal Sérgio Moro tem atuado com sucesso em notórios casos de lavagem de dinheiro por 11 anos, e escreveu um livro sobre o assunto após estudar nos Estados Unidos.
Moro, de 42 anos, está agora avançando com um caso que já resultou em dezenas de prisões de executivos de grandes empresas de construção pesada e de petróleo, que ameaça abalar a economia e tornou-se a maior crise até agora enfrentada pela presidente Dilma Rousseff, que presidiu o Conselho de Administração da Petrobras de 2003 a 2010.
A investigação vai se aprofundar ainda mais nos próximos meses, disseram à Reuters promotores que trabalham no caso, e pode ainda envolver alguns bancos nacionais, outras companhias e políticos, inclusive do PT.
A investigação apontou sobrepreço nos contratos da Petrobras.
Promotores dizem que os recursos, que alguns calculam pode chegar a 8 bilhões de dólares, foram direcionados em parte para para partidos políticos, de acordo com as denúncias. A Petrobras não nega nem confirma as alegações, mas afirmou que iniciou uma investigação interna.
Em um caso que envolve a estatal com 68 bilhões de dólares em ativos e importantes políticos e executivos, dezenas de advogados estão esperando que Moro cometa um deslize.
Mas Moro, um leitor voraz que às vezes vai de bicicleta ao trabalho, fez cursos na escola de direito de Harvard e ensina legislação criminal às sextas-feiras, não deu muitos sinais de que pode escorregar.
"Ele torna difícil o trabalho dos advogados aqui", admitiu Antonio Figueiredo Basto, que representa um dos principais réus no caso. Ele chamou Moro de ?correto, rigoroso e firme após um depoimento esta semana em Curitiba.

OPERAÇÃO LAVA JATO

No escândalo da Petrobras, a Polícia Federal e promotores do Ministério Público juntam as provas, ao passo que Moro toma as principais decisões sobre quem prender ou como conduzir os testemunhos.
Ele foi alvo de críticas, especialmente por representantes do PT, que reclamaram que o vazamento de declarações de testemunhas durante a campanha presidencial deste ano aparentemente ocorreu para prejudicar a campanha de reeleição da presidente Dilma. Moro negou ser o responsável por vazamentos impróprios de informações.
Quando questionado pela Reuters sobre a investigação da operação Lava Jato, Moro mostrou ser discreto, respondendo via e-mail que "infelizmente" ele não poderia comentar sobre o caso. "Espero que você entenda", acrescentou.
Seu currículo inclui uma investigação que ele supervisionou de 2003 a 2007 e que ainda é o maior caso de lavagem de dinheiro do Brasil, o do Banestado, envolvendo 28 bilhões de dólares, e que resultou em 97 condenações.
A experiência levou Moro "a ser ainda mais diligente, mais cuidadoso" para que seu trabalho seja mantido nas cortes mais altas, disse Anderson Furlan, um juiz que fez faculdade com Moro e o conhece há anos.
No caso da Petrobras, Moro recebeu elogios por duas importantes decisões táticas.
A primeira, rara no Brasil, foi permitir a delação premiada.
A promessa de penas reduzidas levou o doleiro Alberto Yousseff, tido como o operador do esquema de lavagem de dinheiro, e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto da Costa a darem os nomes de outros indivíduos e companhias envolvidos no esquema.
Os depoimentos de Yousef e Costa levaram a grandes avanços nas investigações, que resultaram na prisão, na semana passada, de outro ex-diretor da Petrobras e executivos de algumas das principais empreiteiras do país.
O segundo movimento tático de Moro foi perseguir executivos de companhias privadas e de atravessadores primeiro, acumulando provas antes de ir atrás dos políticos envolvidos.
O risco é que se e quando os políticos forem formalmente citados na investigação, Moro pode perder controle do caso, considerando o mecanismo de foro privilegiado que levaria o caso para o Supremo Tribunal Federal.
Por isso Moro recomendou que Youssef, Costa e outras testemunhas não citem nomes de políticos por enquanto em seus depoimentos, de acordo com Furlan e outros assessores.
No entanto, promotores dizem que vão perseguir o rastro do dinheiro no caso, não importa quem esteja envolvido.
"Este esquema não é restrito à Petrobras", disse à Reuters Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos seis principais promotores do Ministério Público no caso, à Reuters.
  
  Justiça nega liberdade a três presos 

Justiça Federal nega liberdade a quatro presos na operação Lava Jato

Do UOL, em Brasília e no Rio
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  • Marcos Bezerra/Futura Press/Estadão Conteúdo
    O presidente da construtora UTC, empresário Ricardo Pessoa, chega preso à Polícia Federal em SP. Ele teve o pedido de liberdade negado pela Justiça O presidente da construtora UTC, empresário Ricardo Pessoa, chega preso à Polícia Federal em SP. Ele teve o pedido de liberdade negado pela Justiça
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou nesta quinta-feira (20) pedidos de habeas corpus a quatro executivos presos durante a sétima fase da operação Lava Jato. Os executivos da Camargo Corrêa Danton Santos Avancini e João Ricardo Auler, o presidente da UTC, Ricardo Ribeiro Pessoa, e o ex-diretor de serviços e engenharia da Petrobras Renato de Souza Duque haviam pedido a revogação das suas prisões temporárias. Eles estão presos desde a última sexta-feira (14) no Paraná, junto com outros sete suspeitos de fazer parte de um esquema de desvio de recursos da Petrobras.

A defesa dos executivos da Camargo Corrêa alegou que a dupla não apresenta periculosidade e que estão colaborando com as investigações. Eles afirmaram, no pedido, que a prisão da dupla seria uma medida muito "drástica" e que estaria sendo utilizada para obter uma "confissão".

Já a defesa do presidente da UTC, Ricardo Ribeiro Pessoa, alegou que não há provas da participação de Pessoa na coação de testemunhas envolvidas nas investigações e que o réu não apresentaria periculosidade e que também está disposto a colaborar com as investigações.
Segundo o tribunal, a defesa de Duque alegou que ele está desligado da Petrobras há dois anos e meio, o que descaracterizaria a possibilidade de reiteração ou continuidade delitiva, e que a Justiça Federal de Curitiba não tem competência para julgar o caso, já que as acusações atribuidas a ele são relativas a acontecimentos em São Paulo ou no exterior.

Em seu voto, o desembargador federal João Pedro Gerbran Neto disse que a prisão dos executivos da Camargo Correa está legalmente fundamentada e ressaltou a suposta importância da participação deles no esquema que vem sendo chamado de "petrolão".
Já em relação ao presidente da UTC, o desembargador afirmou que, em depoimentos prestados por executivos da empresa Toyo-Setal, também investigada pela PF, Ricardo Ribeiro seria uma espécie de "coordenador" de um cartel de empreiteiras que atuava junto à Petrobras para conseguir contratos com a estatal.

"Tratando-se de grupo criminoso de incontável capacidade financeira e havendo registro de tentativa de cooptação de testemunha, é possível e aconselhável o encarceramento cautelar", disse o desembargador em seu voto.
Sobre o ex-diretor da Petrobras, o desembargador afirmou que o questionamento do juízo não deve ser feito por meio de habeas corpus e que os depoimentos de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef apontam Duque como participante do esquema de distribuição de propinas.
Desde a semana passada, todos os pedidos de habeas corpus dos suspeitos presos na operação foram negados. No último domingo (16), a Justiça Federal do Paraná já havia negado 11 pedidos de habeas corpus para suspeitos presos durante a sétima fase da operação Lava Jato. Há pelo menos outros dois habeas corpus tramitando no STF, mas que ainda não foram analisados.

A operação investiga um esquema de desvio de recursos públicos da Petrobras avaliado em R$ 10 bilhões.
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Saiba quem são os citados na Operação Lava Jato54 fotos

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PAULO ROBERTO COSTA, O DELATOR - Investigado pela Operação Lava Jato da Polícia Federal, que apura esquema bilionário de lavagem de dinheiro, Paulo Roberto Costa é ex-diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras, cargo que ocupou entre 2004 e 2012. Foi preso em março deste ano por tentar ocultar provas que o incriminavam. Solto em maio, foi preso novamente em junho, e fez acordo de delação premiada com a PF em agosto, o que possibilitaria uma redução de sua pena em caso de condenação. Em depoimentos gravados feitos à polícia, ele cita, segundo a revista "Veja", ao menos 25 deputados federias, 6 senadores, 3 governadores, um ministro de Estado e pelo menos três partidos políticos (PT, PMDB e PP), que teriam recebido propina de 3% do valor dos contratos da estatal Leia mais Renato Costa/Frame/Folhapress


copiado  http://noticias.uol.com.br/

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