Direitos Humanos Agência Brasil inicia amanhã série Direitos das Crianças no país da Copa

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    Agência Brasil inicia amanhã série Direitos das Crianças no país da Copa

    • 05/05/2014 09h46
    • Brasília
    Juliana Russomano e Juliana Cézar Nunes – Repórteres da EBC Edição: Lílian Beraldo
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    No ano em que o Brasil recebe a Copa do Mundo e a seleção brasileira comemora seu centenário, a expectativa é que o turismo bata recorde e que o país feche 2014 com mais de 10 milhões de visitas.
    Se, por um lado, o aumento no turismo aquece a economia, movimenta o comércio e aumenta a procura por serviços, por outro, traz problemas como os preços abusivos, o consumo desenfreado e até contribui para agravar a situação de crianças e adolescentes vulneráveis às redes de trabalho infantil e exploração sexual.
    No jogo de altos investimentos, grandes obras e seleções estrelares, o elo mais fraco é a criança que, ao contrário do mascote da Copa, o tatu-bola, não pode se proteger dentro de uma carapaça.
    A Copa do Mundo encanta as crianças e estimula a prática esportiva. Mas as cidades-sede ainda enfrentam enormes desafios para assegurar o direito ao esporte, engajar as escolas no combate ao racismo e garantir os direitos de meninos e meninas em situação de rua. As remoções para a construção de obras viárias colocaram em risco o direito à convivência comunitária e não contribuíram para a criação de novos espaços de lazer.
    Desde março, equipes de reportagem da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) percorreram as 12 cidades-sede da Copa e fizeram uma radiografia de como estão sendo tratados os direitos das crianças e dos adolescentes. Onde ainda é preciso avançar? O que a sociedade tem feito para garantir esses direitos? Como terminar a Copa com um legado positivo para a infância e adolescência?
    A bola ainda não começou a rolar nos gramados, mas as denúncias sim. Em São Paulo, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Exploração Sexual Infantil da Câmara Municipal recebeu relatos de que aliciadores estavam oferecendo garotas de 11 a 17 anos para os operários da obra. E em Cuiabá, do início da construção da Arena Pantanal até agora, o número de casos de exploração sexual infantil triplicou.
    Para reverter essa realidade, iniciativas comunitárias e de organizações não governamentais (ONGs) incentivam a prática de atividade física e veem nos grandes eventos a oportunidade de promover o esporte.
    “A gente recebeu não só a Copa, mas também as Olimpíadas, como o momento ideal para  promover o esporte, conscientizar e mobilizar para a melhoria das políticas públicas esportivas no Brasil”, destaca a assessora para políticas públicas da ONG Atletas pelo Brasil, Sílvia Gonçalves.
    O trabalho das redes de proteção, entretanto, não acompanha o rápido desenvolvimento das redes de exploração. Além disso, a falta de denúncias dificulta a apuração das autoridades. Outro entrave é a situação familiar de pobreza.
    “O combate à exploração sexual infantil não é fácil. A vítima não se sente sente vítima, as famílias, de certa forma, se locupletam com o dinheiro da exploração sexual da família. Então tem-se a notícia de que aquela adolescente é vítima de exploração sexual, mas quando você vai ouvir a menina, vai ouvir os parentes, a resposta é não”,  diz a delegada de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente de Fortaleza, Ivana Timbó.
    A partir de amanhã (6), a Agência Brasil publica a série de reportagens Direitos das Crianças no País da Copa. O projeto que deu origem a essa série foi vencedor da Categoria Rádio do 7º  Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo, realizado pela Andi, Childhood Brasil e pelo Fundo das Nações Unidos para a Infância (Unicef).
    As matérias trarão os principais problemas encontrados nas cidades-sede e algumas das iniciativas encabeçadas pela sociedade civil ou pelos governos para prevenir ou frear casos de exploração de crianças.
    Para a empreitada, foram escalados os repórteres Akemi Nitahara, Beatriz Pasqualino, Bruno Bocchini, Danyele Soares, Isabela Vieira, Liliane Farias, Raquel Júnia, Sheily Noleto e Tchérena Guimarães. Também participaram do projeto os repórteres fotográficos Antonio Cruz, José Cruz, Fabio Pozzebom, Marcello Casal Jr, Tânia Rêgo, Tomaz Silva, Valter Campanato e Wilson Dias.
    As matérias serão publicadas até o dia 21 de maio.
    COPIADO  http://agenciabrasil.ebc.com.br/

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