Copa: "É Justo?", Rio de Paz avalia campeonato nas comunidades cariocas ONG pede opinião de jovens sobre os altos investimentos aplicados para o Mundial
"É Justo?". A
pergunta já recebeu mais de duas mil curtidas até esta segunda-feira
(21), no perfil criado pela ONG carioca Rio de Paz para avaliar a
realização da Copa do Mundo da Fifa no Brasil, a partir de junho deste
ano, comparada ao estado de miséria em que vivem os cariocas nas
comunidades. O idealizador da campanha virtual e fundador da Rio de Paz,
Antônio Carlos Costa, questiona aos internautas se "é justo que R$ 30
bilhões de verba pública sejam investidos na Copa, que proporcionará à
Fifa um lucro de R$11,4 bi, sem retorno para o povo brasileiro".
Durante
as três últimas semanas, a ONG visitou as comunidades do Jacarezinho,
Varginha, Mandela, Manguinhos, Nova Holanda e Parque União, localizadas
na Zona Norte da cidade, para avaliar a que ponto os projetos gerados em
função do campeonato mundial podem favorecer a vida dos moradores
desses lugares. O simbolo da campanha do Rio de Paz é uma bola com a
cruz vermelha, que representa 'o repúdio ao uso de verba pública
na realização da Copa no Brasil', como explica Costa.
A bola
passou de mãos em mãos de uma garotada que só vai assistir os jogos da
Copa pela telinha de TV e comemorar cada vitória da seleção brasileira
dentro da comunidade. "É bem verdade que já havíamos feito manifestações
com bolas pintadas com cruzes vermelhas em Copacabana, Brasília e na
sede da Fifa, em Zurique. Mas, em áreas de miséria e exclusão, começamos
há pouco tempo, no Jacarezinho, na Zona Norte do Rio", contou Costa. A bola vermelha é símbolo da campanha da ONG Rio de Paz, que percorre as comunidades cariocasNo
seu contato com os adolescentes e jovens dessas comunidades, Antônio
percebeu que um mínimo de esclarecimento é suficiente para eles
participarem da campanha livremente. "Não é tarefa difícil vê-los se
comunicar por meio da expressão facial o quanto puderam compreender do
sentido da campanha. Eles entendem que houve uma inversão de valores.
Que investir em educação e saúde era mais importante", afirma. O
fundador da Rio de Paz aprendeu mais uma lição durante a campanha: "Saí
desses encontros com esses meninos e meninas que vivem em estado de
vulnerabilidade, privação e exclusão certo de que não é tarefa difícil
explicar para o pobre as injustiças sociais do país e o quanto o poder
público erra com a população. Vou mais longe. Dá para mobilizá-los para o
bem."
Segundo
Antônio, a ideia da campanha está inserida na forma de atuação do Rio de
Paz, com ações pacíficas, criativas e baseadas em fatos, que por si
sós, fazem mais estrago na imagem do poder público do que o uso da
violência em manifestação, o que a ONG condena veementemente. "A causa
dessas manifestações é o uso de dinheiro do contribuinte na Copa do
Mundo. Nosso objetivo é mexer com a cultura política do país, tão
caracterizada pelo uso de verba pública à revelia do povo e sem retorno
para a população. Esperamos que, através dessa pressão política nas
ruas, algum legado dessa competição fique para as comunidades pobres do
Brasil. Até agora, na vida das favelas em que trabalhamos, o retorno
social é zero. Não há nada tão concreto quanto os estádios de futebol
que foram preparados para a Copa no Brasil", disse Antônio.
Na
visão de quem visitou as comunidades e viu de perto as mazelas
provocadas pela falta de investimento, o uso de verba pública na Copa do
Mundo sem retorno social proporcional ao investimento feito é sintoma
"da nossa patologia política". Antônio destaca que o grito do povo pode
fazer com que o dinheiro do contribuinte retorne para população, tão
carente de serviços públicos, e ainda que estes estejam à altura da
dignidade humana. "Não podemos mais conviver com escolas que não educam,
hospitais que não curam e segurança pública que não protege".
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