CRISE SEM FIM Denúncia de Janot inclui fala de Lúcio Funaro

CRISE SEM FIM

Denúncia inclui fala de Funaro

Acusação contra Temer, que está sendo preparada por Janot, cita pressão de Geddel a doleiro





Michel Temer
Na mira. Presidente Temer deve ser alvo de denúncia por parte do Ministério Público Federal (MPF) até o início da próxima semana

PUBLICADO EM 12/06/17 - 03h00
BRASÍLIA. O procurador geral da República, Rodrigo Janot, deverá apresentar denúncia contra o presidente Michel Temer e o ex-assessor Rocha Loures até a segunda-feira da próxima semana. O texto ainda está sendo alinhavado, mas a tendência é que o procurador mantenha as acusações de corrupção, organização criminosa e obstrução à Justiça, que já pesam contra Temer. A denúncia deve aumentar a pressão sobre o governo, que tem o presidente e dois terços dos ministros investigados por corrupção.

Os crimes atribuídos a Temer já foram descritos no pedido que deu origem à abertura de inquérito contra ele e Loures no Supremo Tribunal Federal (STF). Agora, deverão ser reforçados pelo resultado do material apreendido no início da fase pública da operação Patmos e pelo depoimento de Lúcio Bolonha Funaro, entre outras provas obtidas ao longo dos últimos dias. A denúncia deverá conter ainda o resultado da perícia sobre a gravação da conversa entre Temer e Joesley Batista, um dos donos da JBS, na noite de 7 de março, no Palácio do Jaburu.

Neste contexto, ganham peso as declarações de Funaro sobre o assédio do ex-ministro Geddel Vieira Lima que, até deixar o governo, era um dos dois mais próximos de Temer. No depoimento à PF na semana passada, Funaro disse que o ex-ministro teria ligado algumas vezes para a mulher dele recentemente. Geddel queria saber se Funaro iria mesmo fazer delação. Para investigadores, a confissão de Funaro confirma um dos principais trechos da comprometedora conversa de Temer com Joesley, no porão do Jaburu.

Na conversa, Temer indicou Loures para substituir Geddel com liberdade para tratar de “tudo” com um dos donos da JBS. O presidente fez a indicação depois de ouvir do empresário que, com o ex-ministro fora de circulação, precisava de um novo interlocutor para tratar dos interesses dele no governo. Dias depois, o roteiro traçado na conversa com Temer é cumprido à risca. Loures sai a campo para negociar cargos e decisões estratégicas com Batista. As conversas foram devidamente gravadas.

Depois dos acertos iniciais com Batista, Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil de Ricardo Saud, executivo e operador de propina da JBS. O dinheiro seria a primeira parcela de um suborno que, ao longo de 25 anos, superaria R$ 600 milhões pelas contas da Polícia Federal. Os pagamentos estariam condicionados ao atendimento de interesses da JBS e ao sucesso dos negócios escusos da empresa com o governo.

Em relação à gravação da conversa de Joesley e Temer, os peritos disseram inicialmente que a análise se arrastaria por mais de um mês. Mas, logo depois, informaram aos investigadores que o trabalho poderia ser concluído antes do prazo. Com isso, Janot estaria livre para incluir o laudo na denúncia. O trabalho do Instituto Nacional de Criminalística está sendo mantido em sigilo. Mas investigadores já emitiram sinais de que a perícia reafirmará que não houve adulteração do conteúdo da conversa. O próprio presidente já confirmou os trechos centrais da conversa.

Para o procurador geral, ao tratar do diálogo publicamente, Temer acabou ratificando, de forma extra-judicial, a conversa com o empresário. Para investigadores, as provas recolhidas até o momento são fortes e isso explicaria a reação do presidente, que não quis responder a nenhuma das 82 perguntas encaminhadas a ele pela Polícia Federal.


Janot ligará Temer à mala de dinheiro que Loures recebeu

Na denúncia que pretende apresentar nos próximos dias, o procurador geral da República, Rodrigo Janot, pretende ligar o presidente Michel Temer (PMDB) ao recebimento da mala com R$ 500 mil pelo ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), preso desde o último dia 3.

De acordo com o jornal “Folha de S.Paulo”, na avaliação dos investigadores, o conjunto de provas reunidas sobre a propina acertada com a JBS só faz sentido se forem considerados a influência e o poder de Temer. Por isso, a denúncia juntará os pontos que envolvem o presidente nos episódios.

Procuradores entendem que não seria necessário provar que Temer recebeu o dinheiro da mala, mas apenas que teve atuação na operação para o seu recebimento por Loures. Como o ex-assessor agendou a reunião de Temer com o dono da JBS, houve a orientação do presidente para o empresário tratar com o ex-deputado, o diálogo do acerto da propina e o flagra da entrega da mala, isso estaria comprovado.

Um dos principais indícios de que o acerto envolveu Temer, na avaliação dos investigadores ouvidos pelo jornal, está em diálogo, entre Loures e o executivo da JBS Ricardo Saud, gravado pela Polícia Federal em um café em São Paulo.

A conversa antecedeu o recebimento da mala, entregue por Saud, e deixou implícita a existência de uma terceira pessoa por trás do acordo, segundo integrantes da investigação. No diálogo, aparece a menção a “presidente”.

O prazo de dez dias para a Polícia Federal entregar o relatório do inquérito à Procuradoria Geral da República terminaria na terça-feira, mas a PF pediu a prorrogação. Após o relatório, Janot tem cinco dias para oferecer a denúncia, mas pode adiantá-la.

Para o plenário do STF transformar Temer em réu, é preciso autorização de dois terços da Câmara dos Deputados. Se após esse aval a denúncia for recebida pelo STF, o presidente tem que ser afastado por 180 dias.
Viagem. Auxiliares do presidente temem que Rodrigo Janot ofereça a denúncia antes de Michel Temer (PMDB) embarcar para compromissos na Rússia, o que está agendado para o dia 19.
FOTO: ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDO – 13.3.2017
Rodrigo Janot
Janot deixa o cargo em setembro e Temer escolherá o substituto


Presidente cogita ignorar lista tríplice

O presidente Michel Temer vai analisar outras opções, além da lista tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), para a escolha do sucessor de Rodrigo Janot no comando da Procuradoria Geral da República (PGR). Caso isso aconteça, o presidente vai romper com uma tradição (ele não é obrigado pela lei a aceitar a indicação da associação) de indicar o nome mais votado pelos procuradores entre três apresentados pela entidade.

A disputa pela cadeira de procurador geral ganhou atenção especial desde que Ministério Público Federal (MPF) e Palácio do Planalto entraram em rota de colisão. O novo chefe do MPF assumirá em setembro, quando vence o mandato de Janot.

Oito subprocuradores se inscreveram para concorrer na eleição interna organizada pela ANPR. Todos defendem a continuidade das investigações da operação Lava Jato. A votação que definirá a lista tríplice da categoria será no fim deste mês.

Constitucionalmente, o presidente da República não precisa escolher o procurador geral entre os nomes aprovados pela ANPR. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) não seguiu a lista votada pela associação, em 2001, quando a iniciativa foi inaugurada pela instituição.

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