O que Meirelles sabe e que nós não sabemos?
Convenhamos que, em qualquer situação política que se agarrasse ao mínimo de lógica, seria impensável que o Ministro da Fazenda dessa, de viva voz, uma declaração como esta que o Estadão publica como manchete: concorrer contra seu próprio chefe. Menos ainda quando ostenta, com boa-vontade, perto de 1% das preferências eleitorais.
Meirelles, esperto o suficiente para sair da presidência da organização empresarial dos irmãos Batista sem virar carvão, sabe que não tem absolutamente nada – nem mesmo um partido político – a garantir-lhe a pretensão de candidatar-se e, menos ainda, a de vencer.
Mas sabe, ao mesmo tempo, que Temer tem, ao menos por enquanto, as mãos amarradas quanto a substituí-lo. E com mais cordas ainda se for mesmo candidatar-se à reeleição.
Na matéria do Estadão, a pista para entender o que se passa: “interlocutores do ministro dizem que, com o fracasso da reforma da Previdência, ele ficou sem sua principal bandeira: o ajuste das contas públicas”.
Como Meirelles terá de sair até o final de março para ser candidato e descarta continuar a ser ministro da Fazenda apenas – ” é uma etapa cumprida”, disse – está marcado, em última instância, o prazo de sua permanência.
E, como se sabe, o período “la garantía soy yo” que ele marcou no comando a economia.
Há sinais de um “d’aprés moi le deluge”?
O dia dos heróis virarem vilões por sua própria vaidade
Segundo Daniela Lima, do Painel da Folha, “cerca de 100 magistrados federais iniciaram movimento para convencer colegas a iniciar uma paralisação. O grupo ficou revoltado com o fato de a presidente do STF, Cármen Lúcia, ter marcado para 22 de março o julgamento que pode extinguir o auxílio-moradia.”
Ridículo.
Primeiro, porque não se pode fazer ideia em que uma “paralisação” dos juízes, já tão lentos quando “não vem ao caso” expor a “dureza” com que querem ser reconhecidos como os “moralizadores” e os ferrabrases.
Segundo, porque não haverá o que possa tornar palatável pela sociedade uma greve de servidores públicos que já recebem vencimentos que furam, duplicam e até triplicam, algumas vezes, o teto constitucional.
Mesmo o avantajado topete de Luiz Fux não será capaz de fazer com que a flagrante impropriedade de um “auxílio-moradia” distorcido ao ponto de virar “complemento salarial” e, ainda pior, ser “justificado” por magistrados, como Sérgio Moro, a este título.
Todos serão cancelados e, de cambulhada, lá se vão os mesmos penduricalhos para os procuradores, embora quanto a estes permaneça, ainda, a caixa-preta de diárias, pagas por meses e anos a fio, com designações para outros estados onde, todos sabem, já efetivamente residem.
Lambam os beiços, como dizia a minha avó, porque dificilmente serão obrigados a fazer o que se deve fazer com recebimentos indevidos: devolver.
Não é preciso ter as luzes jurídicas de “suas excelências” para saber que auxílio-moradia é para aquele que tem, em razão do serviço, de viver temporariamente fora de sua cidade, de seu estado.
Mas, talvez, a eles falte a compreensão que isso é o resultado da máquina de midiatização da Justiça que eles próprios puseram em marcha. E da grita contra os privilégios, sendo eles próprios privilegiados.
Cármen Lúcia, que não hesita em engavetar questões essenciais das garantias, como o absurdo da prisão antes do trânsito em julgado de condenações, não resiste à pressão criada pelos escândalos gerados justamente por dois dos “paladinos” judiciais: Marcelo Bretas, e eu “auxílio dose-dupla” e Sérgio Moro.
A mídia que tornou juízes heróis vai tripudiar no dia 22 de março, quando serão expostos, em sua própria casa, como vilões.
copiado http://www.tijolaco.com.br/blog/
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