Ucrânia acusa Moscou de querer destruir país, ataque em Odessa Premiê ucraniano culpa russos por tragédia em Odessa Pró-russos atacam sede da polícia ucraniana em Odessa (AFP)

 
  • 04/05/2014 - 18:00

    Ucrânia acusa Moscou de querer destruir país, ataque em Odessa

     


    Militantes pró-Rússia são libertados por policiais em Odessa, no sul da Ucrânia, no dia 4 de maio de 2014
    A Ucrânia acusou a Rússia de tentar destrui-la depois do aumento das ações separatistas no leste do país e da violência em Odessa, onde os pró-russos atacaram neste domingo um prédio da Polícia.
    Mais de 2.000 pró-russos atacaram na tarde deste domingo a sede da Polícia na cidade portuária do sul, contatou a AFP.
    Os agressores, armados com bastões, derrubaram um primeiro portão com dois caminhões, exigindo a libertação de seus companheiros detidos na sexta-feira depois dos confrontos entre pró-russos e defensores da unidade ucraniana. Esses episódios de violência causaram um incêndio criminoso que deixou mais de 40 mortos, principalmente militantes separatistas.
    "O que aconteceu em Odessa faz parte do plano da Federação da Rússia para destruir a Ucrânia e seu Estado", havia acusado pouco antes o primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk, que chegou durante a manhã a Odessa.
    "O objetivo da Rússia era repetir em Odessa o que acontece no leste do país", acrescentou. "É um plano financiado e organizado por profissionais que manipularam pessoas comuns, mas nossa união será a melhor resposta a esses terroristas".
    Este domingo marca o segundo dia de "luto nacional" para as vítimas da tragédia de Odessa.
    Usando terno e gravata pretos em sinal de luto, Arseni Yatseniuk anunciou a destituição das autoridades da Polícia na cidade.
    Testemunhas em Odessa contaram à AFP o drama de sexta-feira. O incêndio, segundo eles, foi causado por causa de uma vingança de milhares de torcedores de futebol e manifestantes pró-Ucrânia, revoltados por terem sido violentamente atacado antes por militantes pró-russos.
    Uma multidão enfurecida destruiu um acampamento de ativistas pró-Rússia, antes de cercar a Casa dos Sindicatos, onde os militantes tinham se refugiado. O prédio foi incendiado com coquetéis molotov, deixando dezenas de pessoas sem ter como sair.
    - "Ira divina" -
    O patriarca ortodoxo de Kiev, Filaret, também acusou a Rússia: "Os serviços especiais russos estão por trás desta onda de violência e dos atos terroristas. O governo russo e o presidente (Vladimir) Putin são pessoalmente os responsáveis", disse Filaret neste domingo.
    Falando diretamente à Rússia e a seus líderes, ele acrescentou: "Parem, não multipliquem seus pecados, não provoquem um novo banho de sangue. Não aticem a ira divina!".
    A noite de sábado para domingo foi de grande tensão no leste, com vários incidentes e atos de violência na região mineradora oriental de Donbass, na fronteira com a Rússia, que reúne as regiões de Lugansk e Donetsk.
    Incidentes foram registrados na noite de sábado em Lugansk, Donetsk, Mariupol. Postos de controle rebeldes foram destruídos em combates noturnos perto de Kostiantynivka.

    Pró-russos tentam invadir a sede da polícia em Odessa, no sul da Ucrânia, em 4 de maio de 2014
    Em Kramatorsk, ainda sob controle dos rebeldes neste domingo após o ataque do Exército a um posto de controle no sábado, "as pessoas estão com muito medo", disse o militante pró-russo Artiom Gaspogrian. "Ninguém acreditava que fosse haver operações militares em Kramatorsk".
    Em Slaviansk, o ambiente era de relativa calma após a libertação de uma equipe de observadores da OSCE no sábado, após oito dias de sequestro por insurgentes pró-russos.
    Em Kharkiv, cerca de 500 militantes separatistas ignoraram uma proibição a manifestações e se reuniram diante de um monumento a Lenin gritando que "não esquecerão" e "não perdoarão" os eventos em Odessa. "Slaviansk, cidade heroica", gritavam.
    "Depois do fim da operação em Slaviansk e em Kramatorsk, vamos chegar a uma fase ativa da operação nas outras cidades" controladas pelos separatistas, havia alertado na noite de sábado o secretário do Conselho de Segurança Nacional e de Defesa, Andrei Parubi.
    - "Sangue corre na Ucrânia" -
    A Rússia denunciou neste domingo um "bloqueio" nas informações divulgadas ao Ocidente sobre os "eventos trágicos" na Ucrânia.
    "Até nos círculos da OSCE, ninguém sabe que o sangue corre na Ucrânia e que o Exército atira em pessoas desarmadas. De que liberdade de manifestação e de imprensa se pode falar em tais condições?", protestou o Ministério das Relações Exteriores russo.
    A Rússia, que os ocidentais e Kiev acusam de coordenar as ações separatistas no leste, havia considerado "no mínimo absurdo falar de eleições" na Ucrânia no contexto atual de violência, enquanto uma eleição presidencial antecipada está prevista para 25 de maio para eleger o sucessor de Viktor Yanukovytch, derrubado em fevereiro.
    O jornal alemão Bild am Sonntag indicou que dezenas de especialistas dos serviços de inteligência americana e do FBI estão prestando assessoria ao governo ucraniano para ajudá-lo a acabar com a rebelião no leste e organize um esquema de segurança eficaz.
    O Bild indicou que os agentes não estão diretamente envolvidos em confrontos com os separatistas. "Sua atividade está limitada à capital, Kiev", segundo o diário.
 

Pró-russos atacam sede da polícia ucraniana em Odessa (AFP)


Ativistas pró-Rússia sobrem na janela da sede da Polícia de Odessa, no sul da Ucrânia, no dia 4 de maio de 2014
Mais de 2.000 pró-russos atacaram neste domingo a sede da Polícia em Odessa, cidade do sul da Ucrânia, depois dos episódios de violência que deixaram mais de 40 mortos na sexta-feira, constatou um jornalista da AFP.
Os agressores, armados com bastões, derrubaram um primeiro portão com dois caminhões, exigindo a libertação de seus companheiros detidos na sexta-feira depois dos confrontos entre pró-russos e defensores da unidade ucraniana. Esses episódios de violência causaram um incêndio criminoso que deixou mais de 40 mortos, principalmente militantes separatistas.
Os policiais entrincheirados dentro do prédio começaram a soltar um a um os suspeitos detidos na sexta, que foram saudados pela multidão coo heróis.
Antes do ataque, entre 2.000 e 3.000 pessoas estavam reunidas embaixo de chuva diante da sede da Polícia, aos gritos de "Fascistas!".
Os policiais que estavam diante do prédio foram agredidos por mulheres com guarda-chuvas.
 
 
04/05/2014 - 14:50

Premiê ucraniano culpa russos por tragédia em Odessa

Premiê ucraniano culpa russos por tragédia em Odessa


O primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk, culpou a Rússia pelo incêndio que matou mais de 40 pessoas na sexta-feira em Odessa (sul). Foto de 16 de abril de 2014
O incêndio no prédio da Casa dos Sindicatos de Odessa (sul), que deixou mais de quarenta mortos na sexta-feira, faz parte de um plano russo para destruir a Ucrânia, declarou neste domingo o primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk.
"O que aconteceu em Odessa faz parte do plano da Federação da Rússia para destruir a Ucrânia e seu Estado", afirmou Yatseniuk durante uma entrevista coletiva à imprensa em Odessa, depois de uma série de encontros com representantes das autoridades locais e da sociedade civil da cidade.
"A Rússia enviou pessoas para cá para causar o caos, mas o país deve se unir e se reconciliar para não dar aos terroristas apoiados por Moscou a chance de dividir nosso povo", prosseguiu.
"O objetivo da Rússia era repetir em Odessa o que acontece no leste do país", acrescentou. "É um plano financiado e organizado por profissionais que manipularam pessoas comuns, mas nossa união será a melhor resposta para esses terroristas".
Ele a anunciou que, em consequência dos eventos de 2 de maio, todas as autoridades responsáveis pela segurança da cidade tinham sido destituídos de seus postos e seriam substituídas, por terem falhado no cumprimento de seu dever.
Usando terno e gravata pretos em sinal de luto, Arseni Yatseniuk manifestou suas "condolências às famílias das vítimas dessa tragédia" e garantiu que "a justiça vai iniciar investigações para determinar quem não fez o seu dever".
 COPIADO  http://www.afp.com/

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