27/01/2012 08h13 - Atualizado em 27/01/2012 08h41
Parentes passam a noite na Câmara em buscam de notícias de vítimas
No local, psicólogos dão apoio às famílias de desaparecidos.
'O prefeito determinou que fiquemos aqui 24 horas por dia', diz secretário.
Até o fim da madrugada desta sexta, seis corpos foram localizados. Segundo a Polícia Civil, quatro vítimas foram identificadas. São elas: Celso Renato Braga Cabral, Cornélio Ribeiro Lopes, Margarida Vieira de Carvalho e Nilson de Assunção Ferreira. Parentes também identificaram o corpo do catador de lixo Moisés Moraes da Silva. Celso Renato será enterrado na manhã desta sexta, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio.
Dos 20 desaparecidos, dez faziam cursos no maior prédio, o de 20 andares, que ruiu meia hora antes do fim da aula. Eles são funcionários da maior empresa do prédio, a TO (Tecnologia Organizacional), que tinha salas nos andares 3, 4, 6, 9, 10 e 14.
Entre os desaparecidos estão Bruno Gitahy e Kelly Meneses. Bruno chegou a falar com a mãe, avisando que não o esperasse para o jantar. De 24 anos, uma das mais novas do grupo, Kelly trabalhava no local desde os 19 anos.
Flávio Porrozzi, também funcionário da empresa, chegou a falar com a noiva Tatiana de madrugada, mas só disse duas palavras: “Oi, amor”. Seu celular perdeu a conexão.
O secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, que coordena o atendimento às famílias e aos amigos dos desaparecidos, explicou como é feito o reconhecimento dos corpos.
“Assim que a Defesa Civil avisa que encontrou corpo, ou sobrevivente, informamos as famílias. As características do corpo são dadas, e se algum parente identificar alguma semelhança, conduzimos essa família ao Instituto Médico Legal para que ela possa realmente fazer o reconhecimento desse familiar que foi encontrado”, disse ele.
Bethlem disse que cerca de 26 famílias procuraram notícias de desaparecidos, mas até que terminem as buscas esse número pode oscilar.
"Pode haver gente sendo procurada que não esteja aqui nos escombros. O que o prefeito Eduardo Paes determinou é que fiquemos aqui 24 horas por dia acompanhando essas famílias no sentido de dar a elas todo o conforto, toda orientação, e todo o apoio possível. Muitos dormiram na Câmara, estamos provendo comida, água, café para dar o mínimo de todo o conforto para quem está vivendo esse momento de tanto sofrimento", disse Bethlem.
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Buscas por mais 48 horasTambém na madrugada desta sexta, o secretário estadual de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões, informou que as buscas vão continuar por mais 48 horas na área dos escombros do desabamento.
"A gente corre contra o tempo. Eu trabalho com uma margem de 48 horas. Esse é um prazo que eu estou me impondo para encerrar as buscas", disse o coronel, acrescentando que, após esse prazo, o trabalho de retirada dos escombros será de competência da prefeitura.
Para Simões, o modo como o desabamento parece ter ocorrido dificulta ainda mais as buscas. "É essa nossa estimativa (de mais dois dias de trabalho) em razão da dificuldade que a gente está encontrando. O volume de material é muito grande. A essa altura já era para nós termos encontrado mais corpos, mas a sobreposição das lajes efetivamente é um dificultador", avaliou.
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