Advogado orienta Temer a não responder a perguntas da PF sobre gravações de Joesley
Denúncia contra Temer e Rocha Loures deve ser enviada ao STF na semana que vem
PGR deve incluir respostas do presidente às perguntas feitas pela Polícia Federal
BRASÍLIA — Não importa o resultado do julgamento que o
presidente Michel Temer enfrentará a partir desta terça-feira no
Tribunal Superior Eleitoral, os problemas que põem em risco o seu
mandato estão longe de acabar. Na próxima semana, o
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deverá apresentar ao
Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia contra Temer e o ex-assessor
Rocha Loures. Na trilha da denúncia, a Polícia Federal entregou na
segunda a Temer uma lista com 84 perguntas sobre ele, Loures e a a
entrega de dinheiro ordenada pelo empresário Joesley Batista, um dos
donos da JBS — o advogado do presidente, no entanto, já o orientou
a não respondê-las.
Ao contrário do que vêm dizendo auxiliares de Temer, a
Procuradoria-Geral da República deverá incluir na denúncia as
repostas do presidente, se ele resolver responder às perguntas, e a
perícia sobre a conversa que ele teve com Batista na noite de 7 de
março, no porão do Palácio do Jaburu. Segundo disse ao GLOBO uma
fonte ligada ao caso, o Instituto Nacional de Criminalística (INC)
deverá concluir a perícia antes do prazo de 30 dias estabelecido
inicialmente. Com isso, Janot terá tempo suficiente para incluir as
informações dos peritos na acusação formal contra Temer e Loures,
embora não considere o documento essencial para sustentar a denúncia
junto ao STF.
A
tendência da perícia, conforme uma segunda fonte ouvida pelo
jornal, seria demonstrar que não houve adulteração no diálogo
entre Temer e Batista. Ruídos e trechos incompreensíveis da
conversa seriam resultado das características técnicas do gravador
e das circunstâncias da gravação. O próprio Temer, quando tratou
do assunto publicamente, confirmou o encontro com Batista fora da
agenda oficial e ratificou o conteúdo básico da conversa. Para
Janot, o presidente fez uma confissão extrajudicial dos crimes
identificados na conversa com o empresário e nas investigações
posteriores sobre o caso.
A
pressão sobre Temer vem crescendo também desde a prisão de Loures,
no sábado, por ordem do ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato
no STF. O ex-assessor deve prestar depoimento amanhã e, logo depois,
será transferido de uma cela da Superintendência da PF para a ala
federal da Papuda. Ontem, o advogado Cezar Bitencourt, responsável
pela defesa de Loures, ingressou no STF com um pedido de habeas
corpus para o ex-assessor.
Temer e Loures são investigados por corrupção, obstrução de
Justiça e organização criminosa. Loures é acusado de receber R$
500 mil em propina da JBS em nome do presidente. O suposto suborno
seria a primeira parcela de uma propina de R$ 480 milhões a ser paga
ao longo de 20 anos, conforme o sucesso das transações da empresa.
Para o procurador-geral, Loures era o “longa manus" do
presidente, um faz-tudo.
As investigações sobre Temer e Loures começaram a partir da
delação premiada do executivos da JBS, entre eles Joesley Batista.
Na conversa gravada com Temer no porão do Palácio do Jaburu,
Batista disse que, como o ex-ministro Geddel Vieira Lima investigado
e fora de circulação, precisaria de um outro interlocutor que
falasse em nome do presidente. O empresário fez a pergunta depois de
discorrer sobre vários crimes e interesses da JBS em cargos e
decisões estratégicas governo. Temer indicou Loures.
O empresário, então, perguntou se poderia tratar de “tudo”
com Loures. “Tudo”, respondeu Temer. Dias depois, Loures foi
gravado acertando com Batisa cargos e decisões do governo federal
mediante pagamento de propina. Na cena seguinte, o ex-assessor foi
flagrado recebendo uma mala de R$ 500 mil entregue a ele por Ricardo
Saud a mando de Batista. Um dos executivos da JBS a fazer delação,
Saud era um dos operadores da propina da empresa.
SINAL DÚBIO DE DELAÇÃO
No sábado, Loures foi preso em Brasília por ordem de Fachin.
Para o ministro, os crimes atribuídos ao ex-assessor de Temer são
gravíssimos. Ele deve ser mantido preso para evitar que continue em
atividade criminosa. Ele só não foi preso dia 18 de março, quando
teve início a fase pública da Operação Patmos, porque ocupava a
vaga de deputado de Osmar Serraglio, que estava no Ministério da
Justiça. Com o retorno de Serraglio à Câmara, e a perda de foro de
Rocha Loures, Fachin entendeu que não haveria mais obstáculos a
prisão do ex-assessor.
Há duas semanas, um emissário do ex-deputado se reuniu com
procuradores da Lava-Jato em Curitiba e, durante o encontro, quis
saber sobre a possibilidade de Loures fazer um acordo de delação.
Em resposta ouviu que, para obter benefícios, teria que delatar
“toda organização criminosa". Na semana seguinte, o advogado
Cezar Bitencourt foi chamado para defesa do ex-assessor e adotou um
discurso ambíguo.
copiado https://oglobo.globo.com/

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