
Bombeira com leucemia corre contra o tempo
03/05/2014 08h00
- Atualizado em
03/05/2014 08h00
Bombeira luta por transplante de medula: 'Corrida contra o tempo'
Amigos lançaram campanha na internet para encontrar doador compatível.
Soldado foi diagnosticada com leucemia em março de 2013, em Jataí, GO.
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Ela foi diagnosticada com Leucemia Linfóide Aguda (LLA) em março de 2013. De acordo com Suzeli, não houve muitos sintomas aparentes. “Eu apenas me sentia fraca durante as ocorrências e isso foi ficando mais frequente”, relatou.
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A doença é provocada por uma produção anormal de leucócitos, células de
defesa responsáveis pelo combate e eliminação de estruturas químicas
estranhas ao organismo. O tratamento com quimioterapia durou até
novembro do ano passado e obteve bons resultados. Desde então, Suzeli
fazia apenas acompanhamento médico, além de tomar os medicamentos
necessários.Porém, no início de abril deste ano, a leucemia retornou, e de maneira mais agressiva. Por isso, agora a única esperança de cura é conseguindo um doador de medula óssea compatível. A chance de compatibilidade é de uma a cada 1 milhão de pessoas, segundo a soldado. “É o extremo: antes eu corria para salvar a vida das pessoas que nos chamavam. Hoje eu preciso correr para salvar a minha”, disse Suzeli, sem desanimar.
Campanha
Depois que não foi possível encontrar um doador entre os parentes, os cerca de 50 bombeiros de Jataí se solidarizaram com a causa e todos se cadastraram no banco de doadores de medula óssea. O exemplo está sendo seguido por colegas de Suzeli em várias cidades do estado e ganhou apoio da população. “Membros da corporação em outras cidades também já fizeram o cadastro e estamos contando com o apoio de policiais militares, que estão fazendo o teste de compatibilidade com a soldado Suzeli”, disse o tenente-coronel dos bombeiros Leonardo Rodrigues de Afonseca.
A campanha lançada pelos amigos e familiares também foi atingiu as redes sociais e está tomando proporções que nem a própria soldado imaginava ser possível. “Tem mensagens do país inteiro de pessoas querendo me ajudar, dizendo que já se cadastraram no banco de doadores. A cada mensagem que chega é como se fosse um passo mais próximo da cura. É o que tem me dado ânimo, ver que não estou lutando sozinha”, disse a bombeiro.
Ela se diz feliz ainda porque sabe que quanto maior o número de doares cadastrados no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), maior será a chance de outras pessoas que têm doença também se salvarem. “A campanha foi estruturada em cima da soldado Suzeli, mas também vai beneficiar a todos que precisam de transplante de medula no país, pois estamos ajudando a aumenta o número de candidatos cadastrados”, disse o tenente-coronel Afonseca.
bombeiros Suzeli Ferreira (Foto: Arquivo Pessoal)
Suzeli afirma que uma das coisas mais legais de toda essa campanha na internet é difundir informação para o máximo de pessoas e aumentar o número de pessoas cadastradas no banco de doação de medula óssea. “As pessoas não têm muita informação sobre o processo, acham que é como se fosse doar um órgão, que vai fazer falta para elas futuramente, e não tem nada disso”, explicou.
O primeiro passo é realizar o cadastro para saber se o candidato é geneticamente compatível com a pessoa que precisa da doação. Para isso, é preciso ter entre 18 e 54 anos e preencher um formulário com os dados pessoais nos hemocentros municipais. Em Goiás, é possível se cadastrar no Hemocentro de Goiânia, Catalão, Ceres, Rio Verde e Jataí.
Após responder ao formulário, será coletada uma pequena amostra de sangue, entre 5 ml e 10 ml para fazer o teste de compatibilidade. Todo o processo dura cerca de 20 minutos. A partir desse momento, o candidato fará parte do Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea e pode ajudar pacientes que precisam do transplante em todo o país.
Em caso de compatibilidade, serão feitos exames complementares e para realizar a doação. No procedimento, a medula óssea é retirada do interior do osso da bacia, por meio de punções e sob anestesia. O doador se recupera em 15 dias e o organismo também repõe a medula doada em poucos dias.
“É um pequeno gesto que mostra que não precisa ser bombeiro, ser graduado ou ser médico para salvar vidas. Qualquer um é capaz”, diz Suzeli.
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