África
Nigéria: jovens sofrem até 15 estupros diários em cativeiro
04 de maio de 2014 • 12h44
• atualizado às 12h45
Nigéria: jovens sofrem até 15 estupros diários em cativeiro
As autoridades suspeitam que o sequestro foi praticado pelo grupo Boko Haram
Um grupo de mães das reféns protestou recentemente em frente à Assembleia Nacional da Nigéria
Foto: EFE
Uma das meninas sequestradas na Nigéria revelou que as
reféns mais jovens sofrem até 15 estupros por dia. Segundo o site
nigeriano The Trent, a menor é uma das dezenas de meninas que foram
raptadas no dia 14 de abril em uma escola de Chibok, nordeste da Nigéria
- ela conseguiu escapar do cativeiro recentemente.
As autoridades suspeitam que o sequestro foi praticado
pelo grupo Boko Haram, nome que em língua local significa "a educação
não islâmica é pecado". A milícia radical luta para instaurar a lei
islâmica (sharia) no norte da Nigéria, de maioria muçulmana, enquanto o
sul do país é predominantemente cristão.
A jovem disse que os sequestradores obrigaram as meninas
a se converterem ao islamismo e ameaçavam degolá-las se negassem fazer
sexo ou não seguissem suas instruções. Ela ainda afirmou ter
sido entregue como esposa a um dos líderes da seita, por ser virgem.
Depois do sequestro, as crianças foram levadas a um
campo da milícia fundamentalista na floresta de Sambisa, no norte do
país e base espiritual e de operações do grupo - dezenas delas ainda
seguem em cativeiro.
Em 2009, a polícia matou o líder do grupo, Mohamed
Yusuf. Desde então os radicais mantém uma sangrenta campanha que já
deixou mais de três mil mortos.
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Repercussão
De acordo com organizações de direitos humanos, as
menores foram obrigadas a se casar e, em alguns casos, os sequestradores
as venderam como esposas por duas mil nairas cada uma (pouco menos de
R$ 30). Entidades como a ONU e personalidades como o prêmio Nobel de
Literatura, Wole Soyinka, pediram a libertação das meninas, assim como
campanhas pela internet e manifestações em cidades de todo o mundo.
O número de menores sequestradas ainda não foi
esclarecido. Em um primeiro contato, a polícia informou que 200 meninas
tinham sido raptadas, mas depois o exército diminuiu este número para
129. Já os pais das crianças afirmam que 234 estudantes foram feitas
reféns. Além disso, existe confusão sobre o número de meninas libertadas
até o momento.
Um grupo de mães das reféns protestou recentemente em
frente à Assembleia Nacional da Nigéria para denunciar a falta de
informação por parte do governo sobre o caso e exigir mais esforços para
o resgate.
Com 170 milhões de habitantes distribuídos em mais de
200 grupos tribais, a Nigéria, o país mais populoso da África, sofre
múltiplas tensões por suas profundas diferenças políticas, religiosas e
territoriais.
COPIADO http://noticias.terra.com.br/
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